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Academic year: 2023

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Este trabalho estuda as características do design de moda e as peculiaridades relacionadas à sua proteção no atual ordenamento jurídico brasileiro. Portanto, informações sobre consumo e dados socioeconômicos que apóiam a proteção do design de moda como resultado da atividade inventiva são confirmadas. O primeiro capítulo examina inicialmente a proteção moral do design de moda, como direito da personalidade, a partir de sua contextualização dentro desses direitos.

Por essas razões, este artigo se propõe a analisar como o design de moda pode ser amparado pelo atual ordenamento jurídico brasileiro.

Conceito

A forma como o design de moda é protegido pela legislação brasileira é uma questão relevante que não está totalmente esclarecida e requer solução, o que constitui o objetivo e a justificativa deste trabalho. Farias e Rosenvald (2015, p. 125) afirmam que os direitos da personalidade expressam o mínimo necessário e essencial para uma vida digna. Segundo Orlando Gomes (1993, p. 156), são direitos que incidem sobre manifestações particulares de projeções de personalidade consideradas dignas de proteção legal e que devem ser protegidas contra qualquer violação da lei.

Para Bittar (1986 p. 46), é possível proteger os direitos de personalidade das pessoas jurídicas em termos de nome, honra e criações, uma vez que os direitos de personalidade protegem as características naturais da pessoa e sua projeção na sociedade, sendo a forma inerente a qualquer personalidade, física ou jurídica.

Características

Esses valores são derivados dos direitos humanos e são intrínsecos ao princípio básico constitucionalmente estabelecido da dignidade humana. Este artigo também se refere à intransmissibilidade e à não renúncia, ainda que relativa, porque o titular pode transferir o exercício, e não a titularidade, de alguns direitos da personalidade (FARIAS e ROSENVALD, 2015, p. 142). É o caso dos direitos autorais e de imagem, que podem ser transferidos por um determinado período de tempo, desde que expressamente acordado pelo titular.

Assim surgiu o Enunciado 4 da I Jornada de Direito Civil (BRASIL, 2002): “O exercício dos direitos da personalidade pode ser objeto de restrição voluntária, desde que não permanente ou geral”.

Classificação

Proteção

Os direitos pessoais no campo da integridade intelectual destinam-se a proteger as manifestações do intelecto humano. Assim, vemos aqui a divisão dos direitos intelectuais em duas categorias, como diz Bittar (2003, p. 2): direitos de personalidade (ius in persona) e direitos de propriedade (in re). Os direitos reais da personalidade têm caráter moral e protegem a pessoa do criador dentro de si no que diz respeito às projeções de sua personalidade.

A propriedade e os direitos patrimoniais sobre as criações intelectuais são protegidos no Brasil e internacionalmente como propriedade intelectual.

PROPRIEDADE INTELECTUAL

Propriedade Industrial

  • Patentes de Invenção e Modelos de Utilidade
  • Desenhos Industriais
  • Concorrência Desleal
  • Marca
  • O registro e validade

Para Fazzio Junior (2018, p. 767), os direitos de propriedade industrial são "um conjunto de princípios e normas que visam preservar a inviolabilidade e a integridade. A proteção da propriedade industrial tem por objeto patentes de invenção, modelos de utilidade, desenhos ou modelos industriais, serviços .marcas, nomes comerciais e indicações de procedência ou denominações de procedência, bem como a repressão à concorrência desleal. Quanto ao padrão de uso, de acordo com o artigo 9º da Lei de Propriedade Industrial (BRASIL, 1996), é objeto de prática uso, ou parte dele, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou arranjo, envolvendo ato inventivo, resultando em melhoria funcional no seu uso ou produção.

Os requisitos da lei de propriedade industrial são novos se não estiverem incluídos no estado da arte (art. 96); originalidade, quando resulta em configuração visual distinta de outros objetos anteriores (art. 97); e aplicação industrial, para que possa servir como uma espécie de manufatura industrial (Art. 95). Uma das finalidades da propriedade industrial, garantida pela Convenção de Paris e pela Lei 9.279/96, é a repressão da concorrência desleal. No caso concreto, o artigo 195 da Lei da Propriedade Industrial tipifica as diversas condutas que caracterizam a concorrência desleal.

No que respeita à repressão genérica, a Lei da Propriedade Intelectual garante o direito do lesado a indemnizar devidamente o dano sofrido, nos termos do artigo dos direitos de propriedade industrial e dos actos de concorrência desleal não previstos nesta lei, que atentem contra a reputação ou os negócios de terceiros, para criar confusão entre estabelecimentos comerciais, industriais ou prestadores de serviços, ou entre produtos e serviços comercializados. No acordo internacional que deu origem à Organização Mundial do Comércio, a OMC, da qual o Brasil é membro fundador, o Anexo 1C estabeleceu o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio - TRIPS, que foi adotado e incorporado à legislação brasileira lei pelo Decreto nº 1355/94.

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, que cuida do registro e aplicação concreta da lei 9279/96, os divide em 4 tipos: Nominativo, formado por vocábulos, neologismos e combinações de letras e números; Figurativo, constituído por desenho, figura, ideograma, forma fantasiosa ou figurativa de uma letra ou número, e palavras compostas por letras de alfabetos como hebraico, cirílico, árabe, etc.; Mista: combina imagem e palavra, ou tridimensional, que pode ser considerada uma marca tridimensional na forma de um produto, quando é capaz de distingui-lo de outros produtos similares. Quando houver cópia do elemento constitutivo da marca em questão utilizada em desenho ou modelo, a proteção conferida no art. 189 a 191 da Lei 9.279/96, conforme explicado no tópico marcas. 124 da Lei de Propriedade Intelectual, não pode ser registrado como marca: "a forma necessária, ordinária ou ordinária do produto ou embalagem, ou ainda aquela que não pode ser dissociada de um efeito técnico".

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI é uma autarquia federal instituída pela Lei 5.648/70 e vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que tem como finalidade principal fazer cumprir as normas que regem a propriedade industrial em todo o território nacional.

A RELEVÂNCIA SOCIAL

Esses estilistas trabalham sob a égide de marcas próprias ou já consolidadas, reconhecidas no mercado pela inovação em design de moda e lançamento de tendências. Com a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, a forma como uma sociedade adquiria bens manufaturados mudou drasticamente, e a indústria da moda não foi exceção. A moda moderna caracterizou-se em torno de duas novas indústrias, a alta costura e o prêt-à-porter industrial, que se expandiram vigorosamente (LIPOVETSKY, 1987, p.70).

As roupas passaram a ser apresentadas em desfiles de alta costura e copiadas para serem produzidas em maior escala pela indústria. No final da década de 1940, Christian Dior apresentou sua primeira coleção de alta costura em Paris, período em que a Europa vivia um racionamento estrutural decorrente da Segunda Guerra Mundial. Por volta dos anos 60 e até hoje, houve uma revolução industrial que deixou a alta costura de lado para aproveitar a praticidade do prêt-à-porter.

Com a globalização, o consumo em massa tomou conta, derrubando os preços dos itens e criando empresas gigantes do chamado "fast-fashion" que se espalharam por todo o mundo. Disponível em:

A própria lei de propriedade industrial protege esses meios de apresentação do produto no mercado, como fachadas, vitrines, embalagens, anúncios e filmes promocionais, de forma a proibir a cópia desses mecanismos. Isso significa que a forma como um produto é anunciado e construído no imaginário social é de real importância para quem o comercializa, dando valor e relevância à proteção ampla do design de moda, por mais frágil que seja. diferenças entre outros produtos, pois é necessário obter da própria criação, que é o principal objetivo da proteção industrial e civil do design de moda.

A RELEVÂNCIA ECONÔMICA

A moda brasileira está entre as cinco maiores semanas de moda do mundo e é referência mundial no design de beachwear, jeans e homewear, com os segmentos fitness e underwear também em crescimento (ABIT, 2017). Por causa disso, a moda e a indústria da moda têm um enorme impacto social e econômico mais do que nunca, por isso é cada vez mais necessário oferecer proteção total ao design de moda. No Brasil, são poucas as decisões judiciais envolvendo o tema do design de moda, tornando o assunto muito tímido e inconsistente.

A marca CHANEL se consolidou em todo o mundo como sinônimo de moda renomada, vanguarda e glamour e está registrada em todos os países onde são vendidas suas peças exclusivas. É possível perceber na jurisprudência como é difícil proteger o design de moda com base na legislação brasileira. O design de moda comercial, como mencionado anteriormente, é mais adequado às leis de propriedade industrial, sem previsão expressa na lei de direitos autorais.

Continuando, segundo MARIOT (2016, p. 88), não são poucos os magistrados que aceitam essa tese e não são raras as punições por violação de direitos autorais, até plágio, falsificação de produtos de moda. VI - Entendido o contrário, concluir-se-ia que qualquer peça de vestuário com a mesma parte inferior (faixa lateral - tão comum em uniformes militares e escolares) infringiria o direito marcário da apelante, hipótese que se traduz no absurdo de fato, confundir branding com desenho de roupas. , com uso indevido deste último. VII Assim, como ocorre com as expressões cotidianas, a figuração consubstanciada em linhas, traduzida em desenho de uso comum, não pode ser apropriada como marca, em regime de exclusividade, impondo a coexistência pacífica entre as marcas controvertidas.

Esta decisão repercutiu em todo o mundo, inovando nas áreas de propriedade industrial e trade dress. Um desenho de moda, mesmo sem marca visível, pode ser tão original e diferente de todos os outros que pode e deve ser protegido como propriedade intelectual de seu autor, tenha ele sido previamente registrado ou não. No aspecto patrimonial, delineou-se a proteção pelo direito autoral, quando o desenho de moda se assemelha a uma obra de arte, e como bem de consumo utilitário, protegido pelo direito industrial.

Juntas, essas formas de proteção proporcionam o reconhecimento do trabalho criativo do autor ao projetar a vestimenta ou acessório e o reconhecimento do gênio criativo humano.

Referências

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