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LUÍS HENRIQUE DE OLIVEIRA O ... - LPH - UFOP

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Academic year: 2023

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Segundo Fragoso3, com o declínio da mineração, a população mineira está se voltando para atividades como a agricultura e a pecuária, voltadas para o mercado interno. Mas destaca que mesmo em seu auge, a mineração não excluiu as atividades agrícolas de seu espaço econômico. A hipótese inicial de nosso trabalho é mostrar que na Freguesia de Guarapiranga, como diz Francisco Eduardo Andrade, havia a presença de a.

No entanto, em relação à nossa segunda hipótese, encontramos alguns resultados discordantes, pois encontramos sinais de dinamismo econômico na economia local. No entanto, examinaremos se esse mercado interno realmente atingiu um nível de dinamismo econômico e se, com isso, tem participado de circuitos comerciais inter e intrarregionais.

Contextualização da Região

Agricultura, Pecuária e Mineração

Porém, neste primeiro capítulo faremos uma análise mais ampla e coletiva dessas atividades, deixando uma análise mais específica e detalhada para os próximos capítulos. Por meio dos cálculos, é possível elaborar uma tabela que mostre claramente a importância de cada atividade produtiva para a economia local.

Guarapiranga – 1780-1820

  • Agricultura Roceiro
    • A Utilização da Mão-de-obra escrava
    • Mariana e Piranga: Entre a Comarca e a Freguesia
  • Dinâmica Econômica
    • Posse de escravos

A cultura mais difundida e antiga, na região de Mariana, era o milho, consumido na forma de farinha ou farinha. Podemos então afirmar que a região de Guarapiranga, mesmo para o seu produto mais cultivado, o milho, era uma região voltada para o autoconsumo, ou seja, produziu principalmente com o abastecimento local em mente. As Listas Nominativas são outro tipo de documento que utilizamos para demonstrar o caráter agrícola da região de Guarapiranga.

Só o esgotamento das terras – recursos agrícolas ou minerais – e a dificuldade de restauração das florestas possibilitavam a criação de gado, exceto para os necessários serviços de tração (nos engenhos) ou transporte29. Portanto, a mineração, que já não tinha a importância que tinha para a capitania de Minas Gerais, também não terá para a região de Guarapiranga. Na região de Guarapiranga, a presença predominante de camponeses, porém, como mostra Ciro Flamarion Cardoso, não impede a utilização de mão de obra adicional fora do núcleo familiar38, que no caso de.

Portanto, pelo número de escravos dedicados ao garimpo, que são poucos em relação ao total encontrado, podemos reafirmar o caráter secundário do garimpo. Grande parte dos bairros que compunham o Termo de Mariana, ou pelo menos na forma que se manteve até o segundo quartel do século XIX, localizava-se na Zona da Mata. A abordagem ecológica de uma determinada região, aqui no caso uma determinada região de Minas Gerais, contribuiu para um maior aprofundamento da mesma.

Uma das principais regiões que sustentariam Mariana, em termos de produção agrícola, é a Zona da Mata, e dentro dela Piranga. É uma região de fronteira agrícola, ou seja, composta por povoados tipicamente rurais que surgiram a partir da derrubada de matas. No entanto, o que poderia ter representado um prejuízo real para a cidade de Mariana foi a fragmentação territorial do Termo, que se dará a partir de meados do século XIX.

Apesar de se caracterizar como uma área voltada para a produção de alimentos, voltada principalmente para o abastecimento da população local, a região de Guarapiranga caracterizava-se por uma economia dinâmica e crescente, e é isso que tentaremos mostrar ao longo deste capítulo. Porém, um dado muito importante é que com a expansão da agricultura e da pecuária, ocorre uma desconcentração da propriedade escravagista, ao contrário da mineração, onde a concentração era um pouco mais acentuada.

Tabela III. Distribuição da ocupação dos chefes de domicílios do  distrito de Manja-Léguas – 1819.
Tabela III. Distribuição da ocupação dos chefes de domicílios do distrito de Manja-Léguas – 1819.

Nº de Escravos Nº de Proprietários % de Proprietários

Uma economia em crescimento

Com as características apresentadas até aqui, e com outras que serão elucidadas no decorrer do trabalho, a comuna de Guarapiranga parece ser uma região típica, e que muito contribui para a conversa sobre o complexo camponês-agrícola. Como vimos, trata-se de uma região agrícola, caracterizada pela presença de pequenos proprietários, inicialmente voltados para o autoconsumo. Entretanto, apesar da predominância de atividades agropecuárias, Guarapiranga mostrou-se uma região dinâmica que buscou diversificar suas atividades econômicas.

Considerando a Tabela II que trata da ocupação dos chefes de família neste distrito, verificamos a presença de homens que viviam de ofícios, ferreiros, p. Notamos pela tabela que os chefes de família que se sustentavam da ocupação ocupavam o terceiro lugar na distribuição das ocupações, perdendo apenas para os que se sustentavam da agricultura e outros empreendimentos. A presença desses comerciantes é, portanto, de fundamental importância para verificarmos que a região tinha uma economia dinâmica e, em certa medida, uma economia mercantil, pois esses comerciantes podiam ser donos das vendas e, assim, comprar o excedente da produção do agricultor e, assim, criando uma rede de mercado local.

Um exemplo que pode ser dado, pela documentação, no caso os inventários, refere-se à proprietária D. Francisca Cândida de Oliveira Sande59, residente na região de Pirapetinga.60 Depreende-se de seu inventário que, em 1820, ela possuía um produção de 74 arrobas de algodão e 10 arrobas de café, e que o valor dos produtos ainda não poderia ser consignado, pois ambos foram enviados para o Rio de Janeiro, e que o preço seria declarado assim que o gerente voltasse. 60 A região de Pirapetinga atualmente refere-se ao distrito de Santo Antonio do Pirapetinga, podendo ser, embora utilizemos a Lista Nominativa de Manja-Léguas, tomada como exemplo, por ser uma região que tem seus limites territoriais com este . .

Portanto, este exemplo mostra, com base na documentação analisada, que a freguesia de Guarapiranga é uma região que tinha características de produção para consumo próprio, mas que também esteve pontual ou continuamente ligada ao mercado. A região de Guarapiranga, apesar de produzir principalmente para consumo próprio, apresenta sinais de desenvolvimento e características de dinamismo e crescimento econômico. Outro fator que pode indicar que se trata de uma economia que apresenta índices de sucesso e que pode nos dar pistas sobre possíveis relações econômicas geradas na região é a frequência de dívidas em que os proprietários estiveram envolvidos.

Dívidas Nº de proprietários % de proprietários

Força da Tradição

  • A hierarquia nos investimentos
  • Guarapiranga: Tradição x Inovação
    • Cultivos e Produtos
    • Técnicas e Instrumentos: Investimentos e inovações

Após análise dos dados, constatamos que a Freguesia de Guarapiranga não foge das características do Termo de Mariana. Assim, nessa economia, onde era importante a incorporação contínua de mão de obra e terra, o investimento em instrumentos e técnicas agrícolas e artesanais ficava em segundo plano e representava apenas 0,40% e 0,21% da riqueza total da freguesia de Guarapiranga. é uma economia em que a terra e o trabalho eram essenciais para a reprodução do sistema e para o crescimento da produção, ou seja, um sistema de produção extensivo, não intensivo. Portanto, a análise a seguir visa trabalhar com setores importantes da economia rural, e que mais interessam à nossa análise, ou seja, verificar até que ponto havia complexidade de técnicas e cultivos na freguesia de Guarapiranga.

Através dos dados coletados para a freguesia de Guarapiranga, podemos perceber que a região não difere muito das características de Minas Gerais em termos de preferências produtivas. Mas o importante é perceber que no Termo de Mariana e na freguesia de Guarapiranga praticamente não havia produção de lavouras estritamente voltadas. É o que verificamos para a freguesia de Guarapiranga, (Tabela I; Capítulo I), onde 45,7% dos proprietários possuíam unidades produtivas onde predominava a agricultura.

Portanto, no município de Guarapiranga encontramos uma situação um tanto diversificada, pois a região possui características tradicionais, com predominância do cultivo de produtos como milho e feijão, e ao mesmo tempo desenvolve atividades voltadas para a exportação, como como a produção de aguardente, açúcar e uma importante produção pecuária. Portanto, na tabela X, o valor total de Monte-mor refere-se à soma dos valores contidos nesses 14 inventários. A Tabela X nos fornece dados muito interessantes, pois nos mostra o valor total dos produtos e sua participação percentual no valor total de Monte-mor.

De acordo com esses dados, podemos concluir que a freguesia de Guarapiranga se dedicava mais ao cultivo de produtos autossuficientes, como o milho, que tinha pouco valor na sociedade, e em menor escala, dedicava-se ao cultivo de mais valorizados no mercado, como cana-de-açúcar, açúcar e café. Portanto, percebemos que na freguesia de Guarapiranga, apesar da presença de atividades que não visavam a sobrevivência, ainda predominam produtos que representam a base tradicional da produção e alimentação mineira. Neste tópico, tentaremos analisar o valor que esses instrumentos tiveram na composição das unidades produtivas e, sobretudo, as inovações ou apegos às formas tradicionais de instrumentalização na freguesia de Guarapiranga.

A Tabela XI relaciona todos os implementos de trabalho, agrícolas e artesanais descritos nos inventários póstumos da Freguesia de Guarapiranga, bem como a quantidade encontrada e o valor total apurado. Ao analisar a Tabela XI, vemos que a freguesia de Guarapiranga não apresenta características diferentes do termo Mariana no que diz respeito à instrumentalização do mundo agrícola.

Tabela VIII: Composição da riqueza nos inventários de Guarapiranga  – 1780-1820
Tabela VIII: Composição da riqueza nos inventários de Guarapiranga – 1780-1820

Considerações Finais

No entanto, devemos entender que o uso dessas técnicas no Brasil colonial não é uma questão de ignorância. Segundo Fragoso, tratávamos de um sistema de uso da terra: “em que a disponibilidade de florestas substituía o trabalho extra na fertilização do solo ou um longo período de pousio”. as deficiências do solo são usadas com mais frequência do que o necessário para aumentar a produção. Algumas regiões, inclusive a freguesia de Guarapiranga, apresentam índices de crescimento, o que pode ser observado na evolução de Monte-Mor, que apresenta valor médio superior ao próprio Termo, por serem regiões sujeitas à transição para atividades agropecuárias .

A freguesia de Guarapiranga caracteriza-se como uma região promotora de atividades agropecuárias e, portanto, caracterizada pela presença de agricultores. Para a região, encontramos indícios que comprovam a presença de uma economia camponesa, como o domínio em Guarapiranga de proprietários de pequenas fazendas escravistas. Com isso, rapidamente concluímos que nessas unidades produtivas os escravos não eram a principal força de trabalho, complementando o trabalho familiar, caracterizando assim a região como uma área caracterizada por uma economia agrícola familiar.

No entanto, esta freguesia caracterizava-se por um campesinato surgido dentro do próprio sistema escravocrata, onde o senhor trabalhava ao lado do escravo. É um campesinato caracterizado pela ética da existência, ou seja, por um agricultor que procura evitar riscos e que encontra na pobreza a sua segurança. A partir dos dados coletados, verificamos que a sociedade local manteve suas características tradicionais, como os produtos cultivados que predominam os produtos de subsistência, as técnicas e utensílios utilizados, e caracteriza-se como uma região avessa a inovações produtivas.

Apesar do forte apego às formas tradicionais de reprodução da sociedade, no entanto, encontramos na documentação informações que indicam a existência de atividades que não visavam o abastecimento da economia local. Além disso, podemos dizer que será uma espécie de agricultor racional, pois investe em atividades que não visam apenas a subsistência. Dessa forma, podemos dizer que nossa hipótese está parcialmente comprovada, pois de fato encontramos no município de Guarapiranga, um mundo agrícola.

Imagem

Tabela III. Distribuição da ocupação dos chefes de domicílios do  distrito de Manja-Léguas – 1819.
Mapa III - Zoneamento agroclimático do Estado de Minas Gerais.
Tabela IV: Posse de escravos em Guarapiranga – 1780-1820.
Gráfico I - Proporção de escravos  e livres na composição  dos domicílos com plantéis entre 1 e 15 escravos -
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Referências

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