O presente trabalho busca estudar o Santuário de Adoração Perpétua de Caratinga – MG e o que muda a construção do santuário proporcionado na comunidade e na vida religiosa dos mesmos. O objetivo deste trabalho é analisar os conceitos do que é religião e religiosidade e compreender o processo de construção do Santuário de Adoração Eterna de Caratinga-Mg.
I – RELIGIÃO E RELIGIOSODADE
O QUE É RELIGIÃO?
A religião é, portanto, um sistema de conceitos que permite ao indivíduo compreender e relacionar-se com a sociedade que o rodeia, não existindo linha divisória entre religião e sociedade, uma vez que o fenómeno religioso é uma representação social de grupos humanos. A sociedade “é para seus membros o que Deus é para seus crentes, é sobretudo um ser que o homem em certos aspectos imagina como superior a si mesmo e do qual acredita depender” (DURKHEIM, 1989, p. 260). Acredito que a espiritualidade está relacionada com as qualidades do espírito humano - como o amor e a compaixão, a paciência e a tolerância, a capacidade de perdoar, o contentamento, o sentido de responsabilidade, o sentido de harmonia - que trazem felicidade para si e para os outros.
Cada religião desempenha a sua função numa sociedade que já está estruturada de uma determinada forma: sobre um determinado sistema económico, uma determinada forma de vestir e de organização política de acordo com a cultura e a tradição. Agrega novo valor a um objeto ou ação sem prejudicar seus próprios e imediatos valores [...] o pensamento simbólico faz 'explodir' a realidade imediata, mas sem redução ou desvalorização, não se fecha da perspectiva do universo. , nenhum objeto está isolado em sua existencialidade, tudo permanece junto, através de um precioso sistema de correspondência e assimilação. Dessa forma, a religião sempre esteve presente com destaque na vida das pessoas, seja para o consolo espiritual, a busca pelo sentido da existência, ou mesmo para regular o comportamento pessoal perante a sociedade.
O QUE É RELIGIOSIDADE
Assim, pode-se dizer que a religião é uma dimensão do ser humano e um elemento constitutivo da cultura. Na religiosidade há uma explicação, um clímax e uma síntese, só possíveis porque existe no ser humano uma consciência e um eu capaz de dar sentido ao que percebe em si mesmo, nos outros e no mundo. Desta forma, o homem possui uma dimensão espiritual, que pode se manifestar através da religião, ou não.
Isto é no sentido de uma relação inconsciente com Deus, uma relação com o transcendente. Ela se constrói no ambiente religioso-cultural em que o ser humano nasce, cresce e se desenvolve, o que afeta o seu conjunto de crenças (Frankl, 2006). Dessa forma, segundo Frankl (2006, p. 50), a religiosidade tem uma conotação pessoal, não surge do inconsciente coletivo, mas da própria pessoa, pois só ela pode decidir sobre Deus: “a religiosidade é mantida pelo caráter da decisão e permanece assim quando prevalece o caráter impulsivo.
II A RELIGIOSIDADE E CULTURA RELIGIOSA
O SAGRADO E O PROFANO NO PROCESSO DE RELIGIOSIDADE
Dessa forma, para Durkheim, o sagrado é a característica essencial dos fenômenos religiosos, é um significado definido pela oposição ao profano. Uma coisa é acreditar na existência do sobrenatural, outra é fazer dele uma experiência vivida; Uma coisa é ter a ideia do sagrado, outra é percebê-lo e descobri-lo como fator ativo e atuante manifestado por suas ações. Mesmo as famílias que se reuniram para rezar o rosário juntas já não encontram tempo para se dedicarem a estas práticas religiosas. Tudo isto é fruto da modernidade que conheceu uma transformação nos costumes e nas práticas religiosas da Igreja Católica, bem como na realidade da família, assumiu o individualismo, em que cada um vive a sua própria religião.
Mas, como veremos em breve, aqui não se trata de honrar a pedra como pedra, de culto à árvore, mas precisamente porque são hierofanias, porque “revelam”. A sociedade produz no homem a necessidade de uma busca constante do sagrado, de um ser “absoluto” e supremo, e através dos objetos santificados preservar esta relação. Cada religião exerce a sua função numa sociedade já estruturada de uma determinada forma: num sistema económico específico, num.
RELIGIOSIDADE POPULAR
A religiosidade popular inclui não apenas o catolicismo popular, mas todas as formas de religiosidade popular existentes. Outros confundem os dois conceitos pelo fato de que na América Latina o catolicismo ocupou a grande maioria da população e assim capturou grande parcela da religiosidade popular. Os eventos religiosos são expressões culturais de um determinado grupo social ou expressam uma realidade histórico-cultural que expressa uma determinada religião, expressando a religiosidade popular enraizada em seus costumes e crenças.
A religiosidade popular não pode ser vivida apenas externamente, mas há necessidade de atender à voz interior para a transformação da mente e do coração, com um compromisso cristão em constante ação de graças por um desejo maior da alma. A religiosidade popular está presente na vida do povo de Deus através da devoção vivida em comunidade e de forma privada entre o povo cristão e desperta os sentimentos sombrios que repousam num sono mágico no coração. A religiosidade popular é uma marca da manifestação da fé ainda hoje nas nossas comunidades, apesar de ter perdido grande parte da sua vitalidade num mundo pós-moderno; nos grandes santuários a busca do sagrado perdeu muito sentido e entusiasmo.
MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS: PEREGRINAÇÃO E ROMARIA
O ato de “peregrinação” é uma tradição enraizada em costumes antigos transmitidos de geração em geração. Na maioria das vezes são viagens a um local santo ou a outro local que se tornou sagrado pela presença de um santo, muitas delas organizadas por paróquias e agentes religiosos. Uma característica única da peregrinação é o fato de ser uma atividade que pode ser grupal ou individual.
Assim, quando realizada em grupo, serve dois propósitos: os laços comunitários que se criam entre os peregrinos fortalecem a partilha de um sentido comum de identidade; e ao mesmo tempo responde à necessidade de natureza pessoal, que é satisfeita pela experiência vivida pelo indivíduo. Para o peregrino, o trajeto até o santuário ocorre unicamente pela sua espiritualidade, busca o aperfeiçoamento, cumpre votos feitos anteriormente, cumpre uma promessa, agradece uma bênção, reconhece uma graça recebida, participa de um feriado religioso importante. O peregrino é um agente singular e impermanente, pode ser um alto executivo, um pedreiro, um operário, um atleta e até um devoto que se transforma em determinado momento, fora de sua rotina diária.
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO SANTUÁRIO EM CARATINGA 1
Isto aconteceu no final da Semana Eucarística Vll, estando presentes naquela ocasião o vigário geral Monsenhor Aristides Marques Rocha e o pároco Padre Colombo, o seu auxiliar, Padre Domingos e o Padre Hélvio Manera, considerado o braço direito do Padre Colombo. Começou a trabalhar com campanhas por dinheiro, materiais de construção, todas as doações que aceitava e agradecia pessoalmente, Padre Colombo não teve vergonha de perguntar, usou a mídia para citar os nomes dos doadores. Vale destacar que, na década de 1950, foi necessária a criação do escritório do Instituto Brasileiro do Café, que foi um aliado para que a cidade se tornasse um importante centro de crescimento cafeeiro e para a construção da rodovia BR-116, conhecida como Rio-Bahia, tornando-se ponto principal do café produzido em Caratinga, conectando-o com o sul e o norte do Brasil, o que possibilitou melhorar as condições econômicas, favorecendo doações para a construção do santuário.
O projeto de obra dos padres anteriores sofreu ajustes, pois necessitavam de uma igreja maior, sem colunas, onde todos pudessem ver o altar ininterruptamente. A construção do Santuário foi realizada com participação popular, principalmente de pessoas simples, com mão de obra, materiais de construção, etc., sem possível participação política. Os vitrais e os anjos na entrada do santuário foram criados pelo artista italiano Angelo Tanzini entre 1975 e 1981 e contribuem para um verdadeiro templo religioso.
UM POUCO DA HISTÓRIA DO PADRE COLOMBO 3
Padre Colombo foi o escolhido de Deus para os fiéis, nos três elementos que dizem respeito à sua vida: fé, devoção e iniciação, é possível identificar dois aspectos da cultura popular, o que Gomes e Pereira Apud Avelar (2004) chamam de totalização - a interação entre os mundos não-humano e humano e a religiosidade – mantendo a ideia de totalização. Para Avelar, dentro desses aspectos da cultura popular, a vida do Padre Colombo assume um caráter divino. Em 1983, o Padre Colombo deixou a paróquia do Santuário e regressou a Itália, onde continuou a seguir os preceitos religiosos.
Em 1998 retornou ao Brasil, especificamente ao Santuário de Caratinga, onde se instalou em sua casa no antigo Santuário, onde hoje os fiéis se reúnem para abençoá-los. Quando os sacramentistas deixaram a Igreja da Conceição e se mudaram para o Santuário, Padre Colombo foi designado para Caratinga. O Padre Colombo organizou então o terço cantado por cada riacho e os membros fizeram uma doação ao recente santuário.
IMPORTÂNCIA SOCIAL E CULTURAL DO SANTUÁRIO DE ADORAÇÃO PERPETUA DE CARATINGA-MG
Vale destacar que algumas ações sociais têm sido desenvolvidas no santuário utilizado por visitantes e moradores de Caratinga, dentre as quais destacamos a utilização do posto de saúde, da escola municipal, da Pastoral da Criança, do artesanato, da Capela Velório e do atendimento a aproximadamente 80 famílias. Essa relação se expressa por meio de sentimentos como confiança e medo, por meio de conceitos morais e éticos e por meio de ações (cultos ou atividades pré-estabelecidas, rituais ou reuniões e celebrações solenes). Pode-se concluir que a Religião é a expressão da consciência humana registrando sua relação como inefável, mostrando sua crença nas forças que lhe são transcendentes.
Esta consciência pode ser percebida nos fiéis que frequentam regularmente o Santuário, que acreditam que a sua construção trouxe mudanças profundas no tecido da sociedade e na sua vida quotidiana, proporcionando-lhes uma ligação mais íntima com o sagrado, através da utilização do santuário para ore e reflita. sobre sua espiritualidade. . O presente trabalho propôs uma reflexão para melhor compreender e observar as relações entre os fenômenos religiosos e o processo de construção do Santuário de Culto Eterno de Caratinga-MG na religiosidade popular dos fiéis. Nesse sentido, o ato de peregrinação e participação no Santuário de Adoração Eterna de Caratinga-MG traz profundas mudanças na estrutura social, no espaço físico, no cotidiano e na espiritualidade do povo caratinguense.
ANEXOS
Anexo
Estabelecemos, como no pleno exercício de nossa jurisdição consuetudinária, por este decreto erigimos e efetivamente declaramos a Paróquia do Coração Eucarístico de Jesus na zona urbana de Caratinga. Com a freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Esplanada, inicia-se no Pico Itaúna e segue pelos picos das montanhas que circundam o recôncava ao norte e oeste até o eixo da rodovia Rio-Bahia. Este Decreto será lido durante a Missa dos Mandamentos nas paróquias do Coração Eucarístico de Jesus e Paróquia de São João Batista (Catedral), que estão integralmente registradas nos livros TOMBOS de ambas.
No Domingo de Páscoa, 22 de abril de 1962, o trabalho de adoração perpétua passou da matriz de Nossa Senhora da Conceição para a matriz do Coração Eucarístico de Jesus. Muita alegria na freguesia recém fundada, e muita tristeza na freguesia Nossa Senhora da Conceição. No dia sete de agosto de 1966, Sua Excelência o Bispo de Caratinga, Dom José Eugênio Correia, abençoou e lançou a primeira pedra, e iniciou a construção do novo santuário, que foi concluído em 31 de julho de 1983 e consagrado junto com o Jubileu de Prata da Adoração Fundação Perpétua em Caratinga.