O objetivo desta monografia é investigar os aspectos fundamentais do trabalho escravo contemporâneo no ordenamento jurídico brasileiro, bem como apontar os instrumentos jurídico-institucionais para sua erradicação definitiva no Brasil contemporâneo. No terceiro e último capítulo, será investigada a ilegalidade do trabalho escravo segundo as normas constitucionais, as normas internacionais e a legislação infraconstitucional; e os instrumentos jurídico-institucionais adotados para sua erradicação.
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PARTE HISTÓRICA
INSTRUMENTOS JURÍDICO-INSTITUCIONAIS PARA A ERRADICAÇÃO DO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO 3.1 ESCRAVIDÃO EM DIFERENTES SISTEMAS REGULATÓRIOS. A proibição do trabalho escravo é absoluta no Direito Internacional dos Direitos Humanos, sem qualquer exceção.”121.
PRÉ-HISTÓRICA
ANTIGUIDADE ORIENTAL
- E GITO
- M ESOPOTÂMIA
Os egípcios, mais tolerantes que outros povos modernos, consideravam-se obrigados a oferecer um certo grau de segurança aos escravos – que foram muitos durante a guerra. O rei impôs-se pela natureza divina da sua missão, mas não era considerado um deus como entre os egípcios.
GRÉCIA
- G RÉCIA A NTIGA E P ERÍODO H ELENÍSTICA
- E SPARTA
- A TENAS
- A escravidão por dívidas
Em 650 a.C., os messenianos revoltaram-se contra Esparta numa guerra que durou cerca de trinta anos. Os escravos geralmente eram capturados na guerra ou obtidos por compra e trabalhavam em todas as atividades.
ROMA
Outra camada da sociedade ateniense consistia em proprietários de terras menos férteis adjacentes às montanhas. Os gregos tornaram-se escravos dos gregos, ao lado de cativos de outras origens, como prisioneiros de guerra e escravos adquiridos em mercados especializados.
IDADE MÉDIA
Para o nosso trabalho, o mais importante é destacar desse período como se deu a transição do trabalho escravo para o escravo, que era a forma de trabalho característica do feudalismo. Embora o modo de produção feudal tenha tido o seu apogeu no século XIII, esta forma de trabalho dominou até ao século XIV-XV, altura em que a Europa passou por uma série de transformações económicas, políticas, sociais e culturais, com as quais “O.
IDADE MODERNA
Isto obrigou os portugueses a continuarem a sua expansão marítima em direção ao sul de África [..], com a qual os portugueses iniciaram o passeio africano (ao redor da costa africana), controlando zonas costeiras e ilhas do Atlântico.
BRASIL
- A ESCRAVIZAÇÃO DO INDÍGENA
- A ESCRAVIZAÇÃO DO NEGRO AFRICANO
- ANTECEDENTES DA ABOLIÇÃO
Este trabalho escravo indígena substituiu o trabalho negro africano por ser economicamente mais atraente, como veremos na próxima secção. Considerando a transição do trabalho escravo nativo para o trabalho dos negros africanos, avançaremos desta forma na próxima secção.
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O RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DE TRABALHO ESCRAVO NO
O ESCRAVO CONTEMPORÂNEO
Sabemos que são principalmente vítimas da fome e que pertencem a grupos vulneráveis, mas que não dependem mais da cor, mas do nível de pobreza (..) homens, mulheres, crianças, índios, mineiros, prostitutas e principalmente, em números maiores, grandes. Assim, o “escravo moderno” é menor que o boi (que é cuidado, vacinado e bem alimentado), a terra (que é protegida e bem guardada) e a propriedade (sempre fortemente guardada).52. A escravidão contemporânea no Brasil continua e ainda persiste, de forma mais cruel e sutil do que a abolida pela princesa Isabel em 1888: os escravos modernos são pessoas descartáveis, sem valor agregado para a produção - são simplesmente inúteis e, portanto, não merece.
Ainda existem condições em que milhares de brasileiros vivem sem liberdade, a milhares de quilômetros de suas cidades de origem, no meio da floresta, sem conseguir fugir ou sair das fazendas para romper essa relação trabalhista fraudulenta. Quando traçamos o perfil de género, verificamos que a grande maioria são homens (98%), com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos (75%), que têm a força bruta como único meio de trabalho e por isso são utilizados para tarefas pesadas, principalmente ao derrubar a floresta ou ao limpar uma área já devastada (conhecido campo de juquira) para plantar pastagens (80% dos casos) ou insumos agrícolas.53. Segundo dados do Relatório Global da Organização Internacional do Trabalho de 2005, “o número estimado de trabalhadores mantidos em condições análogas à escravidão no Brasil chega a 25.000 (vinte e cinco mil) pessoas”, principalmente nos estados do Pará e Mato Grosso.
O ESCRAVIZADOR CONTEMPORÂNEO
Esses humildes brasileiros, recrutados em municípios muito carentes, com baixíssimo IDH, vêm principalmente dos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. No início, prometem bons salários, boas condições de trabalho e, por vezes, até adiantam algum dinheiro à família, iniciando assim o ciclo de consolidação da dívida.”55 Aproveitam-se da vulnerabilidade dos desempregados sem perspectivas de emprego para se envolverem em trabalho escravo. Assim, há quem atraia trabalhadores, há quem forneça locais para facilitar a atração, e há quem utilize trabalho escravo, que ainda mantém cantinas onde vendem mercadorias que deveriam ser oferecidas gratuitamente.57 É preciso ressaltar que já que a propriedade como elo entre senhores e escravos não existe mais desde então.
O que escraviza é a brutal concentração de renda no nosso país [..], são as estruturas e mecanismos repressivos ineficientes – a fiscalização, a polícia e o Ministério Público. Esta crítica acima ao sistema e estrutura socioeconômica em que vivemos pode parecer um pouco dura, porém devemos admitir que o autor não está criticando isoladamente um único responsável pela prática do trabalho escravo, mas responsabiliza diversas entidades e organismos . o que também é o entendimento de vários outros autores, que são unânimes em concluir e aceitar que apenas uma ação conjunta de toda a sociedade brasileira, que inclui o Poder Público, Organizações Não Governamentais,. As organizações internacionais, as entidades de classe, os sindicatos e os cidadãos em geral permitirão que este flagelo humano desapareça finalmente da nossa realidade.
TRABALHO ESCRAVO CONTEMPORÂNEO
- DENOMINAÇÃO ADOTADA PELO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO
- TRABALHO EM COMDIÇÕES ANÁLOGAS À DE ESCRAVO
- TRABALHO FORÇADO
- RESTRIÇÃO DA LOCOMOÇÃO DO TRABALHADOR , POR QUALQUER MEIO , EM RAZÃO
- CONDIÇÃO DEGRADANTE DE TRABALHO
- JORNADA EXAUSTIVA
- AS DIFICULDADES NA APLICAÇÃO DO ART . 149 DO CÓDIGO P ENAL
I - restringe a utilização de qualquer meio de transporte pelo trabalhador, para mantê-lo no local de trabalho; Viagem cansativa; Condições de trabalho degradantes; e Restringir a Circulação de Trabalhadores, por qualquer meio, em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. Passemos às seções seguintes, onde discutiremos as características de cada um dos quatro tipos de trabalho análogo ao escravo.
A legislação brasileira permite o trabalho forçado como uma das quatro modalidades de trabalho em condições análogas à escravidão (art. 149 do CP). O trabalho sem condições mínimas de dignidade caracteriza outro tipo de trabalho em condições análogas à escravidão. 34; temos trabalho em condições que se assemelham à escravidão como o oposto do que tradicionalmente se chama trabalho decente”.
REINCIDÊNCIA NA PRÁTICA DO TRABALHO ESCRAVO
ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO .................. E RRO ! I NDICADOR NÃO DEFINIDO
Na alínea “b” do inciso I do artigo 128 da atual Constituição Federal, dispôs-se que o Ministério Público do Trabalho é um dos ramos do Ministério Público da União. Assim, a lei complementar nº. O Artigo 75/93 regula o Ministério público das Comunicações e o artigo 83 regula o funcionamento do Ministério público do Trabalho. Caso não haja resultado satisfatório ao término do ajuste administrativo extrajudicial, o MPT deverá ajuizar ações judiciais para obter assistência judiciária, em especial neste caso, uma ação civil pública, perante a Justiça do Trabalho.
A Ação Civil Pública é uma “ferramenta eficaz e eficaz no combate às formas de superexploração do trabalho humano”.105. Não há mais dúvidas sobre a idoneidade da indenização por danos morais decorrentes do vínculo empregatício, nem sobre a competência da Justiça do Trabalho para avaliá-la.”112. A prática do trabalho escravo não é exclusiva do nosso país, “não é um fator regional, pelo contrário, é global, pois […] abrange muitas regiões e países.”114.
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT
Além das regulamentações globais mencionadas acima, é necessário destacar as normas específicas adotadas no âmbito da Organização Internacional do Trabalho, discutidas na próxima seção. trabalho forçado em situações de emergência, como guerras, incêndios, terremotos, fome, inundações, entre outros; De acordo com art. 2º, ponto 2. O Brasil, assim como os demais membros ratificantes desta Convenção, está obrigado a eliminar o uso do trabalho forçado ou compulsório em todas as suas formas, no menor tempo possível.”123. Art 1. Cada país membro da Organização Internacional do Trabalho que ratificar esta Convenção compromete-se a abolir todas as formas de trabalho forçado ou compulsório e a não utilizá-lo: a) como medida de coerção ou educação política ou como punição por ter ou expressar atos políticos opiniões ou pontos. ponto de vista ideologicamente oposto ao actual sistema político, social e económico; b) como método de mobilização e utilização da mão-de-obra para fins de desenvolvimento económico; c) como ferramenta de disciplinamento da força de trabalho; d) como punição por participação em greves; e) como medida de discriminação racial, social, nacional ou religiosa.
Artigo 2. Cada Estado Membro da Organização Internacional do Trabalho que ratificar esta Convenção compromete-se a tomar medidas para assegurar a abolição imediata e completa do trabalho forçado ou obrigatório, conforme estabelecido pela Organização Internacional do Trabalho. As convenções acima mencionadas, números 29 e 105, “foram as convenções que receberam o maior número de ratificações pelos seus estados membros em todo o mundo, de todas as convenções da OIT”125. Os tratados acima mencionados, as normas internacionais listadas no parágrafo 3.1.2, além de outras não mencionadas, geralmente têm dois objetivos principais: .. a) evitar a utilização de trabalho escravo ou servil diretamente pelo Estado; .. b) impedir que permitam a introdução deste regime de trabalho no seu território, seja por particulares, empresas, agricultores, autoridades públicas e outros cidadãos.
AS MEDIDAS DE COMBATE AO TRABALHO EM CONDIÇÕES
- GRUPO MÓVEL DE FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
- A EXPERIÊNCIA DAS VARAS ITINERANTES DA OITAVA REGIÃO ( PARÁ E AMAPÁ )
- GRUPO EXECUTIVO DE REPRESSÃO AO TRABALHO FORÇADO - GERTRAF
- O PRIMEIRO PLANO NACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO AO TRABALHO ESCRAVO
- O SEGUNDO PLANO NACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO AO TRABALHO ESCRAVO
- COMISSÃO NACIONAL DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO - CONATRAE
- CADASTRO DE EMPREGADORES QUE TENHAM MANTIDO TRABALHORES EM
A região sob jurisdição do TRT da Oitava Região (estados do Pará e Amapá) precisava de uma atuação rápida da Justiça do Trabalho no combate ao trabalho escravo e a forma encontrada para solucionar esse problema de forma eficiente foi a implantação do Tribunal Itinerante. Trabalho Escravo Contemporâneo: O Desafio de Superar a Negação, 2006. p. 253. . várias agências governamentais intervindo na questão do trabalho forçado e formulando novas propostas legislativas.” O Primeiro Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo foi elaborado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e lançado em 11 de março de 2003 pelo governo Lula.
O Ministério Público do Trabalho solicitou o bloqueio das contas dos agricultores e a Justiça do Trabalho o fez. Até a conclusão deste trabalho, nenhuma data havia sido marcada para esta reunião. .. lt;http://www.ecodebate.com.br/index.php plano-nacional-para-a-eradicacao-do-trabalho-escravo-focaliza-cana/>. No segundo capítulo foi feita uma pesquisa sobre o Trabalho Escravo Contemporâneo no Brasil... sobre quem é o escravo hoje, o escravo e a forma e o local onde essa prática ocorre.
No terceiro e último capítulo, a ilegalidade do trabalho escravo foi discutida no âmbito das normas constitucionais, das normas internacionais e da legislação subconstitucional; e também pesquisou. sobre as medidas judiciais e institucionais tomadas no Brasil para combater o trabalho escravo moderno. Aqui podemos citar como exemplo a criação da Justiça do Trabalho Itinerante com ênfase no combate imediato ao trabalho escravo.