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FERNANDO DE AZEVEDO

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Academic year: 2023

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Fernando de Azevedo: Dilemas na Institucionalização da Sociologia no Brasil / Alessandra Santos Nascimento – São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. Agradeço também o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A primeira incluía uma proposta de formulação de uma interpretação de Azevedo como pioneiro33 da sociologia no Brasil. Nesse sentido, destacou-se a atuação de Azevedo na Universidade de São Paulo (USP), na Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) e na Associação Latino-Americana de Sociologia (Alas).

U m pioneiro dA s ociologiA no B rAsil

Aspectos da história da Sociologia no Brasil

Parte do processo de institucionalização da sociologia no ensino superior teve início com a atuação de Azevedo como articulador da campanha pela criação de uma universidade pública na década de 1920. No processo de interpretação dessas cartas, foi possível perceber a presença de um profundo respeito intelectual pela obra e figura de Azevedo.

Perfil intelectual revisitado

Fernando de Azevedo (1960c) dedicou a Teixeira de Freitas um artigo intitulado "idealismo e espírito público", no qual parece ter resumido sua visão sobre esse intelectual. Autor responsável por destacar que Fernando de Azevedo e Lourenço Filho foram convocados pelo estado em razão de suas competências – inclusive técnicas – para colaborar com o trabalho de modernização institucional do país sob os auspícios do governo. Algumas dimensões das análises da obra de Miceli (1979) sobre a geração de Fernando de Azevedo ou sobre o próprio Azevedo não estão ligadas à mobilização das categorias tratadas até aqui, mas parecem dialogar diretamente com a percepção desse autor sobre a institucionalização da sociologia no Brasil.

É necessário estabelecer uma abordagem diferente daquela realizada por Cardoso (1982) - em relação a Mesquita Filho e Azevedo - porque acreditamos que é necessário elaborar uma crítica dos atores e das obras, sem rotulá-los a priori. Com essa preocupação, é possível sugerir que as diferenças entre os perfis de Mesquita Filho e Azevedo teriam contribuído para as diferentes relações que construíram, por exemplo, com Claude Lévi-Strauss. Vale lembrar que tanto os artigos quanto os jornais consultados foram escritos por intelectuais que conviveram pessoal e profissionalmente com Fernando de Azevedo ao longo de décadas.

A partir dessa situação, pode-se supor que parte das alusões nos textos de Pécaut (1990), Cardoso (1982) e Miceli (1979) sobre a relação de Fernando de Azevedo com o autoritarismo seja resultado desse processo de distanciamento. Outra referência interessante ao manual de Azevedo encontra-se na carta de Ramon M.

Vida pública e associações científicas e profissionais na América Latina

Nela, Alsina afirma que o livro Princípios da Sociologia (1954a [1935]) formulou os problemas fundamentais da Sociologia com base nas teorias mais modernas, na década de 1930, sobre o assunto. Segundo esse estudioso, após ter sido reeditado 11 vezes entre 1935 e 1973, Princípios de Sociologia colocou Fernando de Azevedo entre os mais notáveis ​​divulgadores da Sociologia no sistema escolar e acadêmico do Brasil.

SBS e Alas em foco

Dentre os textos, Barreira (2003) seleciona dois artigos de Fernando de Azevedo no 1º Congresso, o introdutório e o conclusivo. Ponto semelhante parece encontrar respaldo no argumento de Blanco (2005) ao apontar que Fernando de Azevedo permaneceu como o único representante latino-americano no Conselho Executivo da ISA durante a década de 1950. Feitas estas considerações, Costa Pinto reafirmou o seu empenho e satisfação por estar ao lado de Fernando de Azevedo na SBS, partilhando com ele as mesmas aspirações em relação à sociologia e à sua entidade.

Antes de encerrar a carta, Costa Pinto lembra que leu a proposta de Azevedo para a ordem do dia e que apenas alterou a redacção. Refira-se que apesar de semelhante avaliação dos membros da Comissão Executiva do II Congresso, Costa Pinto substituiu Fernando de Azevedo no cargo de vice-presidente do certame. A gestão de Azevedo e Florestan Fernandes na SBS - este último por proposta - tem os devidos elogios.

Já em correspondência de maio de 1954, Poviña agradeceu a Azevedo sua proposta para o primeiro item da agenda do III Congresso Latino-Americano de Sociologia e propôs a seguinte redação: "Bases para um programa comum de ensino e pesquisa em sociologia na América Latina". Francisco Ayala, Alfredo Poviña, Lucio Mendieta y Núñez, Isaac Ganón e Carneiro Leão, além de Costa Pinto como vice-presidente, em substituição a Fernando de Azevedo.

Pesquisas sociológicas e educacionais

Reconstruir o processo de institucionalização do CRPE/SP impõe a necessidade de conhecer alguns aspectos do contexto em que o CBPE foi fundado. Paralelamente a essas iniciativas, foi assinado em São Paulo um convênio entre a USP, o Inep e o MEC para a criação do CRPE/SP. Nessa correspondência, Adiseshiah elogiou a organização do CRPE/SP e afirmou que o trabalho de Azevedo constituiu uma importante contribuição para o projeto maior da Unesco no Brasil.

Cardoso e Octávio Ianni, entre outros, para o simpósio sobre os problemas educacionais brasileiros, em 1959, e outros eventos, dentro e fora do CRPE/SP. Perspectiva semelhante coincidiu com a opinião dos atores dispersos sobre a importância do planejamento educacional no CRPE/SP. Na busca de interpretar tais problemas, Ferreira (2001) dedicou-se à análise dos vínculos institucionais do CRPE/SP.

No referido documento, Jardim Moreira fez um balanço dos problemas vividos pelo CRPE/SP - especialmente pela divisão sob sua liderança - em que criticou a gestão de Azevedo, disse. Faziam parte desse grupo: Antonio Candido, sócio de Azevedo em sua gestão no CRPE/SP; Lourival Gomes Machado e Mário da Silva Brito, apoiadores da criação do CBPE e.

P rojeto editoriAl e intelectuAl de F ernAndo de A zevedo

Intercâmbios intelectuais latino-americanos

Com isso, eles garantem alguns elementos para estabelecer o lugar de Azevedo no campo editorial, científico e educacional das ciências sociais na América Latina e, em particular, no Brasil. Grosso modo, a partir de meados da década de 1950, Florestan Fernandes lutou para introduzir - tanto em sua prática quanto em termos discursivos - um novo modelo de pesquisa e ensino de sociologia no meio acadêmico paulista, e com isso passou a classificar a contribuição de Azevedo como algo que precisava ser superado na história do Brasil: o Sociesayismo. Já na correspondência de 1964, Medina Echavarría lamenta que não houvesse comunicação ainda maior entre eles; o tom da carta é de reconhecimento ao trabalho de Azevedo.

Em novembro de 1946, a correspondência de Ayala chegou a Azevedo por intermédio de Elías Palasí, da Editora Losada. Na correspondência de março de 1958, Ayala expressou satisfação com a aprovação que seu trabalho recebeu de Azevedo. Em carta de 1945, Levene comenta que está preparando a quarta edição do Boletín e que deseja a colaboração de Azevedo.

Em correspondência com Azevedo em 1968, Bon Espasandín menciona que de Boletín sempre esperava por seus artigos; ele se despede e se coloca à disposição de Azevedo para contribuir com seus esforços editoriais como autor. Fonte: Elaborado pelo autor, com base em pesquisa no acervo do Fundo Pessoal de Fernando de Azevedo.

Azevedo e as coleções científicas

Brasiliana, Atualidades Pedagógicas e Iniciação Científica

Esse acervo caracterizou-se por tentar preencher o campo educacional na ausência de literatura crítica - capaz de rever os papéis da instituição escolar e de seus atores sociais - e por oferecer opções teóricas e metodológicas, em diálogo com as ciências sociais, para a reflexão e a prática educativa no Brasil. No caso de Azevedo, é aceitável a importância com que ele contribuiu para configurar o perfil de uma nova ciência do homem no Brasil, nas décadas de 1930 e 1940.

Nessa interpretação, ele constatou que o simples fato de uma obra fazer parte do acervo já a pré-qualificava intelectualmente para ser recomendada e respeitada, até mesmo pela crítica. Segundo Toledo, Penna25 seria o responsável por introduzir os escritores católicos nessa coleção e vinculá-los ao programa editorial da Escola Nova, ainda que a partir de uma releitura do mesmo. Segundo Leal (2003), o fato de o acervo de um acervo incluir traduções, textos originais e/ou reproduções tem características distintas.

Cartas penna-damascadas para Azevedo encontradas no acervo, nos anos de 1958 e 1963, apontam para a existência de uma relação de intimidade e amizade entre eles após a saída de Azevedo da empresa. Analisando os títulos publicados pela Iniciação Científica, o compromisso de informar os leigos sobre "[..] a necessidade da profilaxia social, alcançada pela purificação da sociedade, pelo controle da sexualidade, da procriação e do conhecimento científico" (Leal, 2003, p.105).

A universidade na formação e na profissão do sociólogo: o Instituto de Educação (Ieusp)

As reformas educacionais implementadas pelos pioneiros da Educação Nova compartilhavam dessa preocupação, fazendo parte do projeto civilizatório brasileiro. Para Evangelista (1997) foi esse cenário que permitiu que as facções das elites dirigentes e intelectuais católicos - desde a década de 1930, por meio dos discursos e da atuação institucional de reformadores como Azevedo e Anísio Teixeira - fossem classificadas como representantes do arcaico, do retrógrado, do conservador no país. A multiplicidade de posições naquele debate não deve obscurecer a existência de divergências e convergências dentro dos projetos de reformadores, como Azevedo e Anísio Teixeira, e entre seus projetos e os de facções da elite secular - das quais participaram Júlio de Mesquita Filho e Armando de Salles Oliveira -.

A divergência incluía defender ou não a formação de quadros das elites dirigentes em seu interior.32 Essa defesa era vista como algo fundamental por atores como Mesquita Filho e Salles Oliveira. Em segundo lugar, porque vê a formação de professores, em todos os níveis de ensino, como um mecanismo eficaz para preparar e selecionar os melhores atores para construir e renovar os quadros das elites dirigentes do país. Entre os instrumentos legais que possibilitaram a criação do Ieusp e da USP por Azevedo e outros, como a Universidade do Distrito Federal (UDF) por Anísio Teixeira, destacou-se o Esta.

E] [ao] ser admitida na USP, levou consigo o importante legado de formação superior de intelectuais da educação [..]” (Evangelista, 1997, p.21). Ao tornar-se uma instituição diferente do modelo normal de escola33 e assumir a condição de instituto vinculado à USP, em 1934, o Ieusp “[..] 'as ciências de origem da educação' – História, Filosofia, Biologia, Psicologia, Sociologia – bem como sua correlação imediata, prática docente, observação, experimentação e prática, 9,2, exp. citações do autor).

Referências

Documentos relacionados

Segundo os resultados do presente estudo, aos três meses da alta hospitalar, a idade e a independência para ABVD avaliada na fase aguda do AVC foram identificadas como preditores