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Medida socioeducativa - Minas Gerais

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Academic year: 2023

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Com base nisso, o objetivo geral deste trabalho é analisar a possível construção de contravenções e/ou trajetórias criminais de adolescentes e jovens após o cumprimento de medidas socioeducativas de internação. Utilize o banco de dados de Registros de Eventos de Defesa Social (REDS) para verificar a presença de eventos que permitam traçar o perfil médio das curvas infratoras de jovens anteriormente protegidos.

Os direitos das crianças e dos adolescentes

É importante destacar o papel da Lei dos Menores de 1927, também conhecida como Código Mello Matos, como base legal deste processo. A competência do Tribunal de Menores foi, desde o Código de 1927 até ao Código de 1979, muito ampla, não só pela dimensão do público-alvo da auditoria (e sobretudo pelo elevado número de situações consideradas como abandono), mas também pela as possibilidades que o juiz tem para intervir na vida familiar (MARINHO, 2012, p. 215).

As medidas socioeducativas

II - a integração social dos adolescentes e a garantia dos seus direitos individuais e sociais, mediante o cumprimento do seu plano individual de cuidados; Isso é. VII - estabelecer e manter processo de avaliação dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo, seus planos, entidades e programas; VIII - financiar, junto aos demais entes federados, a implementação dos programas e serviços do SINASE; e IX - garante a publicidade de informações sobre o repasse de recursos aos gestores estaduais, distritais e municipais, para financiamento de programas de atendimento socioeducativo. I - formular, estabelecer, coordenar e manter o Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo II - elaborar o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo, de acordo com o Plano Nacional e o respectivo Plano Estadual; III - criar e manter programas de atendimento para implementação de medidas socioeducativas em ambiente aberto; IV - editar normas complementares de organização e funcionamento dos programas do seu sistema de atendimento socioeducativo; V - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre Assistência Socioeducativa e fornecer regularmente os dados necessários ao preenchimento e atualização do Sistema; e VI - cofinanciar, em conjunto com outros entes federados, a implementação de programas e ações voltadas ao atendimento inicial de adolescentes presos para investigação de ato infracional, bem como aquelas destinadas a adolescentes sobre os quais um socioeducador medida foi aplicada em ambiente aberto.

A entidade prestadora de serviços é a pessoa colectiva – pública ou privada – que cria, disponibiliza e mantém unidades em funcionamento e cumpre os objectivos definidos pelo SINASE; a unidade é o local onde os adolescentes realizam medidas socioeducativas (cada unidade deve ter um programa de atendimento que garanta os direitos dos adolescentes); o programa de atendimento é por lei a organização e funcionamento, por unidade, das condições necessárias ao cumprimento das medidas socioeducativas (ROSA, 2018). O Plano do Sistema Nacional de Assistência Socioeducativa foi construído com base no diagnóstico situacional da assistência socioeducativa, nas propostas discutidas na IX Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, no Plano Decenal de dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Plano Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente III - PNDH 3. Em 2014, entrou em vigor o plano decenal de assistência socioeducativa no estado de Minas Gerais.

Estabelece que o responsável pelo atendimento aos adolescentes em conformidade com as medidas socioeducativas de privação e restrição de liberdade é a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (SUASE), que na época estava subordinada à Secretaria de Defesa Social (SEDS). ), e tem por finalidade estruturar-se para romper com o processo de delinquência juvenil, que garanta um cuidado que possibilite a responsabilização do adolescente e sua autonomia como sujeito de direitos e deveres por meio da articulação dos órgãos executivos e demais parceiros (SEDS, 2014). SUASE é responsável pelo desenvolvimento e coordenação da política de resposta às medidas socioeducativas, pela gestão daquelas que privam e restringem a liberdade e também pelas medidas de apoio em ambiente aberto. Conforme preconizado pelo Sistema Nacional de Serviços Socioeducativos – SINASE, a política gerida pelo SUASE centra-se na promoção e eficácia de medidas em ambiente aberto e na utilização correta e excepcional de medidas de conservação.

Para tanto, a “identidade” do adolescente na base de dados SUASE é o número gerado pelo Sistema de Atendimento Socioeducativo (SIAME).

Tabela  1  -  Raça dos adolescentes  acautelados  no sistema socioeducativo  de  MG  por ano de referência
Tabela 1 - Raça dos adolescentes acautelados no sistema socioeducativo de MG por ano de referência

O Banco de D ados

Isso se explica pelo fato de a base de dados REDS ter coletado registros policiais dos anos de 2014 a 2018. Ao tratar dos crimes em incidentes REDS, um dado importante que pôde ser extraído da base de dados SUASE foi em relação aos delitos que os causaram. cumprir a medida de internação em primeira instância (tabela abaixo). Uso de drogas Ameaça de estupro Extorsão Lesões corporais Roubo Posse ou posse ilegal de arma de fogo Tentativa de roubo Homicídio e tentativa de homicídio Tráfico de drogas Roubo.

Apesar de vários estudos de organizações multilaterais internacionais apontarem que lidar com o problema das drogas deveria ser uma questão de saúde pública, o Brasil continua a fazê-lo. Outra informação pertinente que pode ser extraída do REDS é a distribuição dos crimes apurados, que pode ser conferida na tabela abaixo. Outros correspondem a crimes que representam menos de 1% do total do REDS Fonte: dados do REDS.

Refira-se que o tráfico de droga é responsável por uma proporção significativa dos acontecimentos – especialmente quando analisado em conjunto com os fenómenos do “uso e consumo de drogas – seguido dos furtos e dos crimes/agressões. ​​Perda de documentos Fuga da prisão Admissão Uso e consumo de drogas Danos Homicídio Prisão Cumprimento de busca e apreensão.

Tabela  5 -  Gênero  por ocorrência  na base  REDS Gênero Frequência Porcentagem
Tabela 5 - Gênero por ocorrência na base REDS Gênero Frequência Porcentagem

Categoria 1

Ou seja, há 48 pessoas cujos antecedentes criminais não tiveram continuidade após o fim da medida de detenção. No gráfico acima é possível perceber que a categoria 1 não difere do perfil geral no que diz respeito aos delitos cometidos que os fizeram cumprir a medida de internação. Olhando para a idade à data de entrada, é notável a concentração de jovens cuja entrada se deu maioritariamente aos 16 e 17 anos.

Quando os delitos são somados e comparados com a idade, repete-se a hipótese do adolescente com histórico infracional anterior ao cumprimento da medida de internação, tanto porque a idade confina com a aplicação de medidas socioeducativas, quanto pelo fato de que, quando se você colocar as ofensas em uma escala de. 34;gravidade”, é pouco provável que os adolescentes aqui identificados tenham como primeiro delito homicídio e roubo, considerados crimes mais graves. Além disso, também permanece a relação com maior frequência de data de recebimento aos 16 e 17 anos, observada no perfil da base de dados geral.

Se compararmos as frequências e os gráficos na data do término da medida de internação, a concentração permanece mesmo nos 17 e 18 anos. Portanto, fica claro que os dados limitados disponíveis para a categoria 1 impedem a discussão dos possíveis motivos que levaram os jovens a não serem alvo de outros incidentes 4 anos após o seu afastamento da educação sócio-pedagógica.

Tabela  12 -  Idade  na data de  acolhimento do  adolescente da categoria  1
Tabela 12 - Idade na data de acolhimento do adolescente da categoria 1

Categoria 2

Na tabela acima verifica-se que os homens da categoria 2 representam apenas 3,56% do total de ocorrências encontradas na base de dados da REDS, enquanto as mulheres não respondem sequer por 1% das ocorrências. Como pode ser destacado, quase 90% das ocorrências na categoria foram registradas até os indivíduos completarem 20 anos. Vale ressaltar que embora o homicídio tenha sido responsável pela internação de 8 jovens na medida de internação (14%), apenas uma ocorrência de homicídio foi registrada (representando 0,8% do total de ocorrências na categoria e 1,43% das ocorrências se os indivíduos eram autores).

A probabilidade de o incidente registrado na REDS como homicídio ser o que resultou no cumprimento da medida de internação por tentativa de homicídio para Bruna é alta, indicando a não atualização da REDS após constatação de que a vítima não havia falecido. A partir disso, duas conclusões podem ser tiradas a respeito da base de dados: i) quando a base REDS é cruzada com as informações contidas na base de dados SUASE, podem ser capturados incidentes anteriores ao cumprimento de medida de internação, incluindo o próprio evento responsável pela sentença às medidas penais socioeducativas; .. ii) os REDs, por serem registros policiais de ocorrências, apresentam inconsistências devido ao mau preenchimento; Além disso, existem problemas de integração entre os sistemas governamentais. No caso específico do crime de homicídio, intensifica-se a contradição da informação prestada pela REDS5, uma vez que exigirá o acompanhamento e atualização do registo do incidente, pelas autoridades responsáveis, na base de dados da REDS: é extremamente essencial para registrar as informações de rastreamento.

Ao analisar os fenómenos em que as pessoas da categoria 2 são registadas como vítimas na DAR, chama a atenção o facto de existirem 6 vítimas de homicídios, o que representa 10,5% dos indivíduos desta categoria. Os assassinatos foram cometidos entre 3 meses e 2 anos e 4 meses após a revogação da ordem de prisão.

Tabela  15 - Categoria 2 sob o  recorte de  raça/cor
Tabela 15 - Categoria 2 sob o recorte de raça/cor

Categoria 3

Em suma, Gabriel tem um histórico semelhante de quatro idas e vindas de medidas de internação, onde os crimes em seu nome de real/agressão também ocorreram dentro das unidades, e provavelmente, se não fosse por isso, não seriam registrados. No cumprimento da medida, foram observados dois incidentes de “de facto/agressão” em seu nome, um como vítima e outro como agressor, ambos no âmbito da unidade sociopedagógica. Roberto foi assassinado 4 meses após ser desligado da medida sociopedagógica, não havia RED em seu nome depois que você saiu da unidade.

Carlos cumpriu medida socioeducativa por roubo e homicídio, e tem em seu nome uma ocorrência de fuga da unidade. Depois disso, há um intervalo de onze meses até a próxima ação, que é descrita como busca e apreensão de itens em seu nome. O próximo incidente em seu nome, por porte ilegal de arma branca, um ano após deixar a unidade.

Um ano após sua demissão, ele apresentou queixa em seu próprio nome por pesca ilegal com sua irmã em zona militar. Dois anos e quatro meses após a demissão, ele foi encaminhado novamente para a unidade de internamento, seu apartamento foi revistado, após mandado em seu nome, o motivo não foi descrito no DAR.

Tabela 22 -  Escolaridade dos  indivíduos da  categoria  3
Tabela 22 - Escolaridade dos indivíduos da categoria 3

Categoria 4

A tabela abaixo mostra que os principais motivos que levaram os indivíduos à internação permanecem em proporções semelhantes às das categorias anteriores. Por exemplo, Rogério não foi condenado por drogas, cumpriu internação por lesões físicas e ameaças. Vinicius, que tem 16 ocorrências e foi internado em medida de internação socioeducativa por tráfico de drogas, tem histórico de ameaças, lesões corporais, tentativa de homicídio e suspeita de homicídio em segundo grau e porte ilegal de arma de fogo, entre outros registros institucionais.

É interessante, porém, que ao analisar as categorias presentes na REDS, os adolescentes mais jovens estão mais representados na categoria 2, onde são classificados os indivíduos com menores trajetórias de infrações após a suspensão. No final do ano passado, o DME tentou construir um banco de dados em Excel, que permitisse conhecer as transições individuais pelas unidades de semiliberdade e de internação (medidas sob supervisão do SUASE), de 2013 a 2018, cada vez que os motivos para entrada e as datas de entrada e saída. Esta análise mostra que os crimes mais violentos, como homicídio e roubo, são mais comuns na categoria 2.

Em sua pesquisa, acompanhou adolescentes que passaram por medidas de internação hospitalar entre 1997 e 2000, na tentativa de compreender e refletir sobre a visão dos próprios adolescentes sobre a medida socioeducativa de internação hospitalar. Ao final de sua pesquisa, Silva concluiu que as atividades pedagógicas, legalmente exigidas, e a própria proposta socioeducativa conflitam com a natureza da medida de internação.

Tabela 26 -  Categoria 4 sob o  recorte de gênero
Tabela 26 - Categoria 4 sob o recorte de gênero

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Tabela 2 -  Renda  Familiar dos adolescentes acautelados  no  Socioeducativo de  MG  (Autodeclaração)
Figura  1  -  Exemplo de  uma  Planilha  Mensal de Atividades  em 2019
Tabela 4 -  Gênero dos  indivíduos da  amostra
Gráfico  1  -  Histograma da  idade de  acolhimento dos adolescentes de  acordo  com  Banco de  Dados da  SUASE
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Referências

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1.2 A EXECUÇÃO DA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO NO DF Considerando que o presente trabalho visa, principalmente, análise empírica de decisões e sentenças em medida