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Mapa das desigualdades digitais no Brasil

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Academic year: 2023

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No dia 3 de julho deste ano, tivemos a oportunidade de apresentar mais um estudo na mesma área: Lápis, borracha e teclado – Tecnologia da informação na educação – Brasil e América Latina. Já assinalamos, naquela ocasião, que devido às graves limitações de dados e estudos sobre este tema, tanto no país como no resto da América Latina, prevíamos lançar, com publicação, uma série sistemática de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar a compreensão da nossa realidade continental e o planejamento de políticas na área de Tecnologias de Informação e Comunicação. E é exactamente isso que se chama de sociedade da informação e do conhecimento, um fenómeno muito novo na história da humanidade, com não mais de três décadas, mas que já deixou a sua marca em todas as áreas da actividade humana.

Inicialmente utilizada para denotar as distâncias de acesso digital que separam os países desenvolvidos dos restantes, espalhou-se a ideia de que mais importantes do que estas são as lacunas e fracturas internas que separam aqueles que têm acesso ao novo universo daqueles que não o têm. Espaços que deveriam promover a democratização do acesso, como computadores nas escolas para estudantes e centros de acesso gratuito para a população, têm beneficiado até agora em grande parte grupos privilegiados. Com este marco, sentimos que precisávamos dar um passo adiante e tentar diagnosticar e explicar as diferenças de acesso que existem em cada país e região.

E isso foi feito a partir de um conjunto sintético de indicadores capazes de discutir a situação de cada UF individualmente e, paralelamente, fornecer um retrato das áreas de atuação necessárias à formulação de políticas públicas voltadas à democratização do acesso que proporcionem condições para todos os grupos de oportunidades sociais. beneficiar de um dos instrumentos da moderna sociedade da informação. As dimensões resumem aspectos ou áreas onde ocorrem ou pretendem superar desigualdades no acesso digital.

Desigualdades de Infouso

No referido estudo, tivemos a oportunidade de identificar diversas áreas em que surgem desigualdades: diferenças geográficas, diferenças de rendimento, diferenças de raça/cor, etc.

Desigualdades Socioeconômicas

Estratégias de Superação

Indicadores de Desigualdade de Infouso

Os dois indicadores mais utilizados a nível internacional para verificar a situação e o grau de penetração da Internet são: proporção de pessoas (ou agregados familiares) que têm um computador ligado à Internet e proporção de pessoas que têm acesso à web global. Observamos pela Tabela 1 que, em 2005, 14,7% da população brasileira com 10 anos ou mais vivia em domicílios com acesso à Internet. Apesar da baixa proporção, pelo menos em termos internacionais, representa 22,5 milhões de pessoas nesta faixa etária que vivem em agregados familiares com acesso direto à Internet.

A parcela de internautas é bem maior: 21%, pois esse índice inclui todos os locais com acesso possível além de casa – trabalho, escola, postos gratuitos, centrais de pagamento e outros. Os entes federados apresentam situações ainda mais extremas, indo do Maranhão com 2,1% de pessoas com acesso domiciliar e 7,7% de usuários de internet até o Distrito Federal com 31,1%. Entre esses dois pólos estão as diversas unidades federadas e regiões, como será visto no capítulo seguinte.

Indicadores de Desigualdades Socioeconômicas

Indicadores de Estratégias de Superação

O estado de São Paulo apresenta as melhores taxas de acesso popular aos seus centros gratuitos: com taxa de utilização de 2,4% entre a faixa de menor renda. No outro extremo, Alagoas registra a menor taxa de acesso a centros gratuitos entre os setores de baixa renda: apenas 0,1% desse grupo afirmou na pesquisa do IBGE ter utilizado centro gratuito nos últimos três meses. Apesar destas limitações, este parque ainda poderá realizar um forte esforço no sentido da inclusão digital nas escolas.

Para verificar o quanto isso acontece, tomamos como referência alunos com 10 anos ou mais, que cursam o Ensino Fundamental. Ou seja, os 10% dos estudantes mais ricos têm sete vezes mais acesso às suas escolas do que os 40% mais pobres. Em outras palavras, os 50% de renda mais alta usam a Internet nas escolas públicas de ensino fundamental, 170% mais do que os alunos de renda mais baixa.

Como resultado, verifica-se que a disponibilização de acesso à Internet em espaços que deveriam funcionar como mecanismos de inclusão digital reforça, na verdade, os elevados níveis de discriminação observados no uso doméstico privado. Se as políticas públicas de desenvolvimento digital (nas instituições públicas de ensino ou nas comunidades) visaram envolver sectores com pouco ou nenhum acesso à Internet ou democratizar as condições de utilização, o resultado parece ser um reforço da concentração existente em grupos com melhores competências são. condições económicas e sociais. Uso da Internet por alunos de 10 anos ou mais de escolas públicas de ensino fundamental.

Alunos de 10 anos ou mais do ensino fundamental público que utilizavam internet na escola, segundo renda familiar per capita, 50% mais pobres (1) 50% mais ricos (2) Razão 2/1. Como ficou claro ao longo do trabalho, as diversas desigualdades socioeconômicas que caracterizam o Brasil determinam fortemente as condições de acesso aos benefícios das modernas tecnologias de informação. Em maio de 2007, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) publicou os resultados da pesquisa do seu Observatório de Políticas Públicas de Inclusão10, observando que o país teria 108 programas de inclusão digital ativos em quase 3.000 municípios em todo o país. país, por meio de 16.722 pontos de inclusão digital – PIDs.

Dado que em 2005 o IBGE registava 2,1% da população com 10 anos ou mais de idade a utilizar centros de lazer, e descontando o crescimento populacional ao longo do período, vemos que estes 2,1% de utilização em 2005 estavam actualmente a aumentar para 2,8%, uma percentagem que ainda pode ser considerado extremamente deficiente devido à já referida situação de exclusão económica e digital. No mesmo Plano, a intenção é priorizar o desenvolvimento educacional nos 2.000 municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano. A recente designação de uma coordenação nacional de políticas de inclusão digital, com o objectivo de superar a fragmentação e sectorização e tornar mais eficazes as políticas de inclusão digital.

Não descreveremos detalhadamente cada um dos programas de inclusão ou democratização digital existentes, mesmo os mais relevantes. Contudo, algumas questões importantes podem ser verificadas a partir da análise deste conjunto de iniciativas de inclusão aliada à realidade das estatísticas apresentadas. Se isso já está previsto nas propostas do PDE para o campo educacional com informatização de todas as unidades escolares, não está claro nem explícito no campo da estruturação de centros de livre acesso.

Experimentos realizados desde 2002 pelo Programa de Inclusão Digital da Escola Aberta de Pernambuco, que utiliza mais de 100 laboratórios escolares para ministrar cursos gratuitos de informática básica e acesso gratuito a computadores e à Internet, permitiram demonstrar o enorme impacto da inclusão verificar, dada a capilaridade e localização das unidades escolares selecionadas e os baixíssimos custos de implantação.

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Referências

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