A avaliação das organizações de saúde para pessoas vivendo com HIV/AIDS foi realizada com base nos pilares da qualidade de Donabedian (efetividade, eficiência, eficácia, equidade, aceitabilidade, legitimidade e otimização), que funcionam como áreas temáticas onde a informação é produzida por diversos atores internos e externos . Esta dissertação procura representar a aprendizagem em termos de conceitos, estratégias e métodos de avaliação de organizações de saúde.
2 METODOLOGIA
A investigação foi realizada em dois conjuntos de atividades simultâneas, interdependentes e complementares: revisão da literatura de avaliação de organizações, especialmente organizações de saúde, e coleta de dados sobre organizações de saúde de pessoas com HIV/Aids no Brasil. especialmente na cidade de São Paulo. A revisão da literatura sobre avaliação de organizações de saúde foi organizada em dois capítulos, com o objetivo de delinear os principais conceitos utilizados nesta tese.
3 AVALIAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE
ASPECTOS CULTURAIS DOS CUIDADOS DA SAÚDE
Este contexto inclui os tipos de organizações de saúde disponíveis, as condições de acesso das pessoas com doenças a essas organizações e os modos de interpretação e representação que as pessoas com doenças usam para explicar seu estado de saúde. As pessoas com doenças estão no centro das redes terapêuticas, que estão ligadas a diferentes alternativas de cuidados de saúde.
IMAGENS DAS ORGANIZAÇÕES, METÁFORAS DAS AVALIAÇÕES
As organizações podem ser percebidas e pensadas como processos de dominação social em que pessoas ou grupos encontram formas de impor sua vontade sobre os outros. A avaliação das organizações deve partir da premissa de que as organizações podem ser percebidas e pensadas de várias maneiras ao mesmo tempo.
CONCEITOS BÁSICOS DE AVALIAÇÃO
O processo de avaliação requer explorar formas conflitantes de explicação e tentar chegar a avaliações que tentem integrá-las. A avaliação das organizações pode ser classificada de acordo com diferentes critérios: o momento em que é avaliada, a origem dos avaliadores e os aspetos das intervenções objeto da avaliação.
AVALIAÇÃO ECONÔMICA DAS INTERVENÇÕES
A função de sugerir e introduzir medidas corretivas, adaptações e modificações de intervenções é um feedback para a melhoria da qualidade das organizações de saúde. Entretanto, a aplicação da racionalidade econômica na avaliação das organizações de saúde pode direcionar a decisão de financiamento, mas não pode abstrair outros valores sociais.
AVALIAÇÃO DOS CLIENTES USUÁRIOS
NOGUEIRA considera que o bom senso nas organizações de saúde limita a participação dos clientes usuários nas atividades de avaliação. A participação dos usuários na avaliação das organizações de saúde não substitui a abordagem técnico-científica, mas pode ajudar a mediá-la.
USOS DA AVALIAÇÃO E ÉTICA DA DISCUSSÃO
As pessoas parecem decidir se o incluem ou não e como o valorizam dependendo da forma como interpretam e representam as organizações. Nesse processo, cada um conta ao outro as razões pelas quais ele pode querer que uma maneira de agir se torne socialmente obrigatória.
TÓPICOS DE AVALIAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE
- PESQUISA DE AVALIAÇÃO
- AVALIAÇÃO DE ESTRUTURA
- AVALIAÇÃO DE PROCESSO
- AVALIAÇÃO DE RESULTADO
Os temas de avaliação de organizações de saúde incluem pesquisa de avaliação e avaliação de estrutura, processo e resultado, aplicando o scorecard de Donabedian aos indicadores. As organizações de saúde podem avaliar o uso de suas intervenções, ou seja, o processo de interação entre profissionais de saúde e usuários do cliente. Fatores sociodemográficos e sociopsicológicos dos clientes usuários também influenciam na procura e utilização de instituições de saúde.
As instituições assistenciais podem utilizar o teste de implantação para verificar se os instrumentos e recursos necessários para realizar determinadas atividades em um determinado espaço e tempo são adequados.
5 HISTÓRIA DA IMPLANTAÇÃO DAS TERAPIAS ANTI- RETROVIRAIS PARA PESSOAS COM HIV/AIDS NO BRASIL
O PRIMEIRO AZT A GENTE NUNCA ESQUECE
O Ministério da Saúde classifica a atividade de farmácia como uma das quatorze atividades que serão realizadas por meio do ambulatório de referência: “Compreende-se a dispensação de medicamentos como a disponibilização gratuita dos medicamentos mais utilizados no tratamento da AIDS. A Comissão Nacional de Aids, instituída pelo Ministério da Saúde, dizia em abril de 1986 sobre a doença: "É uma doença grave, com mortalidade estabelecida de 50% em um ano e mortalidade estimada de 100% em quatro anos". a Comissão de AIDS, que reúne doze especialistas, incluindo o Diretor da Divisão Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS.
Nessa reunião, foi aprovada resolução no sentido de que o Departamento Nacional de DST/Aids comunique a relação de seus medicamentos básicos à Central de Medicamentos do Ministério da Saúde, solicitando que seja dada prioridade a partir de 1990.
DEPOIS DO EMPRÉSTIMO DO BANCO MUNDIAL
Em 1994, o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde definiu seis objetivos gerais até dezembro de 1998. O Programa Nacional também definiu os resultados esperados na atenção à saúde das pessoas com HIV/AIDS até dezembro de 1998: 1. Em 1994, o Programa Nacional DST/AIDS publicou diretrizes de conduta clínica em AIDS para adultos e crianças.
Em meados de 1995, o Programa Nacional de DST/Aids informava que distribuía 20 mil frascos de AZT por mês.
INIBIDORES DE PROTEASE
Nesta época, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo promete distribuir o "coquetel" anti-aids. Em outubro de 1996, o Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo publicou um manual de normas para a indicação e distribuição de medicamentos antirretrovirais para portadores de HIV/Aids. Naquela época, no estado de São Paulo, havia treze mil pessoas com HIV/AIDS que tomavam 'coquetéis'.
ONGs do estado de São Paulo alertaram que faltarão mais remédios para pessoas com HIV/Aids.
6 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES DE CUIDADOS DA SAÚDE DE PESSOAS COM HIV/AIDS
EFICÁCIA
A partir de 1994, o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde iniciou o treinamento de equipes para implantação de serviços de apoio especializado. Desde 1995, o Ministério da Saúde realizou a maior inovação entre as alternativas de atenção à saúde das pessoas com HIV/Aids com a implementação da assistência terapêutica domiciliar – ADT. A implantação de equipes de atenção domiciliar terapêutica foi inédita na atenção à saúde de pessoas com HIV/Aids.
Desde 1997, o Ministério da Saúde vem ampliando as atividades de monitoramento e avaliação das equipes de atenção terapêutica domiciliar.
EFICIÊNCIA
O Programa Nacional concentrou esforços para formar o maior número de profissionais para cuidar da saúde das pessoas com HIV/Aids. O Ministério da Saúde abriu as portas da sua formação em cuidados de saúde a pessoas com HIV/SIDA a profissionais médicos não especializados. Os cursos foram realizados no Centro de Referência em Aids da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Vale a pena perguntar sobre as diferenças no manejo clínico e nos resultados dos cuidados de saúde para pessoas com HIV/AIDS entre profissionais de saúde especializados em doenças infecciosas e generalistas treinados no cuidado e uso de terapias antirretrovirais combinadas.
EFETIVIDADE
O uso da terapia tripla combinada para pessoas vivendo com HIV/AIDS, entre outras coisas, mudou as características da doença. Dados do programa de educação em mortalidade no município de São Paulo (SP) mostram uma redução de 30,5% ou 838 óbitos de pessoas com HIV/AIDS entre 1996 e 1997. As taxas de mortalidade no município de São Paulo mostram uma tendência de queda no número de óbitos de pessoas com HIV/AIDS desde a introdução da terapia antirretroviral de combinação tríplice.
As terapias antirretrovirais também mostraram resultados rápidos e eficazes na redução da transmissão vertical de uma mãe grávida com HIV/AIDS para seu filho.
OTIMIZAÇÃO
Uma análise dos custos diretos dos cuidados de saúde para pessoas com HIV/AIDS mostra diferentes níveis. Os custos diretos dos cuidados de saúde para pessoas com HIV/AIDS também mostram graus variados de participação de medicamentos antirretrovirais e infecções oportunistas nos gastos gerais com medicamentos: 21%. As estimativas de custos em nível nacional em função dos custos totais médios dependem da população de pessoas com HIV/AIDS atendidas por instituições de saúde.
As estimativas do custo total anual do atendimento às pessoas com HIV/AIDS no Brasil variaram de R$.
ACEITABILIDADE
As estratégias mencionadas pelas pessoas que vivem com HIV/AIDS nos países em desenvolvimento são as seguintes: nutrição, 71%; A coordenação do Programa de Aids da Secretaria de Saúde de São Paulo tem realizado pesquisas importantes para avaliar a adesão de pessoas com HIV/Aids ao uso de antirretrovirais. Foram entrevistadas 280 pessoas vivendo com HIV/Aids em 27 instituições do Sistema Único de Saúde - SUS no estado de São Paulo.
O acesso gratuito aos medicamentos antirretrovirais é condição básica para a atenção à saúde das pessoas com HIV/Aids.
LEGITIMIDADE
Ampliou-se a comunidade de interlocutores e participantes interessados nas discussões sobre as formas de organização da atenção à saúde das pessoas com HIV/Aids. Neste período, foram realizados 222 projetos de intervenção de ONGs, incluindo projetos de atenção à saúde de pessoas com HIV/AIDS. Vale destacar o aparente paradoxo entre a ruidosa mobilização de grupos de pressão (organizações não-governamentais) para garantir a qualidade da atenção à saúde das pessoas com HIV/Aids e a rigorosa aplicação das condições de empréstimo do Banco Mundial para implantação do programa nacional de DST / AIDS do Ministério da Saúde.
O Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde na apresentação do Projeto de Empréstimo do Banco Mundial - Aids II destaca que foi definido dentro do que consideram um amplo processo de discussão com organizações governamentais e não governamentais formulando diretrizes a serem seguidas e metas a serem ser alcançado, com o objetivo de reduzir a incidência da infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, ampliar o acesso e melhorar a qualidade da atenção à saúde das pessoas com HIV/Aids e fortalecer as organizações.
EQUIDADE
A Coordenação de Aids do Estado de São Paulo estima que, em 1997, pelo menos 30% das pessoas com HIV/Aids que recebiam medicamentos antirretrovirais em suas unidades dispensadoras eram clientes de planos e seguradoras de saúde privados. 9.656/98, que dispõe sobre a regulamentação das operadoras de planos e seguros privados de saúde, determina o reembolso das despesas dos órgãos públicos com a assistência à saúde de pessoas conveniadas a operadoras de planos ou seguros privados de saúde. O Ministério da Saúde afirma que o gasto com terapias antirretrovirais para pessoas com HIV/Aids em 1998 foi de 352 milhões de reais.
A Coordenação de Aids do Estado de São Paulo estima que 30% de seus clientes em uso de terapias antirretrovirais são atendidos por operadoras privadas.
DISCUSSÃO E CRÍTICA
As organizações de saúde para pessoas com HIV/AIDS precisam estar atentas e considerar a gravidade da não adesão à terapia antirretroviral pelos usuários dos usuários. A mobilização muitas vezes vociferante das ONGs é vista como fonte e indicador da legitimidade das organizações de saúde para pessoas com HIV/AIDS. A assistência médica às pessoas com HIV/AIDS deve estar articulada com outras intervenções nas organizações do Sistema Único de Saúde - ZZS.
Assim, é importante destacar as iniciativas do Ministério da Saúde para criar o hábito de avaliar as organizações de saúde para pessoas com HIV/AIDS.
7 CONCLUSÕES
À medida que mais e mais recursos tecnológicos foram mobilizados nos hospitais para cuidar de pessoas com HIV/AIDS, os custos e as despesas aumentaram. Esse processo também coincide com o acúmulo de informações e conhecimentos sobre HIV e AIDS, o que tem possibilitado a padronização de condutas e procedimentos de atenção à saúde das pessoas com HIV/AIDS. Juntos, esses fatores contribuem para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida das pessoas com HIV/Aids.
O Sistema Único de Saúde – SUS, a partir da implantação da terapia tríplice antirretroviral combinada, pode priorizar as consultas médicas ambulatoriais e as internações para o atendimento à saúde das pessoas vivendo com HIV/Aids.
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Reforma do Estado e política de saúde: discutindo a agenda do Banco Mundial e a crítica de Laurell. Determinantes da qualidade dos serviços de saúde mental: um estudo da satisfação com os resultados dos serviços de saúde de pacientes, familiares e profissionais de saúde. Avaliação da adesão ao tratamento antirretroviral em usuários ambulatoriais da rede pública de atendimento à aids do estado de São Paulo.
Manual de normas para indicação e provisão de antirretrovirais para pessoas vivendo com HIV/aids no estado de São Paulo.