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Academic year: 2023

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ANA MARIA MAUAD Professora Assistente do Departamento de História da UFF e Doutora pela mesma universidade. MARIA YEDDA LINHARES Professora Titular do Departamento de História da UFRJ, ex-professora da UFF. RONALD RAMINELLI Ex-professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná e atualmente da UFF.

A PRESENTAÇÃO

A Parte I, Territórios do Historiador, é dedicada justamente a esse mapeamento geral, selecionando os grandes territórios da história. O leitor encontrará, de um lado, campos de estudo mais relacionados às condições econômicas e sociais, como a história agrária, a história urbana e a história dos negócios; por outro lado, encontram-se campos de investigação mais ligados às representações, ao imaginário e ao quotidiano - a família, a privacidade, a mulher, a sexualidade, a etnicidade, a religiosidade, para não falar da história completamente nova das paisagens. Em todos os capítulos procurou-se dar um panorama, ao menos uma notícia, dos "domínios da história" no Brasil.

S UMÁRIO

P ARTE III

I NTRODUÇÃO

H ISTÓRIA E P ARADIGMAS R IVAIS

O mais importante é provavelmente a falta de inclinação teórica dos historiadores dos Annales e o fato de que eles não tinham uma teoria da mudança social.22. Não é difícil perceber a base filosófica de tal concepção: Nietzsche e Heidegger (na verdade na versão elaborada por seus epígonos, como Foucault, Deleuze e Derrida, entre outros), Wittgenstein.35. Além disso, na nova história muitas vezes há o desejo de ser o mensageiro de uma visão que seria a visão do "homem comum".

P ARTE I

T ERRITÓRIOS DO H ISTORIADOR

Á REAS , F RONTEIRAS , D ILEMAS

H ISTÓRIA E CONÔMICA

Portanto, reducionismos de qualquer tipo não se justificam, nem a transformação da história econômica em panacéia. Não surpreende, portanto, uma especialização cada vez mais acentuada da história econômica nos meios acadêmicos. Resumidamente, essas são as possibilidades em que se deve pensar ao observar o terrível retrocesso da história econômica.

Figura  1  Variação  (%)  das  Teses  e  Dissertações  em  História  Econômica  (Universidade de São Paulo, 1973-1985)
Figura 1 Variação (%) das Teses e Dissertações em História Econômica (Universidade de São Paulo, 1973-1985)

H ISTÓRIA S OCIAL

Com o iminente desaparecimento das abordagens rankianas2, esse conceito generalizante de história social perde em grande parte sua funcionalidade. No entanto, desde pelo menos a década de 1950, os historiadores sociais têm reivindicado alguns historiadores em um sentido mais restrito, como uma abordagem capaz de delinear um campo específico de problemas a serem formulados para a disciplina histórica. A pesquisa em história social a partir da década de 1970 se deparou com a urgência de responder a essas e outras questões crescentes.

No entanto, seria enganoso imaginar que a história social se desenvolveu nas últimas décadas de forma harmoniosa e homogênea. Dessa forma, uma história social cultural tenderia a substituir as abordagens clássicas da história social da cultura30 e produzir uma história cultural e, em certo sentido, política sem atores sociais. Quase todos os temas clássicos da história social se desenvolveram sob o signo da competição entre as abordagens pós-estruturalista e social.31.

Temática e teoricamente, a história social no sentido mais estrito. escrito quase inteiramente por sociólogos) nasceria no Brasil, criativamente alinhado com os debates que ocorriam internacionalmente. Uma história brasileira da família, seguindo de perto as tendências mais gerais da história social após os anos 1970, tenta responder aos impasses encontrados por ambas as abordagens. Finalmente, pesquisas sobre a história social do Brasil colonial e da escravidão em um sentido mais amplo poderiam ser combinadas.

Nesse sentido, pode-se identificar uma história social do Brasil Colônia, especialmente desenvolvida na Universidade de São Paulo, que privilegiou temas clássicos do chamado.

H ISTÓRIA E P ODER

No segundo tema, partindo da crise da história política tradicional, procuraremos situar as características do que se costuma chamar de nova história política. Muito mais tarde, essa história foi identificada como uma espécie de história: a história política tradicional. A promoção do Estado à condição de "objeto por excelência da produção histórica"5 significou a hegemonia da história política.

Nesse aspecto, aliás, Mommsen e Julliard, apesar de suas diferenças, concordam com a sobrevivência da história política. Desde Marx e Engels, a perspectiva marxista do político em geral e da história política em particular opôs-se aos pressupostos e características da história política tradicional. As novas correntes marxistas também vieram em auxílio dessa restauração do político em geral ou da história política em particular.

Por fim, vale ressaltar a importância dos contatos e intercâmbios interdisciplinares, conhecidos como o carro-chefe dos Annales, para esses novos rumos da história política. Entre os mais interessantes, vale a pena mencionar ou lembrar: Mommsen, Sobre a situação da história política nas ciências sociais (1971); Barret-Kriegel, História e Política ou a História Científica dos Valores Mobiliários (1973); Julliard, A Política (1974); Vandermeer, A Nova História Política (1979); Blokmans, La nouvelle histoire politique (1980); Salvadori, Le molte storie (1988); Le Goff, A política ainda será o marco da história (1986). Juntos, esses textos esboçam com certa precisão o perfil da história política que agora se quer nova ou renovada.

Em The Writing of History, Burke enfatiza o fato de que a história política se divide (nas instituições e entre os historiadores) em dois tipos de preocupação: com centros de governo (poder) e com raízes sociais (política e poder). É, portanto, uma história política do tipo tradicional - o conteúdo da história oficial que foi pesquisado e ensinado. No entanto, se considerarmos os índices da Revista de História (USP, até o número 80, 1959) e da Revista Brasileira de Estudos Políticos (UFMG, 1973), a presença e o predomínio de uma história política mais tradicional se fortalecerão.

H ISTÓRIA DAS I DÉIAS

Segundo Chartier, “na França, a história das ideias praticamente não existe, nem como conceito nem como disciplina. O número de livros que tratam da história de "esta" ou "aquela" idéias (literárias, filosóficas, artísticas, políticas, etc.) está aumentando. Krieger, segundo quem teria sido então que “a história das ideias finalmente emergiu, como história intelectual, no campo da historiografia”.

Krieger,20 por sua vez, escreve que "a história intelectual moderna corresponde a cinco escolas" (na primeira metade deste século): (1) o historicista ítalo-alemão; (2) a natureza sócio-intelectual dos historiadores dos Annales; (3) a corrente da "história das ideias" de A. Barnes, enquanto os Annales condenavam, em princípio, a tradicional "história das ideias" e aceitavam sua abordagem apenas em contextos mais amplos, a partir de teorias psicossociais ou linguísticas. Como já mencionamos, o historicismo valorizava uma concepção da história das ideias distinta de outras histórias.

Influenciou o curso da história das ideias em direções geralmente contraditórias e às vezes opostas. Ao mesmo tempo que os Annales, domina a história moderna norte-americana, embora mais antiga, a história intelectual, e só a partir de 1940 sofrerá a concorrência da história das ideias de A. No caso da história das ideias, o impacto desses novos desafios foi particularmente profundo pela própria natureza de seu objeto de estudo.

O conceito chave é então o de representação (Chartier) e as ideias/ideologias entram na ordem dos processos simbólicos (Bourdieu) - a história das ideias dá lugar à história sociocultural, o mesmo acontece com a das mentalidades. O terceiro grupo inclui tendências que estão ao mesmo tempo entre as mais antigas e tradicionais e as mais recentes e inovadoras no campo da história das ideias. Apesar de suas inúmeras diferenças, essas tendências expressam o mesmo velho ideal: o de uma história das idéias em si mesma que aceita apenas como contexto uma vaga noção de "universo intelectual".

Clark questiona a competência antropológica dos historiadores franceses da bruxaria, criticados por defender desde Bloch e Febvre o conceito ultrapassado de uma "mentalidade pré-lógica" (ou primitiva) herdada da obra de Lévy-Bruhl ao lidar com a diferença cultural ao longo do tempo. Ciro Flamarion Cardoso foi quem foi mais duro em um de seus ensaios racionalistas, quando acusou os historiadores de mentalidade de se dedicarem ao estudo da periferia, ao esclarecimento dos espíritos e, sobretudo, à negação das totalidades sintéticas da história, à renúncia a posições explicativas e à propagação de uma história "reacionária" sem contradições. Não há dúvida de que, pelo menos na aparência, venceram os críticos das mentalidades, porque hoje em dia é muito raro algum historiador francês admitir ser um “historiador das mentalidades”, para não falar daqueles que recorreram a outros campos (história cultural, vida privada, etc.)

Considerando o estado atual do debate, em que o declínio das mentalidades expressivas coexiste paradoxalmente com um campo de estudos cada vez mais fértil a elas dedicado, este capítulo se concentrará em expor quatro questões centrais: (1) contextualizar a história das mentalidades no quadro mais amplo da historiografia francesa relacionada ao movimento dos Annales; (2) examinar os pressupostos conceituais da história das mentalidades, seus pontos fortes e fracos, com atenção para a diversidade de tendências que a história das mentalidades sempre apresentou, desde o início, apesar dos esforços de muitos de seus críticos para caracterizá-la de forma homogênea, senão estereotipada; (3) definir os campos que, em certo sentido, seguiram a história das mentalidades, dela mudando teoricamente ou simplesmente reeditando seus pressupostos sob outros nomes, enfatizando especialmente a chamada história cultural, também ela de orientação muito diversa; (4) uma avaliação sumária da adoção das mentalidades e da história cultural pela historiografia brasileira a partir da década de 1980, considerando possíveis relações entre a importação de questões da Nova História e algumas abordagens da tradição. A história das mentalidades, filha querida da "escola dos Annales", eis um julgamento várias vezes repetido e anunciado pelos historiadores franceses na década de 1970, quando, para o bem ou para o mal, a história das mentalidades era celebrada como a prima donna da chamada Nova História. Além disso, deve-se lembrar que, apesar das várias mudanças pelas quais a historiografia francesa passou nos últimos 60 anos, os estudiosos das mentalidades sempre se reconheceram como herdeiros contemporâneos de Bloch e Febvre, chamados por muitos de "pais fundadores".

Mas não devemos exagerar no reconhecimento das mentalidades como as herdeiras preferidas dos Annales, pois também é verdade que a história das mentalidades em algumas de suas tendências rompeu de fato com o espírito de síntese que animava os analistas na época em que questionavam a história. Marc Bloch, por exemplo, conhecido pelos estudos do campo numa perspetiva comparada, sobretudo pelo clássico La société feodale escrito na década de 1930 (traduzido pelas Edições 70 Portuguesa), foi um verdadeiro precursor da história das mentalidades e de uma espécie de antropologia política ao escrever Les rois taumaturgos. Precursores à parte, o fato é que Bloch e Febvre se interessaram – e muito – pelo problema das mentalidades na história, embora condicionassem seu estudo a uma perspectiva globalizante e sintética da história social.

Portanto, não é correto dizer que o surgimento da história das mentalidades no final dos anos 1960 rompeu completamente com a tradição dos Annales e com as concepções dos fundadores da nova história.

Imagem

Figura  1  Variação  (%)  das  Teses  e  Dissertações  em  História  Econômica  (Universidade de São Paulo, 1973-1985)
Figura  2  Variação  (%)  das  Teses  e  Dissertações  em  História  Econômica  (Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  e  Universidade  Federal  Fluminense,  1980-1992)

Referências

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