Resumidamente e em uma palavra: o despacho sobre a aplicação do regime legal de licenças no procedimento administrativo, que decorreu do artigo 7º da versão original da Lei nº. 1-A/2020, foi pelo menos parcialmente materialmente inconstitucional. E é isso que explica por que, de acordo com as condições da segunda parte do parágrafo 2º do artigo 6º da Lei nº. 4-A/2020 previu a proteção de que “as regras aplicáveis aos processos urgentes (…) momento em que os prazos se encontravam em processos administrativos urgentes20 de acordo com o disposto no n.º 5 do artigo 7.º. a versão original da lei n. 1-A/2020, com efeito provisoriamente anulado; apenas por força da lei n. 4-A/2020 deixaram de existir.
Para o demonstrar, e detalhadamente sobre o regime processual que consta da versão revista do § 7º da Lei n.º 1-A/2020, cf. Nomeadamente no âmbito dos contratos de arrendamento subsidiado sujeitos ao regime da Lei n.º 81/ 2014, de 19 de dezembro (cf. especialmente n.º 3 do respetivo artigo 17.º). Ou seja: nestes casos, o que a suspensão decorrente dos n.ºs 3 e 4 do artigo 7.º da Lei n.º 1-A/2020 parece implicar apenas a transferência do termo a quo do prazo para o “primeiro dia” seguinte a suspensão (ou seja, para 3 de Junho), podendo a partir daí a contagem ser efectuada nas condições da alínea c) do artigo 279.º do Código Civil.
Especialmente no que se refere às ações administrativas urgentes em relação ao contencioso pré-contratual, importa também considerar que o disposto no n.º 1 do artigo 7.º-A não afetou a conclusão anterior. Vale dizer que o prazo - de caducidade - de um mês para a propositura deste tipo de ação previsto no artigo 101.º do CPTA beneficiou efetivamente da suspensão decorrente dos n.ºs 3 e 4 do artigo 7.º da Lei Não. 1-A/2020. Mas claro: esta suspensão em nada impediu os particulares de a “renunciarem” e, efetivamente, de proporem ações de contencioso pré-contratual durante o período excecional – ações que, pela ordem e nos termos do n.º 7 do artigo 7.º, deveriam prosseguir sem qualquer suspensão dos prazos processuais.
De forma diferente, mas ainda no âmbito específico das ações administrativas urgentes em processos pré-contratuais, o prazo de 10 dias úteis em que a produção do efeito suspensivo automático depende da impugnação das ações de adjudicação, nos termos do art. n.º 1 103.º-A do CPTA, não foi abrangida pela suspensão prevista nos n.ºs 3 e 4 do artigo 7.º da Lei n.º 1-A/2020. Assim, ao contrário do que aconteceu com o prazo de um mês para a propositura de ações perante contencioso contratual (artigo 101.º do CPTA), que foi efetivamente suspenso nos termos dos n.ºs 3 e 4 do artigo 7.º da Lei n.º 1-A/ 2020, não foi suspenso o prazo de 10 dias úteis para garantir o efeito suspensivo automático (do n.º 1 do artigo 103.º-A do CPTA). b) Prazo; uma questão pendente. Embora já não esteja em vigor, a regra da suspensão dos prazos de prescrição e caducidade constantes dos n.ºs 3 e 4 do artigo 7.º da Lei n.º 1-A/2020 levanta, em todo o caso, uma questão sensível para o futuro.
Alínea e) do nº 6 do artigo 6º-A da Lei nº 1-A/2020, revista pela Lei nº. 16/2020, ainda prevê a suspensão de prazos de prescrição e confisco em relação a processos - inclusive administrativos - cuja diligência não possa ser realizada, nem presencialmente nem por meio de comunicação à distância - ou seja, em relação a processos , cujo processamento está absolutamente paralisado devido à impossibilidade de realizar quaisquer procedimentos presenciais (claro: se eles devem ser realizados). No entanto, tal proposta interpretativa esbarra num obstáculo difícil de transpor: a forma literalmente incondicional como a suspensão dos prazos de prescrição e caducidade se refletiu efetivamente nos n.ºs 3 e 4 do artigo 7.º da Lei n.º A/2020.
Intervenção dos tribunais administrativos no controlo dos «atos de exceção»
No entanto, parece que tal interpretação, baseada no disposto no artigo 321.º, n.º 1, do Código Civil, só poderia ser válida se o legislador tivesse feito diferença no momento em que determinou o fim desta suspensão. Em suma: a suspensão dos direitos fundamentais em estado de emergência não afetou a nulidade da intimação para a proteção de direitos, liberdades e garantias (lembre-se do disposto no artigo 6.º da RESEE, acima referido, que lhe dá cobertura especial) . No entanto, é interessante notar que, no que diz respeito às medidas adaptativas relativas aos contratos de "execução sustentável" (categoria cujos contornos não são totalmente identificáveis, diga-se), o legislador acrescentou neste contexto uma referência às disposições do n.º 3 do artigo 185.º. .º-A da KPPP sobre questões de oposição a decisões arbitrais que eventualmente venham a ser proferidas no âmbito de litígios emergentes "da execução do disposto no presente decreto-lei". artigo 7.º) - leia-se, que possa resultar da implementação, ou mesmo no limite de eventual não implementação, do regime extraordinário e temporário de que tratam os artigos 3.º a 6.º do Decreto-Lei n.º 19 ./2020 criado em conexão com esse tipo de relação contratual.
Mas, embora tal supressão legislativa não tenha o menor respaldo em nenhum dos atos presidenciais que declaram o estado de emergência, nem por outro lado pareça consubstanciar uma justificável limitação dos novos direitos do artigo 22.º e do n.º 2 do artigo 62.º do K. Constituição, é nítida a sua inconstitucionalidade material. Inscrito no KPCK na fase final dos trabalhos parlamentares que viriam a editar a lei n.º 3 do artigo 185.º-A do KPCK45. Pelo que importa aqui referir, apenas sublinhamos que, ao criarmos dois (novos) canais jurídicos (a saber: independentes – não afetados por – – o acordo das partes na convenção de arbitragem) para recorrer das decisões de arbitragem em assuntos administrativos. nos tribunais estaduais e sem estar vinculado a nenhuma norma específica de aplicabilidade temporária que indique um sentido diverso, esta nova disposição da KPPSH, com base no disposto no n.º 2 do artigo 13.º da Lei n.º 2019, é imediata. aplicação46 – portanto, focando ambos em processos de arbitragem45.
Que as disposições do parágrafo 3 da seção 185-A do CPTA se aplicam imediatamente, portanto, não há dúvida. Ou, o que dá no mesmo: o legislador deveria ter previsto na Lei n.º 118/2019, sob pena de inconstitucionalidade substancial, uma disposição transitória específica que conduzisse aos recursos inovadores previstos no n.º 3 do artigo 185º -A aplicar-se-á apenas a litígios decorrentes de convenções de arbitragem após a sua entrada em vigor. Tudo considerado, e em suma, não parece haver lugar para qualquer atribuição de inconstitucionalidade substancial à regra de aplicabilidade imediata (portanto: aplicabilidade a processos de arbitragem pendentes e novos, independentemente da data da convenção de arbitragem subjacente) dos dispositivos do n.º 3 do artigo 185.º-A do CPTA.
Tal como na nota anterior, o ponto merece desenvolvimentos que aqui não cabem, mas importa referir que a aplicabilidade imediata das duas novas vias de recurso previstas no n.º 3 do artigo 185.º-A do KPPP para processos arbitrais pendentes ou iniciada após 17 de novembro de 2019 não é de forma alguma contestada pelas eventuais circunstâncias em que as partes tenham finalmente concordado, ainda que expressamente, quanto à irrevogabilidade da sentença arbitral. Nesta perspetiva, facilmente se observa que a referência objeto desta disposição da KPCK no artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 19/2020 é, afinal, meramente declarativa48. Na medida em que qualquer procedimento (e decisão) arbitral que possa resultar da aplicação do regime extraordinário nas matérias contratuais previstas naquele diploma seja necessariamente posterior a esta data, a mobilização das duas vias de recurso previstas no n.º 3 do artigo 185.º-A do CPTA nesta área seria sempre por definição - isto é: nos termos da aplicabilidade temporária desta disposição - garantida.
Pós-pandemia e futuro da justiça administrativa
No entanto, em última análise, importa sublinhar: quer se trate de um recurso de revisão, quer se trate de um recurso baseado na contradição de uma decisão anterior do TCA ou do STA, o Supremo Tribunal julga apenas questões de direito, nunca questões de facto (por força, respectivamente, dos parágrafos 3º e 4º do artigo 150 e parágrafo 6º do artigo 152 do CPTA). É sabido que as alterações introduzidas pela Lei n.º 118/2019, de 17 de setembro, estão de acordo com os vãos previstos nas diretivas. Meios", introduzidos no regime processual das diligências administrativas urgentes dos litígios pré-contratuais, designadamente através da limitação - no tempo e objectivamente - do âmbito do efeito suspensivo automático previsto no artigo 103.º-A do CPTA51 .
878-881; crítica, não tanto quanto à limitação objectiva do efeito suspensivo automático dos actos judiciais decorrentes de processos "das directivas" (= a que se aplica o statu quo), mas mais quanto ao prazo que a nova versão n . 1. Introduzido o artigo 103.º-A para a criação deste efeito (= ónus da propositura da ação no prazo de carência), cap. A fim de evitar tais cenários patológicos e mesmo que acabem por se traduzir num mecanismo processual “detalhista”53, a introdução da fase de controlo preliminar da petição inicial do juiz nos necessários atos administrativos do contrato de instrução , aliás, está de acordo com o que a Lei do Procedimento Administrativo já prevê no domínio dos recursos para a proteção de direitos, liberdades e garantias (artigo 109.º, n.º 1) e dos seguros (artigo 116.º), revela - se é, pois, um ajustamento meritório no sentido de reforçar um equilíbrio mais preciso entre a situação em matéria de litígios pré-contratuais urgentes participantes no procedimento e a situação dos clientes dos arguidos e das partes contrárias/contratantes. Num cenário em que, ao que se percebe, se prevê a multiplicação de iniciativas de investimento público, estas e eventualmente outras (e.g. encurtamento de prazos de contraprestação e de decisão e substituição do critério que permite eliminar o efeito retardador no menor de ponderação) serão ajustamentos “fáceis”, na disciplina do contencioso pré-contratual, parecem ser uma resposta eficaz ao objetivo politicamente anunciado de prevenir tanto quanto possível a “incapacidade” dos processos de aquisição de entidades públicas.
Caldeira, “O “re” contencioso pré-contratual (Temas desenvolvidos para uma intervenção)”, in Estudos sobre Contencioso Pré-Contratual, Lisboa: AAFDL, 2017, pp. Importa, aliás, referir que, desde a sua versão original, a ETAF/2002-2004 previa a possibilidade de os tribunais administrativos de comarca e os tribunais fiscais se dividirem em tribunais, que poderiam funcionar, em local diverso da sede, dentro dos respectivos jurisdição. (cf. n.º 1 do artigo 9.º). No caso dos contribuintes, o Decreto-Lei n. O Decreto-Lei n.º 166/2009, de 31 de julho, daria mais um passo, registando e limitando a possibilidade de criação de tribunais fiscais de pequena, média e grande dimensão (cf. artigos 9.º-A e 49.º-A da ETAF depois alterados).
Também não há evidência da capacidade - mais flexível - de dividir os casos de acordo com o critério material, embora existissem juízes nos tribunais administrativos encarregados de julgar certos tipos de processos (da versão original e ainda hoje prevista no n.º c) do n.º 2 do n.º 26.º do artigo CPTP) tem sido frequentemente utilizado ao longo dos anos.