Dissertação apresentada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação. A prática de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas classes regulares: um estudo de caso com abordagem etnográfica / Kátia da Silva Machado.
Introdução
Um longo período de exclusão total
A ideia de que a deficiência era um processo natural expandiu-se no século XVII, com o desenvolvimento da Medicina e, consequentemente, o avanço da tese da organicidade. Ainda no século XVII, e com maior força no século XVIII, surgiu um novo conceito de cuidado às pessoas com deficiência: o paradigma da institucionalização.
Da segregação à inclusão escolar
58, que a Educação Especial faz parte da Educação Básica e deve ser oferecida, se possível, na rede regular de ensino para portadores de necessidades educacionais especiais. O trabalho do professor itinerante na inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais será relatado no Capítulo 3.
Evolução das matrículas de portadores de necessidades educativas especiais na Educação Básica
Primeiramente, porém, vale destacar também a evolução das matrículas no Brasil de alunos com necessidades educacionais especiais para que tenhamos conhecimento de como esses alunos são integrados ou incluídos no sistema de ensino, ou seja, qual a tendência nos serviços que estão sendo oferecidos. entregue. às pessoas com deficiência em nosso país. Em 1998, quando os censos escolares passaram a registrar separadamente as matrículas de alunos com necessidades especiais nas classes regulares com ou sem apoio, a matrícula dos alunos incluídos nas classes regulares era igual a 15% do total. Nota: Número de alunos com necessidades educativas especiais que recebem atendimento especializado em escolas especializadas exclusivas ou em turmas especiais em escolas regulares.
Nota: Número de alunos com necessidades educativas especiais que frequentam aulas partilhadas com outros alunos, sem ou com apoio pedagógico especializado, nos níveis de educação pré-escolar, ensino primário, ensino secundário, educação de jovens e adultos/ensino complementar ou profissional. Apesar do crescimento na matrícula de alunos com necessidades especiais nas classes regulares, os dados mostram que nos últimos anos as matrículas ainda estão concentradas em escolas privadas e departamentos especiais. O avanço desta proposta depende de um conjunto de condições que permitam à maioria dos alunos com necessidades especiais ter uma educação eficiente e bem-sucedida nas escolas regulares.
Adaptando o currículo para a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais
Quando se trata de alunos com necessidades especiais, segundo Rodrigues (2001), o desenvolvimento curricular deve ser focado. Esse é o aspecto central quando se pensa em um currículo que atenda ao processo de ensino-aprendizagem de alunos com necessidades especiais. Portanto, adaptar um currículo para incluir alunos com necessidades especiais é um processo dinâmico.
Segundo Ruiz (1986, apud CORREIA, 1999), as adaptações curriculares consistem em eliminar, introduzir ou alterar alguma meta, conteúdo ou atividade do currículo geral, bem como priorizar determinados conteúdos de acordo com o processo de aprendizagem do aluno e alterar o tempo esperado para alcançar os objetivos propostos. Nessa perspectiva, notamos que o currículo é a ferramenta que os educadores utilizam para organizar o processo de ensino-aprendizagem de uma escola e que, portanto, deve passar por mudanças para incluir os alunos com necessidades especiais. Vale lembrar que ao fazer a avaliação de alunos com necessidades especiais, eles não devem ser considerados como alunos inferiores ou incapazes de aprender.
Necessidades educativas especiais, de que estamos falando?
Dessa forma, as atividades que os professores propõem em sala de aula devem promover o pleno desenvolvimento do aluno. Em suma, adaptar o currículo exige saber quem são os alunos em questão e, em última análise, compreender o que são e quais são as suas necessidades educativas especiais. O termo “necessidades educacionais especiais” estará, portanto, associado a dificuldades de aprendizagem que não estão necessariamente relacionadas à deficiência (MEC/SEESP, 2003).
O conceito de necessidades educacionais especiais surgiu para evitar os efeitos negativos de termos utilizados no contexto da educação, como deficiente, excepcional, subnormal, superdotado, deficiente, etc., evitando assim o rótulo ou estigma. Assumimos, discutido nos dois primeiros capítulos, que a educação inclusiva visa proporcionar aos alunos com necessidades educativas especiais um acesso alargado às classes regulares. Que ajustes foram feitos no projeto pedagógico e curricular das escolas para incluir os alunos com necessidades educacionais especiais nas classes regulares?
Metodologia
Como salienta André (2003, p. 49): “por um lado, um estudo de caso etnográfico permite uma visão profunda e ao mesmo tempo ampla e abrangente de uma unidade complexa, mas, por outro lado, requer uma visão intensiva e trabalho de campo de longo prazo. ", que permite descobrir aspectos novos ou pouco conhecidos do problema estudado. A possibilidade de realização de um estudo de caso com abordagem etnográfica também foi feita no que diz respeito à singularidade da situação, pois esta metodologia é extremamente útil para a compreensão de problemas, dificuldades e compreensão da dinâmica da prática educativa e das relações entre os sujeitos envolvidos no estudo. caso. Ainda segundo André (2003), o que caracteriza um estudo de caso etnográfico é o interesse em conhecer uma determinada instância – seja ela uma instituição, uma pessoa ou um programa específico – na sua complexidade e totalidade e por ser descritiva e indutiva.
Uma das vantagens do estudo de caso etnográfico - sublinha o mesmo autor - "é a possibilidade de fornecer um quadro profundo e ao mesmo tempo amplo e integrado de uma unidade social complexa, constituída por muitas variáveis e pela sua capacidade de retratar situações diretas de o dia escolar, sem prejulgar sua natural complexidade e dinâmica" (ANDRÉ, 2003, p. 52). Se o estudo de caso, segundo Walker (1980, apud ANDRÉ, 2003, p. 55), deve ser um retrato vívido do situação a ser investigada, “o pesquisador tem assim uma certa obrigação de apresentar as diversas interpretações que a Etnografia se preocupa em compreender as relações entre grupos sociais, dados que não podem ser coletados simplesmente perguntando aos informantes.
Procedimentos preliminares
No que diz respeito à etnografia, é interessante ressaltar que esta palavra vem do grego ‘túmulo(o)’ e significa: escrever sobre, escrever sobre um determinado tipo – uma ‘ethn(o)’ – ou uma determinada sociedade (MATTOS , 2003). Etnografia significa, portanto, escrever sobre outras pessoas ou determinados grupos sociais, com o objetivo de compreender as relações entre eles. Essa metodologia foi aplicada inicialmente por antropólogos preocupados em compreender as sociedades desconhecidas e sua cultura – costumes, valores, línguas, representações, crenças – a partir das interações mediadas pelos sujeitos que as compunham.
Os critérios para seleção da unidade escolar a ser estudada foram, além da inclusão dos alunos especiais, a disponibilidade e aceitação dos professores e do coordenador pedagógico em participar do estudo, respondendo às entrevistas e permitindo a observação de sua prática.
Cenário de pesquisa
Desse total, três tinham necessidades educacionais especiais – dois “cadeirantes”10 (uma menina com paralisia cerebral e um menino com deficiência física) e uma menina com deficiência auditiva. Tratava-se de um professor especialista que prestava apoio pedagógico em sala de aula, durante o horário escolar, procurando ir ao encontro das necessidades dos alunos em questão. Havia apenas um professor, mas o aluno com necessidades especiais em questão recebia atendimento do professor itinerante no mesmo horário, a cada quinze dias11.
Por se tratar ainda do segundo ano do 1º ciclo, e seguindo as orientações do KMO, nenhum aluno fica retido nesta série, entendendo-se que os processos de leitura, escrita e os principais objectivos deste ciclo são aprendidos no terceiro ano e podem ser concluído.
Caracterização dos participantes
Quatro sujeitos12 fazem parte desta pesquisa: o aluno com necessidades educacionais especiais; o professor da turma; o coordenador pedagógico; e o professor de Educação Física. Chamaremos a aluna Clara, a professora da turma Joana, a coordenadora pedagógica Rita, a professora de Educação Física Fátima e a professora itinerante Paula. Segundo relato da professora da turma (posteriormente confirmado pela observação da pesquisadora), o aluno não era alfabetizado e apresentava dificuldades de comunicação com a turma até o ano anterior.
Joana, a líder da turma, tinha 57 anos e trabalhava como professora primária há 35 anos. Formou-se em pedagogia e em 2004 especializou-se em educação especial na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Fátima, professora de educação física, tinha 50 anos e trabalhava como professora de educação física há 30 anos.
Procedimentos de Coleta e Análise dos Dados
- Observação participante
- Entrevistas semi-estruturadas
- Análise de documentos
Trabalho extenso por um longo período de tempo em campo em local específico; registro cuidadoso dos eventos ocorridos neste local: notas de campo, registros de arquivos e documentos, vídeos e fitas de áudio, memorandos, arquivos e registros; uma análise indutiva dos dados, partindo do particular para o geral e retornando de forma enriquecida; uma relação dialética entre objetividade e subjetividade; uma reflexão analítica desses documentos coletados em campo e registrando o significado em uma descrição densa e detalhada, utilizando vinhetas narrativas, citações de entrevistas, descrições de locais e situações observadas, descrições gerais em forma de gráficos e tabelas, descrições estatísticas; uma interpretação dos dados a vários níveis; preocupação com a influência da história na leitura e interpretação dos dados; e uma preocupação constante com um ponto de vista ético. Decidir o que realmente constitui o caso, como serão coletados os dados, quem será entrevistado ou observado, quais documentos serão analisados, é uma atividade que só pode ser delineada num primeiro momento, mas que é reimaginada, redefinida ao longo da pesquisa. tem que ser modificado. (pág. 60). Segundo esse mesmo autor, ele deverá fazer anotações descritivas sobre o comportamento verbal e não verbal15 dos participantes da pesquisa nos eventos observados.
A observação foi realizada da seguinte forma: anotações foram feitas em sala de aula, uma manhã por semana, durante quatro meses. Dessa forma, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seus pensamentos e experiências dentro do foco principal estabelecido pelo pesquisador, passa a participar da elaboração do conteúdo da pesquisa (apud PLETCH, 2005, p. 57). Durante o período da pesquisa de campo foram realizadas três entrevistas, cujo roteiro está disponível no Anexo I: uma com a professora da turma, uma com a coordenadora pedagógica da escola e a terceira com a professora de educação física.
Procedimentos adotados para análise dos dados
Como esses documentos não podiam ser retirados da escola para serem fotocopiados, o que estava escrito nos relatórios era manuscrito em um caderno. Ao ler e reler as entrevistas e os relatos de campo, emergiram os subitens desta pesquisa. Formação Quando os professores falam sobre sua competência profissional (ou falta dela) para aceitar alunos com necessidades educacionais especiais nas classes regulares. Inclusão Quando os professores falam sobre seu entendimento sobre a inclusão de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino.
Quando os entrevistados falam em adaptações --- acesso ao currículo e adaptações pedagógicas --- costuma-se incluir alunos com necessidades educacionais especiais. Quando o coordenador pedagógico fala do apoio dado aos professores das escolas que têm alunos com necessidades educativas especiais, e quando o professor. Quando os professores falam sobre as dificuldades que enfrentam para incluir alunos com necessidades educacionais.
Necessidades Especiais percebidas
Educação
Adaptações Curriculares
Vantagens e desvantagens
Segundo a professora de Educação Física Fátima, o primeiro passo para a inclusão deve ser o acolhimento pela escola dos alunos com necessidades especiais. Para estes professores, inclusão significa resgatar a cidadania para alunos com necessidades educativas especiais. Segundo os mesmos autores, a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino exige a.
Caso contrário, os alunos com necessidades educativas especiais simplesmente frequentarão a escola sem aprender ou desenvolver nada. Ou seja, como são avaliados os alunos com necessidades educacionais especiais e como aprendem os conteúdos prévios. 6 – Número de alunos com necessidades especiais na escola (esta questão foi colocada apenas ao Coordenador Pedagógico).
16 – Fale sobre sua formação profissional em relação ao ensino de alunos com necessidades educacionais especiais. 18 – Como você realiza seu trabalho em sala de aula com um aluno com necessidades educacionais especiais? esta pergunta foi feita apenas ao diretor e ao professor de educação física).