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Faculdade de Serviço Social

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Academic year: 2023

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Uma pequena memória para um tempo sem memória': violência e resistência das mulheres no serviço social durante a ditadura civil-militar 1964-1985. Esta tese de doutorado se propôs a estudar a violência e a resistência vivenciadas pelas mulheres no serviço social no enfrentamento da ditadura civil-militar no Brasil, entre 1964 e 1985.

Mulheres e Serviço Social na ditadura civil-militar: herança e resistência ao conservadorismo

Isto é abordado na sua contribuição para a análise da resistência e da violência vivida pelas mulheres na ditadura civil-militar de 1964-1985. No quarto e último capítulo é feita uma abordagem às condições históricas particulares, no âmbito do Serviço Social, que incluíram a luta política das mulheres estudantes, assistentes sociais e/ou professoras que enfrentaram a ditadura civil-militar de 1964-1985. .

Caminhos percorridos e justificativa da pesquisa

Que implicações tiveram as ações de resistência política contra a ditadura civil-militar destas mulheres no âmbito dos serviços sociais? O processo de pesquisa também foi complementado com a realização de entrevistas com dez (dez) mulheres do Serviço Social que integraram aquele grupo de estudantes, assistentes sociais e/ou professoras durante o período da ditadura civil-militar de 1964 a 1985 no Brasil.

Percursos e delineamentos teórico-metodológicos da pesquisa

Outro debate central que permeia a análise desenvolvida nesta tese é a importância de compreender os limites e os avanços das mulheres no serviço social em relação ao status imposto à sua inserção na divisão sexual do trabalho. A divisão sexual do trabalho segmenta homens e mulheres de forma hierárquica que determina o que é considerado trabalho masculino e feminino (CISNE, 2015, p.61).

Características e trajetórias das estudantes, assistentes sociais e/ou docentes militantes na Ditadura Civil-Militar de 1964-1985

No tema deste capítulo, é portanto objetivo apresentar as mulheres entrevistadas, que constituíram as informantes desta pesquisa, até mesmo sobre o universo de mulheres no Serviço Social que participaram de formas diversas e distintas de participação em contraste com a sociedade civil. militares. ditadura. Ao longo deste capítulo, as mulheres dos Serviços Sociais também aparecem em partes dos seus depoimentos, expressando as suas percepções sobre o processo que levou ao estabelecimento da ditadura civil-militar e o significado do golpe de 1964.

O golpe de 1964: antecedentes, processo e significado

Ou seja, certo protagonismo nas decisões sobre os rumos da política no Brasil desde a década de 1950, antes desse período e no episódio que levou ao golpe de 1964 que instaurou uma longa ditadura. Ao longo dos anos que antecederam a eclosão do golpe de 1964, setores progressistas apostaram no aprofundamento das instituições democráticas para reverter as desigualdades, e outros propuseram-se a combatê-las. O desmembramento da ditadura civil-militar de 1964-1985 no Brasil não é, portanto, um processo simplesmente aplicável à luta de classes no plano interno, ainda que tenha resultado de um cenário que procurava superar um longo passado de atraso a rever.

O golpe de Estado de 1964 teve, portanto, o carácter de uma organização civil-militar que serviu o projecto do grande capital, representando uma contra-revolução. Assim, além das questões internas que envolviam a luta de classes no contexto brasileiro da década de 1960, um dos sentidos do golpe iniciado em abril de 1964 serviu à estratégia política dos Estados Unidos para a América Latina com o objetivo de fazer outra “Cuba” inviável no continente. A ditadura que se instaurou a partir de 1964 foi necessária ao capital na sua fase expansionista e monopolista liderada pelo imperialismo, que Ianni (1981) muito bem descreveu como a “ditadura do grande capital”.

Atualização das raízes coloniais: autocracia e violência

Contudo, as suas circunstâncias especiais devem ser vistas no contexto da ditadura civil-militar da época. Também foram organizados Inquéritos Policiais Militares (IPM), cujo objetivo era processar e criminalizar militantes e políticos que lutaram contra a ditadura civil-militar. A partir de 1964, o uso frequente da violência esteve fortemente associado à ideologia militar, especialmente apoiada pela doutrina de segurança nacional, e tornou-se um instrumento fundamental para a consolidação e continuidade da ditadura civil-militar.

É BOM VER VOCÊ VIVA”17: VIOLÊNCIA FEMININA E RESISTÊNCIA NA DITADURA CIVIL-MILITAR BRASILEIRA. O segundo tópico deste capítulo aborda a violência vivenciada pelas mulheres, ocorrida no período da ditadura civil-militar, caracterizada por intensa repressão e que fez muitas vítimas na forma de prisões, torturas, mortes, desaparecimentos e perda de direitos. . Estes são discutidos na sua contribuição para a análise da violência e da resistência que as mulheres enfrentaram durante a ditadura civil-militar de 1964-1985.

A história das mulheres na ditadura civil-militar

Observamos as relações de exploração, opressão e autoridade que produzem a subjugação das mulheres e como elas são tecidas através da divisão sexual do trabalho. No entanto, embora possam sonhar com um mundo socialista, não lutaram necessariamente pelos direitos das mulheres e pela igualdade na relação entre homens e mulheres. Como se pode verificar, nem todas as mulheres tinham uma concepção do significado do feminismo e da luta pelos direitos das mulheres.

Pode-se dizer, portanto, que a presença da mulher no cenário social brasileiro nas últimas décadas tem sido inquestionável. De facto, é possível confirmar que a resistência política na luta específica das mulheres desafiou e continua a desafiar as organizações feministas dentro dos partidos de esquerda. Por outras palavras, como um modo de vida que sobrestima o papel dos homens e lhes dá poder sobre a vida das mulheres.

Violências contra as mulheres na ditadura civil-militar: resistência e dor

Talvez isto explique o facto de esta prática ser contra as mulheres na sua forma mais cruel e, como não poderia deixar de ser, mais desumana. Esta concepção autoritária, violenta e sexista do exército em relação às mulheres tem contribuído para muitos actos de violência sob a forma de tortura, que tem um conteúdo muito diferente e expressa a sua forma cruel para com as mulheres. Analisando este e outros depoimentos, pode-se concluir que o principal objetivo dos torturadores era desmoralizar as mulheres.

Aqui, porém, a ilustração com estes exemplos, retirada de fontes documentais, centra-se em evidenciar as particularidades da violência contra as mulheres. Contudo, cabe ressaltar que se entende que a violência contra a mulher é produto não apenas do patriarcado, mas do sistema patriarcal-racista-capitalista, que molda as relações sociais nesta sociabilidade. As mulheres, já organizadas, conjugaram a luta contra a ditadura e por melhores condições de vida, com a discussão de problemas específicos das mulheres – sexualidade, contracepção, aborto, dupla jornada de trabalho e discriminação económica, social e política.

Mulheres e participação política no Movimento da Anistia Internacional

Movimentos de Amnistia», destacando a criação do «Movimento Feminino pela Amnistia» (MFPA) e do movimento de mulheres. A campanha pela anistia, inicialmente organizada por mulheres - com o Movimento Feminino pela Anistia e posteriormente pelos Comitês Brasileiros pela Anistia (CBA) - foi fruto da indignação de diversos setores da sociedade brasileira e do desejo de abolir a ditadura civil-militar. No mesmo ano de 1975, Terezinha Zerbini fundou o Movimento de Mulheres pela Anistia, que terá um papel muito importante na luta pela anistia que ocorrerá em 1979.

O Movimento de Mulheres pela Anistia não foi um acontecimento isolado, foi consequência do surgimento do feminismo brasileiro, que foi duramente reprimido durante o período ditatorial. E assim começou nosso processo de encontro e organização do Movimento de Mulheres pela Anistia (Maria Luíza Fontenele). Em última análise, o Movimento da Amnistia Feminina tinha muitos limites, mas foi importante na luta em torno da organização das mulheres.

Mulheres e Serviço Social na ditadura civil-militar: herança e resistência ao conservadorismo

De modo geral, o Movimento de Reconceitualização na América Latina expressou críticas ao Serviço Social tradicional, levantando questões sobre o papel da profissão diante das expressões de questões sociais. Por outro lado, no Brasil, devido ao cenário da ditadura civil-militar, o que tivemos foi uma Renovação dos Serviços Sociais. O processo de renovação do serviço social brasileiro, segundo Netto (2001), inclui três perspectivas: o aspecto modernizador, a atualização do conservadorismo e a intenção de ruptura.

O movimento de Reconceitualização foi um momento histórico para o Serviço Social, pois através deste movimento foi pensado um novo modelo de atuação, pois anteriormente o Serviço Social era visto como orientado para o bem-estar. Deste ponto de vista, quero demarcar o movimento de reconceitualização do Serviço Social na América Latina. A entrada do Serviço Social no contexto universitário, durante a ditadura brasileira, possibilitou a formação de espaços de reflexão, gerando massa crítica.

Ditadura, repressão e perseguições: as estudantes, assistentes sociais e/ou docentes no enfrentamento às violações de direitos

Destaca-se, portanto, neste período da história da profissão, a neutralidade dos órgãos e fóruns que representam a categoria profissional, manifestada nas formas de silêncio ou compromisso com o regime instituído em 1964. Em geral, há muita violência por parte dos agentes do Estado, que foi utilizada contra todos aqueles que se opuseram à própria ditadura e ao seu projecto político-económico. A Doutrina de Segurança Nacional foi um meio de justificar, jurídica e ideologicamente, a suspensão das garantias constitucionais, a restrição das liberdades individuais, a imposição da censura aos meios de comunicação e a repressão total daqueles que se opunham a eles através de atividades consideradas clandestinas, ou classificadas. como tal, com base no exagero dos agentes repressivos, como já mencionado.

O objectivo, baseado nesta doutrina de segurança, era eliminar e/ou destruir o potencial político revolucionário do inimigo interno, que poderia ser qualquer pessoa ou grupo de pessoas entre o povo. No que diz respeito à pesquisa documental, realizada no Arquivo Nacional recorrendo a fontes do Serviço Nacional de Informação (SNI), foi ainda possível sistematizar informações características dos principais movimentos em que estiveram envolvidos estudantes, profissionais e/ou professores dos serviços sociais. nesse contexto, como explicado anteriormente. Outra camada de testemunhos enfatiza este processo e as suas consequências profissionais, para as mulheres dos serviços sociais que resistiram e resistem ao regime, e lutaram pelo projecto de uma sociedade diferente, democrática e menos desigual.

O “Congresso da Virada”: resultado de organização e resistência na história das assistentes sociais

Este foi o contexto da luta de um segmento de assistentes sociais por um serviço social centrado nos interesses da classe trabalhadora. Além disso, esta tese não pode ser concluída sem distinguir e documentar, na participação das mulheres contra a ditadura civil-militar, o que foi alcançado pelas mulheres nos serviços sociais. O esforço de estudantes, assistentes sociais e/ou professores durante a ditadura civil-militar contribuiu para que o Serviço Social brasileiro mudasse significativamente a partir da década de 1980, com o legado dos processos de.

O Movimento de Reconceitualização no Brasil: O Projeto Profissional da Escola de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Tese de doutorado em serviço social defendida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A pesquisa tem como objetivo compreender e analisar a violência e a resistência que as mulheres (estudantes, professoras e assistentes sociais) vivenciaram no serviço social durante a ditadura brasileira de 1964 a 1985.

Referências

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