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GIOVANI BARBOSA PRADO - Mariana - LPH - UFOP

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Academic year: 2023

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Monografia apresentada para o Curso de História do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial para aquisição do título de Bacharel em História. Esta pesquisa tem como objetivo discutir o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), programa mais representativo do governo militar no campo da educação de jovens e adultos.

Problematização e objetivos

Para tanto, foram examinadas as políticas do governo militar relativas à educação de jovens e adultos da cidade durante o seu funcionamento. Para a realização do trabalho, foi analisado, entre 1970 e 1976, o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), programa mais representativo do governo militar no campo da educação de jovens e adultos naquela época.

Justificativa

Metodologia e fontes

O que comumente chamamos de “História Oral” é uma metodologia de trabalho que utiliza relatos orais como fonte de pesquisa, independentemente do tema trabalhado (THOMPSON, 1992). Com a “história oral” o historiador pode construir a sua própria fonte juntamente com a fonte que deseja examinar.

A ditadura militar: uma breve contextulização política

Paulo Freire

Neste momento surge o Sistema Radioeducativo Nacional (SIRENA) e acontece o II Congresso Nacional de Educação de Jovens e Adultos. Porém, o problema da educação de jovens e adultos ainda não foi resolvido e movimentos de esquerda e direita se organizaram para reduzir o alto índice de analfabetismo no Brasil.

A educação de jovens e adultos durante a ditadura

Para ela, porém, o seminário de 1967 contrariava esta noção, pois tinha agora uma vertente predominantemente económica. A cruzada ABC, portanto, teve como objetivo desafiar tanto pedagogicamente quanto ideologicamente os projetos anteriores de alfabetização de adultos, especialmente o “Sistema Paulo Freire”, que havia sido considerado oficial pelo governo deposto.

MOBRAL: o início de uma trajetória

Organização hierarquica e projetos complementare à alfabetização

A pedagogia do MOBRAL

No Capítulo 1 vimos algo sobre os conceitos fundamentais presentes na pedagogia de Paulo Freire. No entanto, o seu método de alfabetização apresentaria, na realidade, diferenças significativas em relação ao primeiro. Esta mediação estaria sempre envolvida no diálogo, porque o homem não vive sozinho, mas num contexto social.

O MOBRAL parece basear a sua funcionalidade na preparação dos cidadãos para serem activos na sua comunidade. O objetivo do MOBRAL para o autor seria mostrar resumidamente as vantagens resultantes da entrada dos novos letrados no mercado consumidor, aos atuais meios de produção e “hierarquizar” valores que possibilitem tal entrada, e assim o futuro consumidor e produtor brasileiro. No discurso do programa, a alfabetização é tratada como instrumental, pois o documento abaixo revela os objetivos da Alfabetização Funcional.

Tais pensamentos, segundo Jannuzzi (op.cit.), seriam um reflexo da política educacional brasileira após o golpe. Num contexto de desenvolvimento nacional que se concentra em grande parte na economia externa que concentra a renda, segundo o autor, o movimento brasileiro de alfabetização deveria evitar a conscientização da população, pois esse fato teria consequências no descontentamento das classes populares.

O método e o material didático

Seria composto por um conjunto de 20 cartazes com palavras geradoras e uma gravura representando-as. Além disso, haveria cartões onde seriam impressas apenas as palavras formadoras e tabelas onde seriam impressas as famílias silábicas das palavras selecionadas. Um copista ainda receberia como extra um livro sobre matemática e outro sobre exercícios de linguagem.

O aluno recebe a cartilha ou o livro didático em que aparece a imagem da palavra geradora, sua grafia, as famílias silábicas, algumas palavras formadas pela combinação dos fonemas geradores. Ao final de cada aula, há frases contextuais que mostram palavras formadas com fonemas já estudados e semanticamente ligadas à palavra geradora. Os textos ao final do livro dão ao aluno a oportunidade de entrar em contato com construções mais complexas.

A seguir, deverá ser apresentado o cartão com a frase e colocado sob a gravura que representa a frase, ligando palavra e objeto. Por fim, deve-se buscar a formação de novas palavras, com base no que foi visto e na decodificação.

O retrato do MOBRAL na região Sudeste, segundo o MEC

Quanto à caracterização dos alunos, observou-se que 55,5% dos alunos eram do sexo masculino, com idade média de 33 anos. Em termos de trabalho, havia um número significativo de estudantes da zona rural que trabalhavam, 79,1%; e na zona urbana 32,3% deles não trabalhavam. Levando em conta o valor do salário mensal recebido, os estudantes ganhavam em média Kr$ 704,68 – lembre-se que o salário mínimo vigente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro era Kr$ 768,00 – e com um carga horária de aproximadamente 47,5 horas semanais.

De acordo com a escolaridade dos alunos estudados, constatou-se que 41,8% deles já haviam estudado no passado, e 43% deles continuariam estudando por algum tempo. Em termos de interesse e intenções dos alunos, constatou-se que, segundo o relatório, 90,1% dos alunos pretendiam continuar os estudos. Quanto aos programas que buscavam ir além da alfabetização funcional, 47,5% indicaram o Curso de Educação Integrada MOBRAL e 23,5% o Curso de Preparação para o Trabalho.

Dos alunos que enfatizaram o Programa de Preparação para Mão de Obra, 14,4% queriam especificamente o curso de costura, 11,1% o de mecânico e 10,1% o de motorista. Por fim, cabe mencionar que segundo o relato, as maiores dificuldades dos alunos, percebidas pelos professores, estavam relacionadas à leitura, escrita e aritmética, sendo a timidez uma delas.

A falsidade dos números

Com relação à participação anterior ao MOBRAL, o estudo constatou que 28,3% dos alunos já haviam cursado o programa e 59,8% repetiram o curso por não saberem ler e escrever. Voltando aos aspectos sociais, culturais e de lazer, vimos que em termos de participação em trabalhos comunitários, tanto os estudantes urbanos como os estudantes rurais participaram em cerca de 40%. Ao observar o trabalho de Paiva (2002), ela explica o equívoco dos dados divulgados pelo MEC a respeito do número de alfabetizados encontrados entre as décadas de 1970 e 1980.

O censo de 1980, por exemplo, determinou que mais de 20% da população com mais de 15 anos não sabia ler nem escrever, o que, segundo Paiva, fez com que o número de analfabetos absolutos fosse superior ao verificado na década anterior. Quanto à leitura – com referência aos dados referentes à região Nordeste coletados e apresentados na obra. leram palavras isoladas, 4% dos alunos não conseguiram acertar nada na prova de leitura; 17,3%. Em relação à escrita, 41,4% não conseguiram escrever nem mesmo palavras isoladas, 58,9% não conseguiram escrever uma frase, 61,8% não conseguiram escrever palavras e endereçar um envelope, 74,9% não conseguiram escrever um bilhete.

Na mesma prova, 16,2% dos alunos não acertaram nenhum dos itens da prova, sendo que 10,3% acertaram todos os itens. No geral, cerca de 50% dos alunos não conseguiram realizar operações com números inteiros e 55,8% não conseguiram resolver problemas simples, onde a questão mais difícil era multiplicar um número de dois dígitos por um número de um único dígito.

Os problemas do MOBRAL e sua extinção

Já se sabia, segundo o autor, que muitas Comissões Municipais, não conseguindo cumprir as quotas de recrutamento, aceitavam crianças nas turmas do MOBRAL. Isso gerou discussões, profissionais da educação que não se enquadravam nos quadros governamentais e destacaram algumas fragilidades do MOBRAL para a sociedade civil, fragilizando-a. Logo, os interesses do pessoal da ACISO e, portanto, do Exército, não estavam mais focados nas atividades do MOBRAL; e a abertura política que estava a ocorrer permitiu aos profissionais da educação e aos membros da sociedade civil criticar esta sociedade atrasada.

Primeiramente, cabe-nos mencionar que, como vimos no capítulo anterior, a maioria dos professores e funcionários do MOBRAL eram mulheres e jovens, o que também se confirmou na cidade de Mariana. Giovani Prado – E antes de trabalhar no MOBRAL você trabalhou em outro lugar.

O início do MOBRAL e sua inserção no município de Mariana

É importante notar como a política municipal está diretamente ligada às indicações do Movimento Brasileiro de Alfabetização. E ele ligou para o cônego Júlio e disse que não queria que eu trabalhasse no MOBRAL nem na irmã dele, irmã, irmã Eny, porque éramos contra a política dele. Como os poderes legislativo e executivo da cidade abordada foram responsáveis ​​por indicar aqueles que seriam responsáveis ​​pela fiscalização do Movimento Brasileiro de Alfabetização, e ambos os poderes estão vinculados a essas coalizões, podemos destacar aqui como o pensamento político que o governo central ditatorial está em força. realizado pelo MOBRAL aos municípios do interior.

Mas a referida centralização de controle significou que a filosofia básica, a política e a pedagogia geral do movimento seriam assumidas pelo MOBRAL/CENTRAL, garantindo a harmonia entre as diversas esferas hierárquicas da burocracia governamental.

Os docentes

Com isso, vemos que tais profissionais, no município de Mariana, receberam algumas instruções antes e durante seu trabalho, conforme destacam os documentos e referências bibliográficas apresentados no capítulo 2. Giovani Prado - Qual era a escolaridade média dos professores que ministrou aula no MOBRAL. Giovani Prado – E havia algumas instruções didáticas específicas, dadas pelas coordenadas, para esses professores lecionarem. Giovani Prado – E os professores que você orientou, você lembra qual era a escolaridade média deles?

Coordenador 1 – Como falei para vocês, o distrito não tinha, egresso, todo mundo tinha mesmo o grupo. Giovani Prado – Porque eles não sabiam, não sabiam quando eu ia chegar, né. Não tenho muita certeza porque não tive muito contato direto com todo mundo, como você sabe.

Como te falei, tenho uma, uma colega que vai comigo fazer companhia a ela. Eu lembro que um dia quando fui procurar o pai ele disse: “Ah, ela não vai mais.

A prática docente

Este negócio não ganha nada o dia todo.” Peguei e perguntei a ele: Você pode me dar uma, uma gorjeta para ela. Giovani Prado – E em relação ao horário, você acredita que pela forma como as aulas foram organizadas, o horário das aulas foi o melhor.

O material didático e sua utilização na prática docente

Giovani Prado – E os materiais utilizados nas aulas foram cadernos, de (inaudível). Giovani Prado – E os professores quase nunca sugeriam algum material complementar ou sugeriam algo de vez em quando. Giovani Prado – E naquele período de ditadura militar, como você e os demais professores viam o regime?

Giovani Prado – E como você e os outros professores, se você se lembra, viam o regime militar naquela época. Giovani Prado – Aqui em Mariana você mencionou que nenhum professor sofreu perseguição do regime. Giovani Prado – E tinha um regulamento especial que não mencionamos aqui, para funcionários do MOBRAL e que era diferente das escolas.

A politica, a fiscalização e a pratica docente

Referências

Documentos relacionados

Tanto no primeiro e no segundo turno das eleições municipais de 2020, em todas as capitais onde Atlas conduziu pesquisas de intenção de voto (São Paulo, Rio de Janeiro,