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MARISTELA RODRIGUES LOPES CARMEN DA SILVA

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Academic year: 2023

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Por isso, CARMEN DA SILVA: percursos literários de uma jornalista feminista visita a obra desta rio Grandina para manter viva sua memória num momento em que o presente resgata o passado. Após sete horas de viagem (de Itabuna a Teixeira de Freitas), ocorreu o terceiro encontro com Carmen da Silva. Intitulado "Carmen da Silva: 'A grande senhora do feminismo brasileiro'1", o Capítulo 1 constitui a apresentação de Carmen da Silva, inserida no contexto do feminismo, e sua aparição na imprensa escrita e televisiva.

Destaca-se também a posição de Carmen da Silva, que se autodenomina sartreana.

CARMEN DA SILVA: “A GRANDE DAMA DO FEMINISMO BRASILEIRO”

EM UMA RELAÇÃO DIALÓGICA, UMA FEMINISTA EM CONSTRUÇÃO

A Queda: Este foi o primeiro vislumbre de Carmen da Silva da “condição feminina como algo injusto”. Com esse pensamento, Carmen da Silva chega à revista Claudia, na coluna ‘A arte de ser mulher’, como editora de ‘questões femininas’. Com dezesseis anos na revista, Carmen da Silva (1994) escreve “O que seria do mundo sem nós, mulheres?”.

Essa experiência de Carmen da Silva conduz ao dialogismo do teórico russo Mikhail Bakhtin (1997), quando o coloca.

CARMEN DA SILVA E O PAPEL DA IMPRENSA

Foi assim que Carmen da Silva utilizou meios como revistas, jornais e televisão para falar ao seu público. Dessa forma, Carmen da Silva abordou temas fundamentais e provocativos, dirigiu-se às mulheres e à sociedade brasileira e, portanto, contribuiu para a afirmação do movimento feminista. Questionada sobre a contribuição de Carmen da Silva para o jornalismo feminino hoje, Ana Rita F.

Duarte (2006) alerta em relação a Carmen da Silva e sua produção que é preciso conhecer a trajetória dessa mulher e relê-la, pois ela tem muito a contribuir.

LITERATURA E ENGAJAMENTO: NO PERCURSO DA ARTE ENGAJADA

CARMEN DA SILVA: UMA SARTREANA ASSUMIDA

Ao ler as obras de Carmen da Silva é possível perceber um caráter social e político. Em 1970, em entrevista à Atualidade24, o entrevistador quis saber de Carmen se “a relação da psicóloga Carmen da Silva é muito íntima com a escritora Carmen da Silva”. Fica claro na fala de Carmen da Silva que como escritora ela quer ensinar em seus ensaios, e esse aspecto de sua escrita garante que a autora seja vista como uma artista comprometida.

Quatro anos antes, em junho de 1966, em outra entrevista25, Carmen da Silva já mencionava o mesmo escritor paraguaio como exemplo de intelectual latino-americano. A respeito do Brasil, Carmen da Silva (1970) afirma que, além desses efeitos negativos na obra do escritor, ainda sofre “uma espécie de isolamento idiomático dentro do continente. Se considerarmos o seu trabalho como jornalista, Carmen da Silva foi uma exceção, pois ganhava a vida escrevendo.

Carmen da Silva (1994, p. 24) revela aos seus leitores em 1969 que escreve com amor, às vezes com impaciência e quase sempre com ênfase. Foi através de alguns milhões de cartas de consulta ou de comentários aos seus artigos publicados em Claudia que Carmen da Silva (1994, p. 26) confirmou “a tendência feminina para a idealização e a magia”. A segunda fase, segundo Carmen da Silva (1994, p. 46), foi resultado da primeira: 'A partir do momento em que uma mulher começou a sentir que existia, era inevitável que ela começasse a se questionar, a olhar por dentro, tome seu próprio pulso.

Segundo Carmen da Silva (1994, p. 49): “A natureza e o condicionamento cultural convergem para que valorize o ser humano acima de tudo. Mas não precisamos fazer muito exame de consciência para entender que vale a pena” (SILVA, 1994, p. 100).

OS ENSAIOS: UFOS INCANDESCENTES À LA BETTY FRIEDAN

Nesse sentido, Carmen da Silva (1966, p. 29) afirma que a sociedade incentiva “um alto grau de infantilidade nas mulheres”, geralmente impondo-lhes responsabilidades práticas, concentradas “no campo doméstico-biológico dos afazeres domésticos”, e desestimula impedi-los “de participar do mundo como seres ativos, capazes e brilhantes” (Ibid., p. 29). Segundo Carmen da Silva (1971, p. 183) “vivemos numa sociedade fundamentalmente contraditória, em que quase ninguém age de acordo com os princípios e teorias que defende e a grande maioria defende doutrinas que nada têm a ver”. com seu comportamento real.” Porém, como afirma Carmen da Silva (1971, p. 188), essas contradições no mundo não se devem a fatores inconscientes, uma vez que “a história é mais ampla e complexa que a psicologia individual”.

Carmen da Silva teve uma experiência de vida diferente do que se esperava de uma mulher de sua época: um texto leve, porém bem elaborado, sem qualquer indício de autoritarismo e moralismo, e fortemente baseado nas ferramentas da psicanálise. Da mesma forma, aqui no Brasil, Carmen da Silva fez o mesmo com seus artigos publicados em Claudia e posteriormente reunidos em livros. Como Carmen da Silva sempre esteve atenta às ideias que circulavam aqui e em outros lugares, mantendo-se atualizada através da leitura, é necessário fazer aqui um parêntese: Carmen, leitora de Friedan, está desiludida com a feminista norte-americana, depois de vinte anos.

Uma delas refere-se diretamente a Carmen da Silva, uma das vezes em que esteve em Porto Alegre, “Pleno Prato à frente de uma página feminina do Correio do Povo”. Ele quer saber “como está Carmen da Silva”, e o colega responde informando que ela era uma mulher inteligente e que ele gostava de conversar com ela. Affonso Romano de Sant'Anna (1985)27, após o funeral de Carmen da Silva, escreveu em sua coluna no Jornal do Brasil: "Para onde foram os jornais, a televisão e os fotógrafos que perderam a oportunidade de mostrar um dos mais raros e mais raros os raros e comoventes momentos dos últimos dias?"

E quando se desceu à sepultura, “ao som de um chamado, alguém gritou: Carmen da Silva!, todas as mulheres responderam em uníssono: ‘presente’”. Que país é esse?”, e em tom de cumplicidade e admiração diz: “Ah, Carmen da Silva, a nossa vida aqui ainda não vale nada.

FUGA EM SETEMBRO (1973) E O SENTIMENTO DE SER PLURAL

Ao ver aquela cena, pensou que iria morrer sufocado, e foi a primeira vez que o diabo gritou pela sua boca: “Por causa deles, agora fecho os olhos e o diabo grita” (SILVA, 1973, p. 60). ). A sua mãe não compreende esta enorme experiência emocional, apenas vê Martín desesperado e chorando, quer expulsar o autor do desastre (SILVA, 1973, pp. 91-92). Seu pai ganhou “uma cama de hospital, um médico, uma sala de cirurgia, tudo de graça e olha que conquista para quem não está atualizado” (SILVA, 1973, p. 9).

Mas deixei lá, nem sei onde está o maldito livro, agora não consigo nem olhar, a primeira vez que olhei deu-me enjoo (SILVA, 1973, p. 31). Ele falava muito de liberdade, de autonomia de consciência, de responsabilidade com o mundo, um tema meio sartriano, os censores achavam bastante subversivo” (SILVA, 1973, p. 2). Durante um ataque, seu irmão foi morto pelas forças de segurança que “enfiaram uma bala calibre 45 entre suas costelas” (SILVA, 1973, p. 2).

Se explodem um cara legal é aquela onda, mas quando colocam bala na costela de um trabalhador é tudo por isso (SILVA, 1973, p. 105). Em geral, as “mulheres da vida” não faziam programas com suas companheiras de hotel: “Santos em casa não fazem milagres” (SILVA, 1973, p. 58). Basta não nos odiarmos, deixar sair de dentro essa corrente quente de amor, uma ternura que só pede liberdade para se expandir sem barreiras (SILVA, 1973, p. 89).

Suas memórias de guerra tornaram-se imprecisas, diluídas em experiências mais recentes [...] acho que as pessoas deveriam se entender sem brigar tanto, viverão melhor..” (SILVA, 1973, pp. 53-54). Clara Vallés, filha do dono da Estrela, “tem uma admiração ilimitada por Carmela, só de vê-la já aquece o peito” (SILVA, 1973, p. 5).

SANGUE SEM DONO (1964): O OUTRO NO EU

Helena, ao retornar da prisão, com pernas ortopédicas "que lhe conferiam uma aparência ridícula e comovente de graça mutilada" (Ibid., p. 26), seu noivo Tônio a trocou pela irmã Adelaide, e a relação dos amantes se deu no interior . da própria casa. Ao explorar seu público, ela ouve a canção da humanidade e, quando a visão entra na peça narrativa, Carmen diz que tem uma "visão amaldiçoada, olhos que mergulham na nudez última das coisas", e que se for um privilégio, foi “dado a ele pelo próprio diabo” (Ibid., p. 17). O narrador nos diz que, “Se eu tivesse que resumir o significado da longa aprendizagem em uma palavra, veria o verbo usado” (Ibid., p. 73, grifo do autor).

48-49); sim, de origem burguesa, escolheu o seu próprio destino: “Não escolhi a minha herança, mas escolhi o meu destino” (Ibid., p. 57). Mas à medida que o mar subia, senti uma necessidade crescente de segurar o leme nas mãos” (Ibid., p. 83). Segundo a própria Lúcia, o seu “destino natural teria sido o fogão e o pó”, mas depois de “dez sessões noturnas no seu apartamento tornou-se uma excelente datilógrafa” (Ibid., p. 23).

Apenas para os brancos', em nome da civilização cristã e dos mais elevados ideais democráticos” (Ibid., p. 23). A sociedade capitalista com sua “boa vontade, desconto, compra, venda, resgate, revenda” não poderia tirar de Carmen essa “felicidade capital” (SILVA, 1964, p. 22). Após o ataque, a apresentação foi interrompida porque “a Cúria Metropolitana considerou que era dissonante” (Ibid., p. 99).

Quanto ao ajudante do motorista, um homem anônimo, ele teve “o réquiem mais solene, a resposta mais comovente que alguém já teve” (Ibid., p. 100). No final, Brunilde fica em agonia, Nora sai depois de mostrar a Carmen o caminho para a estação que está agora neste ponto de travessia, "uma Carmen que não é wagneriana, mas apenas um pouco ibseniana" (Ibid., p. 114). ). ).

LITERATURA, (IN)VISIBILIDADE E ESPAÇOS ALTERNATIVOS

A NOVELA “DALVA NA RUA MAR” (1965): DA PERIFERIA PARA O CENTRO

Este capítulo também destaca a participação de Carmen da Silva em uma coletânea de novelas, produzida num momento em que a capital cultural do país buscava evidências. Apesar de tudo isso, Carmen da Silva amou o Rio e encontrou neste local a oportunidade de se dar ao luxo das enchentes (SILVA, 1984). Carmen da Silva é a única mulher da coleção e sua história tem como espaço físico o centro da cidade.

A surpresa de Carmen da Silva e Dalva ao chegarem ao Rio é a mesma, assim como o desejo de ser o Outro. A administradora do site é Nubia Hanciau, doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora Carmen da Silva desde a década de 1990. Disponível em: < http://www.nonada.com.br /2016/12/carmen-da-silva-historias-de-uma-feminista-de-respeito-e-darada/>.

Em relação a Carmen da Silva, entende-se que ela representa grupos minoritários por diversos motivos. Na entrevista concedida ao blog Veredas/Nonada, Nubia Hanciau foi questionada sobre a importância de Carmen da Silva para o feminismo e a autoria feminina no Brasil. O posicionamento de Carmen da Silva e, nesse sentido, o das mulheres engajadas, implica a transcendência e a expansão do feminismo em direção a um sentimento mais social.

Esse sentimento social a que Núbia se refere é semelhante ao sentido de pluralidade que percebemos na obra de Carmen da Silva. Quando, no final desta tese, pensamos em Carmen da Silva e neste biénio em que nos “encontramos”. Em sua época, Carmen da Silva não se calou diante desse tipo de violência e escreveu e relembrou mulheres assassinadas, vítimas do machismo.

Porém, Carmen da Silva é praticamente uma presença, se considerarmos o site www.carmendasilva.com.br, fruto do trabalho de Nubia Hanciau, que percebeu a força deste espaço e fez Carmen ficar na memória.

Referências

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