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Marcha de Mulheres Negras, Rio de Janeiro:

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Academic year: 2023

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O que essa visualidade deixa como ocupação desse território na memória coletiva das mulheres negras em marcha. Comecei a acompanhar o VI virtualmente. Marcha das Mulheres Negras no Rio de Janeiro – Pela Saúde e pela Vida.

Figura 1 – Foto do Grupo Intelectuais Negras em 2014, em uma das reuniões  do grupo IPUB
Figura 1 – Foto do Grupo Intelectuais Negras em 2014, em uma das reuniões do grupo IPUB

Contando em breves narrativas nossa história de resistência

O movimento negro no Brasil apresenta politicamente um novo significado à ideia de raça, causando tensão na ordem conservadora que trabalha na construção de identidades étnico-raciais. O movimento de mulheres negras traz novos elementos ao conteúdo do movimento negro e denegri as bandeiras de batalha do movimento feminista.

Novos sujeito entram em cena no cenário Brasileiro: Mulheres negras em cena

A primeira diz respeito às contradições que marcaram historicamente a trajetória das mulheres negras dentro do movimento feminista. A história do movimento de mulheres negras no Brasil se confunde com a história da construção do Brasil contemporâneo.

Mulheres Negras e suas Transformações na esfera Pública

Os movimentos de mulheres negras e negras foram chamados a contribuir, especialmente na implementação do novo mecanismo de implementação de políticas públicas, o SEPPIR. O feminismo negro, no Brasil, surge a partir da organização das mulheres negras dentro do movimento feminista, a discussão contemporânea tem como farol a Marcha do Centenário da Abolição. Muitas vieram de áreas periféricas, demarcando sua construção no ativismo de mulheres negras e ocupando cargos estratégicos em âmbitos governamentais e acadêmicos.

A partir de meados dos anos 2000, uma geração de mulheres negras que se organizaram viam o design coletivo como um instrumento indispensável para a sua luta. Começo este capítulo discutindo meu envolvimento na pesquisa, os encontros com mulheres negras que me levaram a pesquisar a Marcha das Mulheres Negras no espaço urbano de Copacabana.

Os desafios históricos: Mulheres negras em Marcha

Minha inserção em um dos grupos de trabalho organizadores da Marcha das Mulheres Negras de 2015, em Brasília, começou no final de 2014. Um novo posicionamento político na minha perspectiva que aborda as questões das mulheres negras. A limitação que o feminismo brasileiro teve em não incluir as questões das mulheres negras contrariou a necessidade de organizar suas próprias plataformas.

A luta das mulheres negras requer a luta contra o racismo e outros segmentos da luta das mulheres. As mulheres que integram a organização Marcha de Mulheres Negras desde 2015 estão envolvidas em diversas lutas na cidade.

Gráfico 1 – Rendimento médio segundo a raça e o sexo no Brasil
Gráfico 1 – Rendimento médio segundo a raça e o sexo no Brasil

Mulheres negras não são iguais

No Rio de Janeiro, as mulheres negras formam o Fórum das Mulheres Negras, fundado no final da década de 1980, como resultado do processo de mobilização durante a primeira Assembleia Nacional das Mulheres Negras, em Valença/RJ, em dezembro de 1988. As mulheres têm desempenhado um papel importante ao longo dos anos de sua trajetória, pois define uma agenda de reivindicações, liderada por mulheres negras, discutida no Fórum de Mulheres Negras no Rio de Janeiro. Assim, a Marcha estabelece elementos da questão num projeto de justiça social e redefine a definição de vida política no exercício da cidadania e da democracia, amadurecendo o protagonismo político das mulheres negras e aumentando o empoderamento da agência das ativistas negras.

A pluralidade de pontos de vista dentro do movimento impulsiona as negociações, o que é uma marca do movimento de mulheres negras e da sua diversidade. A marcha é composta por diversos movimentos característicos do movimento de mulheres negras que compartilham uma visão de mundo oprimida pela intersecção de gênero, raça e classe.

Corpos Negros em Marcha em Copacabana

Como compreender esses processos e como a Marcha das Mulheres Negras intensificou essas políticas de visibilidade social ao trazer as questões raciais das margens para o centro, especialmente no Sul. A luta das mulheres negras pela igualdade se desenvolve durante a construção histórica do Brasil. Os protestos da Marcha das Mulheres Negras trazem as narrativas raciais para a cidade, deslocando a dimensão local para a cidade.

A Marcha das Mulheres Negras reivindica a proteção do corpo-território, onde estão localizadas as pessoas não brancas, onde estabelecem relações de trabalho, amor e bem viver. A diversidade de pontos de vista dentro do movimento promove a negociação, o que é característico do movimento das mulheres negras e da sua multiplicidade.

Figura 8 – Na zona sul, bairros de Copacabana, Leme,
Figura 8 – Na zona sul, bairros de Copacabana, Leme,

A Marcha Ressignifica o Acervo Visual Coletivo

Assim, o corpo feminino periférico, principalmente em março de diferentes faixas etárias – cruza-se quando este corpo se movimenta neste espaço, e na mobilidade entre as periferias e a zona sul. A opressão interseccional de raça e gênero em um grupo historicamente oprimido, as mulheres negras no Brasil, permitiu a construção de um pensamento social de combate à opressão, à resistência, como forma de sobrevivência e oposição à injustiça social (COLLINS, 2019). A marcha dos negros em Copacabana apresenta-se como uma visualidade pertencente a um lugar não colonial, um lugar que resistiu e hesitou a inexistência como patrimônio simbólico e material.

A VI Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro – Pela Saúde e pela Vida foi virtual. A pandemia levou organizações e coletivos liderados por mulheres negras a estabelecerem estratégias e políticas de combate ao racismo, bem como de apoio à sociedade e à população negra, situação já evidenciada pela Marcha Contra o Racismo pelo Bem Viver, em 2015, que reuniu 50 mil afro-brasileiros , brasileiros.

Figura 11 – Cartaz da VII Marcha das Mulheres Negras do RJ
Figura 11 – Cartaz da VII Marcha das Mulheres Negras do RJ

A Pandemia de Covid -19 no Brasil

As ações do governo federal no contexto da pandemia da Covid-19 aumentam o número de mortes e infecções. A aposta nos medicamentos desde o início não tinha comprovação científica de sua eficácia no combate ao coronavírus, como a cloroquina e depois se mostrou ineficaz, tornou-se um dos principais eixos do governo federal – que insistiu para que a estratégia fosse assumida pelo Ministério da Saúde, o que causou algumas divergências. Foi interrompido o repasse de recursos aos Estados, o que deixou mais de 6 mil leitos desempregados e um total de 13 mil leitos foram desativados pelo governo federal no país, ou seja, perderam o vínculo com o Ministério da Saúde para receber. transferências.

Além disso, as barreiras alfandegárias criadas pelo próprio Governo Federal dificultaram ainda mais a aquisição de insumos e equipamentos pelas unidades da federação para o tratamento de pacientes com Covid-19. O governo federal teve especial influência nas decisões tomadas no Amazonas: o novo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (maio de 2020 a setembro de 2021), foi a diversas unidades de saúde para recomendar o uso do “tratamento precoce”.

Mulheres negras, as mais afetadas na Pandemia

A estes números soma-se o facto de os negros estarem menos representados nos meios de comunicação social; têm baixíssima representatividade política no Congresso Nacional e nos locais de poder e de decisão; e também pagam proporcionalmente mais impostos, especialmente as mulheres negras (INESC, 2020, p. 136). Os negros são maioria na categoria ocupacional de trabalhadores domésticos, cabeleireiros, manicures, cuidadores de idosos, babás, faxineiros e pessoas que exercem trabalhos informais. A ajuda emergencial é uma política necessária para todas as pessoas diretamente afetadas pela Covid-19, e especialmente para as mulheres negras.

A CRIOLA, organização de mulheres negras do Rio de Janeiro, se manifesta publicamente sobre a lenta implementação de ações de proteção social, prevenção e cuidado às mulheres negras diante da pandemia do coronavírus – (COVID-19 in. Mas a invisibilidade da desigualdade racial causada pelo racismo estrutural e pelo mito da democracia racial, juntamente com o egoísmo das elites económicas e políticas, a par da lógica privada do capitalismo, agrava a naturalização da desigualdade racial e socioeconómica em tempos de Covid-19.

Das Ruas para as Redes

A VI Marcha das Mulheres Negras no estado do Rio de Janeiro, em 2019, devido à pandemia da Covid-19, foi realizada de forma virtual. As mulheres negras organizadas em aldeias, favelas e periferias têm sido ativas na denúncia do racismo e da desigualdade racial em tempos de pandemia. A marcha virtual aponta para a construção de uma nova narrativa, apesar dos desafios impostos pelas condições materiais da maioria das mulheres negras brasileiras.

Procurarei delinear reflexões sobre como o movimento social de mulheres negras e suas representações pictóricas em marcha contribuem para a construção e ressignificação do espaço urbano da Praia de Copacabana. As visuais produzidas nas Marchas das Mulheres Negras são uma forma de compreender a relação entre imagem, política, estética, gênero, raça, classe e identidade.

As imagens da Marcha no espaço público

Os negros fazem cartazes, escolhem roupas, turbantes, pintam o corpo e assim começa a construção da Marcha visual. O protesto, a construção da Marcha com o intuito de chamar os indivíduos às ruas e as redes sociais para refletirem sobre as condições em que vivem os negros na cidade do Rio de Janeiro, a visualidade se constrói. Para Butler (2018, p. 106), “as cenas de rua só se tornam politicamente poderosas – e se – tivermos uma versão visual e sonora da cena comunicada”.

Desfilando em Copacabana, as Mulheres Negras reconfiguram o espaço público, transformando-o em espaço histórico, por meio da ação coletiva, exercendo seu direito de serem vistas. Se a Marcha das Mulheres Negras acontecesse no Parque Madureira, por exemplo, não teria a mesma cobertura midiática.

Imagens de Resistência

A visualidade e a estética da Marcha das Mulheres Negras no cenário da vida pública da cidade apresentam elementos que possibilitam reflexões no espaço público sobre questões sociais que afetam as mulheres negras em diferentes níveis. Participam da marcha diversos coletivos e representações culturais, que reúnem diversas bandeiras de batalha das mulheres negras e de todos os negros. A marcha é também um apelo à dor da insegurança enfrentada pelas mulheres negras brasileiras, que se intensifica a cada marcha e a cada ano, aumentando ainda mais os níveis de exploração, especialmente das mulheres negras.

A Marcha das Mulheres Negras reúne algumas camadas de opressão e também é representada por diferentes grupos religiosos. O Atlas da Violência – que utiliza informações de saúde, e não informações de segurança pública – indica que em 2018 a taxa de homicídios de mulheres não negras foi de 2,8 por 100 mil residentes, mas entre as mulheres negras foi de 5,2 – uma taxa quase duas vezes maior.

Figura 12 (a, b, c, d) – Mulheres Negras em Marcha na Avenida Atlântica – Marcha de  Mulheres Negras, Copacabana, 2019
Figura 12 (a, b, c, d) – Mulheres Negras em Marcha na Avenida Atlântica – Marcha de Mulheres Negras, Copacabana, 2019

Imagens Reconfiguram o Acervo Visual Coletivo

A exclusão histórica significa que imagens estereotipadas de mulheres negras continuam a permear as culturas populares e as políticas públicas (COLLINS, 2019). A marcha educa visualmente uma população que em sua maioria reúne acervos visuais de mulheres negras subalternas, dilaceradas pela desesperança e pelas reais condições de seu modo de vida. Disponível em: https://www.geledes.org.br/manifesto-da-marcha-das-Mulheres-negras-2015-contra-o-racismo-e-violencia-e-pelo-bem-viver/ Acesso em: 18 de novembro

O Carnaval de Axé-Nkenda e a Marcha das Mulheres Negras de 2015: uma reflexão a partir da perspectiva feminista negra - Rosália de Oliveira Lemos, Revista Gênero, 2015. Do Estatuto da Igualdade Racial à Marcha das Mulheres Negras de 2015: uma análise das feministas negras brasileiras re ordem pública. Em 2019, Marielle Franco foi considerada uma das apoiadas pelo Programa de Aceleração de Lideranças Femininas Negras, com o projeto “Ciência da Mulher Negra: liderança acadêmica e pesquisa ativista no Brasil”, que está em andamento.

Relatora – Fórum Permanente de Mulheres Negras – Avaliação dos 30 anos do 1º Encontro Nacional de Mulheres Negras – 13º Social Mundial.

Figura 18 – Lélia Gonzales, Benedita da Silva e Abdias Nascimento na marcha “Zumbi  está vivo”, realizada no Rio de Janeiro em 1983
Figura 18 – Lélia Gonzales, Benedita da Silva e Abdias Nascimento na marcha “Zumbi está vivo”, realizada no Rio de Janeiro em 1983

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Figura 1 – Foto do Grupo Intelectuais Negras em 2014, em uma das reuniões  do grupo IPUB
Figura 2 – Foto do Grupo Intelectuais Negras – 2014, IPUB
Figura 3 – Mulheres Negras em Marcha de Mulheres Negras pelo Bem Viver, Brasília, 2015
Figura 4 – Mulheres Negras em Marcha na Avenida Atlântica – Marcha de Mulheres Negras,  Copacabana, 2019
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