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Marcone Edson de Sousa Rocca_dissertacao.pdf

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Academic year: 2023

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Ao nos depararmos com uma cena da novela Insensato Coração, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, exibida pela TV Globo em 2011, começamos a perceber o quanto a teledramaturgia utiliza elementos do folhetim francês do século XIX. construído sobre elementos herdados do melodrama do século XVIII. No segundo capítulo trataremos do romance folheado do século XIX, que mantém esse caráter popular e tenta atingir o maior número possível de leitores, a fim de promover as vendas dos jornais da época.

Da ópera se fez melodrama

Essa proximidade da arte com um público mais áspero e menos refinado no que diz respeito ao refinamento artístico e cultural é uma novidade que deve ser compreendida e estabelecida para atrair esse novo público aos teatros. Isso aconteceu de forma simples e clara, trazendo à tona a moral dos personagens nas peças para que o público não tivesse dúvidas sobre a interpretação da trama apresentada.

As personagens melodramáticas

  • O vilão
  • A heroína
  • A personagem cômica
    • As matronas
    • Os matamouros e os soldados
    • Os bobos
  • As personagens secundárias

Eram personagens que falavam com voz cavernosa e geralmente representavam desertores do exército de Napoleão, ateus, estrangeiros ou mesmo pessoas marginalizadas. Por fim, tratemos dos personagens secundários, que segundo Thomasseau eram representados pelo pai nobre, pelo personagem misterioso ou mesmo por animais.

O esquema melodramático

Estas últimas eram utilizadas no palco para despertar surpresa ou medo, ou para permitir que animais domesticados como pombos e cães participassem diretamente da intriga. Entre o segundo e o terceiro atos houve uma série de cenas que por vezes beiravam o patético, alternando entre balés, canções e intermezzos cômicos e cenas de extrema violência como duelos, batalhas ou mesmo desastres naturais.

Do melodrama se fez folhetim

O caráter comercial do folhetim

Para esse tipo de arte, toma como exemplos o teatro e o folhetim francês do século XIX. E é neste meio folhetim da primeira metade do século XIX que encontramos O Conde de Monte-Cristo de Alexandre Dumas, tratando com maestria os temas recorrentes deste tipo de produções literárias, explorando categoricamente as nuances clássicas do melodrama.

O folhetim de Alexandre Dumas

O Conde de Monte-Cristo

Dumas escreve O Conde de Monte-Cristo depois de viajar com o sobrinho de Napoleão Bonaparte quando ele passa por uma ilha chamada Monte Cristo. Segundo o próprio autor, O Conde de Monte Cristo é o resultado de uma pesquisa sobre diversos fatos do cotidiano da Paris do século XIX, conforme já mencionado nesta obra. Logo é preso e, ao chegar ao presídio, conhece o religioso abade Faria, que o transforma em um homem culto, apresentando-lhe livros de arte, filosofia, matemática, entre outros assuntos, além de lhe revelar o mapa de um tesouro escondido em uma ilha chamada Monte-Cristo.

No final do capítulo 12 da terceira parte, intitulada A Família Morrel, vemos uma cena em que Dantès conversa com Maximilien e este conta ao Conde de Monte Cristo que seu pai havia dito seu nome, Edmond Dantès, antes de morrer.

Do folhetim se fez teledramaturgia

Este último participa desse processo de comunicação como seu espectador, que reage por meio de seu público, fazendo com que tais elementos ganhem maior ou menos destaque, mudando muitas vezes o rumo da história dependendo do feedback dado pelo público que se identifica com o desenrolar da trama. . . Artur da Távola, que se dedicou à análise de gêneros televisivos, como a teledramaturgia, traça um perfil claro do que as novelas representam hoje. Távola enfatiza o diálogo que se estabelece naturalmente com o público, já que a teledramaturgia se preocupa com o interesse de quem assiste à trama televisiva, já que a obra é aberta54 e escrita levando em consideração alguns fatores que traçam o perfil do público que assiste à novela em diferentes horários.

Ele destaca que os personagens nacionais, de determinada época, se aproximaram do cotidiano do povo brasileiro, que se identificou mais facilmente com a obra.

Insensato Coração

A primeira, que fez parte da trilha sonora oficial da novela, como tema do personagem Teodoro, interpretado pelo ator Tarcísio Meira, foi O Mio Babbino Caro, da ópera Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini. Durante o voo, o avião está prestes a ser sequestrado quando Pedro Brandão, interpretado pelo ator Eriberto Leão, assume o controle da situação. Horácio Cortez, interpretado pelo ator Herson Capri, era um banqueiro de investimentos casado com Clarice, interpretada por Ana Beatriz Nogueira, mulher rica, elegante e culta, mãe zelosa e esposa dedicada.

Nesta novela, o personagem Marco Aurélio, interpretado pelo ator Reginaldo Faria, foge do país em seu jato particular após enriquecer ilegalmente e dá uma ‘banana’ para o.

Intertextualidade e Interdisciplinaridade

Portanto, na análise que se segue, tentaremos tratar de questões relacionadas às relações entre textos, partes e gêneros. Portanto, entendemos que a teledramaturgia, com toda a sua construção, tal como a conhecemos hoje, só é possível porque o folhetim francês do século XIX criou uma série de elementos que dão o suporte necessário à sua construção atual. O folhetim também foi resultado da apropriação de elementos já consagrados pelo melodrama quando de seu surgimento, no século XVIII, o que foi consequência do desenvolvimento da ópera, originada na Itália do século XVII.

O confronto intertextual, arquitextual e interdisciplinar que propomos toma como corpus de análise algumas cenas da novela Insensato Coração, apresentadas por meio de imagens cedidas pelo Centro de Documentação da TV Globo, e a transcrição de seus respectivos diálogos, também feitas a partir dos videoteipes. cedido pelo CEDOC, além da transcrição de alguns fragmentos do romance-folhetim O Conde de Monte-Cristo, retirados da edição portuguesa.

A construção dos planos de vingança de Edmond e Norma

O interrogatório

Incluímos fotos de cenas de novelas porque não se trata apenas de uma obra de texto, mas essencialmente de uma imagem. Delegado Rubens: Você tem direito a defensor público. Vou pedir à Defensoria Pública que mande alguém para te acompanhar. Aqui, senhor, está tudo o que posso dizer à justiça; como você pode ver, ela pouco interessa.64 Em ambas as cenas apresentadas, antes do julgamento, os dois personagens declaram sua inocência nas últimas linhas.

Ao analisarmos o perfil de cada um dos personagens, vemos que ambos se enquadram no perfil de vítima de injustiça que apresentamos anteriormente no capítulo que trata do melodrama.

A busca pelo conhecimento

A filosofia não pode ser aprendida; a filosofia é o conjunto de ciências adquiridas pelo gênio que as aplica; A filosofia é a nuvem brilhante sobre a qual Cristo pisou para ascender ao céu. Nessas duas cenas, os personagens Dantès e Norma expressam o desejo de aproveitar ao máximo o tempo que passam sem fazer nada, cumprindo pena, estudando e se preparando intelectualmente para o futuro após o encarceramento. Norma, pela situação em que se encontra, inicia um processo de questionamento de todos os valores que nortearam sua vida.

A partir do momento em que se vê presa injustamente, sem ter cometido nenhum crime, Norma repensa seus conceitos de crime e punição, o fato de ter sido punida sem ter cometido nenhum crime, enquanto o verdadeiro criminoso goza de liberdade tem o que lhe pertence por direito. .

O tesouro escondido

Agora”, continuou Faria, olhando para Dantès com uma expressão quase paternal, “amigo, você sabe tanto quanto eu: se um dia fugirmos juntos, metade do tesouro será seu; Se eu morrer aqui e você escapar sozinho, isso pertence inteiramente a você. Mas — perguntou Dantès indeciso — este tesouro não teria dono mais legítimo do que nós neste mundo. Este tesouro pertence a você, meu amigo - disse Dantès - pertence exclusivamente a você e não tenho direito a ele: não sou seu parente.

Através da sua dedicação ao abade Faria, Dantès torna-se digno do tesouro do religioso, que lhe confia a sua localização.

A transformação

Com isso, ao sair da prisão, Norma teria o capital necessário para financiar seus planos de vingança. A partir daquele momento, ele teria meios para executar o plano de vingança que vinha traçando nos últimos anos. Quanto à libertação de Norma, ela ocorreu por meio de seu bom comportamento, o que lhe rendeu liberdade condicional.

Agora sentia-se mais forte graças às experiências na prisão, à maturidade intelectual adquirida através das palestras e, sobretudo, porque tinha o dinheiro necessário para alcançar a sua independência.

O instinto assassino

Ao cair na água, Dantès libertou-se do saco para cadáveres que o cobria e do peso de 17 quilos amarrado aos seus pés. Com todo o dinheiro nas mãos que lhe daria status e poder, ele foi tomado de coragem quando decidiu enfrentar a vida que o esperava para viver no continente. Não haverá sentinela, se ele quiser - disse Dantès, que acompanhava seus pensamentos através de sua caixa craniana como se fosse um cristal.

Norma, tomada por uma onda de raiva e teimosia, tenta matar o marido, pois achava que seria ainda mais fácil executar seu plano, sendo viúva e herdando a fortuna de Teodoro.

A revelação

A pontualidade – disse Monte Cristo – é cortesia dos reis, segundo as palavras, creio eu, de um dos seus soberanos. Fui eu quem você vendeu, entregou e desonrou; Eu sou aquele cuja noiva você prostituiu; Eu sou aquele que caminhou para crescer em riqueza; Sou aquele cujo pai você deixou com fome e que você condenou à morte de fome, mas que, apesar disso, o perdoa, porque ele mesmo deve ser perdoado; Eu sou Edmond Dantes. O Conde de Monte Cristo apareceu na alta sociedade parisiense investido de toda a pompa e circunstância que se poderia esperar de um nobre rico e poderoso.

Todo o mal causado por Dantès como Conde de Monte Cristo é justificado pelo sofrimento a que foi injustamente submetido.

A execução do plano de vingança

Desta forma, não hesitamos em procurar uma intersecção entre o género televisivo que nos foi apresentado e a literatura presente através de leituras anteriores que povoaram o nosso pensamento. Ao nos depararmos com a criação crítica dos discursos e intertextos que a academia vê entre as obras, os diálogos sugeridos pelo confronto entre diferentes gêneros, surgidos em diferentes épocas, ficamos sensíveis à ideia de estabelecer intersecções que foram reveladas no cena de uma novela da TV Globo, onde nos chamou a atenção o poder dramático da combinação de diferentes elementos cênicos. Portanto, nos deparamos com a intertextualidade proposta por Julia Kristeva, que nos permitiu compreender com a clareza necessária os resultados dos confrontos que emergiram entre as duas obras escolhidas como corpus de análise deste estudo.

Começamos por conceptualizar os géneros trabalhados, apresentando as suas origens históricas, bem como a sua formação e desenvolvimento até se firmarem no panorama artístico das respetivas épocas. Ao final desta pesquisa, ficamos com a impressão de que, a partir de tantas obras e estudos lidos, há uma abertura na universidade para a discussão dos gêneros menores nos quais estão incluídos o melodrama, os folhetins e a teledramaturgia, quase de forma caminho , que considera gêneros completos e não subgêneros porque trazem a marca do capital econômico em detrimento do capital simbólico, defendido pela academia como sendo marcado pela arte pura e, portanto, superior. Acima de tudo, ao final deste trabalho, teremos a certeza de que a arte, seja ela qual for, no momento em que é apresentada, com o fim a que se destina, será sempre a arte de receber o público, na qual Apesar das críticas que podem ser feitas sobre processos de intervenção pública nesta arte, o que a torna mais limitada em relação ao horizonte de uma compreensão intelectual, compreensão esta que pode prescindir dos mecanismos de facilitação que a telenovela basicamente produz para fidelizar o seu público .

Referências

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