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f.ª Dra. Jane

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Academic year: 2023

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Como vimos, a ultrassonografia obstétrica desempenha um papel importante na criação dessa nova percepção e sensibilidade em relação ao feto. Com uma visão maravilhosa, ele traduziu imagens estáticas e agora rotineiras do feto como um "bebê" em vídeo em tempo real, (1) dando a essas imagens uma interface direta com a mídia eletrônica; (2) a transformação da retórica antiaborto de um estilo predominantemente místico-religioso para um estilo médico-tecnológico; e (3) ‘dar vida’ à imagem fetal (..) (Petchesky capturado em.

Fig. 22 - “Mão Amiga”
Fig. 22 - “Mão Amiga”

VESTINDO O JALECO

SOBRE A ENTRADA NO CAMPO E A POSIÇÃO DO OBSERVADOR

PRIMEIROS CONTATOS E ENTRADA NO CAMPO

Henrique, da Clínica A, aconteceu através de um radiologista que eu conhecia há muito tempo. Quando nos despedimos, ele me recomendou aos acompanhantes e disse que eu iria visitar a clínica.

DESCRIÇÃO DAS CLÍNICAS

Ao sentar-se na sala de espera, você vê e é visto como se os clientes estivessem dentro de uma vitrine. À direita, ao entrar na sala de espera, há uma porta que leva a um pequeno corredor que leva às salas de exames e à sala de relatórios.

VESTINDO O JALECO, ENTRANDO NA SALA

Na clínica A havia um aparelho 3D, um que realizava apenas exames ultrassonográficos 2D e outro que permitia exames 2D e doppler.231 Na sala 1 havia uma TV de 20 polegadas para a gestante e acompanhantes assistirem ao exame. A solução só veio na semana seguinte, quando fui à clínica C, também de jaleco, pelo dr.

AS VICISSITUDES DA PRESENÇA DA OBSERVADORA

Apenas uma vez, na clínica C, a gestante recusou meu pedido, dizendo que estava em um momento delicado e não queria a presença de estranhos no quarto, e mesmo assim pediu desculpas diversas vezes. Mesmo assim, houve situações de tanta ansiedade, principalmente na clínica C, que, por respeito à gestante, deixei de fazer anotações e fiz algumas intervenções falando.

SUBJETIVIDADE E RELAÇÕES DE PODER NA OBSERVAÇÃO ETNOGRÁFICA ETNOGRÁFICA

Como já explicado, os médicos admitiram abertamente que a minha presença os deixava tensos, embora na prática parecesse mais confortável do que os médicos. Os médicos, talvez até por serem mulheres diante do observador, pareciam menos impelidos ao ato acima descrito - a demonstração de competência científica e a "disputa" hierárquica - do que os médicos do sexo masculino, mostrando de alguma forma que eram sutilmente encorajados a para mostrar 'quem está no comando' em uma situação.

NO ESCURINHO DA SALA DE EXAMES

INTERATIVIDADE E NEGOCIAÇÕES EM TORNO DAS IMAGENS FETAIS

ASPECTOS RELEVANTES DA ROTINA DO EXAME, ‘PILOTANDO’ OS APARELHOS APARELHOS

Na clínica A, os exames duraram em média 20 a 30 minutos; na clínica B, entre 10 e 15 minutos e na C variou de 40 minutos a uma hora, multiplicado pelo tempo se fossem gestações gemelares. 247 Conforme observado no capítulo 5, na clínica C houve um maior número de gestações múltiplas do que nas outras duas.

RESPOSTAS ‘GENÉRICAS’ OU A CONSTRUÇÃO DA ‘GRAVIDEZ VISUAL’

Quando se dedicava a mostrar o bebé, fazia-o num tom muito contido, por vezes um tanto solene. Um terceiro objectivo de “mostrar o bebé” visa aparentemente deixar a mulher grávida “encontrar o que gosta”.

RESPOSTAS ‘ESPECÍFICAS’ OU INTERAGINDO (TAMBÉM) COM IMAGENS IMAGENS

  • Manipulações da imagem
    • Estratégias para obter impacto
    • Estratégias visuais para contornar tensão ou angústia; a tranqüilização pela imagem imagem
    • Atendimento a demandas diretas de consumo
  • O esquecimento da medição de parâmetros
    • Por tumulto ou conversas na sala de exames
    • Por tensão no ambiente

Nesse momento, o médico capta a imagem de um braço, com o rosto do feto de perfil, em 3D. Como relatou um médico da clínica A: “Os pacientes chegam de mau humor, mostram o rosto do feto e seu humor muda imediatamente. Tal esquecimento evidenciou momentos em que os limites – geralmente relativamente claros – entre objetividade e subjetividade presentes na sessão de ultrassonografia obstétrica se confundiram.

SUBJETIVANDO A IMAGEM, MEDICALIZANDO A GRAVIDEZ E CONSTRUINDO UMA CULTURA VISUAL CONSTRUINDO UMA CULTURA VISUAL

G parece muito satisfeita com a exibição da imagem de seu feto e com a aquisição de sua nova cultura visual]. Um aspecto curioso em relação à construção de uma nova cultura visual foi a observação de que as crianças, em determinados momentos dos exames, muitas vezes tinham mais facilidade para decodificar as imagens do que os adultos, fato conhecido pelos profissionais da fotografia ultrassonográfica. A subjetivação das imagens ultrassonográficas fetais é a pedra de toque para a circulação – numa via de mão dupla – dos valores subjacentes tanto à construção desta nova cultura visual quanto à medicalização.277 As mulheres grávidas tornam-se muitas vezes ‘estudantes’ diligentes e entusiasmadas com a aprendizagem. novos códigos.

A FORMAÇÃO DE UMA CLIENTELA

Os médicos geralmente não esclarecem esse tipo de confusão, possivelmente porque parte da inegável diversão que o exame proporciona reside justamente em cultivar a ilusão de que se está vendo “o que é”.280. Ele mostra o relato que fez, no qual descreveu a imagem, e explica o cuidado que tomou para não alarmar: “Não coloquei negrito, observação, nada..” O relato está em maiúscula dividido em itens. , que corresponde às partes anatômicas da imagem fetal [abdômen, tórax, etc.], sob as quais aparece a descrição da imagem. Neste momento quero apenas sublinhar que a etnografia deixou claro isso, ao contrário de outros exames de imagem – que tendem a produzir 'objectificação' e 'dessubjectificação'.

SE VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE É, ENTÃO É!”

A PRODUÇÃO DE VERDADES MÉDICAS E NÃO-MÉDICAS

VERDADES MÉDICAS

  • Sobre a gravidez
  • Sobre o feto

Às vezes ocorre a situação inversa: o exame revela a existência de sangramento, que não se manifestou clinicamente. A preocupação com a saúde do feto está sempre presente de uma forma ou de outra e em graus variados. Determinar a idade de um feto por ultrassom agora descarta ou até mesmo substitui a informação da mulher sobre a data de sua última menstruação, que anteriormente era o único método disponível para determinar a gravidez.

VERDADES NÃO-MÉDICAS

  • Significando as sensações maternas
  • Subjetivando o feto

O segundo momento ocorre quando a gestante, já sentindo os movimentos do feto ao ver as imagens, correlaciona suas sensações com determinadas partes do corpo do feto. Por fim, identificar e associar partes do corpo fetal a determinadas sensações ajuda a gestante a tolerar sensações dolorosas, principalmente no final da gravidez. Do ponto de vista comportamental, as “semelhanças” podem ser carregadas de conotações positivas ou negativas e, em diversas ocasiões, serviram de base para isso.

COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS

Ela foi fazer um exame para ver o local da nova gravidez e ficou com muito medo de que fosse outra gravidez ectópica. Carmen reclama do fato de os médicos não indicarem qual suspeita desejam investigar na hora de solicitar o exame, o que facilitaria o trabalho do ultrassonografista e beneficiaria o paciente. Ao sair do exame, tenho a impressão de que essa gestante foi vítima de um erro; Dr.

O MELHOR FILME DA MINHA VIDA!”

ESPETÁCULO E CONSUMO DA IMAGEM ULTRA-SONOGRÁFICA FETAL

A ULTRA-SONOGRAFIA COMO ESPETÁCULO

Algumas referências bibliográficas, citadas acima, no capítulo 4 (item 4.2.2), indicam a existência de diferenças locais marcantes quanto à dupla dimensão da ultrassonografia obstétrica como medicamento e como espetáculo. 321 Como já foi salientado no capítulo 6, após este exame o médico disse-me como estava envergonhado com a situação. As gestantes não traziam fitas para gravar, havia menos acompanhantes – geralmente apenas o companheiro ou a mãe da gestante – e embora, como apontado no Capítulo 6, os médicos às vezes utilizassem imagens fetais como forma de descrever o ambiente tentando relaxar, o A atmosfera geral era a de um exame médico.

PRODUÇÃO E CONSUMO DA IMAGEM: ‘FOTOS’, VÍDEOS E OUTRAS MÍDIAS MÍDIAS

A presença da imagem cinza (ou sépia, no caso do 3D) na tela, mais fácil ou mais difícil de decodificar, equivale à presença concreta ‘viva’ do feto entre os atores presentes. Em diversas ocasiões, principalmente quando se tratava de sessões para determinação do sexo do feto e as expectativas do casal haviam sido atendidas, os profusos agradecimentos ao profissional após o exame davam a clara impressão de que fora o médico quem havia ‘feito um bebê’. para eles, o casal325, o que reforça a hipótese de que a ultrassonografia obstétrica não apenas prevê a existência social do feto na forma da rede de relações sociais, mas também constrói a 'realidade' do próprio conceito para os futuros pais.326 O a sensação da 'realidade' do feto a partir da produção de imagens fetais, a meu ver, constituem um fator relevante na construção do prazer de visualizar tais imagens. A transformação do estudo em brincadeira é fundamental no processo de construção do feto como pessoa, pois lhe confere visibilidade numa cultura onde a visualidade é predominante.

OS TRÊS RISQUINHOS”

CONSTRUÇÃO DE GÊNERO FETAL, CONSUMO E SUBJETIVAÇÃO

A DETERMINAÇÃO DE SEXO FETAL

  • Demanda da gestante, parceiro e/ou acompanhantes
  • Instigação dos médicos
    • A ‘simpatia dos ovários’
  • Preferências de mãe e pai

A determinação do sexo do feto por ultrassonografia pode ser realizada com segurança por profissional treinado por volta da 15ª ou 16ª semana de gestação. A curiosidade em determinar o sexo do feto quando as gestantes e/ou acompanhantes não o expressavam de imediato foi incentivada por especialistas. No ambulatório A, os especialistas frequentemente expressavam críticas bastante duras nas conversas na sala de laudos sobre a crescente curiosidade das gestantes e de seus acompanhantes em relação à determinação do sexo do feto.

CONSTRUÇÃO DE GÊNERO

  • Cores e consumo 352
    • Cores
    • Objetos
    • Nas ‘profissões’
    • Nas questões relacionais
    • Nos atributos físicos

A lógica foi construída em torno de dois eixos básicos: as cores a serem escolhidas – para roupas e decoração – e os objetos, geralmente brinquedos, roupas e acessórios. É possível que a ideia de ‘pagode’, para este médico, tenha sido ligada de forma sutil à ‘devassidão’, onde o forró é uma atividade mais ‘adequada’ para ‘meninas’, de quem uma atitude de modéstia é esperado. . ele estaria “consciente” do fato de que estava sendo observado. Como vimos nos capítulos anteriores, uma prática comum dos profissionais das três clínicas consistia em “contar o bebé” às grávidas.

INDIVÍDUOS FETAIS. SEXO, GÊNERO E SUBJETIVAÇÃO DO FETO

A partir dessa determinação torna-se possível iniciar a construção de uma identidade de gênero para os novos sujeitos: não nasce mais um bebê, mas Maíra, Mateus,370 subjetivado e definido. Existem outras questões éticas associadas às decisões que devem ser tomadas dependendo dos resultados destes estudos – especialmente no que diz respeito à interrupção da gravidez se for encontrada uma anormalidade. A constante busca pela determinação do sexo do feto e a recorrente construção de gênero que ocorrem no universo percebido estão inseridas em um contexto no qual as imagens técnicas em geral – especialmente a fotografia, o cinema e a televisão – além das tecnologias visuais médicas têm contribuído significativamente à construção de uma cultura visual que se tornou hegemônica nas sociedades urbanas industrializadas ao longo do século XX.

CONCLUSÕES

MEIO QUILO DE GENTE!”

ILUSÕES DO ‘VISÍVEL’

Da mesma forma que os dispositivos ópticos do século XIX foram fundamentais para estabelecer um novo tipo de atenção visual, a transformação do ultrassom obstétrico em um produto de consumo contribui significativamente para a sua construção. A produção da ‘necessidade’ de monitorização está ligada à construção de uma ‘cultura do risco’, partilhada por todos, cujo objetivo final seria, sobretudo, uma ‘medicina sem surpresas’. A rigor, não é apenas no seio do grupo etnográfico que se constrói uma nova cultura visual, que envolve também a imagem técnico-médica.

Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2000. Trabalho apresentado no Fórum de Pesquisa ANTROPOLOGIA DA PESSOA: processos de individuação na cultura contemporânea. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2004.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Construindo a "Boa Captura", Escolhendo o Vencedor: A Evolução dos Tecno-Terrestres e a Desconstrução do Macho Monolítico. A relação simbiótica entre a parteira e o obstetra As parteiras monitorizam os partos normais Os cirurgiões barbeiros monitorizam os partos anormais. As restrições e a duração são supervisionadas por um obstetra especialista. As parteiras monitoram os partos normais na Inglaterra. Discussões nos EUA sobre a divisão adequada do trabalho.

A POLÊMICA DAS CASAS DE PARTO NO RIO DE JANEIRO

As trocas entre mãe e feto podem ocorrer de forma inadequada, causando sofrimento inesperado ao feto (...). É inevitável que ações legais sejam tomadas para impedir a inauguração desta maternidade específica (Jornal do CREMERJ, n.158: 3). 381 Segundo o Jornal do CREMERJ, este é o centro de parto com mais experiência no Brasil (Jornal do CREMERJ, n.158: 3). No site do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, no final de outubro de 2004, foi divulgado o link: “Resolução do CREMERJ orienta os médicos quanto ao centro de parto.

Imagem

Fig. 22 - “Mão Amiga”

Referências

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