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DA ONTOLOGIA EM SANTO AGOSTINHO: DEUS E O MAL

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Academic year: 2023

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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à coordenação do curso de Licenciatura em Filosofia da Universidade Federal da Paraíba como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Licenciado em Filosofia. Trabalho de conclusão de curso de graduação em filosofia do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba. Resumo: Este trabalho trata da ontologia agostiniana que toca em um clássico problema moral, que é a ocorrência do mal na realidade humana.

No entanto, o pivô que norteia o desenvolvimento desta monografia não é o problema moral do mal, mas e sobretudo sua consistência ontológica à luz da creatio ex nihilo - ensinamento fundamental da teologia cristã - que uma bondade relativa intrínseca à criação preconiza , e neste passo está a questão da ocorrência anormal do mal em seres relativamente bons. A questão da existência do mal e sua consistência dentro de uma ordem mundana harmoniosa tem um locus especial na história da Filosofia. 10 anos, até se deparar com os escritos neoplatônicos de Plotino, que possibilitaram uma nova compreensão da natureza divina e consequentemente uma aproximação com o cristianismo e uma nova interpretação da natureza metafísica do mal.

Portanto, o trabalho se propõe inicialmente a examinar a concepção ontológica do mal presente na religião filosófica maniqueísta e o modo como desenvolvem sua cosmologia, que Agostinho desenvolve no De libero arbitrio e no De natura boni. Propõe-se um estudo sobre a ontologia agostiniana, especificamente no que diz respeito aos problemas da existência do mal.

AGOSTINHO, HORTENSIUS E O MANIQUEÍSMO

15 invocar o Senhor - formou a alma do Homem Primordial, que é uma emanação da própria substância divina, a fim de se libertar da prisão estabelecida. Segundo a fé católica e a sã doutrina, estas coisas são tais para aqueles que compreendem a verdade manifesta, que ninguém pode prejudicar a natureza de Deus, nem a natureza de Deus pode prejudicar alguém injustamente, nem permitir que alguém sem punição faça alguma coisa. dano. Para isso, abordaremos os aspectos importantes de sua doutrina do conhecimento, especialmente o problema da existência de Deus que aparece, aliás, em meio ao diálogo entre Agostinho e Evod, no De libero arbitrio.20.

Agostinho, de fato, faz dois pressupostos básicos para tratar da existência de Deus - boa fé e fidelidade - sem os quais a reflexão honesta da questão é impossível. No entanto, como "é possível que algumas pessoas sejam de fato ignorantes de Deus", isso apenas mostra "um defeito nelas, pois Deus está presente para elas e só exige ser conhecido por elas", daí a pergunta "qual é o razão para a sua ignorância?”30. O argumento da supremacia divina, apresentado no capítulo Ascensio ad Veritam, mostrava a maturidade intelectual de Agostinho quanto à natureza de Deus.

No De doctrina christiana, no Livro I, o filósofo trata de uma síntese dogmática dos atributos divinos, a partir da concepção católica da Trindade de Deus. Além disso, há um entendimento claro no pensamento agostiniano de que a razão não inclui a integridade da sabedoria e precisa de boa fé ou sinceridade e fé para pensar verdadeiramente sobre questões fundamentais como a natureza de Deus. Por outro lado, seria exagero afirmar a impossibilidade mesmo de um conhecimento aproximado de Deus.

Aliás, essa concepção agostiniana da natureza divina é uma resposta direta ao que pregava o maniqueísmo, onde o Reino da Luz - Deus - era influenciado pelas ações externas do Reino das Trevas - o mal - o que não corresponde à ideia de um ser supremo. Deus é o ser por excelência, ou seja, quando dizemos que algo é, só se pode falar plenamente de Deus. A partir disso se estabelece a tensa relação entre o variável e o imutável, em que o reino da multiplicidade encontra sua identidade na unidade do Ser de Deus.

E porque todas as coisas são boas, sejam elas grandes ou pequenas, quaisquer que sejam os graus de bondade das coisas, não pode proceder senão de Deus. Além disso, estabelece-se a diferença radical entre a natureza de Deus e a natureza das criaturas, em que a ontologia da relação é fundamental para a compreensão do problema do mal, pois todas as naturezas existentes devem seu ser Àquele que é. Agostinho, portanto, argumenta que todas as criaturas têm uma perfeição relativa porque, se fossem absolutas, coincidiriam com a essência de Deus - o que é um absurdo.

Agora, considere onde pode proceder esse movimento de aversão, que admitimos constituir pecado - como é um movimento defeituoso e todo defeito vem do não-ser, por favor, não hesite em afirmar sem hesitação que não procede de Deus. Nesse sentido, a transição do maniqueísmo para o cristianismo se deu por meio das leituras do libri platonicorum, em que a ideia de espírito provocou uma expansão na mente do doutor Gratiae, e assim toda a sua concepção de Deus foi renovada.

ASCENSIO AD VERITAM

DEUS E A ONTOLOGIA AGOSTINIANA

As concepções maníacas que ele tinha da natureza divina e do mundo, a negação de tudo o que é imaterial e o ceticismo que o cercou por um tempo em sua juventude; todos esses aspectos de sua biografia intelectual marcaram profundamente o modus vivendi do homem que se tornaria a maior referência de todos os tempos na Idade Média ocidental, e uma das chaves interpretativas para entender essa influência é entender sua ontologia de relacionamento – Deus e criaturas. Primeiramente, é importante definir as características desse Ser supremo, o ser mais elevado na hierarquia das naturezas no pensamento agostiniano. Esse conceito é fundamental porque aponta para uma ontologia relacional na própria estrutura da natureza divina, onde Deus é três pessoas distintas, mas os três unidos são de uma só substância.

Esta passagem já apresenta um Agostinho que não se recusa a usar elementos da fé para refletir questões de natureza filosófica. Seu ser é imutável e eterno, aliás, seria incoerente que o ser supremo fosse afetado pelo devir existencial. Além disso, há raízes hebraicas na identificação de Deus como Ser (aquele), evidenciado pelo encontro de Moisés com a sarça ardente, Deus o ordena a dizer ao povo seu nome como "eu sou quem eu sou".

Daí deriva o seguinte princípio: tudo o que não é Deus não é perfeito, sobretudo existe contingentemente. É, portanto, uma parte exclusiva da natureza divina existir de forma permanente e imutável, atributos que são sintetizados na imutabilidade. Caso contrário, para que algo seja imutável, deve ser tal que não possa perder ou adquirir ser.

Assim, a ontologia de Agostinho consiste apenas em naturezas ou existências que têm um ser, seja em menor ou maior grau, com Deus como o mais perfeito e o mais elevado na hierarquia dos seres. Além disso, sendo Ele o Bem supremo, toda existência que dEle emana também é boa, mesmo que não seja da mesma natureza divina. Assim, o mundo compreendido por Santo Agostinho nasce de uma ação criadora e livre de Deus, na qual, ao mover o relógio da história através do Filho unigênito ― ou como os hipopótamos costumam referir-se a Cristo: o Verbo de Deus ―, como foi prefigurado no Evangelho de João66, o tempo, o espaço e toda a matéria são criados; É evidente que ele tem o conceito de Deus como uma entidade referencial que é autossuficiente, ilimitada, perfeita, benevolente e, portanto, não precisa de nada para lhe dar sentido ou existência.

33 Portanto, a ontologia agostiniana é composta apenas por naturezas ou substâncias existentes, que são boas como seres existentes, pois tudo o que Deus fez é bom.

O MAL E A ONTOLOGIA AGOSTINIANA

Agostinho nos leva a compreender a consequência ética de sua ontologia, a saber: o livre-arbítrio nos foi dado como um bem de Deus, para que pudéssemos viver com justiça74 e assim alcançar uma vida feliz, que se dá como fruto do sumo bem . Aqui Agostinho argumenta que o livre-arbítrio foi dado por Deus porque é natureza e, como é, é bom. Ele também tenta não cair no determinismo do livre arbítrio, que é algo ruim porque pode nos levar ao pecado, mostrando que somente através dele “podemos agir com justiça”.

Assim, o livre-arbítrio ocupa uma posição intermediária na hierarquia ontológica entre as pequenas mercadorias e as grandes mercadorias, porque é um dos poderes da mente,76 como a inteligência e a memória. Além disso, pela possibilidade inerente ao livre arbítrio da vontade, o homem pode vincular-se concretamente a bens inferiores para uso privado, negando o bem imutável em favor dos bens temporais. 38 naturezas, por sua impermanência, e que se revela principalmente pelo mau uso de um bem médio, acima referido como livre arbítrio da vontade.

O mal moral consiste, para o santo doutor, não na ação de uma natureza má, mas sobretudo no abandono de uma natureza melhor, e isso se mostra indubitavelmente pelo mau uso do bem. Assim, Santo Agostinho apresenta, ao final do segundo livro do De libero arbitrio, a origem do mal moral - ou como Hiponesio também chama de pecado - na defectividade do livre arbítrio da vontade, fundado no movimento que a alma nos faz gozar dos bens temporários em detrimento dos bens superiores, desviando-nos do Bem Superior e, portanto, não nos tornando o que deveria ser. Somente no exercício das virtudes a vontade pode usar o livre-arbítrio para o que ela se tornou: voltar-se para o Ser Supremo para ser melhor, pois é possuindo o próprio doador da existência que nos tornamos melhores e, com efeito, agindo bem.

A ascensão à Verdade é a chave para uma clara compreensão da existência de Deus, na qual coincidem o Sumo Bem e o Sumo Ser. A dinâmica de aproximação ou afastamento do Supremo Bem também é decisiva para o bom uso do livre arbítrio da vontade, que, como bem médio, tanto pode querer viver retamente quanto contentar-se no abismo dos vícios privados. Também aqui persiste o conceito de mal como privatio boni, apenas mudando o enquadramento de um ontológico para um ético, em que as ações humanas são compreendidas através do bom ou mau uso do livre arbítrio.

Conforme a tendência da vontade humana, o livre arbítrio pode aperfeiçoar-se em sua vontade voltando ao Sumo Bem, no exercício disciplinado das virtudes; distintamente, também pode perder o ser e alcançar apenas a ilusão da posse de bens temporais, levando ao não-ser.

Referências

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1- Um robô não pode ferir um ser humano ou por omissão permitir que um ser humano sofra algum mal.. 3- Um robô deve proteger sua própria existência, desde tal proteção não entre