MTIC Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio MTSM Movimento de Trabalhadores de Saúde Mental Centro de Atenção Psicossocial NAPS. 5 O MUNICÍPIO DA INSANIDADE: A ENTRADA DO MUNICÍPIO COMO GESTOR DE POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL E A CONSTRUÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 83 5.1 Descentralização político-administrativa em saúde mental. Com isso, passei a questionar, portanto, como essa questão das internações psiquiátricas e da desinstitucionalização se apresentava hoje em toda a rede de saúde do município do Rio de Janeiro.
Este segundo ponto relevante da pesquisa dizia respeito à construção da Gestão em Saúde Mental e suas posteriores ações de desinstitucionalização. No capítulo dois tratamos especificamente da saúde mental com as políticas de saúde ainda centradas nos conceitos da psiquiatria tradicional e nas consequências para a vida das pessoas com transtornos mentais. A hierarquização tornou-se uma proposta para atender às necessidades de saúde da população em relação ao nível de complexidade.
A assistência psiquiátrica no Rio de Janeiro: um problema federal
Dessa série distinta de movimentos, destacamos que o Rio de Janeiro foi um dos maiores parques asilar do país, mas também desempenhou papel fundamental na criação do Movimento Nacional Contra o Manicômio, devido ao histórico da poderosa mobilização de famílias associados, usuários de saúde mental e trabalhadores do município. No Rio de Janeiro tínhamos então uma cidade com unidades de saúde administradas principalmente pela autoridade federal, a saber: hospitais gerais e especializados e serviços ambulatoriais. Segundo Domingos Sávio em entrevista, a questão da importância das unidades federais do Rio de Janeiro, para a centralização da assistência à saúde em todo o país, seja na esfera psiquiátrica ou na saúde geral, colocou uma grande responsabilidade no seu apoio.
Devido à existência naquela época de um número menor de instituições de saúde mental no território do que as construídas em anos posteriores, havia uma pequena circulação de pacientes com transtornos mentais entre hospitais psiquiátricos – públicos e privados – e alguns ambulatórios. na cidade. Na entrevista, Edmar Oliveira confirma esse fato destacado por Maia, e se refere ao quanto o município não teve uma cooperação efetiva na atenção à saúde mental e se limitou a uma mera campanha informativa à população desses psicólogos recém-contratados no centros de saúde. . E aí o município se isentou do tratamento da loucura[..] Naquela época o município tinha uma coordenação de saúde mental e eles acreditavam muito que saúde mental é prevenção.
Dessa forma, é possível compreender que para a construção de uma rede de saúde mental mais ampla, e também para a entrada efetiva da gestão municipal - como começou a ocorrer em meados da década de 90 com a Gestão de Saúde Mental - foi necessário pense em trabalhos anteriores neste cenário. Reis destaca que devido à presença massiva do governo federal na governança, somente no final da década de 1980 é que a saúde mental foi incluída na Secretaria Municipal de Saúde. Na cidade do Rio de Janeiro, as conversas nacionais que surgiram sobre as mudanças na saúde trouxeram influências e contribuições para a reorganização da assistência e para as ideias norteadoras da política municipal de saúde mental que começou a ser construída pelo município.
Segundo os autores, ao tentarem rever a forma como as situações acima abordadas direcionavam os rumos das medidas sanitárias, surgiu o trabalho de conectar os governos e controlar os custos da saúde com o setor privado, a partir da criação da CONASP (Consultoria Social). Conselho de Administração de Segurança). Preferência aos cuidados de saúde primários com destaque para os cuidados ambulatórios, cujo bom funcionamento é a porta certa para o sistema;
Pólos de Emergência Psiquiátrica: o Programa de Regionalização e Hierarquização da Assistência Médica no município do Rio de Janeiro – área
O boom no aumento de clínicas conveniadas e dos seus internamentos psiquiátricos fez com que a Segurança Social investisse financeiramente nestes locais, o que também alimentou outros interesses, aparentemente não apenas a saúde. Este facto também aponta Madalena Libério quando foi entrevistada, salientando que houve um investimento importante por parte do Ministério da Saúde nos seus hospitais federais, para que pudessem colaborar com uma reorganização da saúde mental através de ambulatórios próprios. Uma das coisas que levou a questão das internações malucas na cidade é que houve a crise previdenciária, onde o 1º lugar de internação era a psiquiatria, e aí o Ministério da Saúde resolveu investir nos seus antigos hospitais, que ficavam em em situação precária e em crise com recursos humanos muito grandes para que pudessem retornar ao trabalho ambulatorial.
Segundo Reis, o que se constatou na cidade do Rio de Janeiro no campo da saúde mental foi a ajuda dividida entre os sistemas hospitalar e ambulatorial, que, no entanto, caminhavam juntos em uma direção hospitalocêntrica. Isto porque se sabe que o custo da hospitalização para um procedimento mais complexo é superior ao de um procedimento ambulatorial em psiquiatria, além do fato de que as pensões de invalidez e os benefícios de doença são e são comumente encontrados neste setor de saúde. O Ministério da Saúde naquela época não tinha nada, se dissessem que continuariam nos aceitando, não poderíamos fazer nada.
Com um nível de resultados bastante satisfatório, o número de internações psiquiátricas no Rio de Janeiro após a implantação dos centros foi reduzido em 30%. É a primeira experiência em uma cidade grande com entrada pública, depois em Recife, Belo Horizonte e outros. Em meados de 82, foi inaugurado o Hospital Jurandir Manfredini para se tornar um centro hospitalar da Zona Oeste, que não contava com pronto atendimento psiquiátrico [...] E outra estratégia básica foi a abertura da porta de entrada do Manfredini, internações na Colônia fecharam.
Podemos considerar que esta foi, portanto, uma das etapas da construção de um novo modelo que levasse em consideração a necessidade de tratamento no território, tendo a internação como apenas o último indicador, e que pudesse incluir também o tema da saúde como um só. como um todo, bem como suas demais necessidades no território, que não eram apenas de saúde. Isso porque, após esse momento em que todas as emergências psiquiátricas estavam localizadas no mesmo local onde ocorreu a internação, atualmente os dados são diferentes na cidade do Rio de Janeiro.
A descentralização político-administrativa na saúde mental: a municipalização de unidades federais na psiquiatria e sua aproximação com a
5 A MUNICIPALIZAÇÃO DA INSANIDADE: A ENTRADA DO MUNICÍPIO COMO GESTOR DA POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL E A CONSTRUÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL. Após assumir os princípios de direcionamento para uma política no município, ela é reforçada pelos proclamações da Lei Orgânica de Saúde, Lei 8.080/90 e Lei Complementar 8.142/90, além da Declaração de Caracas, que na área de saúde mental legitima os rumos que serão tomados na Reforma Psiquiátrica Brasileira em suas ações. Segundo Gomes, a gestão municipal de saúde mental no Rio de Janeiro foi formulada na Coordenação de Programas de Saúde Mental em 1989, e modificada após essas reformulações políticas no início da década de 90, quando passou a ser conhecida como Gestão de Saúde Mental.
Segundo esse autor, houve, portanto, uma mudança no cenário de gestão da rede de saúde mental no Rio de Janeiro, com maior gestão municipal a partir de então. Contudo, consideramos importante destacar que mesmo que a entrada da gestão municipal tenha sido tardia no campo da saúde mental no município, houve ações e planejamentos de outros gestores – federais e estaduais, antes da entrada do município. Pelo que já foi estudado e pelas entrevistas desta tese, é possível compreender que parecem ter ocorrido mudanças significativas com o Programa de Cogestão no planejamento da saúde mental neste município, ainda que seja não se baseia no planejamento municipal.
Como veremos mais adiante, as primeiras medidas da cidade do Rio de Janeiro no campo da saúde mental se deram no investimento em conhecer os clientes atendidos nos serviços de saúde até então existentes, dada a distância que a Secretaria Municipal de Saúde Departamento teve um problema psiquiátrico. No entanto, quando a Administração de Saúde Mental começou a funcionar – no início da década de 1990 – várias unidades, incluindo hospitais psiquiátricos públicos, ainda eram federais. A descentralização político-administrativa ocorreu em diversas áreas da saúde, assim como na área da saúde mental.
Foi, portanto, após alguns anos deste trabalho de conhecimento do território e dos utentes dos serviços de saúde mental que estas unidades foram municipalizadas. Para a Gestão de Saúde Mental, que recebeu os Institutos como serviços municipais, a abordagem municipal permitiu acesso a recursos e maior flexibilidade para o planejamento local, legitimando o potencial municipal, incluindo até mesmo o que já foi possível na cidade até então. destas unidades.
As primeiras ações de saúde mental da gestão municipal: o censo dos pacientes em longa permanência psiquiátrica como balizas na formulação de
Contudo, a elaboração do Censo não partiu de um interesse amplo estabelecido na Secretaria de Saúde. Nesse sentido, o atendimento entre uma equipe multiprofissional de saúde mental não foi incluído na vida dessas pessoas. Isso porque, segundo entrevistas com gestores que relataram essa conquista, a entrada da vigilância nas clínicas parceiras foi de fato um ponto relevante para um conhecimento mais amplo das ações de saúde mental no território fluminense e maior possibilidade de intervenção sobre a inadequação encontrada.
Esse dispositivo de discussão entre serviços de saúde também foi instituído pela Coordenadoria de Saúde Mental, que funcionou no município até o final de 2008, e representou um caminho. Referindo-nos aos diferentes momentos de coordenação em saúde mental, tentaremos abordar pontos relevantes para avaliar a construção e o progresso das políticas e ações de saúde mental no Rio de Janeiro. Também tem havido conversas com o CAPS estadual, vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, para fortalecer a rede de saúde mental do município e colaborar como incentivo à abertura de novas Residências Terapêuticas e unidades de atendimento, sob responsabilidade deste próprio CAPS.
Reuniões com o Ministério Público e apresentação das políticas de saúde mental do Rio de Janeiro ao Conselho Nacional de Justiça. A importante questão da situação das internações psiquiátricas na cidade e da retomada do serviço público para reorganizar a rede de saúde mental também continuou após a saída da gestão anterior. Heitor Carrilho (Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico), Colônia de Rio Bonito, Casa de Saúde Dr.
A assessoria de Outorgas e Convênios também destaca ações de grande importância para as políticas de saúde mental do município com o qual foi feito o convênio. Essa mudança proposta parece nos direcionar para a inclusão de ações de saúde mental no território, incluindo o atendimento às crises psiquiátricas em que ainda há necessidade de internação. Domingos Sávio fala sobre um paralelo entre o que ele apreciava e entendia sobre o rumo do trabalho em saúde mental quando estava no Rio de Janeiro e o que começou a considerar quando chegou à Coordenação Nacional de Saúde Mental, no Ministério da Saúde. .
Gostaria de iniciar esta conversa pedindo que você nos contasse um pouco sobre o seu envolvimento na gestão da saúde mental na cidade do Rio de Janeiro.