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LINGUAGENS E REPRESENTAÇÕES DELMA REIS

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Academic year: 2023

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Desde então, a proposta de uma pedagogia da ruptura permanece uma questão em aberto para a teoria da Análise do Discurso. A questão que norteia este trabalho de pesquisa é a seguinte: até que ponto a teoria da pedagogia de Paulo Freire pode responder ao impasse que cerca a pedagogia da ruptura que se elabora na teoria materialista do discurso.

Tendência revolucionária: Processo discursivo e condições ideológicas de

20 do aparato ideológico do Estado, porém, é determinado pela ação da luta de classes no espaço infraestrutural que provoca o colapso da superestrutura. Nesta reivindicação, Pêcheux apela a uma possível transformação das relações de produção através do funcionamento dos aparelhos ideológicos de Estado.

Inconsciente psicanalítico: Do ritual sujeito à falha

Isso se deve à sua abordagem do sujeito cindido da psicanálise, um sujeito do inconsciente que não se permite submeter-se completamente à ideologia. E na criação, Pêcheux destaca um modo de resistência que envolve a prática imprevisível de um sujeito inconsciente.

Sob a via oposta do trajeto autopedagógico

Ela define o discurso educacional autoritário como “um discurso circular, isto é, uma forma institucionalizada de falar das coisas, que se garante, garante a instituição da qual se origina e à qual se destina: a escola”. (Idem, p.28). Como sujeito que escuta a fala do outro, sem preconceitos, o bom educador fala e fala a partir da sua posição de inventividade.

A escola e o modo de produção capitalista

Ao pensar em possíveis soluções ou pelo menos em uma prática que fizesse justiça a um projeto pedagógico de ruptura com as relações capitalistas de produção e reprodução que subjugam as classes dominadas, olhamos à distância a prática de Freire. Este processo alienante põe em movimento estas relações de produção, criando o efeito de naturalizar a exploração através das lentes da necessidade. O céu não é o limite para o capitalismo, que está sempre pronto para se conquistar, no qual as pessoas são o suporte vivo deste modo de produção explorador.

Tal criação revolucionária da produção traz a sinalização de que nada mais será como antes, sua dinâmica é se metamorfosear às custas da degradação humana, sendo mais relevante do que o existente. Também não há dúvida de que o modo de produção capitalista e as correspondentes condições económicas dos trabalhadores são diametralmente opostas a estes fermentos transformativos e ao seu objectivo, a eliminação da antiga divisão do trabalho." Um comentário trazido por Marx (Idem, p. 73), que se coloca como questão, prende a nossa atenção e, ao refletir, começa a ganhar um novo significado: "Até que ponto a grande indústria, quando atinge um determinado nível, revoluciona o regime material de produção e suas relações sociais também revolucionam as mentes.

A escola moderna

Gramsci observa ainda que uma nova tendência de ensino surgiu junto com o auge da industrialização, em oposição à desinteressada, que traz o modelo de escola especializada em formação profissional voltada para a classe trabalhadora, promovendo uma cultura de produtividade. O aspecto mais paradoxal é que este novo tipo de escola surge e é elogiado como democrático, quando na verdade não só visa preservar as diferenças sociais, mas também cristalizá-las em formas chinesas. Este processo de mudança produziu uma crise que culminou no descrédito do anterior tipo de escola tradicional.

Contudo, este modelo de escola para as pessoas que confere ao trabalhador manual uma qualificação certificada não lhe dá condições de progredir ao ponto de se tornar, por exemplo, um gestor. No entanto, a China combinou o modelo escolar e o sistema educacional mais rígidos em termos de educação com profissionalização e isso continua até hoje. Os alunos que pretendem concluir o ensino superior vão para uma escola preparatória para o vestibular, por outro lado, aqueles que desejam apenas obter um curso técnico profissional irão para uma espécie de escola especializada, essa formação de qualificação dura geralmente pelo menos metade o tempo de ensino superior, então o custo também é menor.

A escola no Brasil

Também neste sentido, o privilégio da educação só era possível para a elite, deixando de fora os filhos dos imigrantes, os filhos dos ex-escravos e o resto da população pobre sem etnia específica. 52 garantem o acesso à educação e tornam obrigatória a todos os cidadãos uma educação justa que lhes proporcione os princípios básicos da educação. É por isso que não há explicação - fora o "atraso cultural" - de uma escola pública como a nossa, em qualquer lugar do Brasil, suavemente sonora, prolixa e antidemocrática, sem diálogo, fugindo da realidade circunstancial de que se o seu encontro com ela significou um pecado terrível que você deve evitar.

Parece-nos, ao contrário, que em todo Brasil a escola primária deve ser algo que responda às condições do traçado. Seja qual for o destino dos nossos alunos, a escola primária é um “veículo” inadequado. Aqui podemos observar os argumentos que Freire apresentou para transformar o modelo de escola pública que regia a educação básica e criticar o método de ensino-aprendizagem por eles utilizado.

O movimento freireano

Mesmo com o fim deste governo, este modelo de escola continuou, optando pelos interesses de uma minoria que detém o poder e vive da ambição pelo capital. Mais livros e artigos começaram a ser escritos para falar de seu trabalho pedagógico e de seu método pioneiro de alfabetização por meio da educação popular, além de reuniões para discutir essa nova teoria de educação libertadora. O Movimento Popular de Educação e Cultura27 se expandiu com a criação de círculos de cultura que substituíram as salas de aula e nos quais se experimentou uma nova forma de ensinar jovens e adultos a ler e escrever.

Nessas circunstâncias positivas, surgiu a possibilidade de realizar a aplicação do método Paulo Freire no Rio Grande do Norte, a convite da Secretaria de Estado da Educação, com um número muito maior de analfabetos, cerca de trezentos. É retirado de matéria publicada em 1964 no jornal O Globo, intitulada: Grupo revolucionário pelo método Paulo Freire condena Sandra Cavalcanti. Tornou-se Ministro da Educação de São Paulo e criou o MOVA (Movimento pela Alfabetização), que se popularizou em todo o país.

Pedagogia doutrinária x Pedagogia crítica

O efeito de seu método foi tão produtivo que se tornou uma autêntica abordagem freireana que influenciou e continua influenciando, impossibilitando falar em ensino/aprendizagem de qualidade no Brasil, inclusive no mundo, sem relembrar sua prática. No caso das sociedades latino-americanas, geralmente apresentadas como sociedades fechadas desde as conquistas espanhola e portuguesa, desenvolveu-se uma cultura do silêncio. Mas não fazem isso ostensivamente, pelo menos não de forma que identifiquem os responsáveis, trabalham com fingimento, o que Freire enfatiza.

Dessa forma, na dialética dessas relações constitutivas, o Eu e o Tu tornam-se dois Vocês que se tornam dois Eus. Em vez disso, há sujeitos que se encontram para expressar o mundo, a sua transformação. Além dessa relação disciplinar, são invocadas nas esferas sociocultural e política as relações Eu-Tu, relações que se estabelecem entre os oprimidos na sociedade, que exigem a enunciação desses sujeitos no espaço de suas experiências.

Dispositivo Teórico-Analítico

Isso significa que a questão gira em torno de um objeto que ocorre sob determinadas condições de produção, indicando um problema que independe da visão individual. É através da problematização da interpretação que Pêcheux desenvolve sua ferramenta teórico-analítica, levando em conta a opacidade da linguagem, os escorregões no jogo do dito e do não dito, entre outros fatores do domínio simbólico. É por isso que distinguimos entre o instrumento teórico de interpretação, tal como o tematizamos, e o instrumento analítico construído pelo analista em cada análise.

Embora o dispositivo teórico inclua o dispositivo analítico, quando nos referimos ao dispositivo analítico, pensamos no dispositivo teórico já “individualizado” pelo analista em uma análise específica. Somente na AD existe esse movimento dialético entre análise e teoria, sem nenhuma sobreposição, mas diálogo para a construção do próprio aparato teórico-analítico. A AD não possui um aparato teórico rígido e imutável, mas se configura pela mobilização de noções e procedimentos analíticos específicos para responder à questão de pesquisa em questão.

Experiência em Angicos (1963)

76 abordamos estas pessoas com base em conversas informais para despertar o seu interesse e, assim, aceitar a participação na experiência de alfabetização. Dinamicamente, novos elementos emergem no debate para reconhecimento, facilitação do processo de alfabetização e também politização. Com essas considerações podemos resumir o que foram as 40 horas38 de alfabetização em Angicos a partir do Diário de uma experiência de Carlos Lyra (1963), um dos coordenadores do programa.

Todo esse processo exposto foi repetido nas horas seguintes com as 16 palavras geradoras40 e seus respectivos mapas motivadores num trabalho dialógico de alfabetização e politização. Isso foi um desabafo diante de alguns problemas que surgiram no final do curso de alfabetização. A última hora confirmou o sucesso da experiência, a sua comprovação científica, com base nos resultados dos testes de alfabetização e politização realizados.

O funcionamento das materialidades discursivas

Dando continuidade ao processo discursivo, analisemos as relações de força e de sentido que se estabelecem no âmbito do que pode e deve ser dito e que se baseiam em formações imaginárias dos sujeitos do discurso. Temos o discurso de um presidente que afirma querer o cumprimento dos direitos civis, amparados pela Constituição brasileira. Há a promoção de uma pedagogia colaborativa, horizontal, não autoritária, que pretende ser emancipatória ao afirmar a existência de um povo que tem sabedoria e poder de expressar opiniões, desde que devidamente alfabetizado e politizado.

Apesar das inconsistências, esta noção de povo é o que se projecta no discurso do governante, a noção de soberania política/democrática relativa à situação política. O exemplo refere-se a uma possível emancipação, temos a narrativa de um sujeito que se viu em péssimas condições de trabalho, nomeadamente o sistema barracão. As condições de produção do personagem na narrativa deram-lhe a possibilidade de estar na posição de sujeito de direitos ao compreender que se encontrava em situação de exploração e ao agir para evitá-la.

Interessa-nos destacar o que está latente no questionamento, parafraseando: o trabalho está condicionado às relações de produção e de contradição, e por isso é assim. Possibilitada pela mobilização de sentidos de um profissional estudante que fala, que traz para a fala o que ousa pensar onde fala.

Referências

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