A emergência da história como campo autônomo de conhecimento coincide com a profissionalização dos estudos históricos. Chaussinand-Nogaret, apesar das habituais reservas sobre este tipo de história, cujo objetivo era a vida de um único homem, mostrou uma saída para o problema, considerando que a ambição de explicar a totalidade do passado não pode prescindir da história do vida de grandes homens. 26 Esta é a história de vida de Iara Iavelberg, estudante de psicologia da USP, que em 1969 se tornou guerrilheira e companheira de Carlos Lamarca.
Se em Caio Prado o objetivo é encontrar a formação social que nos constitui, ela o encontra em termos de colonização. Essa também seria a principal característica da nacionalidade brasileira para Caio Prada Jr. neste momento. Essa visão do todo – uma espécie de visão geral da colônia, ligada à teoria histórica que Caio Prado chama de “sentido da colonização” (apresentada no capítulo de mesmo nome) é composta por um desenho e um conjunto de conteúdos complementares.
Na obra de Capistrano, assim como na de Caio Prado Jr., um certo entusiasmo narrativo aparece em certos comentários, tem descrições de rara beleza (como a do gado, que veremos a seguir), além de indícios de ironia . A visão do gado como elemento principal da ocupação do território nacional pode ser considerada como um importante espaço de intertextualidade entre a obra de Capistrano de Abreu e o texto de Caio Prado. Os rebanhos que ignoram o tempo são descritos por Caio Prado com uma poesia igual à de Euclides da Cunha.
Nessas obras, Caio Prado "acrescenta" o homem como figura neste painel, na mesma ordem em que Euclides dá seus capítulos - primeiro "Terra" e depois "Homem". Há grandes semelhanças descritivas entre os textos de Caio Prado e trechos do texto de Euclides da Cunha. Aliás, aí vemos uma possível confirmação do legado de Caio Prado em relação ao texto de Euclides da Cunha, "Terra sem História".
Claro que não são as opiniões do primeiro autor, como as listadas acima, que Caio Prado Jr. é, mas principalmente a aplicação metafórica da lei da física é o que trata o texto de Caio Prado Jr. A visualização de Caio Prado Jr. do movimento centrífugo da população para traduzir ou compreender a dispersão da população mineira refere-se à análise criteriosa que ele fez.
Certamente não com todo o poder explicativo que adquirem em conjunto com o entendimento econômico e social de Caio Prado. O desqualificado Caio Prado refere-se principalmente ao “desqualificado de ouro”, mas a ideia de desqualificação é a mesma em ambos os textos. Eles recebem mais significados do que no texto original e um significado central na teoria de Cai Prado; são massas desqualificadas que viverão à margem de um sentimento de colonização.
A obra e o pensamento de Caio Prado Júnior se baseiam no conceito de significado da colonização, a partir do qual formula o objetivo de compreender os objetivos básicos da colonização e as estruturas centrais da formação histórica brasileira. Silva Dias sintetiza, nesse sentido, a intenção e o método de Caio Prado: “Ele se preocupou com a materialização da formação econômica, material e geográfica da futura nacionalidade. Tracemos aqui um paralelo com Azevedo Amaral, escritor que, politicamente, se coloca no pólo oposto de Caio Prado.
E o pensamento de Caio Prado, por exemplo, coincide com o de Sérgio Buarque na relação entre o campo e a cidade que ambos estabeleceram. Verificados seus efeitos, a questão que Caio Prado se coloca é como transcender tal legado, ou seja, como romper o sentido que o legado colonial deu à história do Brasil. Caio Prado, excessivamente apegado ao sentido de continuidade expresso na estrutura agrária do Brasil, não sabia perceber a nova dinâmica socioeconômica que se aproximava.
Veremos exemplos de ambas as situações nas visitas pastorais às paróquias de Catas Altas e Curral Del Rei. As preocupações não foram poucas ou insignificantes quanto à administração dos sacramentos, disciplina do clero, educação e formação sacerdotal, pregação. , difundindo a imagem de uma Igreja caridosa, misericordiosa, satisfatória, dando também a graça, abrindo as portas ao mundo divino. Mas também se deu atenção a um tema de teor político: as cartas pastorais informavam a população sobre as ordens régias, pediam contribuições para dotes de casamento e para a reconstrução de Lisboa em caso de terramoto e, de forma alguma, doutrinavam a população. em mansidão e obediência.
Por tudo isso, a criação das primeiras vilas em Minas Gerais teria dado à elite local "um espaço urbano constituído para atuar e perseguir os interesses que representavam9", reforçando a hierarquia e a ordem social . Catas Altas teria se originado desse impulso garimpeiro, a partir de 1702, quando foi descoberto um sítio com "muito ouro, que era compartilhado pelos garimpeiros deslocados, e era abundantemente povoado, que hoje é o famoso Arraial das Catas Altas, com uma populosa congregação, uma reitoria muito rentável14”. O nome Catas Altas "veio-lhe (..) porque os garimpeiros seguiam o garimpo das ribeiras, procurando as suas cotas superiores, seguindo os canteiros que iam lavrando, e quanto mais se aproximavam das serras, maior era a altura das terra cavaram, cresceram e deixaram os muros das docas com altura impraticável (...)”15.
Ao contrário de Catas Altas, que cresceu em população e depósitos, Curral Del Rei parece estar muito mais ligada a essas presunções régias e esforços para controlar o acesso de mercadorias, para estabelecer o fisco: tem o gado que na abóbora vai ser contado , fixo. Conde , posto fiscal de comprovada importância até meados do século XVIII. Não só gado e cavalos eram registrados na Contagem, mas outros tipos de remessas e ouro em pó, para serem trocados por dinheiro, numa época em que já havia grande preocupação com o contrabando16. No livro Tombo da paróquia de Nossa Senhora da Conceição das Catas Altas, as visitas pastorais têm uma sequência quase ininterrupta desde 1727, com Dom Guadalupe, separadas por intervalos anuais ou bianuais, até a posse do primeiro governo episcopal de Minas Gerais.
Naquele município de Nossa Senhora da Boa Viagem, em Curral Del Rei, os visitantes estão mais dispersos, após um intervalo de três anos17.
Jácome ficou indignado em 1753 porque "algumas pessoas fazem ou concorrem a batuques, ditos calunduros, ações supersticiosas, são severamente repreendidos e, como homens livres, condenados a dez oitavas de ouro". 37 Visita de Dom Frei Antônio de Guadalupe à paróquia de Nossa Senhora da Conceição na Vila do Carmo, em 02/12/1726. 39 Visita Pastoral de Dom Frei Manoel da Cruz à Paróquia Nossa Senhora de Nazareth da Cachoeira do Campo, em 13-06-1753.
Este artigo tem como objetivo analisar o contexto atual da mineração de ouro em Minas Gerais, a constituição de suas características organizacionais básicas e a cristalização da estrutura particular de suas relações sociais de trabalho. Especialmente a região das cidades de Ouro Preto e Mariana, núcleo inicial do ciclo do ouro, teve sua fisionomia moldada pela mineração de ouro e diamantes às margens do Ribeirão do Carmo e dos igarapés que o alimentam. Atualmente, a atividade de exploração de ouro no Brasil, principalmente a mineração aluvial, continua como um importante segmento da mineração, tanto do ponto de vista da produção de ouro quanto da absorção de mão de obra.
Nesse sentido, este artigo tem como objetivo discutir o contexto atual da mineração, bem como o conceito de métier no trabalho dos garimpeiros clandestinos. Com base nas observações, foi possível constatar a existência, apesar do declínio gradativo, de uma média de 300 pessoas diretamente envolvidas nas atividades de mineração em todo o município de Mariana: garimpeiros, compradores de ouro e proprietários de áreas onde são desenvolvidas atividades de mineração. extrações. Assim, na primeira parte, é feita uma análise de várias formas contemporâneas de extração de ouro.
Com pesquisas geológicas, avaliam a jazida em prognóstico e diagnóstico, o que permite extrair grandes quantidades de ouro.
O Métier confere ao trabalhador certa identidade e prestígio, sendo também responsável por estruturar uma forma específica de divisão do trabalho. A aprendizagem de uma atividade estruturada em torno do métier é constituída dentro do ambiente de trabalho nos anos de atividade e caracteriza-se pela experiência na resolução de imprevistos na atividade. Conhecimento que também capacita quem o possui e é essencial para compreender a dinâmica de uma atividade e as classificações hierárquicas dentro e fora do ambiente de trabalho.
Atualmente, as minas de ouro de Mariana estão estruturadas de forma bem diferente do que eram no passado. Diferentemente do que acontecia nos setores manufatureiros clássicos, o aumento da complexidade causado pela incorporação dos motores não foi acompanhado pela introdução de uma rígida divisão do trabalho no processo de trabalho. Essa marginalidade é essencial na constituição do ambiente de trabalho, definindo os alicerces de toda a sua estrutura com base em uma lógica organizacional completamente diferente das organizações burocráticas convencionais.
Esses fatores fizeram com que a estrutura mineira se desenvolvesse em torno de uma cultura muito peculiar, criando uma organização dinâmica e específica de desenvolvimento. É esse tipo de relacionamento que estrutura as relações de trabalho, as formas de gestão, os direitos e deveres dos empregados, os mecanismos de recrutamento, a divisão do produto extraído, os direitos de exploração de determinada área e as relações com os compradores de ouro. Assim este código moral que rege as relações de confiança em geral, num contexto onde prevalecem os contratos informais e onde os prejuízos causados por comportamentos oportunistas são potencialmente muito grandes.
Com o surgimento da consciência ecológica no país, o garimpo tornou-se um dos vilões do meio ambiente, um mal que precisa ser no mínimo controlado.
O objetivo deste artigo é discutir a trajetória histórica do regionalismo político no norte de Minas Gerais, inserindo tal regionalismo em um quadro maior, que é o estado de Minas Gerais. Algodão, Sindicato Rural de Montes Claros, Associação Rural de Montes Claros, Superintendência de Desenvolvimento do Norte de Minas/SUDENOR-MG e Universidade Estadual de Montes Claros/Unimontes. A diretoria do ACI de Montes Claros criou uma sociedade civil chamada União para o Desenvolvimento do Interior de Minas Gerais e Bahia/UDEIMB, com o objetivo específico de “desenvolver a região” e apoiar o projeto5.
Assim, a partir dessa década, baianos e pernambucanos foram deslocados para, aproximadamente, as atuais fronteiras do estado de Minas (PORTELA FILHO. A estratégia é "provar" que as regiões que pretendiam separar não pertencem, historicamente, ou identificação com o estado de Minas Gerais A iniciativa separatista enfrentou forte e organizada resistência dos governos de Minas Gerais - Newton Cardoso - e da Bahia - Waldir Pires.
A forma mais direta ocorreu em audiência pública no município de Montes Claros, em abril de 2005, dedicada ao tema “Criação do Estado de Minas do Norte”. Essa revolta não é discutida aqui, apenas destacamos que as câmaras municipais do norte de Minas se posicionaram contra o movimento29. É importante destacar que tanto a Assembleia de Minas quanto as Câmaras Municipais do Norte de Minas se opuseram ao projeto.
Nos discursos das lideranças regionais, era bastante comum exaltar a grandeza de Minas Gerais. Entre as disputas causadas pelos migrantes estava o atrito entre o governo de Minas e o município de Montes Claros, com agentes paulistas atuando na região, selecionando os trabalhadores mais saudáveis e rejeitando os doentes. Nessa passagem, o prefeito de Montes Claros se posicionou como defensor dos mineiros contra as falsas promessas dos paulistas e o desrespeito do estado de Minas.