Este trabalho se propõe a discutir como surgem algumas das tradições da Escola de Minas de Ouro Preto. E o argumento que surge a cada tentativa de discutir o assunto é a tradição das repúblicas estudantis em Ouro Preto.
História Oral
O processo de escolha e a ordem das entrevistas respeitaram os critérios previamente definidos, a saber: ter sido aluno da Escola de Minas de Ouro Preto; seu ano de formação; foram residentes. Em nosso trabalho, como resultado, nos deparamos com o silêncio sobre a trajetória da Escola de Minas de Ouro Preto e a relação entre alunos, escola, professores e egressos. Partindo da perspectiva aqui discutida, portanto, seja em relação à memória social ou mesmo em relação à História Oral, nos deparamos com o desafio de trabalhar com o grupo de ex-alunos da Escola de Minas de Ouro Preto que escolhemos.
Falar dessa história, porém, nos obrigava a citar inúmeras vezes quem a iniciou, o organizador e primeiro diretor da Escola de Minas de Ouro Preto, o francês Claude-Henri Gorceix. O motivo da recusa foi que o diploma da Escola de Minas de Ouro Preto não qualificaria seu titular para lecionar na Politécnica. Esse professor, aliás, trabalhou nos bastidores para assumir o cargo de Diretor da Escola de Minas.
Se menos, não pela engenhosidade com que foi utilizado o nome do primeiro diretor da Escola de Minas de Ouro Preto. Portanto, neste capítulo pretendemos discutir alguns elementos da história da Escola de Minas de Ouro Preto a partir dos depoimentos de ex-alunos da escola na década de 1940. Ouro Preto é considerada a maior glória que um ambicioso engenheiro poderia alcançar entre as décadas de 1930 e 1940.
Chegavam a Ouro Preto, geralmente na adolescência, para cursar um curso anexo na Escola de Minas, que funcionava como. A história da Escola de Minas de Ouro Preto revela, sem dúvida, os caminhos percorridos pelo ensino superior brasileiro nos últimos cento e vinte e sete anos. Compreender as décadas de história da Escola de Minas de Ouro Preto e a vida de seus ex-alunos na cidade e na escola parece fundamental para compreender o funcionamento da atual Universidade Federal de Ouro Preto.
Memória
AInvenção de Tradições
A Escola de Minas de Ouro Preto
Pedro II, a Escola de Minas e sua organização
Essa proposta de modernização foi, assim, pautada por uma política de diversificação produtiva (que, porém, não abandonou a cafeicultura); na modernização agrícola e numa ousada política mineral (DULCI) em que se enquadram muito bem muitos ex-alunos da Escola de Minas. O Gráfico I mostra o alto índice de ingresso de ex-alunos da EMOP no setor público de Minas Gerais no período acima.
Escola de Minas: de Ouro Preto? Entre sair da cidade ou ser
Na parte anterior deste trabalho, foi apresentada uma breve discussão sobre a criação da Escola de Minas de Ouro Preto, sua organização e sucesso nas primeiras décadas de funcionamento. Por meio dessa revista, ex-alunos e professores, além de políticos e empresários - muitas vezes ligados de alguma forma à escola - assumem discursos em defesa da Escola de Ouro Preto (na maioria das vezes de forma velada) tanto quanto defendem a criação de a Universidade na cidade, fortalecendo a ligação da instituição com a cidade. Getúlio Vargas, conforme noticiado na época, havia dito ao prefeito de Ouro Preto, que o procurara, alarmado com a campanha para a retirada da Escola de Minas da antiga capital, que poderia voltar com tranquilidade e acalmar os ourives Preto. , pois o glorioso instituto só sairia de Ouro Preto quando Itacolom* saísse de lá.
Como exemplo de nomes que assumiram os discursos em defesa de Ouro Preto como sede da escola e da criação da universidade, podemos lembrar nomes como Euvaldo Lodi, que chegou a ser membro do CNMM. A escolha da antiga e gloriosa Ouro Preto como sede da universidade não se inspirou apenas em um critério econômico - aproveitar a notável organização da Escola de Minas e Metalurgia. Recorde-se, portanto, que nesse período já estava instalado em Ouro Preto o parque metalúrgico Escola de Minas e Companhia Siderúrgica de Saramenha, de propriedade de Américo Renné Giannetti, ex-aluno da escola.
Argumentos dessas proporções foram utilizados em diversos casos pelo jornal em defesa da criação da Universidade, ou pela manutenção da Escola na cidade de Ouro Preto. Em outras palavras, a crise iniciada na década de 1940 se arrastou por quase 20 anos e foi indiretamente responsável pela criação da Universidade Federal de Ouro Preto, que surgiu, como novamente aponta Carvalho (2002), como uma tentativa de reconstruir o prestígio da Escola de Gorceix.
O Espírito de Gorceix. A construção da imagem do fundador da Escola
Seja em artigos de ex-alunos da escola (geralmente nas páginas da Revista da Escola de Minas), seja em biografias (como E1MA, 1977) ou em textos sobre o surgimento da escola (como CARVALHO, 2002 e ROQUE , 1999), considerou Gorceix sempre como alma nos primeiros anos da escola. Em 1959, foi criada a Fundação Gorceix (FG) como uma homenagem ao ex-diretor e uma forma de conectar os ex-alunos da Escola. 34;(..) tudo que eu faço hoje, todo meu comportamento, é consequência da seriedade do curso da Escola de Minas.
30 É importante lembrar que a maioria dos ex-alunos da Escola de Minas, principalmente até a década de 1950, eram familiares. Conforme discutido aqui, na parte anterior deste texto, a relação entre os alunos da Escola de Minas e a cidade de Ouro Preto, nas décadas de 1930 e 1940, era bastante saudável e até cooperativa. Foram muitas as namoradas, aliás, que os alunos da Escola arranjaram em Ouro Preto e que acabaram se tornando suas esposas.
Eram, portanto, os alunos da Escola de Minas - salvo qualquer problema excepcional - bem relacionados tanto com a cidade quanto com seus habitantes. Convidado para palestrar em festa de aniversário da Escola de Minas, no início dos anos 1990, não morador de.
A EMOP e a cidade de Ouro Preto na memória de seus ex-alunos
A Escola de Minas segundo seus ex-
O estabelecimento de uma tradição em torno da Escola de Minas de Ouro Preto envolveu muitos dos fatores reais de sua existência e muito esforço - mesmo que inconscientemente - de seus membros na construção de uma imagem da instituição e tudo a ela relacionado. Sim, nasci com a escola estava no auge, digamos, no auge do ensino, então quando cheguei à Escola de Minas, a Escola de Minas que eu lembro era realmente uma escola próspera e ativa e costumava ser a melhor. E a escola mineira, pela seriedade com que ministrava seus cursos, influenciou muito o que chamo de "espírito de Gorceix".
Já nesse período, era notória a reputação da escola como, por um lado, centro de excelência na formação de engenheiros - carreira, como já discutido aqui, que despontava no país graças à ascensão de elites técnicas32, principalmente pela ideia que surgiu em torno dela - e por outro lado pela grande facilidade com que os ex-alunos encontraram emprego quando se formaram. Quando eu estava no segundo ano suplementar, em outubro, o jornal O Globo, que meu pai comprava, trazia uma reportagem muito extensa, com cerca de duas páginas, sobre a Escola de Minas, o aniversário da Escola de Minas, o vida da República, e meu pai lia e me mostrava o jornal (...) A escola tinha uma reputação extraordinária. A Escola de Minas torna-se, portanto, importante na vida desses homens na medida em que é o ponto de partida de suas vidas profissionais.
Mas a conquista educacional mais importante, na minha opinião, do imperador Pedro II, foi a Escola de Minas de Ouro Preto. Além disso, a Universidade só pode ser grande – na opinião destes ex-alunos – se conseguir absorver o espírito da Escola Mineira, o espírito de Gorceix, “que hoje acalentamos como um verdadeiro deus”.
Ouro Preto, os ouropretanos e a
- A cidade e os estudantes
- Os ouropretanos e os estudantes
Segundo um entrevistado, a qualidade das moradias na cidade de Ouro Preto entre as décadas de 1930 e 1940 não era das melhores e não havia sequer rigidez nos contratos de aluguel quanto aos prazos. Este seria um fato de relativa importância não fosse a reiterada afirmação que o jornal Tribuna de Ouro Preto apontou sobre os cozinheiros. Mas, assim como o Centro, o Bar do Januário também se tornou referência na memória dos ex-alunos de Ouro Preto e sua história é próxima à do Centro.
Um dos clubes mais importantes de Ouro Preto, na minha época, era o Centro Acadêmico de Ouro Preto, que era praticamente o clube da cidade (ecp). Muito se fala nas entrevistas sobre o alto número de alunos que se casaram com moças das famílias mais tradicionais de Ouro Preto e região. Por meio da Sociedade Amigos de Ouro Preto (SAOP), eles interferiram na rotina de Ouro Preto, propuseram políticas públicas para o município (e a Tribuna é um exemplo claro dessa prática) e atuaram, com a influência que adquiriram quando empregados, na resolução de problemas locais36.
A título de exemplo, cabe-nos comentar posicionamentos como a discussão travada em Ouro Preto na década de 1940: a necessidade de um centro esportivo. Envio transbordantes parabéns, caro sertanejo, motivo de consideração do governo do estado que manda construir o Campo Esportivo em Ouro Preto.39.
Os estudantes e suas repúblicas
Segundo um atual supervisor, os ex-alunos mais antigos (alguns fundadores da casa na década de 1930) sempre ligam para perguntar sobre o andamento da vida na república. O caso das fotos de ex-alunos formados pela escola nos muros das repúblicas onde moraram. A comemoração do aniversário da Escola, portanto, mistura orgulho e certa nostalgia entre seus ex-alunos.
À medida que se fazia necessário um lobby, tornava-se necessário também arregimentar um grupo cujas ideias, de forma coerente, pudessem defender a influência da escola e, mais precisamente, dos seus ex-alunos. Mais do que isso, era importante examinar como a escola construiu algumas tradições por meio de seus ex-alunos. Nosso primeiro capítulo, portanto, trata da fundação e influência da escola em suas primeiras décadas, além das possibilidades de implantação de seus ex-alunos.
Também pudemos perceber a influência política do grupo de ex-alunos formado pela Escola. No quarto e último capítulo, dedicamo-nos à memória de um grupo de ex-alunos da escola do período de 1930 a 1940, a fim de tentar reconstruir a cidade de Ouro Preto naquele período, as relações entre moradores e alunos e, sobretudo, como algumas das tradições da escola foram delineadas naquele período, que serão finalmente incluídas posteriormente.