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faculdade de direito de vitória

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Academic year: 2023

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A monografia apresentada no curso de Direito da Faculdade de Direito de Vitória - FDV, como condição parcial para a obtenção do título de Bacharel em Direito. Monografia apresentada no curso de Direito da Faculdade de Direito de Vitória-FDV, como condição parcial de conclusão do curso de graduação em direito.

DIREITO PENAL DO INIMIGO E AS BASES PARA O PUNITIVISMO

Esse tipo de lógica se afasta cada vez mais das normas e garantias constitucionais, tal pensamento nada mais é do que um direito penal do autor, tendo em vista que quando um grupo ou um tipo é escolhido como inimigo, mesmo que indiretamente, é você quem o tem. um desvio do fato criminoso e uma abordagem do indivíduo. Dessa forma, esse tipo de discurso vem ganhando força em nossa sociedade, principalmente após o aumento do uso das redes sociais, onde fica muito fácil defender qualquer opinião sem qualquer embasamento científico ou um conhecimento mais aprofundado da legislação e da realidade atual.

A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA CONSTRUÇÃO DE UM MODELO

5° garante um direito penal do fato e não do autor, desta forma não importa qual foi a ação anteriormente praticada pelo acusado, o que é relevante e o crime que o infrator supostamente cometeu. Além de outras garantias, como o devido processo legal e a presunção de inocência, muitas vezes defendidas nos moldes de uma lei penal mais paternalista e abrangente. Portanto, ao analisar o discurso dominante, observa-se que há uma forte tendência em assumir uma lei penal do autor, pois, em muitos casos, o que se relata é que o indivíduo já é um criminoso habitual, e que seu crime cometido é apenas mais um entre muitos outros.

Nesse sentido, acaba por criar a sua própria criminologia, que, presa porque já não analisa o crime mas quem o comete, insiste em apontar que os indivíduos que mais sofrem com estes modelos mais repressivos são os que vivem em comunidades pobres, porque se se discute a repressão criminal, há uma maior redução de direitos dessas classes, que já são excluídas diariamente, exemplo disso é a "lei" proposta pelo novo governador do Rio de Janeiro. Por fim, devemos destacar que esse discurso que ecoa em alguns meios de comunicação é um mito que permeia a sociedade, de que o direito penal é capaz de resolver todos os problemas, de modo que o campo jurídico cada vez mais começa a intervir na vida do indivíduo, e com que quando se trata do problema do crime, a única solução possível é criminalizar.

O PUNITIVISMO COMO MODELO AMPLAMENTE UTILIZADO

O legislador brasileiro da década de 1990, influenciado por toda uma ideia de pena máxima, pelo movimento da lei e da ordem, bem como pela Teoria das Janelas Quebradas, implementou um gravíssimo movimento de política criminal como forma de tentar diminuir a criminalidade. Ainda sobre a Lei de Crimes Hediondos, a lista de crimes considerados hediondos era bem menor no início de sua criação se comparada aos de hoje, pois os crimes hediondos inicialmente se limitavam a roubo, extorsão qualificada por morte, extorsão por sequestro e na forma qualificada , epidemia com morte. Como a prática do feminicídio facilmente se enquadraria na qualificação de motivos fúteis ou vis, tais medidas são preocupantes por desconsiderarem a lei penal como última relação e generalidade da lei penal, já que a lei penal deveria tratar de condutas mais impessoais.

Acredito que partindo de considerar a pena como elemento do poder, como elemento político, podemos reduzir o alcance do poder penal, postular a redução do alcance do poder penal como um objetivo político extremamente claro (1997, p. 38). )1. Acho que considerar a punição como um poder, como um poder político que pode reduzir o limite do poder criminal, postula a redução do limite do poder criminal como um objetivo político extremamente claro.

O GARANTISMO E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Nesse aspecto, as leis surgem como forma de garantir os direitos do acusado, pois delineiam um tipo de procedimento a ser seguido, bem como o modelo de punição a ser aplicado, evitando assim arbitrariedades por parte a serem seguidas. julgando. Por fim, a garantia penal não se limita ao legalismo e ao próprio procedimento, mas sim em um Estado Democrático de Direito, onde sua principal função é a proteção dos direitos e garantias fundamentais, sempre com o objetivo de maximizar os direitos protegidos na constituição. Nesse ponto, a lei penal deve estar de acordo com os parâmetros constitucionais e deve haver uma interpretação das leis sempre de acordo com a constituição, nesse sentido, mesmo que sejam criadas leis que visem reduzir os direitos dos indivíduos, elas devem ser considerada inconstitucional.

Dessa forma, esse discurso de aumento excessivo da severidade penal é baseado em um discurso que geralmente busca leis rígidas e um processo cada vez mais célere que leve à redução dos direitos do réu, demonizando os direitos humanos, em luta contra princípios constitucionais. Portanto, os direitos fundamentais e os direitos humanos funcionam como marcos reais, delineando um padrão de atuação dos agentes estatais, sejam eles juízes ou legisladores.

A CORROSÃO SIMBÓLICA DO GARANTISMO

Se do lado de dentro a lei e o Estado são legitimados substancialmente pelos direitos fundamentais, do lado de fora são os direitos humanos que fornecem os parâmetros de avaliação do seu nível de justiça, que servem de guia ao próprio conteúdo do pacto social: a constituição . A distorção da realidade em relação aos direitos fundamentais protagonizada pela ideologia punitiva que mancha o discurso hegemônico faz com que se espalhe uma percepção que se afasta do tão almejado equilíbrio entre a efetividade da coação e a proteção dos direitos fundamentais, essenciais em um Estado democrático de direito. Lei. Nesse cenário, aumenta a legislação emergencial que visa garantir uma resposta rápida da sociedade, mas não se utiliza de nenhum parâmetro técnico, científico ou legal, o que geralmente leva ao retrocesso legislativo e ao aumento da violência ou violência, encarceramento dos grupos mais vulneráveis.

Assim, com o discurso de aumento da repressão e maior efetividade do Estado no combate ao crime, isso resulta em redução de direitos, aumento da violência por parte do Estado, aumento das desigualdades e maior encarceramento, principalmente das classes mais vulneráveis. . Afasta-se cada vez mais de um modelo que protege os direitos humanos e aproxima-se de uma teoria que quer criminalizar mais comportamentos e colocar os direitos em perspetiva, legitimando uma maior intervenção na não-vida dos indivíduos.

O SOFRIMENTO DAS CLASSES MAIS VULNERÁVEIS

Nesse contexto, uma lei penal cada vez menos restrita, quando se refere ao poder punitivo do Estado, torna-se uma arma muito eficaz para prender indivíduos que estejam fora da zona civilizada. Portanto, o autor defende que por serem criminosos de classe social superior, não podem ser tratados como criminosos comuns e que os bens jurídicos protegidos neste crime, ou seja, o patrimônio transindividual, a utilização de um direito penal mínimo e também a garantia, a impunidade causa. Entretanto, esse tipo de pensamento causa uma relativização do direito, pois quando se tenta prender indiscriminadamente, não zelando pelos direitos fundamentais ou pela dignidade desses indivíduos, acaba-se criando um direito penal do inimigo.

Assim, podemos concluir que o projeto de combate ao crime em muitos sentidos utiliza o direito penal, que tenta relativizar direitos e garantias fundamentais em prol de maior punição por parte do Estado, ao mesmo tempo em que não define claramente os limites de sua atuação, cria um direito penal diferente do que se aplica a outras ações penais. Esse tipo de escolha criminal permitiu atrocidades por parte do Estado, como visto ao longo da história brasileira, especialmente para os crimes no comércio varejista; obviamente, tal projeto não tem tais criminosos como público-alvo, mas sugere um aumento na rigidez da punição e uma aproximação com a lei penal do inimigo, característica dos governos totalitários. Por tudo isso, o projeto anticrime é contrário ao modelo garantista, aproxima-se muito da lei penal do inimigo, legitimando assim a ação estatal, em âmbito punitivo quase arbitrário, desrespeitando inúmeros direitos e garantias constitucionais. .

Outro ponto a ser levantado é a possibilidade de cumprimento de pena após condenação em primeira instância, buscando assim uma lei penal que prenda cada vez mais celeremente em detrimento de comandos constitucionais e garantias penais.

ANÁLISE DOUTRINÁRIA DOS CRIMES DE COLARINHO BRANCO

BREVE ANÁLISE DO PROJETO ANTICRIME

Questões relevantes ao princípio da presunção de inocência

Outro apontamento essencial é a questão do cumprimento da pena após a condenação do réu em 2ª instância, ainda que o STF já tenha decidido alguns casos versando sobre o tema, no sentido de que a prisão deve ser válida deve-se observar que a A Constituição Federal em seu artigo 5º prevê o cumprimento da sentença, somente após o trânsito em julgado, nesse sentido, o projeto já se inicia com pontos que parecem estar em conflito com os ditames estabelecidos pelo compilador original. Percebe-se que tal medida fere o princípio da presunção de inocência, uma vez que o acusado passa a cumprir sua pena em situação passível de reversão futuramente, de modo que perante seu processo é analisado todos os casos para os quais no A provisão brasileira é feita. sistema legal, ele será considerado culpado, então o cumprimento da pena começa sem a certeza da culpa do indivíduo. 492, I, §4º 3, dispõe que os recursos interpostos no Tribunal do Júri não terão efeito suspensivo, dessa forma uma instituição extremamente questionada, que é o júri, composto por pessoas que não possuem base legal , o réu pode iniciar a execução da sentença.

Tal artigo, além de ferir os princípios da presunção de inocência e do duplo grau de jurisdição, é um completo absurdo, pois o indivíduo será privado de sua liberdade, com base na mera convicção dos jurados. A presunção de inocência impõe um verdadeiro dever de tratamento, o réu deve ser tratado como inocente até que se prove o contrário, de forma que quando o indivíduo inicia o cumprimento da pena seja tratado como se fosse culpado.

Redução da aplicabilidade dos embargos infringentes

Relativização do princípio da individualização da pena

Neste espírito, verifica-se que tal medida surgiu como resposta às inquietações do povo, não assente numa análise de melhor aplicabilidade da lei, e também porque não respeita vários aspetos da dogmática penal, permitindo uma discussão mais aprofundada sobre o assunto. Urge ressaltar que tal mentalidade, ou seja, um direito penal mais atuante na vida dos indivíduos, com a imagem do criminoso como inimigo, é algo amplamente adotado no direito brasileiro e que o problema nunca foi foram resolvidos do crime, por legitimar a barbárie estatal e a opressão das classes mais vulneráveis. Por fim, outros aspectos polêmicos são a mudança de regime no cumprimento da pena, bem como a limitação da progressão do regime para os casos de furto, e até mesmo o estabelecimento da impossibilidade de saída temporária para os condenados por crimes.

Por fim, o sistema de garantias garante o respeito à legalidade, à jurisdição, à dignidade da pessoa humana e demais direitos fundamentais, sendo um escudo contra modelos totalitários e protegendo o Estado Democrático de Direito. Disponível em: Acesso em 11 maio 219.

Referências

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