Vice-Reitor de Gestão da Informação e Comunicação: Julio Carlos Balzano de Mattos Vice-Reitor de Assuntos Estudantis: Fabiane Tejada da Silveira. Análise de sistemas mundiais [recurso eletrônico]: uma introdução ao pensamento de Immanuel Wallerstein/Charles Pennaforte. HISTÓRIA, GEOPOLÍTICA & RELAÇÕES INTERNACIONAIS tem como objetivo trazer ao público os temas de maior relevância no cenário nacional e internacional.
3 A ANÁLISE DOS SISTEMAS MUNDIAIS 4 OS CICLOS SISTÊMICOS DE ACUMULAÇÃO 5 A REDUÇÃO DA HEGEMONIA AMERICANA 6 A UTOPÍSTICA.
INTRODUÇÃO
Um importante colaborador neste esforço foi também o líder comunista italiano e teórico Antonio Gramsci, que ofereceu uma abordagem mais sofisticada para a análise do capitalismo e sua sociedade3. O trabalho intelectual de Immanuel Maurice Wallerstein é extremamente importante para a compreensão da dinâmica capitalista da segunda metade do século XX e seu impacto na ciência. 4 Economista russo que na década de 1920 desenvolveu ciclos econômicos que explicariam as crises endêmicas do capitalismo do ponto de vista estrutural.
Como devemos nos preparar para o que substituirá o capitalismo neste momento de transição?
1 QUEM FOI IMMANUEL WALLERSTEIN?
Foi professor visitante em diversas universidades ao redor do mundo, e desde 2000 foi pesquisador sênior da Yale University (EUA), onde trabalhou até sua morte em 2019 (GENZLINGER, 2019, online). Wallerstein foi diretor do Centro Fernand Braudel até 2005, e trabalhou várias vezes na famosa École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris.
2 AS ORIGENS DA ANÁLISE DOS SISTEMAS-MUNDO
As ex-colônias tentaram proteger sua autonomia política e cultural em meio às lutas de libertação nacional e em eventos internacionais como A Conferência de Bandung9 em 1955. Desenvolvimento econômico (algo inevitável, segundo a lógica de seus defensores) para a solução As mazelas econômicas e sociais das ex-colônias ganharam força no meio acadêmico ocidental ao oferecer, ao mesmo tempo, uma "perspectiva "aperfeiçoamento teórico para novas nações. Desta forma, todas as ex-colônias inevitavelmente alcançariam o desenvolvimento copiando "modelos de sucesso".
Na verdade, o que se propunha agora era um “choque” capitalista para as ex-colônias, que sofriam com o próprio capitalismo.
3 A ANÁLISE DOS SISTEMAS-MUNDO
Segundo ele, "acho que o leitor agora verá claramente como o modo de análise do capitalismo de Cox é consistente com o que foi chamado de análise do sistema-mundo". A contribuição dos Annales através da longue durée (longa duração) ajudaria a entender o “sistema-mundo” como um “sistema histórico” que teria um “ciclo” de vida: ascensão e queda. Haveria, portanto, um processo dinâmico e dialético que permitiria a existência de um sistema-mundo que seria substituído por outro, ou seja, períodos de transição que ocorreriam (WALLERSTEIN, 2006, p. 306).
De Marx, Wallerstein aprendeu que (1) a realidade fundamental é materialmente baseada em conflitos sociais entre grupos humanos, (2) a preocupação relevante com a totalidade, (3) a natureza transitória das formas sociais e teorias sobre elas. , (4) daí decorre a centralidade do processo de acumulação e a competitividade da luta de classes, (5) um sentido dialético de movimento através do conflito e da contradição (VELA, 2001, p. 3)13. Nesse processo, os países pobres experimentariam desvantagens qualitativas no comércio entre produtos de baixo valor agregado (por exemplo, commodities) para produtos de alto valor agregado (industrializados) dos países mais desenvolvidos (Centro) dentro do sistema capitalista mundial. É muito cedo para teorizar de maneira séria e, quando chegarmos a isso, deveríamos estar teorizando sobre ciências sociais e não sobre sistemas mundiais.
No estudo da história recente, Wallerstein descreve as previsões futuras do sistema capitalista como um sistema mundial. Para Wallerstein, o sistema mundial moderno (capitalista) pode ser explicado pela crise do sistema feudal e pela ascensão da Europa Ocidental à supremacia mundial entre 1450 e 1670. Um sistema mundial não é o sistema mundial, mas um sistema que é um sistema mundial. e o que pode estar, e muitas vezes esteve, localizado em uma área menor que o globo inteiro.
O teórico também destacou a existência de dois tipos de sistemas mundiais: (1) impérios mundiais e (2) economias mundiais. A diferença entre os dois tipos de sistemas mundiais se daria pelo fato de que os impérios mundiais foram ou são grandes estruturas burocráticas com centralização política e uma divisão central do trabalho em que coexistem múltiplas culturas.
4 OS CICLOS SISTÊMICOS DE ACUMULAÇÃO
38 Sua contribuição foi para a análise da hegemonia estadunidense sob inspiração gramsciana e para os ciclos de acumulação capitalista. A tese do economista russo sobre o capitalismo, analisando o desenvolvimento do capitalismo no século XIX, era que seu desenvolvimento era baseado em ciclos. Sob a inspiração dos ciclos de Kondratiev, para Arrighi, o sistema capitalista teria passado por quatro ciclos sistemáticos de acumulação e expansão: genovês, holandês, britânico e americano.
Os ciclos sistêmicos de acumulação de capital constituem uma cadeia de estágios parcialmente sobrepostos por meio dos quais a economia capitalista europeia transformou a economia mundial em um intenso sistema de trocas. A sobreposição desses ciclos ocorre na transição de um para o outro, ou seja, enquanto um ciclo se aproxima do fim, outro ciclo de acumulação sistêmica começa a se formar ao mesmo tempo. Arrighi afirmou que a contribuição mais importante e eterna para o desenvolvimento do capitalismo como sistema mundial se encontra no contexto das altas finanças, durante o Renascimento italiano do final do século XIV e início do século XV, período de seu surgimento.
Além disso, uma classe capitalista claramente identificável (os genoveses) incentivou, supervisionou e se beneficiou de ambas as expansões graças a uma estrutura de acumulação de capital que em grande parte já havia sido estabelecida quando a expansão material começou (ARRIGHI, 1996, pp. 129-130). No ciclo holandês, a supremacia comercial baseava-se numa lógica de poder capitalista (representada pela fórmula 'Dinheiro-Trabalho-Dinheiro'), enquanto a supremacia comercial posterior, a inglesa, iniciada no início do século XVIII, assentava - há uma síntese harmônica entre a lógica dos territórios. Essa síntese foi o fator fundamental para que o regime britânico tivesse alcançado um ciclo de acumulação sistêmica muito mais avançado do que o holandês (ARRIGHI, 1996, p. 204).
Essa pressão favoreceu a expansão industrial inglesa, que se manteve na supremacia econômica mundial até o início do século XX. O ciclo americano seria a expansão do sistema mundial moderno que ocorreu durante quase todo o século XX e entrou em crise na década de 70 do século passado.
5 O DECLÍNIO DA HEGEMONIA DOS EUA
Historicamente, a hegemonia americana começou com a recessão mundial de 1873, quando sua economia cresceu acentuadamente ao mesmo tempo em que a economia britânica entrou em um ponto de inflexão. No período entre 1873 e 1914, os EUA e a Alemanha tornaram-se os principais produtores de aço e produtos químicos. A Segunda Guerra Mundial proporcionou uma posição privilegiada para os EUA, que não sofreram diretamente os efeitos do conflito.
Com a derrota do nazismo, o socialismo tornou-se o principal obstáculo à hegemonia global dos Estados Unidos. 48 Apesar dos notáveis "problemas" na região, a ação americana na reconstrução do Japão a partir da década de 1950 permitiu que os americanos encontrassem seu caminho. O sucesso dos EUA como potência hegemônica no pós-guerra criou as condições para minar sua própria hegemonia.
Cada símbolo se soma ao último, culminando na situação em que a América se encontra hoje: uma superpotência solitária sem poder real, um líder mundial seguido por ninguém e respeitado por poucos, e uma nação perigosamente à deriva, submersa em um caos global sem controle (WALLERSTEIN, 2004, p. 25). Mais recentemente, Donald Trump teve destaque no vestuário dos EUA com suas políticas de ataques ambientais, desprezo pelas minorias e na guerra comercial com a China - um corolário que culminou em sua derrota em 2021 para o democrata Joe Pray. O fato é que sem o “comunismo” como ameaça ao “mundo livre”, os EUA teriam ficado sozinhos no cenário mundial para exercer seu poder, agora amplamente questionado, por meio do hard power26 de forma mais difundida.
Sem a Guerra Fria como pano de fundo e justificativa para seus atos arbitrários em todo o planeta, os EUA o fariam. A administração de Barack Obama tentou reverter essa perda de força ideológica, buscando usar o soft power27 como a maneira mais fácil de recuperar o prestígio americano.
6 A UTOPÍSTICA
Não o rosto de um futuro perfeito (e inevitável), mas o rosto de alguém cujas melhorias são críveis e historicamente possíveis (embora longe de inevitáveis). Só assim poderemos traçar caminhos para superar a atual transição histórica que atravessamos. Daí a importância de trabalhar as perspectivas na forma de um tripé: ciência-política-moral.
Justamente quando o sistema histórico do qual fazemos parte está mais distante do equilíbrio, quando as flutuações são maiores, quando as bifurcações estão mais próximas, quando pequenos aportes geram grandes resultados. Não devemos esquecer que tais benefícios sociais são na verdade recursos transferidos de outras partes do mundo (sociedades) na forma de juros, atraso tecnológico e social, etc. No entanto, a constituição de aparatos jurídicos estatais que garantam benefícios sociais aos trabalhadores foge completamente à lógica sistêmica do capitalismo histórico.
7 AS PERSPECTIVAS DO SISTEMA-MUNDO CONTEMPORÂNEO
A crise da Ucrânia
As razões apresentadas por Moscou foram a chegada da OTAN perto de suas fronteiras, através de um país com grande relacionamento histórico, e a então virtual entrada de Kiev na aliança militar ocidental. Os EUA procuraram criar novas estruturas militares, obviamente voltadas para a Rússia, sob o pretexto de que se destinavam a combater uma hipotética ameaça iraniana. Os EUA usam a OTAN para pressionar os países da Europa Ocidental a concordar com ações anti-russas.
A existência da OTAN como uma aliança militar que começou na Guerra Fria contra um inimigo específico como a URSS (que deixou de existir em 1991) perdeu seu significado. Novamente, isso teve a ver com a política intra-européia e o desejo dos EUA de controlar seus supostos aliados. Por velha Europa, ele se referia especificamente à relutância francesa e alemã em concordar com as estratégias dos EUA.
Em resposta, os Estados Unidos esperavam cortar as asas dos europeus ocidentais introduzindo estados do leste. Outra razão para a manutenção ativa da OTAN no pós-Guerra Fria seriam os interesses do complexo militar e da cadeia da corrupção (comissões e lucros) e do sistema financeiro (BANDEIRA, 2016, p. 115). Tal evento certamente promoverá uma rearticulação do poder mundial dentro da perspectiva do declínio da influência americana.
Os dois países resistiram à pressão dos EUA e da UE por sanções contra Moscou (FRONTLINER, 2022, online). Os Estados Unidos terão sucesso em alcançar seus objetivos de permanecer no topo do comando global no século XXI.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como o leitor observou, o ASM pode ser usado de várias maneiras e em muitos campos para analisar o atual momento de transição sistêmica. Resta-nos agora trabalhar de forma utópica os efeitos do Novo enquanto vivemos este processo de transição; ou, como disse certa vez o sociólogo americano, neste período de bifurcação.
LIVROS PUBLICADOS NO BRASIL 32
Capitalismo Histórico E Civilização Capitalista
Após o liberalismo: em busca da re- construção do mundo
Como o concebemos o fim do mundo
Utopística ou as decisões históricas do século vinte e um
O declínio do poder americano
Impensar a Ciência Social
O universialismo europeu: a retórica do poder
Raça, nação, classe: as identidades ambíguas
BIBLIOGRAFIA COMPLETA DE I
WALLERSTEIN
1990 (with Samir Amin, Giovanni Arrighi and Andre Gunder Frank): The Remaking of Revolution: Social Movements and the World System. 1999: The End of the World as We Know It: Social Science for the Twenty-First Century.
SITES SOBRE I. WALLERSTEIN E A ANÁLISE DOS SISTEMAS-MUNDO
Análise de Sistemas Mundiais e Política Internacional: Uma Abordagem Alternativa às Teorias das Relações Internacionais. Contribuição Especial: Entrevista com Immanuel Wallerstein “Uma Retrospectiva sobre as Origens da Análise de Sistemas Mundiais.
SOBRE O AUTOR
Charles Pennaforte