O objetivo deste artigo é avaliar um modelo de valoração econômica de recursos naturais na criação de unidades de conservação no Brasil, que é aqui proposto como modelo de valoração econômica na criação de unidades de conservação (MVUC). Palavras-chave: Valorização econômica dos recursos naturais; Unidades de conservação; modelo de avaliação; Compensação por recursos naturais.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Se a biodiversidade é destruída pela actividade económica, e se a economia reconhece basicamente apenas os valores económicos e ignora todos os outros, por ser auto-referencial dentro do princípio da racionalidade económica, então, neste sentido, apenas os mecanismos económicos podem conter o ímpeto económico para a destruição da biodiversidade biodiversidade. Dado que a produção, a distribuição e o consumo ocorrem na esfera econômica privada e são fatores de destruição da biodiversidade (PEARCE; MORAN, 1997), e a característica de que os benefícios da conservação ambiental são de natureza pública, esta é recomendada como opção preferencial forma (TEEB, 2008 ), optamos por focar o estudo na valoração econômica das unidades de conservação federais (UCFs).
PROBLEMATIZAÇÃO
A divergência entre o Estado brasileiro e os proprietários de terras sobre a valorização dos recursos naturais na criação de áreas de UC é o tema deste estudo. Opta-se por aprofundar a valorização dos recursos naturais na negociação de valores entre entidades públicas e privadas, porque é neste momento que se forma o preço ou valor económico da futura UC.
OBJETIVOS
Objetivo geral
Com o objetivo de responder às questões de investigação e contribuir para um modelo de avaliação, os objetivos da tese foram então formulados da seguinte forma.
Objetivos específicos
JUSTIFICATIVA
Relevância
O termo catastrófico pode ser usado atualmente, considerando a falta de dados, a falta de recursos para a gestão, a falta de regulamentação fundiária com bilhões de dólares em passivos, a falta de prioridade orçamentária e de decisão política para uma implementação eficaz. A falta de estudos de valor na criação de UCs foi criticada pelo Tribunal de Contas da União (TCU, 2006) quanto à existência de obrigações fundiárias elevadas das quais o próprio órgão desconhece (MMA, 2009) e à falta de procedimentos claros ( RIBEMBOIM, 1999; KURY, 2009; OLIVEIRA, 2012) sugerem que é urgente e importante enfrentar esta questão e buscar soluções.
Ineditismo
Pensando nisso, esperamos que este estudo possa contribuir na prática para uma transição para uma metodologia de valoração econômica da biodiversidade no Brasil que atenda aos interesses públicos e privados. A maior parte dos UCFs criados no Brasil ainda são “parques de papel”, de propriedade e propriedade privada, pois a situação de suas terras não foi regulamentada por falta de recursos e também de regras claras, incluindo um critério de avaliação consagrado e aceito. (MMA, 2009, MEDEIROS; SAVI; BRITO 2005; KURY, 2009).
Não Trivialidade
A valorização adequada dos recursos naturais serve os interesses dos proprietários privados, incentiva-os a conservá-los e serve o interesse público na melhoria das políticas e como justificação para aumentar as áreas protegidas e melhorar a sua gestão. A identificação do maior número de componentes e o estabelecimento de critérios de valoração podem ser utilizados para planejar a criação de UCs, o que minimiza conflitos posteriores, pois se pressupõe que a adoção de regras claras para a valoração dos recursos naturais proporciona segurança jurídica aos proprietários e o governo traz e, consequentemente, para o meio ambiente, a sociedade e a economia.
DELIMITAÇÕES DO TRABALHO
ESTRUTURA GERAL DO TRABALHO
No Capítulo 4, como principal aporte teórico, são apresentados os fundamentos para um novo modelo e, em seguida, é proposto um modelo de valoração econômica dos recursos naturais na criação de Unidades de Conservação Federais (UCF) no Brasil para ser utilizado como referência. . para estudos de caso. A Seção 2.4 traz um relato histórico das Unidades de Conservação Federais criadas em Santa Catarina em 2005.
SUSTENTABILIDADE
A Dimensão Ambiental
Melhorar o nível de tecnologia é um fator para reduzir o consumo de recursos e reduzir a poluição. Existe um Estoque Disponível de Recursos Naturais e, na medida em que os hábitos, o consumo e a tecnologia permitem reduzir o nível de consumo total anual, a duração dos recursos aumenta.
A Dimensão Social
A Dimensão Econômica
Mas a internalização das externalidades implicaria a compensação do valor justo dos recursos e serviços naturais (PEARCE; MORAN, 1997) e, portanto, aumento de poder. Internalizar o valor econômico dos recursos naturais na economia, segundo Costanza et al. 1997), duplicaria os custos de produção e consumo e transferiria esses valores para outras economias, fornecedoras de recursos naturais e serviços ecossistémicos.
A VALORAÇÃO ECONÔMICA DOS RECURSOS NATURAIS
Componentes e funções
A teoria financeira diz que o valor de um ativo corresponde ao seu valor presente líquido (VPL). Dessa forma, não há mais diferenciação na valoração econômica dessas áreas, uma vez que o valor do uso direto ou da destruição costuma ser equivalente ao valor econômico do uso indireto ou da preservação.
Métodos (ou critérios) para Valoração dos Recursos Naturais
O método de avaliação contingente e o custo de oportunidade são discutidos a seguir devido à importância que lhes é atribuída na literatura. Se o Estado receber uma oferta superior ao seu custo de oportunidade, em tese, deveria aceitá-la, pois proporcionaria maior bem-estar social do que a criação de UC.
Estudos Internacionais sobre valoração econômica dos recursos naturais
Os valores não mercantis podem ser obtidos utilizando o método do custo de viagem, avaliação contingente ou preço hedônico. O método do custo de reposição assume que o valor de um serviço ecossistêmico é igual ao custo de construir artificialmente esse ecossistema.
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO BRASIL
Antecedentes das Unidades de Conservação no Brasil
Unidades de conservação (UC): espaços territoriais especialmente reservados à proteção dos recursos naturais, de iniciativa pública ou privada, incluindo a proteção parcial do seu entorno, ou zonas de amortecimento e corredores ecológicos; Terras Indígenas (TI) e quilombolas: destinadas a proteger áreas tradicionalmente habitadas por povos indígenas e. As unidades de conservação públicas só existem se forem de propriedade e domínio público, e não antes (BRASIL, 2000).
Valoração Econômica em Unidades de Conservação no Brasil
Numa análise custo-benefício, uma unidade só poderia ser criada se o seu valor económico total fosse superior a qualquer estimativa de utilizações alternativas. Outros projectos considerados na mesma investigação, onde as condições ambientais eram melhores, tornaram-se economicamente injustificados devido ao elevado valor económico dos recursos ambientais e dos seus valores associados.
O valor econômico institucional da biodiversidade no Brasil
- Norma Brasileira ABNT-NBR 14653 Parte 6
- Modelo IBAMA/ICMBio de Valoração Econômica dos Impactos Ambientais em
- O Modelo do Ministério Público do Estado de Santa Catarina
- O Modelo ICMBio de valoração ambiental para pagamento de indenização por
Adota o conceito de Valor Econômico Total – VET, que inclui os valores de Uso Direto, Indireto, Opção e Existência, compatíveis com os conceitos mais atuais da literatura internacional e nacional. É no conceito de valor de mercado que os esforços de interpretação devem concentrar-se.
RELATO HISTÓRICO DA CRIAÇÃO DAS UCS DE SANTA CATARINA
Antecedentes da Criação das UCS de Santa Catarina
Em abril de 2012, o Estado de Santa Catarina apresentou os resultados do Inventário Florístico Florestal, que informa a existência de aproximadamente 30% de cobertura florestal no Estado (SC.IFFC, 2012). No mesmo ano em que a Portaria 508 (MMA, 2002) declarou área prioritária para conservação da natureza, áreas aproximadamente coincidentes com as áreas do PARNA Araucária e da ESEC Mata Preta, no estado de Santa Catarina.
Fatos Posteriores da Criação das UCs de Santa Catarina
Foi uma afirmação de que, de fato, havia necessidade de melhorar os processos de criação. O Supremo Tribunal Federal criou o entendimento, por meio de sucessivas decisões monocráticas, de que a criação de unidades de proteção integral não se concretiza por um “simples” decreto de criação (MS 27.622 MC/DF, Rel.
TIPO DE PESQUISA
A revisão da literatura, criação, validação e aplicação do modelo de avaliação teórica são apresentadas nas seções 3.3, 3.4 e 3.5 respectivamente.
DESIGN DA PESQUISA
A pesquisa iniciou com uma revisão teórica sobre a questão ambiental, valoração econômica da biodiversidade, unidades de conservação no Brasil e valoração econômica das UC no Brasil. Com base nas recomendações teóricas, na legislação e nos modelos existentes, foi então proposto um modelo mais abrangente de valoração econômica dos recursos naturais em unidades de conservação (MVUC), que incluía o maior número possível de componentes de referência. O modelo foi submetido a uma dupla avaliação: a) um teste preliminar realizado pelo pesquisador e concluído com dados de pesquisas anteriores; b) avaliação por especialistas bem versados no assunto, incluindo advogados e economistas familiarizados com a avaliação econômica de recursos naturais e proprietários de áreas desapropriadas.
ETAPA CONSTRUÇÃO DO RELATO HISTÓRICO DA CRIAÇÃO DAS UCS
O Relato Histórico da criação das UCs é apresentado na seção 2.4 e foi desenvolvido gradativamente, à medida que informações ou documentos foram coletados durante a revisão teórica e pesquisa de campo.
ETAPA DE REVISÃO DA LITERATURA, LEGISLAÇÃO BÁSICA E MODELOS
Os componentes e critérios de avaliação dos modelos oficiais foram comparados entre si e também com recomendações da literatura e da legislação.
ETAPAS DE CRIAÇÃO DO MODELO DE VALORAÇÃO
Contexto Epistemológico para Criação do Modelo
Segue em termos gerais o paradigma oriental da coexistência de opostos, onde o desequilíbrio gera o caos e, portanto, a mudança. No presente estudo, deparamo-nos com uma mudança de paradigma do valor dos recursos naturais, onde os atores (governo e proprietários) apresentam interesses e perspetivas opostas ou conflitantes, refletidas nos critérios de atribuição desses valores económicos aos recursos. , exigindo inclusive a intervenção do poder judiciário.
Criação do Modelo
Ao atribuir valor económico ao recurso natural danificado e não atribuir valor ao recurso quando este é preservado (coexistência com dois modelos de valoração antagónicos). Actualmente, o custo de realizar um empreendimento económico numa área bem conservada (privada ou pública) será muito elevado, dada a necessidade de restaurar integralmente o valor económico de toda a floresta e da biodiversidade.
ETAPA DE APLICAÇÃO DO MODELO
Unidades de Análise
Paralelamente ao Plano de Gestão Florestal Sustentável do proprietário, foi criado pelo Governo um Plano de Gestão de Unidades de Conservação. Em junho de 2010 foi divulgado o Plano de Manejo do Parque Nacional das Araucárias - PNA (PNA, 2010), cuja elaboração/execução foi confiada à ONG Associação de.
Coleta de dados
As entrevistas com o gestor do PARNA das Araucárias e o proprietário do PARNA das Araucárias serviram de base para a identificação dos componentes, critérios e valores adotados para o estudo de cada caso. Os valores estimados do ICMBio foram obtidos em valores genéricos com as informações do responsável pelas unidades de conservação e complementados pelos documentos de compra emitidos pelo instituto, que incluem a área da ESEC Mata Preta e PARNA das Araucárias, informações dos proprietários.
Análise e tratamento dos dados
O valor já obtido pela derrubada de florestas deve ser adicionado ao valor bruto. E quem adquire terras com florestas deve agregar o valor da floresta e da biodiversidade ao valor do “nu” – que não está vazio.
COMPONENTES E CRITÉRIOS
- Componentes de uso direto ou Estoques Tangíveis
- Componentes de uso indireto ou Serviços Ambientais
- Componentes do valor de opção
- Componentes do valor de existência
- Componentes de perdas e lucros cessantes
- Componentes de juros e condenações judiciais ou custos desperdiçados
- Outros componentes
- Passivo Ambiental
Podem ser utilizados critérios de custo de oportunidade; aumento da utilidade marginal em função da procura e da raridade; Avaliação de eMergia tendo em conta a acumulação de componentes energéticos ao longo do período; incluindo o valor dos serviços ecossistémicos prestados durante o período em que a opção esteve em vigor. Como é impossível listar todos os componentes possíveis que podem surgir em situações específicas e como eles se enquadram nos itens anteriores, fica aberta a possibilidade de incluir outros componentes no modelo à medida que surgirem.
O MODELO PROPOSTO - MODELO DE VALORAÇÃO ECONÔMICA DOS
Armazenamento de carbono Ex: Quantidade armazenada Valor de mercado ou substitutos Perda de receita. PLC = Σ q(i)p(i) é o valor das perdas e lucros cessantes JUD = Σ q(i)p(i) é o valor dos juros e julgamentos OUT = Σ q(i)p(i) é o valor de outros componentes.
VALIDAÇÃO TEÓRICA DO MODELO
RESULTADOS DAS ENTREVISTAS
Entrevista semiestruturada com o chefe do Parque Nacional das Araucárias 205
Entrevista Semiestruturada com Moradores do Entorno
RESULTADO DO LEVANTAMENTO ADICIONAL DE VALORES
Pesquisa de aquisições já realizadas
Pesquisa em processos judiciais
Consulta à Administração Central do ICMBio
Pesquisa de Passivo Ambiental
ESTIMATIVAS DE VALORES ECONÔMICOS
Estimativa do valor da terra nua
Estimativa do valor de florestas nativas
Estimativa de valor de reflorestamentos de pinus e eucalipto
Estimativa de valores de biodiversidade
Estimativa dos valores de opção
Estimativa de valores de benfeitorias
Estimativa do Valor de existência
Estimativa de Passivos Ambientais
AVALIAÇÃO DA APLICABILIDADE DO MVUC
ESTIMATIVA DO VALOR ECONÔMICO TOTAL (VET) DAS UCS
Estimativa do valor Global do Parque Nacional das Araucárias
Estimativa do Valor Global da Estação Ecológica Mata Preta
Considerações sobre as estimativas globais de valores das UCs
LIMITAÇÕES E DIFICULDADES NA IMPLANTAÇÃO DO MVUC
CONCLUSÕES SOBRE A APLICAÇÃO DO MVUC
REVISITANDO O CONCEITO DE VALOR DE MERCADO PARA RECURSOS
O ATENDIMENTO DOS OBJETIVOS DA PESQUISA
CONTRIBUIÇÃO PARA A SOCIEDADE
RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS