Podem também celebrar acordos de parceria para a realização de atividades conjuntas de pesquisa científica e tecnológica e de desenvolvimento de tecnologia, produtos, processos ou serviços com instituições públicas e privadas. Evolução e localização da capacidade de pesquisa instalada no Paraná, levantamento baseado no diretório de grupos de pesquisa do CNPq. A partir de 2000 os censos dos grupos de pesquisa estão disponíveis na plataforma web e a partir de 2002 a chamada base de dados atual pode ser atualizada a qualquer momento.
As empresas privadas não participam do diretório de grupos de pesquisa do CNPq e só são incluídas na base de dados quando os líderes as nomeiam e descrevem o tipo de relacionamento mantido com seus grupos. Este levantamento tem como objetivo identificar a capacidade instalada de pesquisa existente no estado do Paraná. Para tanto, foram definidos os seguintes objetivos: .. a) situar o estado do Paraná no cenário nacional, comparar a evolução do número de grupos de pesquisa e pesquisadores com alguns estados brasileiros selecionados e mostrar a participação das regiões no total nacional, no período.
A Tabela 1 mostra o número de grupos de pesquisa e pesquisadores e a proporção de pesquisadores por grupo nos países selecionados, por grande área, durante o período. As pesquisas realizadas por grupos de pesquisa e pesquisadores atuantes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Pernambuco têm importância nacional, respondendo por 76,3% da capacidade instalada de pesquisa no país em 2010. A capacidade de pesquisa instalada nesses estados, medida pelo número de grupos de pesquisa no diretório do CNPq, permite três comparações consideradas importantes para o desenho e implementação de políticas públicas de C,T&I no estado do Paraná, a saber: .. a) comparar o desempenho do Paraná em relação aos seus congêneres do Sul (PR, SC, RS);.
Juntos, os grupos de pesquisa dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul representam aproximadamente 55% dos grupos ativos e 55% dos pesquisadores envolvidos na atividade de pesquisa no país em 2010.
Crescimento dos grupos de pesquisa: Bahia, Paraná e Santa Catarina
Nos casos da Bahia e de Santa Catarina, resta compreender com maior profundidade os fatores que impulsionaram o aumento espetacular dos grupos de pesquisa em engenharia e ciências da saúde, respectivamente, conforme mostra o gráfico 4. Em suma, as diferenças no processo de formação e consolidação dos grupos de pesquisa nos diferentes estados brasileiros parece notável. Por fim, até que ponto o aumento do número de grupos de pesquisa e de pesquisadores afetou a produção científica, a qualidade dos programas de pós-graduação e a criação de novas competências nos estados.
Em 2000, os grupos de pesquisa do estado estavam localizados em poucos municípios espalhados por apenas 6 das 10 mesorregiões paranaenses. Em 2010, houve uma desconcentração geográfica e institucional dos grupos de pesquisa no estado, hoje presentes em suas 10 mesorregiões e espalhados por 31 municípios: mais que o dobro do número de municípios identificados em 2000 (15). Esses grupos de pesquisa estão em grande parte baseados em universidades estaduais, principalmente na UEL, UEM e UNIOESTE (ver Tabelas 5, 6 e A.4).
Em geral, o maior crescimento no número de grupos de investigação parece ter ocorrido nas áreas da linguística, literatura e arte, ciências sociais aplicadas e humanidades. Mas outros fatores podem explicar o crescimento significativo dos grupos de pesquisa no país na última década. Esta seção apresenta os mais importantes tipos de relacionamento estabelecidos entre grupos de pesquisa e empresas, por área e principais áreas do conhecimento de acordo com a tipologia do CNPQ (Tabela 1).
Dados do diretório de grupos de pesquisa do CNPq revelam que, em 2002, o estado do Paraná contava com 93 grupos de pesquisa que mantinham algum tipo de relacionamento com empresas, divididos em 10 instituições. TABELA 1 - TIPOS DE RELACIONAMENTOS DOS GRUPOS DE PESQUISA COM AS EMPRESAS DEFINIDOS PELA DGP/CNPQ Rel1 - Pesquisa científica sem consideração de aproveitamento imediato dos resultados. Rel14 - Outros tipos de relacionamento dominantes que não se enquadram em nenhum dos itens acima FONTE: CNPq - Diretório de Grupos de Pesquisa: Censos 2002 e 2010.
Em 2002, as áreas de conhecimento dominantes eram as ciências agrícolas e a engenharia, que em conjunto representavam quase 60% dos grupos de investigação que trabalham com as 247 empresas. Em 2010, as ciências e engenharias agrícolas são as áreas que possuem o maior número de grupos de pesquisa e interagem com aproximadamente 65% das empresas ligadas às TIC no estado. A Figura 2 apresenta a distribuição dos grupos de pesquisa que interagem com empresas, por mesorregião do Paraná, em 2002 e 2010.
Por outro lado, na região Centro-Norte, o maior número de grupos de pesquisa está localizado nas duas universidades estaduais existentes na região: a Universidade Estadual de Londres (UEL) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que juntas respondem por 20,2% dos grupos de pesquisa que relataram ter relacionamento com empresas. As demais mesorregiões paranaenses ainda têm uma participação muito inicial na relação entre grupos de pesquisa e empresas.
Ramos de atividade mais dinâmicos
Se em 2002 as unidades empresariais privadas da produção de alimentos e bebidas lideraram este movimento (7,8%), em 2010 são as entidades sem fins lucrativos de natureza associativa que aparecem como parceiros privilegiados (8,3%). Este ano, tanto nas empresas pertencentes à administração pública, como nas entidades empresariais e entidades sem fins lucrativos, predomina a investigação científica com considerações de aproveitamento imediato dos resultados. Nas entidades empresariais e sem fins lucrativos, também é enfatizada a transferência de tecnologia desenvolvida pelo grupo para o parceiro.
Embora haja uma grande diluição de relacionamentos, os números apontam para a consolidação e crescimento das relações entre grupos de pesquisa e empresas da indústria de alimentos e bebidas (ver Tabela 11). A identificação e caracterização destes e de outros grupos de pesquisa (instituição e áreas de conhecimento) e empresas (por área de atuação e tipos de relacionamento) é um interessante objeto de estudo a ser desenvolvido no estado do Paraná. Embora a participação institucional na base de dados do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq seja opcional, houve um aumento significativo no número de grupos e instituições credenciados na última década.
A consistência metodológica e o aprimoramento contínuo das ferramentas de coleta, organização e divulgação são fatores que fortaleceram o desenvolvimento desta importante base de dados, que permite uma série de comparações sobre a evolução da capacidade de pesquisa em todas as unidades da Federação. O Estado do Paraná investe historicamente na expansão dos cursos de graduação e pós-graduação e hoje uma parcela significativa dos recursos de C,T&I do Estado é destinada à manutenção da infraestrutura educacional de suas universidades. Nestes estados, os recursos de C&T&I são amplamente utilizados para a verticalização dos programas de pós-graduação e a modernização das infraestruturas de pesquisa.
A maior parte dos grupos de pesquisa paranaenses está vinculada a instituições de ensino superior, especialmente nas sete universidades estaduais. Embora tenham sido responsáveis pelos maiores índices de crescimento nos grupos de Lingüística, Letras e Artes, Ciências Sociais Aplicadas e Humanidades, as universidades federais tiveram papel de destaque nas relações com as empresas, em decorrência da expertise em áreas de maior conteúdo tecnológico, como a agropecuária. ciências, ciências da engenharia e exatas e geociências. Quanto às empresas, apesar de uma evolução na sua relação com as universidades, os resultados ainda são insuficientes para avaliar os efeitos desta interação na sua capacidade inovadora.
Nesse sentido, parece oportuno sugerir ao segmento empresarial paranaense a exploração mais acurada das informações encontradas no diretório de busca do CNPq. Este levantamento mostrou que, na última década, houve crescimento e desconcentração no número de grupos de pesquisa, pesquisadores e instituições que acolhem grupos de pesquisa no Paraná. Apesar dessa desconcentração, as disparidades regionais ainda são marcantes: a capacidade instalada de pesquisa do Paraná está concentrada nas mesorregiões centro-norte e metropolitana de Curitiba, mas já se observa uma expansão considerável na mesorregião oeste.
APÊNDICE
Para esclarecimentos sobre a metodologia de coleta e organização dos dados aqui apresentados, consulte as notas técnicas do CNPq no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, Censos 2000 e 2010. Faculdades, museus e centros de pesquisa foram contabilizados da seguinte forma: se públicos na categoria Outros Públicos categoria; se for privado na categoria Outro privado. Neste trabalho foi adotado o endereço da sede da instituição para identificar o município de origem do Grupo de Pesquisa.
Para equipes de pesquisa de universidades com múltiplos campi, foi aceito o endereço institucional comunicado pelo líder da equipe de pesquisa conforme indicado na DGP/CNPq. Para esclarecimentos sobre a metodologia de coleta e organização dos dados aqui apresentados, ver as notas técnicas do CNPq no Diretório dos Grupos de Pesquisa CNPq, censos de 2000 e 2010. Universidades, museus e centros de pesquisa foram considerados da seguinte forma: se públicos outros públicos eram uma categoria; se for privado, categoria Outro privado.
Nesta parte foi adotado o endereço da sede da instituição para identificar o município de origem do grupo de pesquisa. TABELA A.1 - NÚMERO DE GRUPOS DE PESQUISA CADASTRADOS NO CNPq, RELATIVOS ÀS EMPRESAS, E NÚMERO DE EMPRESAS, SEGUNDO REGIÕES GEOGRÁFICAS E MUNICÍPIOS DA SEDE DO GRUPO - PARANÁ - 2002. TABELA A.2 - NÚMERO DE GRUPOS DE PESQUISA CADASTRADOS NO CNPq, RELACIONADOS ÀS EMPRESAS ÀS EMPRESAS LIGA AS EMPRESAS E O NÚMERO DE EMPRESAS SEGUNDO REGIÕES GEOGRÁFICAS E SEDE DOS GRUPOS - PARANÁ - 2010.