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leitura de um soneto

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Academic year: 2023

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O fim de uma fase de vida e de um projeto poético anunciado na parte anterior traz uma “nova hora”, um novo tempo em que o poeta alcança a vitória ao apagar “todas as lembranças sujas”. O momento é um novo tempo para a poesia, que agora aliada ao presente pretende antecipar o futuro, ou seja, “buscar o novo no presente com os olhos voltados para o futuro” (COMPAGNON, 2003, p. 38).

FLORESCEM AS ROSAS BRAVAS SIMBOLISTAS

Wild Roses Have Bloomed by Mistake', que considero uma das obras mais completas de Camiliano. Kam" (ver abaixo) indica novamente a paralisia (ignorância, dúvida, incerteza, ansiedade) que permeia o tema lírico de Camilo Pessanha. Agora vejamos outros verbos: "rosas silvestres" erroneamente "floresceram", mas (como punição?) "o vento veio tirar-lhes as folhas" (há dois verbos, "floresceram" e "viraram as folhas" - em clara antítese – , que mostram o efeito do tempo nas rosas); de

JOÃO JOSÉ COCHOFEL E A RECUSA DO IMAGINÁRIO SIMBOLISTA/DECADENTISTA

Neste artigo trataremos dos poemas de Sola de Agosta, a partir do seu diálogo com ideias e preceitos poéticos em voga desde o Romantismo, mas aprofundados e intimamente relacionados com o Simbolismo/Decadentismo. Há poemas em que há uma atitude de rejeição, e Eduardo Lourenço, embora não desenvolva a ideia, refere-se a Sol de Agosto como a obra de um poeta que caminha “para uma lírica simbolista cuja presença seria o último avatar”. . Da mesma forma, as rejeições presentes nos poemas de Sol de Agosto são mais do que uma simples oposição à poesia idealista ou ao que os neorrealistas cunharam como “subjetivista”, uma rejeição às filosofias idealistas, mas como resultado o autor acaba cantando com aspirações místicas, à evasão e à engenhosidade.

Da mesma forma, a grande frequência com que a poesia neorrealista utiliza o verbo no modo imperativo, ordenando aos homens que escolham pelo combate ou pela resistência, configurando um discurso engajador, não está na poesia do terceiro livro de Cochofel, em que o imperativo apenas em dois poemas do Sol de Agosto. Quanto à refutação do idealismo, destacamos que “XVII” é um dos raros poemas do Sol de Agostoem em que fica clara não só a opção neorrealista, mas também a crença marxista do autor. E os poemas de Sol de Agosto e os dos livros seguintes do autor (cuja obra se limita à poesia e ao ensaio, nunca à narrativa, prova da sua veia poética) são suficientes para apreciar o seu sucesso artístico face à escolha de uma poesia do concreto, ou de.

5] Os dois primeiros livros do autor, Instantes e Búzio, devem muito a esse imaginário, que ele começa a refutar a partir de Sol de Agosto. Interiormente, / havia coisas vagamente pensadas, / vagas..” (p.270) ocorre com frequência nos seus primeiros livros e contrasta claramente com as composições do Sol de Agosto, em termos de metáfora e de imagens que são criadas.

TUA  MEMÓRIA,  PASTO  DE  POESIA”

CONFIGURAÇÕES DA MEMÓRIA EM CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Mas estes dados da memória colectiva só são interessantes na medida em que formam uma imagem familiar e harmoniosa do passado. Assim, estamos diante de um poema que não apenas recria a imagem da memória, mas também se expressa pensativamente em relação a ela, valorizando-a em detrimento da história de um personagem literário. Ah, abra os frascos de loção / e sufoque / o cheiro insuportável da memória Em Algumas poesias, como se vê em Infância, o poeta não duvida da justificativa de criar poesia com o assunto mais pessoal.

Na verdade, neste bloco a que o crítico se refere já não encontramos uma recriação espontânea e pacífica da memória. Por um lado nega a memória, por outro vê nela uma possibilidade de redenção, o sentido da vida e uma poesia que surge como uma busca de sentido. Em 'Como um presente' e na poesia de Drummond em geral, percebe-se um conhecimento dos mitos familiares que só se efetiva na sua ausência, como se a verdadeira compreensão dos seres e das coisas só pudesse ocorrer, proustiana, como memória, como memória física. ausência e presença intangível.

Estranha atitude metafísica num autor que seis anos antes se autoproclamava ‘poeta do finito e da matéria’ (ANDRADE, 2006, p. 22) e proibira o canto da memória. 7] Nesse sentido, ver o depoimento de Alcides Villaça no capítulo “Poética da Memória”, do livro Passos de Drummond.

JOÃO CABRAL, LEITOR DE NATIVIDADE SALDANHA

1 Natividade Saldanha (do pátio de São Pedro de Olinda, filho de padre e mulato quase negro) foi quem primeiro mostrou que se podia escrever um poema sobre ponche de caju, sobre galo. O grau de simpatia revela-se quando consideramos que a última publicação de A Poesia de Natividade Saldanha[3] ocorreu em 1875, depois de ter saído inicialmente da imprensa portuguesa em 1822, sob o título de Poemas apresentados aos amantes do Brasil [ 4 ] . Curiosamente é aqui que esta escrita se radicaliza, porque é mais humana e mais absurda, quando se trata de Natividade Saldanha.

Como mulata no Brasil no final do século XVIII e início do século XIX, a fortuna de Natividade Saldanha era relativamente limitada, não mais do que nos Estados Unidos, de onde ela veio. Além disso, vale a pena notar que o interesse de João Cabral por Natividade Saldanha nunca se limitaria à descrição de uma biografia fascinante, nem podemos reduzir o seu interesse ao envolvimento revolucionário. Seja como for, não há como escapar ao facto de que, por causa da sua multidão, José da Natividade Saldanha traz na pele e no sangue a marca do tempo.

Dessa forma, o grau de simpatia se revela em duas etapas: primeiro, pelo compartilhamento de uma história comum – a história trazida por Natividade Saldanha se confunde com a origem do poeta; segundo, porque o poeta mulato é a própria materialização dos conflitos históricos de que trata Anfion do Capibariba. Quando falamos de patriota, um diplomata evita pensar em história, porque Natividade Saldanha já é história e só por isso não precisa de referências.

A GENEALOGIA DO AMOR EM HILDA HILST

Como se verá mais adiante, um se abre ao outro, visto que, freudianamente, os Cantos Bíblicos já diziam: “O amor é tão forte quanto a morte”. Como sabemos, a tulipa não é a primeira flor que brota de um amor frustrado, antes disso existiu um palhaço. Assim, o gozo do amor nada mais é do que o exercício do impulso de morte, que leva o amante, sedento de amor e de vida, à sua fuga constante, “como se só na morte fosse abraçar a vida”. (pág. 20).

A fonte é imortal, a pobreza é mortal, portanto o amor como o conhecemos, isto é, nunca é satisfeito por uma necessidade intransponível. Este último poema de Canções de Sem Nome e Festas é introduzido por uma “comparação hipotética ou subjetiva”, “como se”, cujo elemento comparativo provém dos poemas anteriores e é a síntese deste livro: “o amor e sua fome”, viva o amor, cante o amor Assim, a repetição do “como se” ao longo do poema é quase um leitmotiv, que, somado ao ritmo hesitante, à falta de fluidez dos versos e à sintaxe permissiva dos verbos no pretérito subjuntivo, criam um efeito simbólico de o desvanecimento da palavra. realidade.

O “como se” ainda parece deslizar para o oposto do verso inicial: significa, portanto, que não é verdade, significa que Ele não ouve suas canções fascinado e que ela não se despede da felicidade todas as noites. . O sentimento desse amor passageiro e vão permanece em nós: “Como se eles fossem te amar e, portanto, te completar.

UMA QUESTÃO DE HORA E LUGAR: O AMOR QUE NÃO DÁ CERTO EM BEIJO NA BOCA DE CACASO

QUESTÃO DE TEMPO E LUGAR: O AMOR QUE NÃO FUNCIONA NUM BEIJO NA BOCA DO CACASO. Porém, antes de nos atermos à nossa hipótese, será interessante refletir se existem semelhanças entre o conceito de amor que permeia os versos de Beijo na boca e algumas canções contemporâneas. Aliás, esses versos aparecem no início de um poema de Beijo na Boca, intitulado “Lá em casa é assim”.

Considerado uma espécie de educação sentimental de sua geração, Beijo na Boca, dentro da produção poética de Kakaso como um todo, chama a atenção justamente por escolher o amor – ou a falta de amor – como tema[6]. Através de uma espécie de pedagogia poética, os versos de Beijo na boca nos ensinam a não confiar nas palavras e nas coisas, na forma como são apresentadas. Assim, através do “poder do não dito de desafiar o dito” – condição semântica da ironia – os versos de Beijo na boca acumulam significados que contradizem a proclamação do título (HUTCHEON, 2000, p.91).

Se o amor em Beijo na Boca falha por uma questão de tempo e lugar, os poemas só funcionam por causa desse descompasso fundamental. No início do trabalho mencionamos que o tema do amor funciona como estratégia poética e política no contexto da produção de Beijo na boca.

O ROUBO DO SILÊNCIO E AS RAZÕES DA POESIA A CAMINHO

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE UM POEMA DE MARCOS SISCAR

Este é quase o último momento em que o leitor se depara com o poema “Poesia en camino”. Poesia na estrada" é o dilema decisivo do poeta (ou melhor, de sua consciência crítica) entre a comunicação poética, transitória, aberta ao sentido, e a composição poética, fechada a si mesma, intransitiva, centrada no próprio sentido (BARBOSA, 1974 , pág.22). Situado na terceira parte do livro, denominada "Balões Brancos", entre os poemas "Sangue do meu cantou", que o precede, e "O futuro é agora", que o segue, o poema "Poesia a caminho" em um lado constitui Baseia-se na tensão entre a sobrevivência do passado e do presente; por outro lado, é um momento único no livro porque a tensão entre prosa e poesia se acentua e, na minha opinião, a poesia sairá vitoriosa, por motivos que veremos a seguir.

Ao contrário dos outros poemas de O Roubo do Silêncio, em que a memória e o silêncio jogam os dados numa memória e poética densa, caracterizada pela pontuação em prosa e constantemente minada pela palavra poética, em “Poesia a caminho” não há pausas, os acasos a prosa é reduzida. A restauração do tempo narrativo, mencionada no poema, e presente como tentativa ao longo do livro, é feita com o auxílio das fontes da poesia e, portanto, esse tempo narrativo é irreparável: não existe linearmente, mas obedece aos movimentos. de memória; Além disso, apesar de ser caracterizado pela poesia, o tempo neste poema não é aquele em que o momento está suspenso; não é da ordem da pontualidade, não é a pressa de Octavio Paz, não é o clímax nem o prazer, mas o desejo de expansão no tempo e no espaço; o tempo é o ritual da 'Poesia na Estrada' e como ritual dá origem à ubiquidade da experiência e da memória na qual também ocupa um lugar. O movimento de corrente e contracorrente também pode ser observado em outras obras de Siscar, como nota Célia Pedrosa, referindo-se à figura do rio que não aparece em “Poesia a camino”, exceto e precisamente, como corrente, ou seja, o que ainda não é mencionado explicitamente no poema, há em “Poesia a caminho” uma ideia de rio que “garante fluxo e enchente, e ao mesmo tempo retorno e contenção” (PEDROSA, 2004, p. .1 ).

Poesia a caminho" é, portanto, uma tentativa de desconstruir a estrutura canônica do poema ao mesmo tempo em que afirma a onipresença da poesia como forma de pensamento (VALERY, 1999), de experiência e de relação com o mundo: a conversão do que é vivenciado em verbo, com alta carga poética, o que leva à inflação das palavras, que fluem calorosamente pela canção. Ou seja, mais do que um colapso, a avalanche de palavras é o suporte da poesia no seu percurso; é a possibilidade de fuga “é o movimento do corpo que se vira e vê o que não viu antes” (TEIXEIRA, 2004, p. 229), vivencia algo que ainda não experimentou.

Referências

Documentos relacionados

7º - Haverá uma Comissão Coordenadora de Curso (CoC), de acordo com o previsto no artigo 19 do Regimento do IME, para assessorar o Conselho do Departamento em