INSTITUTO DE ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - CENTRO IEDI DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA - NACIT/UFBA.
TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS
Tendências Gerais do Complexo
- Padrão de produção e comércio internacional
- Progresso técnico
Além da produção da maioria dos produtos químicos básicos ocorrer em muitos países, os mercados para estes produtos estão integrados de tal forma que os preços do mercado internacional são determinados pelas relações de oferta-procura à escala global. Esta característica do setor incentiva a internacionalização das maiores empresas: a participação no mercado global não se dá necessariamente através das exportações do país anfitrião, especialmente de matérias-primas e pseudo-commodities. Pelo contrário: a concorrência no mercado global exige o estabelecimento de capacidade de produção nos mercados estrategicamente mais atraentes.
Tendo isto em conta, o fluxo de investimento directo na indústria química não tem sido principalmente dos países industrializados para o Terceiro Mundo. A participação dos países recentemente industrializados (incluindo a América Latina) nas exportações mundiais cresceu de 2,2 mil milhões de dólares em 1981 para 5,0 mil milhões de dólares em 1987 e atingiu 9,7 mil milhões de dólares em 1989 (ver Tabela 1). A maioria dos países industrializados desenvolveu políticas que incentivam a implantação de capacidade de produção química.
Para os países ricos em petróleo e gás natural, a disponibilidade de matérias-primas a preços altamente competitivos torna a produção de produtos químicos básicos uma extensão natural da indústria petrolífera. É importante notar que a participação dos NICs no mercado de exportação é fortemente influenciada pelos países produtores de petróleo e gás natural. Por esse motivo, o mecanismo de precificação de produtos de grande tonelagem (commodities e pseudocommodities) no mercado internacional utiliza como parâmetro os custos marginais de produção.
Isto significa que dos 350 mil milhões de barris adicionados às reservas mundiais existentes em 1979 (640 mil milhões de barris), 335 mil milhões de barris vieram do crescimento das reservas nos países membros da OPEP. O resultado dos investimentos foi a chamada balcanização da produção, que em 10 anos aumentou a participação na produção mundial dos países em desenvolvimento que não estavam alinhados com a OPEP de 5,8% para 15,9%. Ao longo de sua história, a estrutura da indústria tem mudado constantemente devido a inovações de produtos, processos, aplicações, organizacionais e de marketing.
Porém, os grandes avanços no uso da microeletrônica na indústria química ocorrem quando o controle de processos é integrado à engenharia (área de projetos) e à área corporativa (sistemas de gestão).
Empresas e Países Líderes
Fatores Determinantes da Competitividade
- Fatores internos à empresa
- Fatores estruturais
- Fatores sistêmicos
A simplificação de estruturas e sistemas de controlo e a adopção de filosofias de gestão que favoreçam a iniciativa e a capacidade de decisão dão o tom desta transformação. Qualquer que seja a estratégia adoptada, as condições de acesso às matérias-primas constituem um factor crítico de competitividade. No caso das pequenas empresas especializadas, o fator crítico é a capacidade de responder prontamente com soluções tecnológicas às solicitações do mercado.
A capacidade de sobrevivência das pequenas empresas independentes, comparativamente às megaempresas, está relacionada com a agilidade de resposta ao mercado e flexibilidade produtiva. O tamanho e o grau de sofisticação da demanda determinam a escala de atuação, a capacidade de acumulação e a possibilidade de desenvolvimento de produtos e aplicações. Capacidade de aproveitar oportunidades de mercado motivadas por mudanças políticas e económicas e pela formação de zonas de comércio livre.
COMPETITIVIDADE DO COMPLEXO QUÍMICO BRASILEIRO
Desempenho
O desempenho da indústria petrolífera brasileira é satisfatório, levando-se em conta os principais indicadores de competitividade do setor. As reservas nacionais provadas de petróleo duplicaram nos últimos dez anos para 3,6 mil milhões de barris, o equivalente a oito anos de consumo nacional, e representam uma melhoria no rácio reservas/produção de 12,1 em 1989 para 15,8 em 1992. Custos de Produção Actuais 6 USD -10 bbl são comparáveis aos executados fora da área dos grandes produtores e abaixo do preço do mercado internacional.
Em termos de rentabilidade (lucro operacional/ativo líquido), de 1986 a 1989, período em que ainda estava sujeito a controles de preços, a rentabilidade média do setor petroquímico começou a cair para 11% após atingir 16,4% em 1987. 0,1% em 1989. Essas perdas não estão relacionadas apenas à contração do mercado interno, mas também à abertura às importações e à crescente redução tarifária, num cenário internacional de grandes excedentes petroquímicos, além da instabilidade dos preços da nafta. . O Brasil é autossuficiente na produção de nitrogênio e fósforo, mas permanece uma lacuna na capacidade de produção de potássio (consumo aparente de 1.202 mil toneladas de nutrientes, contra uma oferta interna de 68 mil toneladas em 1990), causada pela baixa ocorrência de produção de potássio. esse mineral no país.
Um dos aspectos negativos do desempenho do setor é o alto nível de ociosidade com que tem atuado nos últimos anos: num período em que o consumo aparente estagnou em torno de 3,2 mil toneladas de nutrientes por ano, a capacidade instalada aumentou 45%, o que é mais do que o nível de 6 milhões de toneladas/ano. Vale destacar que a possibilidade de exportar é muito importante para evitar efeitos negativos na rentabilidade do setor decorrentes da sazonalidade da demanda no mercado interno. A análise do desempenho da indústria com base em indicadores de desempenho por segmento de produto – fosfatos e nitrogênio – mostra as mesmas conclusões.
Houve avanços significativos na produção químico-farmacêutica durante a década de 1980 na área de medicamentos já descobertos (que no caso brasileiro não se limita aos produtos genéricos devido à lei de patentes, que está sendo alterada). Primeiro, a sua forte internacionalização: mais de 80% do mercado nacional de medicamentos é ocupado por empresas estrangeiras. Embora o número de empresas nacionais que partilham os restantes 25% do mercado seja superior ao número de empresas líderes, apenas quatro delas detêm individualmente uma quota de mercado superior a 2% do total.
A comparação das estruturas de custos de produção de defensivos agrícolas no Brasil e nos EUA mostra que os maiores custos de capital, insumos e transporte incorridos pelo produtor brasileiro são os principais responsáveis pelas diferenças encontradas entre os dois países.
Capacitação
Em relação à implementação de Programas de Qualidade Total, dentro do espírito do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP), pode-se dizer que a maioria das empresas está envolvida. O objetivo é adequar os sistemas de qualidade aos requisitos da ISO 9000, tendo em conta a necessidade de desempenho. Resta saber se, além da ISO 9000, existe uma consciência real no topo da filosofia da qualidade total e das suas implicações para a política de recursos humanos e práticas de gestão.
Num período de relações laborais conturbadas, provocadas por despedimentos, queda dos salários reais, impossibilidade de celebração de contratos de trabalho sustentáveis e indefinição de regras de participação nos ganhos de produtividade, pode-se duvidar do sucesso destes programas de qualidade total, que trazer a competitividade do setor está em risco. Numa perspectiva de perfil, nota-se que as empresas privadas nacionais são geralmente caracterizadas por um baixo nível de capacidade tecnológica e empresarial. No segmento de empresas semiintegradas destacam-se as empresas do grupo Petrofértil, que através de melhorias de processos conseguiram aumentar a capacidade produtiva de algumas fábricas, alcançando assim uma escala mínima eficiente.
Em termos de capacidade de gestão, algumas empresas estão envolvidas na implementação de programas de qualidade total. Através destes programas, pretende-se adequar os sistemas de qualidade às disposições da série ISO 9000, a fim de melhorar o desempenho no mercado externo. Não poderia ser de outra forma, pois atender a rígidos padrões de qualidade dos produtos é um pré-requisito para estar no negócio.
Portanto, todas aplicam BPF (Boas Práticas de Fabricação), e algumas também implementam sistemas de qualidade total, abrangendo seus fornecedores. O desenvolvimento de novos produtos e a melhoria de processos são também objectivos fundamentais para as empresas mais qualificadas do sector. A ênfase colocada nos sistemas de qualidade e nas atividades de I&D é necessária para trazer produtos novos e fiáveis ao mercado.
Por outro lado, as grandes empresas multinacionais têm procurado aumentar a formação produtiva através, principalmente, da adopção de programas de qualidade total, embora nem sempre identifiquem programas do tipo ISO 9000 como os mais adequados.
Oportunidades e Obstáculos à Competitividade
- Fatores internos à empresa
- Fatores estruturais
- Fatores sistêmicos
PROPOSIÇÃO DE POLÍTICAS
- Diretrizes Gerais
- Políticas de Reestruturação Setorial
- Políticas de Modernização Produtiva
- Políticas Relacionadas aos Fatores Sistêmicos
No caso de ruptura de um monopólio, isto deveria ser encorajado através de uma política de flexibilidade gradual. Especialmente no caso da produção de fertilizantes, a política deve ser compatível com as necessidades de aumento da produtividade da agricultura brasileira. A definição da política de compras para o setor farmacêutico é um instrumento de fundamental importância para o aumento da produção e da capacidade tecnológica nesta área.
No que diz respeito aos pesticidas agrícolas, os esforços para desenvolver técnicas de controlo integrado e a utilização do controlo biológico na agricultura devem ser considerados uma prioridade, que deve ser incentivada pela política agrícola. Além disso, a utilização do mecanismo deverá ser transparente interna e externamente e deverá ser negociada no âmbito do Mercosul. Mercosul: primeiro, no que diz respeito à química básica, deve-se buscar uma equalização na política de preços das matérias-primas (petróleo e gás natural), para evitar a concorrência em bases inadequadas.
INDICADORES DE COMPETITIVIDADE
Competitividade da indústria do petróleo - André FURTADO e Newton MULLER do Instituto de Geociências da UNICAMP;. Competitividade da Indústria de Fertilizantes - Eduardo RAPPEL e Elizabeth LOIOLA do Núcleo de Política e Administração Científica e Tecnológica (NACIT) da UFBA;. Competitividade da indústria de defensivos agrícolas - José Maria SILVEIRA do Instituto de Economia da UNICAMP.
Ao mesmo tempo, os gastos com P&D na indústria química dos EUA corresponderam a 4,7% das vendas líquidas, enquanto para toda a indústria foram de 2,8%. Estes números da indústria dos EUA podem ser vistos como uma referência para empresas líderes da indústria química nos países industrializados. Os investimentos em I&D são vistos pelas empresas líderes como parte de uma estratégia mais ampla que tem em conta a “intensidade científica” da indústria.
A importância da integração para a competitividade da indústria química (e petrolífera) pode ser destacada pelo exemplo de países que possuem empresas, conforme mostra a Figura 3. A Petrobrás investiu 0,7% de sua receita em P&D em 1992, o que o coloca em posição única posição no país e entre as empresas da indústria petrolífera que mais investem nestas atividades. A actual crise industrial tem mostrado casos de fusões defensivas, com o objectivo de melhorar a competitividade das empresas nacionais que operam em áreas que exigem um elevado grau de formação tecnológica.
A falta de modernização tecnológica dos equipamentos e sistemas de gestão de processos é um sério obstáculo à competitividade da indústria fosfatada. Essa ruptura societária contraria as tendências do complexo químico e da indústria de fertilizantes no mundo. No caso da indústria petroquímica, já compete por alguns produtos com importações de países cujo setor está estruturado para a competitividade.
Nesse período, as importações da indústria de transformação, que utiliza PVC, voltaram a aumentar. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da integração da indústria com a infra-estrutura tecnológica é de crucial importância na busca pela competitividade. Além disso, enfoca a competitividade da indústria petrolífera brasileira e enfatiza as relações de trabalho em toda a cadeia petrolífera.
Para a indústria petroquímica, esta formação é essencial, pois estes produtos no mercado internacional são normalmente comercializados abaixo do preço interno, o que caracteriza o chamado dumping estrutural do sector. No que diz respeito à indústria de fertilizantes, o atual sistema tributário, que estabelece tarifas fixas para o tipo de produto, é considerado insuficiente para lidar com as condições especiais da concorrência internacional no setor.