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DEUS, AS PALAVRAS E AS COISAS

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Academic year: 2023

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Na episteme renascentista, Deus fala pelas coisas, porque há condições para essa transparência da fala de Deus. Finalmente, fica clara a mudança que ocorreu na episteme moderna devido ao discurso sobre a morte de Deus. Pensando que a morte de Deus inclui também a morte do homem, será possível compreender a duplicação e diminuição das imagens do homem moderno e os limites das humanidades.

A linguagem e o fim da episteme renascentista

  • O discurso e a episteme
  • A mudança para a episteme clássica
  • O uso do discurso em outra linguagem – O quadro de Velásquez

Assim, em toda cultura, entre o uso do que se poderia chamar de códigos de ordem e as reflexões sobre a ordem, há a experiência nua da ordem e seus modos de ser” (FOUCAULT, 1990, p.11). Alguns enunciados anunciam uma nova forma de saber e acompanham discursos baseados na episteme anterior. E ao aceitar a possibilidade de outros tipos de discurso expressarem o conhecimento, vê-se como possível a presença do discurso teológico, refletindo as mesmas circunstâncias dos tempos em que se manifesta.

A prosa do mundo no texto de Michel Foucault

  • As quatro similitudes e as assinalações
  • Os limites do mundo
  • A escrita das coisas

Referindo-se a Paracelso, Foucault afirma que as assinaturas no mundo estabelecem uma relação entre o visível e o invisível. Foucault recoloca a linguagem no mundo ao apresentar a relação que se estabelece entre as coisas que estão nos signos da natureza e a revolução operada pela imprensa a partir de Gutenberg. Ele não pode ser colocado em qualquer lugar, mas ao lado de tudo o que está acontecendo no mundo.

O discurso de Deus na episteme anterior à Idade Clássica

  • O discurso de Deus
  • As referências a Deus na “Prosa do Mundo”
  • Deus presente nas palavras e nas coisas da criação

A imagem religiosa de Deus está presente na cultura da época clássica e mostra sua relevância no conhecimento construído até o século XVII. Até a época clássica, a episteme permitia reconhecer a presença de Deus nas coisas e se expressava nos discursos. A presença dos sinais de Deus no mundo era garantia da possibilidade de buscar a verdade.

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A linguagem da representação na episteme clássica

  • A episteme clássica
  • O conceito de representação na episteme clássica
  • O uso do discurso em outra linguagem – A representação na imagem de Dom Quixote

A linguagem da representação na episteme clássica pode ser entendida como uma liberdade das coisas do mundo. Cada ramo das ciências empíricas lida com uma forma de conhecimento que está mais bem equipada para o estudo de seu próprio campo. Na episteme da representação, os signos indicam o que significam, e não há mais uma conexão natural entre palavras e coisas.

O conceito de representação, como forma de identificação da Idade Clássica, é importante na medida em que se aplica ao modo de ordenar o conhecimento. Esses três elementos caracterizam o pensamento nas epistemes clássicas e estão ausentes na organização do conhecimento na cultura renascentista, assim como nas epistemes modernas. É uma forma de comparação feita entre as coisas para relacioná-las por proximidade.

Essa forma de organização usada na análise da linguagem também foi usada na análise da riqueza e na análise dos seres vivos. Na episteme da representação, o conhecimento das ciências empíricas se configura para que as coisas possam ser comparadas, ordenadas e classificadas. Nesse campo, a representação, como forma de configuração do conhecimento, se concentra em elementos (como percepções, pensamentos e desejos) capazes de aproximar e distanciar as coisas em suas sequências de ordenação.

Nem as coisas do mundo dizem o absoluto, nem a representação representa uma verdade absoluta.

A representação no texto de Michel Foucault

  • A representação como ruptura com o Renascimento
  • O lugar dos signos na episteme da representação
  • Os limites da representação

Uma vez que a linguagem se expressa por meio de signos e estes também se relacionam com as ciências empíricas, é importante enfatizar os signos na relação entre as coisas e seu significado. Os signos ocupam uma posição intermediária que aproxima as coisas racionalmente. Em Palavras e coisas, Foucault empreende o projeto de substituição das condições da episteme, que, por sua vez, se revelou a condição para o nascimento das humanidades30.

Pensamento não comunicável que segue a nova linguagem do "eu penso", mas se esforça para representar as coisas. As coisas são colocadas em ordem à medida que se aproximam e se afastam umas das outras. As relações entre signos e coisas não são mais diretamente semelhantes às coisas presentes no mundo.

39 Na episteme clássica, as coisas do mundo e as ciências empíricas encontravam sua equivalência por meio dos signos, possuindo o poder de se aproximarem e serem representadas umas pelas outras. A função do conhecimento, na era da representação, encontra seu limite com o fim da forma clássica de “representação das coisas no mundo”. Com a era clássica, as coisas passaram a ser representadas e o fim da representação finalmente libertou a linguagem dessa função de dizer as coisas.

A ordem clássica permite que a ordem do conhecimento aceite a vontade de Deus na distância entre as coisas imperfeitas e os conceitos metafísicos puros.

A ideia de Deus como representação

  • O não-lugar do discurso sobre Deus
  • O divino nas mudanças de representação dos signos
  • O infinito na episteme da representação

A passagem de um saber que ligava os seres às coisas do mundo, com referência direta à ideia de um Deus criador, para uma configuração do saber na Idade Clássica assume a dúvida como método. A elaboração clássica de um quadro de identidades e diferenças na classificação das coisas exigia ordem e raciocínio de fundamentos para que pudesse ir além do conhecimento pela semelhança. Justamente por isso, os saberes do século XVI deixam a memória distorcida de um saber misturado e inconstante, onde todas as coisas do mundo poderiam ser abordadas ao acaso a partir de experiências, tradições ou credulidades.

E os signos que marcaram serão tomados por devaneios e encantamentos de um saber que ainda não se tornou razoável. A busca por novos conhecimentos teve que enfrentar a destruição do conhecimento anterior, não como tarefa primordial, mas como consequência inevitável do movimento de pensar um pensamento diferente. O vazio deixado pela mudança do lugar de referência a Deus pode dar lugar à possibilidade de construção de um novo conhecimento sobre Deus.

Portanto, continua a presença de um espaço vazio, que tenta ser representado pelos signos do discurso da razão. No entanto, não há possibilidade de um movimento das ciências empíricas de um finito para um infinito. Sobre o número de vezes que a palavra "infinito" aparece em As Palavras e das Graças, José Ternes comenta que a forma como Foucault utiliza esse conceito não nos permite reconhecer uma forma do transcendente.51 O infinito não assume sentido ontológico, o que quase não resolve o problema do transcendente.

Nas ordens atribuídas às coisas ilimitadas, se há espaço para uma realidade objetiva de uma infinidade ontológica, essa realidade poderia ser atribuída a Deus.

A linguagem na episteme moderna

  • A episteme moderna
  • A finitude
  • O uso do discurso em outra linguagem – “Justine e Juliette”, do Marquês de Sade e a

Ao mesmo tempo em que se configura, a episteme moderna já anuncia seu fim e com ele o desaparecimento do saber que a constitui. A natureza aparentemente polêmica está, portanto, ligada ao fato de que se trata de perfurar sob nossos próprios pés toda a massa de discurso acumulado. O desaparecimento das condições que sustentavam a episteme clássica dá lugar ao que se afirma na episteme atual.

Ainda permanece um discurso baseado na representação que se oferece como conhecimento seguro, mas que precisa ser transcendido. Vontade', 'Vida', caminham para as condições transcendentais do conhecimento, que se inscrevem no pensamento da finitude. Uma tentativa baseada em aparências e ilusões enquanto tenta compreender objetivamente a verdade.

O que aconteceu no tempo de Ricardo, Cuvier e Bopp, essa forma de conhecimento que surgiu com a economia, a biologia e a filologia, a ideia de finitude que a crítica kantiana prescreveu como tarefa para a filosofia, tudo isso ainda forma o espaço imediato da nossa reflexão. A morte de Deus não nos restitui a um mundo limitado e positivo, mas a um mundo liberado na experiência do limite, feito e desfeito no excesso que o ultrapassa”. (FOCAULT, 2006c, p.31). Acompanhe esta imagem do olho devolvido ou recortado como a linguagem do filósofo que se derrama e se perde no vazio, mas não para de falar.

O Panóptico de Jeremy Bentham é apresentado como a figura arquitetônica do olhar que tudo supervisiona e regula, inclusive sua planta arquitetônica nos apêndices que se encontram no meio do livro (Cf. FOUCAULT, 1993a, p.177).

O homem e as ciências humanas no texto de Michel Foucault

  • O homem e seus duplos
  • As ciências humanas
  • O ser da linguagem e o ser do homem

O homem aparece no espaço do sentido na linguagem moderna, e as ciências humanas se organizam em um conjunto de discursos cujo objeto é o homem empírico. A filosofia se afasta da linguagem e favorece as ciências empíricas como um lugar para um estudo lateral mais ordenado. A distribuição da linguagem está relacionada, de fato, de maneira fundamental, a esse acontecimento arqueológico que pode ser determinado pelo desaparecimento do Discurso.

As ciências humanas se organizam em um conjunto de discursos cujo objeto é o homem empírico. A primeira tentativa para que as humanidades tenham a mesma credibilidade das ciências empíricas é aproximá-las da matemática. Mas as humanidades nascem justamente no momento em que as ciências são desmatematizadas.

As estruturas inerentes às ciências humanas se configuram entre as ciências empíricas e o próprio ser humano. A principal tese de Foucault em Palavras e coisas é que a importância da literatura como indicador do desaparecimento do ser humano reside na possibilidade de manifestar, expor, nomear o próprio ser da linguagem. Na episteme renascentista, o ser da linguagem tem uma organização mais complexa que acabará por se resolver numa única figura.

A estrutura da linguagem na episteme moderna aparece como uma manifestação das características que se formaram após o desaparecimento da teoria clássica da representação.

O discurso sobre Deus na episteme moderna

  • O espaço vazio do absoluto – A morte de Deus
  • A morte do homem
  • O discurso religioso presente na “genealogia” de Michel Foucault

Este período coincide com o surgimento da afirmação da morte de Deus, mas a noção da morte de Deus parece responder a várias questões do pensamento filosófico. A noção da morte de Deus não tem o mesmo significado conforme a encontremos em Hegel, Feuerbach ou Nietzsche. Para qualquer pensador moderno, citado por Foucault, há uma consequência ao observar a morte de Deus.

O tema da morte de Deus retomado por Foucault está ligado ao tema da morte do homem. Essa citação aparece já analisada no ponto em que se tratou do tema da morte de Deus e do espaço vazio do absoluto (FOUCAULT, 1990, p.278). A quarta citação anuncia a morte de Deus e a morte do homem em nossos dias, não como a confirmação da ausência de Deus, mas o fim do homem, onde a finitude do homem se tornou seu fim.

Segundo Deleuze, Feuerbach foi o pensador da morte de Deus, e Nietzsche a apresentou de várias maneiras com a intenção de apontar a morte do homem no além-homem. Por um lado, onde poderia o homem encontrar o fiador de uma identidade, na ausência de Deus? Ao final deste estudo está a questão da possibilidade de que o discurso sobre a morte de Deus e a morte do homem possam ser relacionados à obra posterior de Foucault.

Com a constatação da morte de Deus e da morte do homem, o que se anuncia é o demasiado humano, o além-homem de Nietzsche. Com um olhar para a diversidade de discursos, comprovamos a mudança ocorrida na linguagem da modernidade, que possibilitou a emergência do discurso sobre a ausência de Deus e a presença do homem como absoluto. Seguindo o pensamento de Nietzsche, Foucault afirma que a morte de Deus acarreta também a morte do homem.

Referências

Documentos relacionados

RESUMO: O presente trabalho tem como base o conjunto de cinco conferências de Michel Foucault, ministradas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1973, e que