Aos amigos de Volta Redondo e principalmente ao Danilo pela ajuda na realização desta pesquisa. Nos últimos anos, vimos presidentes eleitos e destituídos com base no apoio ou oposição de grandes grupos de mídia. Tentar entender um pouco sobre a história, formação e consolidação desses grandes grupos de mídia pode nos ajudar a esclarecer o verdadeiro papel da mídia hoje.
O objetivo aqui é estudar, durante os primeiros anos da ditadura militar pós-64, o discurso do jornal O Globo e seu posicionamento político frente ao regime ditatorial. Será utilizada aqui a proposta teórica do historiador Carlos Fico, que tenta identificar algumas tendências de longo prazo, e suas repetições, nas visões de Brasil construídas ao longo dos séculos.
Ponderações iniciais
4. Tamanho e localização, destinados a rastrear o tamanho e a posição da notícia em relação a outras notícias na primeira página e, consequentemente, a consequente importância que o periódico atribui a cada notícia. 2. Tópico destinado a indicar quais elementos são utilizados no discurso jornalístico de acordo com o referencial teórico delimitado; O que está errado, porque os jornais coletados para a pesquisa são apenas jornais de certas efemérides, como feriados nacionais, dias de posse presidencial e alguns domingos de cada ano.
E também, os jornais das datas consideradas referência: o dia do golpe de estado, o dia da posse no cargo de presidente da república de Arthur da Costa. Conforme a necessidade, também foram utilizados jornais dos dias anteriores ou posteriores às datas de referência, desde que apresentassem correlação entre suas publicações.
Numa calma manhã de abril
Voltemos à companhia do cidadão, diga-se de passagem, hipotético e típico membro da classe média carioca. Ele estava curioso para saber o que havia acontecido com essa democracia a que se referia no título editorial da edição de 2 de abril de 1964, que tanto atraíra sua atenção. Essas ideias estão todas cobertas pela casca ideológica dos grupos que se identificavam com o regime militar.
A prova da honestidade de alguns sempre vem em contraste com a desonestidade dos comunistas e dos vermelhos envolvidos. O editorial de 22 de abril de 1964 preocupou-se em solucionar um problema que se configurava em torno da nomenclatura correta para designar as mudanças ocorridas no poder estatal à época: era apenas um golpe ou. É aqui que se define a terceira tendência a que nos referimos: a preocupação com a imagem do país no exterior.
Podemos verificar o surgimento desse padrão em uma manchete que aparece na primeira página da edição de 2 de abril de 1965: "Costa e Silva: apenas dez anos de Direito Institucional podem normalizar a vida brasileira" I 5.
Mídia?
Nas sociedades capitalistas contemporâneas, grande parte das atividades do Estado requerem, para sua efetiva realização, os meios de comunicação de massa. Portanto, seria absolutamente necessário nos dedicarmos ao estudo da apropriação dos discursos por seus destinatários. Não há fontes históricas suficientemente sistematizadas e acessíveis - como, por exemplo, relatórios, diários pessoais ou qualquer coisa semelhante à opinião formulada por leitores de jornais - que nos forneçam dados sobre a apropriação dos discursos do jornal O Globo por uma parte de seus leitores.
Portanto, o autor não acredita que seja possível uma revista manipular a realidade de acordo com seus desejos, pois o problema da apropriação do discurso pelo receptor sempre impossibilitaria isso. Não só seria impossível para Darnton contemplar as massas e a possibilidade de manipulá-las, como também não haveria interesse direto dos meios de comunicação em manipular a realidade. Embora esta não seja a hipótese principal deste trabalho, o objetivo aqui é mostrar que, ao contrário do que Darnton supõe, os grupos existem.
Não se trata de uma demonização da mídia, mas qualquer discurso – voluntário ou não – passa pelo filtro de quem o produz. E essa é, de fato, uma das características fundamentais dos veículos midiáticos nas sociedades capitalistas contemporâneas: o discurso midiático é mais eficaz do que outros discursos no sentido de que consegue atingir um maior número de possíveis destinatários. E não porque houvesse algum tipo de conspiração por parte dos donos da mídia.
O presidente da República conseguiu manter os fatos em absoluto sigilo - ao contrário das intenções de Frota - poucos cidadãos se envolveram no problema. Os meios de comunicação de massa conseguem transformar palavras em coisas concretas, tangíveis. Acreditamos e, portanto, temos como pressuposto teórico-metodológico que a notícia veiculada por meio de um meio de comunicação de massa é decisiva para o desenrolar dos acontecimentos políticos e sociais, e que esses meios de comunicação, aliás, reduzem - ainda que limitado - o poder que transforma fatos irrelevantes em eventos extremamente importantes e anonimato a outros fatos absolutamente relevantes, mesmo que não possamos mensurar o real efeito dessa manipulação, que, como já se tentou mostrar, ora é voluntária, ora não.
Interpretações sobre a Ditadura
Segundo Stefan, esse padrão foi desencadeado por dois fatores principais: o senso de catalepsia das instituições civis por parte dos militares e a ameaça concreta de quebra da disciplina e da hierarquia tão caras aos militares. Para Gorender, o golpe foi uma mudança na natureza do domínio de classe, antes dos movimentos populistas e autoritários após o golpe. Ainda dentro do marxismo, Dreifuss, cientista político, tenta com seu livro 1964: A Conquista do Estado fazer uma análise que de forma alguma pode ser acusada de determinismo econômico vulgar26 e que pode ser considerada bastante consistente devido à extensa base documental. de sua pesquisa.
Essa estratégia de ação dependia não só da acirrada campanha ideológica, mas também do exército que fazia parte do quadro de funcionários dos institutos, o que para Dreifuss foi fundamental para a organização do golpe. Um autor que compartilha da tese de que o golpe de Estado agravou os interesses do capital internacional na esfera política nacional é Daniel Aarão Reis Filho. É bastante consensual a ideia de que o regime instituído após o golpe foi, pouco a pouco, transformado num regime puramente militar, cujos líderes civis foram minados no processo.
No entanto, Soares sugere uma interpretação diferente: que não só o regime era essencialmente militar, mas também a sua preparação. Um dos argumentos de Soares para negar a determinação de interesses econômicos é que os militares, em entrevistas concedidas ao pesquisador, todos, independentemente das diferenças entre eles, confirmaram a ideia de que os motivos do golpe eram de natureza política: o anticomunismo , hierarquia política , agitação social, etc. A tese que rege o livro de Dreifuss é que o golpe foi resultado de uma conspiração previamente bem planejada e articulada28.
Os problemas teóricos relacionados às causas e determinações da ditadura e do golpe de estado, definidos da forma que temos até agora, se dividem. Um aspecto que se destacou na obra de Gaspari foi a boa recepção da crítica jornalística e o sucesso editorial. Um dos principais problemas da obra, como aponta Carlos Fico, diz respeito ao uso desses recursos.
Trajetória histórica
Com efeito, temos uma história concreta da relação do jornal O Globo com o governo militar, repleta de acontecimentos obscuros e episódios fraudulentos (capítulo 5). Portanto, é possível concluir que o discurso do jornal O Globo, além de fazer parte de uma tendência de longa data e compartilhamento de posições políticas semelhantes às militares, tinha um caráter propagandístico. O referido otimismo pode ser medido nos primeiros meses do período ditatorial no discurso do jornal O Globo.
Na trajetória histórica a que nos referimos, a partir do ano de 1965 é possível identificar uma mudança na orientação geral das manchetes e notícias da revista. Anteriormente, vimos a ênfase na euforia da vitória do bem sobre o mal, enquanto desde o início de 1965 até meados de 1967 pode-se acompanhar a ênfase em outras ideias. O jornal insiste repetidamente na ideia de que o país deve unir forças para crescer como nação: “Os sacrifícios atuais levam ao progresso, diz Otávio Bulhões.
Em nenhum momento a Globo denegriu a imagem do regime, mas em 1964 os temas de maior destaque não eram os mesmos no discurso do jornal e no dos funcionários. Esse terceiro momento pode ser entendido em função da não solução dos problemas do país, principalmente o problema da oposição de esquerda, representada nas palavras do jornal pelo comunismo e, no fundo, pelos problemas econômicos. Diante disso, O Globo voltou fortemente ao tema do anticomunismo, que nos primeiros meses de 1964 esteve ligado à declaração da vitória da ditadura.
A mudança no discurso da revista pode ser sentida desde os primeiros meses de 1967. Outra conjuntura já começava a se configurar na organização do discurso da revista em relação aos problemas econômicos. Pode-se inferir de O Globo que ao longo de 1968 o governo estava ciente das possibilidades de ressurgimento do regime.
Tupi or not tupi?
Mas este pode ser o prelúdio de um romance entre Marinho e o grupo Time-Life que deu origem ao acordo que estamos prestes a revelar. De fato, inicialmente foram assinados dois contratos entre a Globo e a Time-Life: um se chamava Contrato Master e o outro se chamava Contrato de Assistência Técnica. De acordo com o contrato principal, a TV Globo (ainda não constituída como empresa de televisão na época) se comprometeu a construir primeiro um prédio, futura sede da empresa, a fim de adquirir os equipamentos técnicos necessários para a transmissão do programa de televisão. e na obtenção da concessão do Ministério dos Transportes e Obras Públicas para a gestão do 4º canal.
É nessa disposição do contrato que, apesar de o presente trabalho ser dedicado ao jornal O Globo, se fundamenta um estudo sobre a fundação da TV Globo. Apesar da assinatura desse contrato entre a TV Globo e o grupo Time-Life, o grupo confiava plenamente na personalidade de Roberto Marinho. O pagamento do aporte financeiro da TV Globo exigia do grupo que Roberto Marinho detivesse no mínimo 51% das quotas do capital da TV Globo.
Neste contrato, o que mais nos interessa é a disposição sobre a cessão do Diretor Presidente da TV Globo. Os contratos celebrados entre a TV Globo e a Time-Life violam o artigo 160 da Constituição, uma vez que empresa estrangeira não pode participar da gestão intelectual e administrativa da concessionária de televisão; assim, propõe-se ao Poder Executivo aplicar à empresa infratora a penalidade prevista na lei pela infração a este dispositivo constitucional; No entanto, interesses alheios estavam envolvidos nesse negócio entre a TV Globo e o grupo Time-Life.
Primeiro, em agosto de 1965, a Divisão Jurídica do Conselho emitiu parecer confirmando a interferência do grupo estrangeiro na administração da emissora e concluiu que a concessão do canal 4 concedida à TV Globo deveria ser rastreada. A TV Globo recorreu à Presidência da República contra as conclusões finais da CONTEL. Observa-se, primeiro, por volta de 1966, o discurso de O Globo cada vez mais próximo do discurso oficial e, em seguida, os fatos relativos à constituição da TV Globo.