O artigo 3º da Constituição Federal de 1988 estabelece a cidadania e a dignidade da pessoa humana como fundamentos básicos para a formação do Estado Constitucional Democrático da República Federativa do Brasil, tendo como um dos seus principais objetivos a construção de um Estado livre, justo e solidariedade, que promove o bem-estar de todos, independentemente da origem, cor da pele, raça, sexo ou idade. Considerando a necessidade de contribuir para a sensibilização da sociedade, mais especificamente dos alunos e funcionários do IFCE, e para a formação de professores e técnicos administrativos para melhorar o atendimento à população LGBT, a Diretoria de Assuntos Estudantis apresenta a quarta parte da série “Conheça seus Direitos” , a cartilha Diversidade sexual: lutas e conquistas da população LGBT. Esperamos que este guia seja mais um passo na construção de uma sociedade justa e igualitária, livre de preconceitos e baseada no respeito às pessoas independentemente da sua orientação sexual e/ou identidade de género, baseada na desmistificação de alguns tabus da sociedade. diversidade sexual e esclarecimento à sociedade sobre os direitos da população lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual e transgênero (LGBT).
Os direitos humanos são debatidos há centenas de anos, mas a sexualidade e o gênero são atualmente debatidos na sociedade brasileira, especialmente nas últimas décadas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) afirma que todos os indivíduos têm direitos iguais, independentemente da cor da pele, sexo, religião, orientação sexual, etc., mas sabemos que até hoje ainda não existe essa igualdade entre as pessoas. Diante das manifestações de intolerância e preconceito devido a uma orientação sexual diferente do “normal” ou “natural”, as políticas públicas afirmativas têm sido o rumo para combater a discriminação, inclusive no contexto educacional.
Escolas, universidades e outras instituições de ensino desempenham um papel importante na crítica e na cultura de paz entre crianças, adolescentes e jovens, sendo essenciais para a transformação social. Contudo, pesquisas evidenciam, nos espaços educativos, atitudes de intolerância e preconceito em relação a lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), evidenciando o despreparo dos profissionais para tratar a sexualidade de forma formativa (JOCA, TORRES, REIDEL, 2011). Entendendo a missão das instituições de ensino para esta mudança, este guia pretende ser um instrumento informativo para que o conhecimento supere preconceitos.
A segunda parte do material contém um conjunto de leis, decretos e outras disposições legais destinadas a garantir a não discriminação dos cidadãos com base na sua orientação sexual.
HOMOSSEXUALIDADE NA SOCIEDADE OCIDENTAL
Para isso, passam a regular as famílias e a ter cuidados especiais com a reprodução e as práticas sexuais. A sua visão “autorizada” será aquela que identifica diferenças relevantes entre assuntos e práticas sexuais e as classifica em termos de saúde, moralidade e higiene. Não é, portanto, surpreendente que a linguagem e a perspectiva utilizadas em tais definições sejam distintamente masculinas; que as mulheres são concebidas como portadoras de uma sexualidade ambígua, escorregadia e potencialmente perigosa; que o comportamento dos grupos brancos de classe média e alta nas sociedades urbanas ocidentais forneceu a referência para determinar o que era ou não apropriado, saudável ou bom.
Os tipos sexuais foram inventados, decidiu-se o que era normal ou patológico e esses tipos foram hierarquizados. Tais tratados, dotados da autoridade da ciência, gozavam do estatuto de verdade e eram confrontados ou combinados com os tratados da igreja, da moral e do direito. As práticas homossexuais não eram mais vistas como pecados acidentais ou acidentes; eles esconderam a verdadeira identidade de alguém de outra espécie.
E como foram nomeados o sujeito e a prática considerados desviantes, tornou-se necessário nomear também o sujeito e a prática. Os fundadores tinham uma publicação mensal sobre homossexualidade, Levensrecht, que significa “Direito de Viver”, promoviam ocasiões de sociabilidade e realizavam trabalhos com as autoridades para promover a tolerância aos homossexuais. 13 Em 1950, a Mattachine Society, a primeira organização pró-gay sustentada nos Estados Unidos, surgiu com o objetivo de promover discussões em grupo sobre a homossexualidade, incluindo palestras de médicos e psiquiatras.
O MOVIMENTO LGBT NO BRASIL
CONCEITOS IMPORTANTES
É a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa expressa por outra, para quem seu desejo é direcionado involuntariamente. Heterossexual: Pessoa que se sente atraída emocional e/ou sexualmente por pessoas do sexo oposto. Homossexual: (Gays e Lésbicas): Pessoa que se sente atraída emocional e/ou sexualmente por pessoas do mesmo sexo/gênero.
Bissexual: Pessoa que se sente atraída emocional e/ou sexualmente por pessoas de ambos os sexos/gêneros. Formulado na década de 1970, o conceito de gênero foi criado para distinguir a dimensão biológica da social. Assim, homens e mulheres são produtos da realidade social e não resultado direto da anatomia dos seus corpos.
É a percepção íntima que uma pessoa tem de si mesma como homem, mulher ou uma combinação de ambos, independentemente do sexo biológico. Homens e mulheres transexuais podem expressar a necessidade de realizar modificações corporais através de terapias hormonais e intervenções médico-cirúrgicas, com o objetivo de adaptar os seus atributos físicos (incluindo genitália – cirurgia de redesignação sexual) à sua identidade de género. Pessoa que nasceu homem e tem identidade de gênero feminina, assumindo papéis de gênero diferentes dos impostos pela sociedade.
Homem que se veste com roupas extravagantemente femininas para se apresentar em shows e eventos, de forma artística, caricatural, performática e/ou profissional. Pessoa que se veste com roupas do sexo oposto para vivenciar momentaneamente papéis de gênero diferentes daqueles atribuídos ao seu sexo biológico, mas, em geral, não realiza modificações corporais e não estrutura uma identidade transexual ou travesti. Terminologia comumente usada para descrever pessoas que fazem transição entre gêneros, incluindo travestis, transexuais, travestis, drag queens/kings e outros.
Há também quem utilize esse termo para designar apenas aquelas pessoas que não são travestis e nem transexuais, mas que vivenciam os papéis de gênero de forma pouco convencional. Aqueles que são biologicamente femininos e têm identidade de gênero feminina ou biologicamente masculinos e têm identidade de gênero masculina. O nome social”, mais do que a forma como uma pessoa trans se reconhece e se conhece no meio social em que vive e se comunica, é uma característica constitutiva da sua identidade de gênero, que deve ser respeitada com base nos fundamentos constitucionais da dignidade da pessoa humana.
DIREITOS DA DIVERSIDADE SEXUAL
Circular nº. Portaria 257, de 21 de junho de 2004, da Superintendência de Seguros Privados do Ministério da Fazenda - Regulamenta o direito do companheiro homossexual, na condição de dependente preferencial, de ter direito ao seguro DPVAT. Lei Federal nº. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) – reconhece a violência de gênero como uma violação dos direitos humanos e impõe ao Estado a responsabilidade de combater diversas formas de violência doméstica. Os Princípios de Yogyakarta de 9 de novembro de 2006 - um documento preparado por um grupo de especialistas em direitos humanos liderado pela Comissão Internacional de Juristas e pelo Serviço Internacional para os Direitos Humanos para estabelecer princípios sobre a aplicação do direito internacional dos direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero.
Decreto nº. Portaria 1.707, de 18 de agosto de 2008, do Ministério da Saúde - Estabelece diretrizes nacionais para a implementação do processo de transexualização no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Resumo normativo nº. Portaria nº 12, de 4 de maio de 2010, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) - Sustentada em princípios constitucionais como o princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio da proibição da discriminação hostil, a súmula normativa amplia direitos aos casais homossexuais, assegurados ao parceiros de beneficiários que tenham proteção de planos privados de saúde. Decreto nº. Portaria 513, de 9 de dezembro de 2010, do Ministério da Previdência Social - Reconhece as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo no regime geral de seguridade social, a fim de assegurar o mesmo tratamento aos seus dependentes para fins previdenciários.
Portaria nº 2.836, de 1º de dezembro de 2011, do Ministério da Saúde - Estabelece no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) a política nacional de saúde integral para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, o que constitui um importante instrumento de combate discriminação e preconceitos institucionais. Lei Complementar nº 133 de 2012 da Prefeitura de Fortaleza - Institucionalizou o Centro de Referência LGBT Janaína Dutra. A instituição oferece serviços de proteção e defesa à população lésbica, gay, bissexual, travesti e transexual (LGBT) em situação de violência e/ou violação, negação de direitos motivada pela questão da orientação sexual e/ou identidade de gênero.
Lei Orgânica do Município de Fortaleza/CE - estabelece que cabe ao Município criar mecanismos que combatam a discriminação aos homossexuais (..) e promovam a igualdade entre os cidadãos (artigo 7º, inciso XXI da Lei Orgânica do Município de Fortaleza). Resolução nº. 175, de 14 de maio de 2013, do Conselho Nacional de Justiça - Amparado na histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, que equiparou as uniões entre pessoas do mesmo sexo às uniões estáveis tradicionais, e que visa evitar decisões judiciais que levariam à violação de princípios reconhecidos legislação, o Tribunal Nacional de Justiça (CNJ) do Conselho emitiu resolução proibindo qualquer cartório do país de recusar a aprovação de pedidos de casamento entre pessoas do mesmo sexo, bem como a celebração de casamento civil ou conversão de 'compromisso estável' casado. Portaria nº. Portaria nº 71/2015, da Empresa de Transportes Urbanos de Fortaleza (ETUFOR) - Garante o uso do nome social de travestis e transexuais nas carteiras estudantis.
Regulamento Didático do IFCE - O reconhecimento e a adoção do nome social daqueles cuja identificação civil não reflita adequadamente sua identidade de gênero deverá ser garantido pelo IFCE em todos os níveis e modalidades de ensino, a pedido do interessado, nos termos da CNCD- resolução / LGBT não. Decreto Federal nº 8.827, de 28 de abril de 2016 – Garante o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de travestis e transexuais no âmbito da administração pública federal, autônoma e fundamental. Decreto Estadual nº 32.226 DE, de 17 de maio de 2017 – Dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de travestis e transexuais no âmbito da administração direta e indireta do Estado e dá outras providências.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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