Curso de Pós-Graduação em Saúde Pública – Área de Concentração em Planejamento e Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz. AACC - Associação Americana de Química Clínica AHRQ - Agência de Pesquisa e Qualidade em Saúde ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária APS - Atenção Primária à Saúde.
INTRODUÇÃO
Segurança do paciente
- Definições
Os laboratórios clínicos estavam confiantes de que o controle de qualidade interno (onde amostras conhecidas eram analisadas juntamente com amostras de pacientes desconhecidos, e os resultados das análises comparados com os valores-alvo ou a distribuição dos resultados) era suficiente para monitorar e avaliar seu desempenho. , e controle de qualidade externo (também conhecido como testes ou ensaios de proficiência, nos quais amostras desconhecidas são enviadas ao laboratório clínico e analisadas da mesma forma que as amostras dos pacientes, e os resultados das análises são relatados aos organizadores, que comparam entre os laboratórios ). Os laboratórios clínicos são segmentados pelo número de exames realizados/mês, localização, entre outros parâmetros. Segundo Shahangian (2009), o atraso na entrega dos resultados é geralmente definido pelos laboratórios clínicos como o tempo de divulgação dos resultados que ocorre entre o recebimento da amostra pelo laboratório clínico e o momento da notificação do resultado.
Segundo o Cadastro Nacional de Instituições de Saúde (CNES), em 2011 existiam aproximadamente 17 mil laboratórios clínicos no Brasil. Signori et al (2007) conduziram um estudo em 5 hospitais italianos, aplicando metodologias de análise de processos e riscos comumente utilizadas em outras áreas (indústrias de aviação e transporte), mas adaptadas a laboratórios clínicos. Recentemente, foram tomadas iniciativas para estabelecer indicadores de qualidade para laboratórios clínicos.
Em relação aos setores laboratoriais clínicos estudados, 3 estudos não determinaram previamente o setor laboratorial clínico relevante. Ele considerou que os resultados obtidos sugerem um sistema de fácil implementação, capaz de produzir resultados que possam orientar atividades de melhoria de qualidade em laboratórios clínicos.
Papel dos laboratórios clínicos na cadeia de assistência à saúde
Qualidade em medicina laboratorial
- Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) da
Embora associações profissionais científicas que reúnem profissionais que atuam no setor de laboratórios clínicos tenham desenvolvido ferramentas importantes para garantir o desempenho desejado desses serviços. O Programa de Indicadores Laboratoriais da SBPC/ML oferece aos laboratórios clínicos brasileiros participantes a possibilidade de comparar suas taxas com outros do mesmo segmento, em processo conhecido como. A proposta era criar um Programa Externo de Controle de Qualidade, principalmente para exames de bioquímica, que certificasse a proficiência dos laboratórios clínicos para esses exames.
40 De acordo com Khurana (1998), os programas de acreditação para Laboratórios Clínicos foram uma resposta a alegações persistentes e diversas evidências de más práticas, falta de padrões e fraude. O PALC visa proporcionar maior confiança aos utilizadores, através do certificado de acreditação entregue aos laboratórios clínicos que cumpram os requisitos estabelecidos. O Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML, 2011) é o de maior destaque em nosso país e conta atualmente com cerca de 100 laboratórios clínicos no Brasil, entre públicos e privados, que possuem certificação de qualidade , pela metodologia de Acreditação.
Laboratórios Clínicos no Brasil
O Sistema Único de Saúde (SUS) visa garantir o direito universal à saúde e afirmar um padrão equitativo de saúde para todos os cidadãos brasileiros. O Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública – SISLAB foi reestruturado em 2004, de acordo com a Portaria nº 2.031/GM, e suas ações são realizadas nas esferas federal, estadual e municipal, de acordo com os princípios do Sistema Único de Saúde – SUS. O SISLAB consiste em uma série de redes nacionais de laboratórios, organizadas em sub-redes, por circunstâncias ou programas, de forma hierárquica com base no grau de complexidade das atividades relacionadas à vigilância em saúde - incluindo vigilância epidemiológica, vigilância em saúde ambiental e vigilância em saúde.
Aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública - LACEN cabe o papel de referência estadual, tendo entre outras funções: coordenar a rede de laboratórios públicos e privados que realizam análises de interesse em saúde pública e encaminhar amostras inconclusivas ao laboratório de referência regional para suplementação , diagnósticos e aqueles destinados ao controle analítico de qualidade (Brasil, 2004). O Sistema Complementar de Saúde também deve ser considerado no cenário de saúde do nosso país, pois segundo a ANS possui beneficiários de planos privados de saúde (ANS, 2011). Entre os critérios está a exigência de que tais laboratórios, que atuam na saúde pública, tenham implementados sistemas de gestão da qualidade, que incluem, por exemplo, requisitos pós-analíticos: possuir procedimentos de comunicação eficientes e ágeis, de acordo com fluxos e prazos estabelecidos em manuais técnicos que são reconhecidos. pelo Ministério da Saúde, junto a clientes e parceiros nos níveis nacional, estadual e municipal, os resultados de análises laboratoriais de interesse para a saúde pública, em relação à prestação de serviços e pesquisas (Brasil, 2004).
Laboratórios Clínicos e a segurança do paciente
50 necessitam de testes laboratoriais fiáveis, uma vez que a informação produzida pelos laboratórios clínicos tem o potencial de influenciar criticamente o diagnóstico dos pacientes e a prestação de cuidados (Mc Cay, 2009). Uma limitação final é citada por Bonini et al: a dificuldade de comparar novos métodos utilizados por laboratórios clínicos com padrões ouro, que exigem avaliação das informações contidas nos resultados dos exames em relação aos resultados dos cuidados de saúde. Esses estudos relataram taxas de erros associadas ao laboratório clínico como um todo, mas também a setores do laboratório clínico – exames bioquímicos –, exames realizados na atenção primária, exames realizados por laboratórios clínicos de agudos e em laboratórios de genética molecular.
55 serviços ao longo de todo o processo laboratorial, garantindo assim os resultados de atendimento desejados e a contribuição efetiva dos laboratórios clínicos na cadeia de saúde. Segundo Plebani (2006), vale destacar também os abusos na solicitação de exames laboratoriais e na terceirização de sua execução para grandes laboratórios clínicos, que têm dificuldade em manter uma gestão eficiente do processo laboratorial, aumentando assim o número e o risco de erros. ocorrendo no laboratório clínico. Um ponto-chave do estudo foi a observação de uma grande variação entre laboratórios clínicos na avaliação das consequências potenciais de erros no resultado do atendimento ao paciente.
JUSTIFICATIVA
Muitas substâncias, marcadores ou analitos medidos no laboratório clínico mudam ao longo da vida das pessoas, e os valores de referência da população estratificados por faixa etária mudam. Nestes casos, deve-se ter o cuidado de determinar os horários de coleta adequados e os valores de referência devem ser consistentes com os mesmos. Mudanças no conjunto de resultados de um mesmo paciente, que muitas vezes levam à suspeita da acurácia dos resultados, podem ser explicadas por: a) melhora do paciente; b) o paciente piora;
73 O tema segurança do paciente tem ocupado cada vez mais a agenda de gestores, profissionais de saúde e pesquisadores, o que constitui atualmente uma linha de pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ). Para viabilizar futuras pesquisas e monitoramentos nesta área em nosso país, é necessário buscar e estruturar o conhecimento que vem sendo adquirido sobre o tema nos últimos anos, de forma a apoiar iniciativas científicas nesse sentido. A motivação para estudar este tema foi poder contribuir para que os profissionais de laboratórios clínicos, ao realizar esta revisão sistemática, insiram o setor de laboratórios clínicos brasileiro na discussão global sobre segurança do paciente; trazer informações para que os laboratórios clínicos brasileiros possam identificar erros e reduzir seu impacto, e contribuir para a produção de pesquisas nessa área, em nosso país.
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Objetivos específicos
METODOLOGIA
Critérios de Inclusão e Exclusão de Estudos
Seleção de Estudos
Extração de dados
RESULTADOS DA REVISÃO SISTEMÁTICA
Processo e Resultado da Busca Bibliográfica
Características dos estudos incluídos na Revisão Sistemática …
84 Yuan (2005) teve como objetivo avaliar prospectivamente o impacto clínico relacionado a erros de testes microbiológicos, mantendo resultados de testes laboratoriais corrigidos. O mesmo método foi utilizado por Natividad (2007), que avaliou efeitos clínicos adversos mantendo resultados de testes hematológicos e de coagulação corrigidos. Exame prospectivo dos resultados dos exames laboratoriais onde houver suspeita de erros, discussão com um médico e revisão por um patologista.
Estudo prospectivo de rastreamento de resultados de exames laboratoriais corrigidos: revisão de prontuários e registros laboratoriais, acrescentado por. O estudo de Yuan (2005) apontou uma série de vantagens na utilização da avaliação de relatórios de resultados de testes corrigidos: a) a lista pode ser gerada automaticamente quando o sistema de informação do laboratório estiver disponível, evitando a dependência de notificação voluntária de erros; b) o relatório dos resultados corrigidos dos exames pode refletir eventos ocorridos nas últimas 24 horas, permitindo uma investigação rápida. 154 casos (32,1%) foram deixados para discussão com os médicos, onde os resultados corrigidos foram associados ao impacto clínico negativo.
Contudo, Yuan (2005) reconhece que o método utilizado apresenta limitações, tais como: a) os relatórios de correção de resultados não incluem muitos casos de potenciais eventos adversos relacionados a exames laboratoriais e não parecem detectar eventos adversos que ocorrem aleatoriamente; b) a avaliação do efeito clínico dos erros laboratoriais nem sempre foi simples, uma vez que a decisão do médico de alterar uma conduta, por exemplo terapêutica, não depende ou se baseia apenas na interpretação dos exames, e possivelmente acontecer sem a existência do erro laboratorial; c) nem sempre foi possível separar o efeito dos erros laboratoriais dos efeitos do estado de doença do paciente; d) o método de detecção através de resultados de testes corrigidos pode ter um viés para detectar erros analíticos em vez de pré e pós-analíticos, e e) o método de revisão de resultados corrigidos no setor. Natividad (2007) utilizou um método para rastrear resultados de exames laboratoriais corrigidos que poderiam levar a um impacto potencial na segurança do paciente.
DISCUSSÃO
Limitações da revisão sistemática
As estruturas hospitalares onde estavam localizados os laboratórios clínicos não foram descritas detalhadamente, o que também pode limitar as comparações. A existência de eventos adversos relacionados a erros laboratoriais, descobertos por meio de metodologias utilizadas pelos autores dos estudos selecionados, oportuniza o desenvolvimento de monitoramentos e investigações em laboratórios clínicos brasileiros, além de incentivar a implementação de novas pesquisas, nos dando uma visão da realidade brasileira. Existe uma oportunidade interessante para a realização imediata de trabalhos ao nível de laboratórios clínicos hospitalares e ambulatórios.
Já podemos observar alguns casos de laboratórios clínicos brasileiros que estão começando a se estruturar, a criar formulários e a começar a implementá-los. Laboratórios médicos: redução de erros através da gestão de riscos e melhoria contínua: elemento adicional, 2008 Laboratórios médicos ISO - Requisitos particulares de qualidade e competência - Disponível em www.iso.org/. Relatar, classificar e avaliar erros de qualidade no laboratório médico. www.who.int/pacientesafety/research.
CONSIDERAÇÕES FINAIS