Dessa forma, sua pesquisa inclui a análise do uso da língua em suas práticas sociais e, consequentemente, ultrapassa as fronteiras das ciências linguísticas, entrando no campo da Lingüística Aplicada. Este movimento da Linguística Aplicada considera-se habilitado a prescrever melhores formas de ensino/aprendizagem de línguas porque se baseia em teorias que considera indiscutíveis.
O enfoque de Bakhtin
É nessa troca com outros sujeitos e consigo mesmo que se adquirem conceitos, papéis e funções sociais, o que permite a formação de conhecimentos. Assim, para ele, a aquisição do conhecimento se dá por meio da interação do sujeito com o meio, e é por meio da linguagem que as funções mentais superiores (percepção, memória, pensamento) são formadas e transmitidas culturalmente.
A afinidade conceitual dos dois autores
E o que dizer sobre os gêneros do discurso?
A pessoa com quem comunicamos é também um interlocutor que responde ativamente, concorda, discorda, complementa ou ajusta o diálogo do outro. Por essas razões, o ensino de línguas que se limita ao ensino de palavras (ou frases) fora de um determinado contexto real de uso está fadado a se transformar em ensino de dicionário, que, além de redutor, será praticamente inútil para o usuário. situação de comunicação e interação verbal.
LINGÜÍSTICA APLICADA E ENSINO DE LÍNGUAS
Resumindo
É verdade que o conhecimento das teorias é importante, e as teorias podem lhe dar uma base mais científica para o seu treinamento. Mas é preciso levar em conta que a linguística aplicada, tal como a entendemos, tem procurado formular-se no sentido de não ser considerada uma ciência prescritiva, ou seja, uma ciência que articula e/ou prega formas corretas de ensinar e aprender. uma linguagem. Portanto, você pode estar se perguntando: “Como vou saber o que é certo ou errado fazer em sala de aula ao ensinar LIBRAS?” Não temos resposta para esta questão, tão complexa e tão ampla.
Estudos e teorias em AL que não levam em conta a diversidade e a incapacidade de controlar as ações e a linguagem dos sujeitos envolvidos no processo de ensino/aprendizagem dão a ilusão de que, se bem aplicada, a metodologia seria a solução para os problemas de a aula de línguas. Da mesma forma, a Unidade 4, que discute “O papel do professor de línguas”, dará continuidade ao tema aqui discutido, ou seja, discutirá a relação entre teoria e prática (ensino de línguas) no âmbito da Lingüística Aplicada.
O PAPEL DO PROFESSOR DE LÍNGUA
Breves notas sobre o histórico dos paradigmas teóricos
Os filósofos da antiguidade e do Renascimento colocaram muitas questões relacionadas com a linguagem, mas sempre a partir do conhecimento constituído, a lógica da linguagem (Bronckart, 1985). Você pode se perguntar: será possível que alguns professores continuem a preparar suas aulas sem levar em conta a diversidade natural de um grupo heterogêneo. Na concepção de Pêcheux, esse sujeito falante seria resultado de um processo histórico-social e de influência ideológica, que é transformado e marcado por sua fala.
Ao considerarmos que existem situações típicas, há que aceitar também que os sujeitos do discurso fazem parte de um universo típico de cada instituição. Os analistas franceses defendem a segunda ideia, a saber, que o sujeito, ao passar de um ambiente para outro, adota discursos institucionais possíveis de acordo com o seu trânsito. Este sujeito é então aquele que se apropria de um discurso já existente e o utiliza com base em regras já existentes.
Mesmo supondo que outros discursos passados possam estar presentes na fala de um sujeito, a sua forma de analisar o processo de apropriação da fala alheia pressupõe um sujeito ativo e atuante, capaz de fazer escolhas e estabelecer estratégias. O sujeito não é apenas um distribuidor de um discurso pré-existente, mas um agente do processo discursivo, capaz de interferir, potencializar ou mesmo modificar o discurso social.
CONTEXTOS BI/MULTILÍNGÜES
Olha professor, onde quer que você vá no Brasil, todo mundo fala a mesma língua, todo mundo fala português. No Brasil (e também em outras nações) a ideologia8 do monolinguismo se espalhou em favor de um Estado-nação homogêneo (Cavalcanti, 1999b), ou seja, a crença de que os brasileiros falam uma língua. Neste sentido, as línguas dos grupos minoritários são vistas como uma ameaça ou desestabilização à coesão nacional, e por isso há muitos esforços para erradicá-las, para eliminá-las, pois se opõem aos ideais nacionalistas.
Marquês (conhecido como um grande lutador pelo ensino do português durante o Brasil colonial) acreditava que a língua indígena Tupi-Guarani poderia ser uma ameaça aos colonizadores e também um forte obstáculo à formação de um povo único, de uma irmandade única. Na mesma linha de atuação política, Vargas pregava a proibição do uso de línguas trazidas por imigrantes (italianos e alemães, por exemplo) que deixaram seus países de origem para iniciar uma vida no Brasil. Historicamente, vemos uma operação violenta, pois ao impor materiais em outras línguas, por exemplo, na língua portuguesa, foram proibidos, além de limitar11 o uso, mesmo nas interações familiares, de línguas “estrangeiras”.
Pode-se observar que a visão expressada pelo aluno mostra que ele não apenas acredita que todos no Brasil falam exclusivamente português, mas também que o português é igual em todas as línguas (“Veja professor onde quer que você vá no Brasil, todo mundo fala o mesma língua, todo mundo fala português!”). Bagno critica fortemente essas duas questões e nos diz que tais mitos são muito prejudiciais, pois ao apagar a diversidade multilíngue e linguística do português no Brasil, a escola se apropria12 e naturaliza essas visões, e funciona como um lugar normalizador, com o objetivo de aproximar todos elemento e/ou realidade desviante para o espaço “igualitário” da norma.
VERTENTES DE PESQUISA SOBRE O BILINGÜISMO
A expansão do conceito de bilingüismo
Vimos que o conceito de diglossia foi desenvolvido e explicado em termos de identificação das funções das variedades: a alta variedade era utilizada para fins acadêmicos, religiosos e burocráticos, enquanto a baixa variedade em situações mais informais, como entre amigos e familiares, por exemplo. Fishman percebeu a limitação e propôs uma extensão conceitual, uma vez que a distinção binária de alta variação/baixa variação apagava a situação em que três ou mais línguas faziam parte de um repertório de uma determinada comunidade de fala, impedindo-nos de ver os diferentes graus de relações entre diferentes idiomas.idiomas. Até porque a visão comum do que era entendido pelas comunidades baseava-se em agrupamentos homogéneos que partilhariam valores linguísticos e culturais comuns, onde haveria uma relação harmoniosa nos fenómenos de contacto linguístico.
Nele, as ações são consideradas previsíveis e os sujeitos estabelecerão uma relação estável e sem conflitos nos usos das variedades. A partir desse novo cenário social, os pesquisadores passam a reconsiderar o conceito de diglossia numa perspectiva de conflito, cuja tradição de pesquisa é hoje chamada de “Sociolinguística da Periferia”. Os sociolinguistas que subscrevem esta tendência vêem o conflito como uma parte inerente e constitutiva da dinâmica social, e os seus interesses de investigação residem não apenas em descrever as diferentes funções entre as línguas (como fez Ferguson), mas também em explicar como e porquê as línguas são socialmente diferenciados.
Nesse sentido, a relação entre as línguas será necessariamente, como aponta Maher, uma relação de conflito instável e assimétrica entre a língua dominante e a dominada. Portanto, o foco ao estudar o fenômeno da diglossia deve levar em conta as relações sociais de desigualdade, que nos direcionam para a história social das comunidades de falantes de línguas minoritárias.
A contribuição da Sociolingüística Interacional
O BILINGÜISMO NA COMUNIDADE SURDA
O sujeito bilíngüe
Ser bilíngue não é a soma de dois monolíngues perfeitos – esse conceito já foi comprovado como uma idealização. Indivíduos bilíngues não precisam apresentar domínio e/ou domínio de duas línguas semelhante ao de um falante nativo - o bilinguismo não utiliza as línguas de forma equilibrada e ideal (esta visão foi defendida por Bloomfield em 1933 quando ele afirmou que o bilinguismo deveria ter “o domínio de duas línguas de maneira semelhante à da língua materna”);. A escolha e/ou utilização de uma língua em detrimento de outra dependerá de vários factores: desactivação de uma língua em função do interlocutor em questão, da função da interacção, da adaptação à situação, tema, contexto, etc.;
A escolha de uma língua em detrimento de outra pelo indivíduo bilíngue também é influenciada por fatores como a necessidade de reafirmação da identidade étnica ou social, do gênero discursivo ou do estado emocional no momento da interação comunicativa, e todas essas variáveis podem afetar o desempenho do indivíduo bilíngue. um idioma. idioma do que no outro.outro;. A mistura de línguas nas falas de indivíduos bilíngues não ocorre por acaso e cumpre funções importantes nas comunidades que as utilizam. Contudo, vale ressaltar que as misturas de línguas estão sempre sujeitas à estigmatização em todos os contextos (considere, por exemplo, a discussão mencionada acima sobre as outras diferentes formas de comunicação entre surdos e surdos ouvintes);
Com base no seu comportamento, é correto dizer que um bilíngue é capaz de produzir afirmações significativas em duas (ou mais) línguas, dominar pelo menos uma habilidade linguística (leitura, escrita, fala, compreensão auditiva) na segunda língua e usar diferentes habilidades linguísticas. idiomas de forma intercambiável. Com base na visão sócio-funcional do bilinguismo, podemos afirmar que os sujeitos bilíngues adquirem e utilizam línguas dependendo da finalidade, dos diferentes contextos e interlocutores, sendo que o desempenho em ambas as línguas é sempre variável.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nele iniciamos a discussão sobre a diversidade linguística nas escolas e na sociedade brasileira, cujo objetivo era desconstruir o mito do monolinguismo, que se perpetua persistentemente nas salas de aula em favor da homogeneização, e, nesse sentido, a visão de valorização e incentivo da pluralidade linguística e cultural na vida educacional brasileira. Existem diversos contextos bilíngues/multilíngues, de minorias linguísticas, que podem ser identificados no Brasil, e pensar nessa realidade é de extrema importância para a sua formação, pois é a realidade em que você, futuro professor de línguas, irá atuar. Também fizemos um breve histórico (unidade 6) sobre as teorias e aspectos que cercam o fenômeno do bilinguismo, e destacamos o bilinguismo social como um interesse de pesquisa baseado nas influências das escolas estruturalistas e funcionalistas, o bilinguismo articulado a partir de uma perspectiva de conflito é tradicionalmente chamado de " Sociolinguística Periférica" e o bilinguismo considerado na abordagem de pesquisa da Sociolinguística Interacional.
Enfatizamos que uma perspectiva bilíngue/multilíngue deve reconhecer e valorizar todas as variedades, independentemente do seu prestígio e status linguístico. Reflexões sobre a prática como fonte de temas para projetos de pesquisa em formação de professores de LE.