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Monografia.ELANE DE JESUS SANTOS

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Academic year: 2023

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Com esse objetivo, foram feitas análises de composições de Luiz Gonzaga que tratam de processos migratórios. Então, de certa forma, trago um pedaço da minha trajetória de vida para esta Tese de Conclusão de Curso (TCC) do Diploma em Literatura: Língua Portuguesa/Libra da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, agora intitulada A condição exílica do sertanejo nas composições executadas de Luiz Gonzaga. Portanto, no início deste estudo surge a seguinte preocupação: como o sertão é representado preferencialmente nas letras das músicas interpretadas por Luiz Gonzaga.

As culturas sertanejas

Na formação da identidade do povo brasileiro, o sertanejo assume um papel marcado por lutas políticas pela reparação de seus direitos, como os conflitos armados do final do século XIX ocorridos em Canudos e retratados em Os Sertões do escritor Euclides da Cunha. Aqueles que propagavam discursos anti-seca puderam ver nisso um “Eldorado Nordestino” que se repete desde a longa seca de 1877. Os discursos anteriores, “baseados na nostalgia e na tradição”, derivam de ideologias estereotipadas em que o sertão aparece como “ espaço vazio.

Nessa perspectiva etnocêntrica, os discursos regionalistas que surgiram em torno do Nordeste, e por extensão do Sertão, foram criados a partir de uma perspectiva de inferioridade em relação às demais regiões do país, de modo que os habitantes eram considerados racialmente degenerados, tanto do ponto de vista de vista. visão da visão física e intelectual, como nos conta Euclides da Cunha em Os Sertões. Os discursos sobre o Nordeste eram comumente ligados, por oposição analógica, a São Paulo, centro comercial do país e, portanto, considerado superior ao Nordeste. Na verdade, os discursos característicos que surgiram de um determinado grupo social, como os intelectuais que criaram um imaginário discursivo do Nordeste, baseavam-se na oposição a São Paulo, uma vez que foi a capital que mais recebeu imigrantes do Nordeste nos últimos anos, décadas, e não às custas da particularidade da riqueza da região, “São Paulo era o lugar da riqueza, da facilidade de empregos bem remunerados, da metropolização, da presença estrangeira e da diversidade de cultura e lazer, etc. . ", (ESTRELA, 2003, p. 222).

Assim, discursos postulados epistemologicamente continuam até hoje a interferir na construção do espaço que se tornou o Nordeste. O que acontece é que as políticas implementadas para o sertão não deram suporte suficiente à autoafirmação e à independência, de modo que na construção da identidade cultural deste espaço, o sertão ainda é imaginado como um lugar resistente à modernidade.

Lendo através dos Estudos Culturais

Em relação às composições de Luiz Gonzaga, vale ressaltar que o músico tratou o tema do deslocamento de forma emblemática, já que chegou a vivenciar o exílio. Portanto, este estudo toma como referência os ideólogos dos Estudos Culturais, embora alguns críticos literários tenham desde então apresentado divergências sobre as ideias postuladas por esse movimento teórico. Esta é a opção que a crítica literária tradicional tem defendido radicalmente como argumento de resistência contra a ameaça de diluição dos estudos literários no âmbito dos estudos culturais (SOUZA, 2002, p. 78).

Sónia Pereira (2011, p. 118) no seu artigo Estudos Culturais da Música Popular – Uma Breve Geneologia explica que a música popular “tem sido frequentemente vista como um fenómeno que deriva apenas da sua capacidade de proporcionar prazer e entretenimento de uma forma previsível. esperado e despretensioso, que como tal seria pouco compatível com o território da análise acadêmica rigorosa”. Contudo, o autor afirma que o estudo da música popular deve proceder sempre a partir da contextualização, uma vez que a música popular está imbuída de uma força social que interfere diretamente na construção da identidade de um indivíduo, que, a nosso ver, aparece nas composições de Luiz Gonzaga. Quanto à contribuição de Luiz Gonzaga para a construção da representação do sertão e a inserção do espaço nordestino no cenário nacional, cabe-nos registrar as críticas de Durval Muniz de Albuquerque Júnior.

Mas mesmo reconhecendo os limites da representação, propomos apontar aspectos das canções de Luiz Gonzaga que, a nosso ver, contribuíram para dar ao sertão um protagonismo diferenciado, por meio do diálogo com o grande público por meio da mídia, e ajudaram a enfatizar a visibilidade que até então as obras literárias não conseguiram fazer sem diminuir a importância dos nossos cânones, mesmo reconhecendo que tal eficácia se devia ao facto de a música recorrer a fontes melódicas mais acessíveis à recepção. Por todos esses aspectos, a ferramenta teórico-discursiva dos Estudos Culturais parece mais adequada à leitura de Luiz Gonzaga.

A cultura andante do sertanejo

Nara Maria de Maia Antunes (2002, p. 128) acredita que “à medida que as relações político-económicas se intensificam, os grupos dominantes também tendem a impor os seus códigos simbólicos (incluindo e especialmente a linguagem) e, com isso, a sua visão do mundo”. Assim, quando o sujeito migra, ocorre um processo de desenraizamento em que as práticas culturais são abaladas. Com isso, o indivíduo sente necessidade de uma nova ancoragem, ou seja, volta a ter a sensação de pertencer a um espaço, mas quando isso não acontece. ocorre, há isolamento dentro da comunidade, assim como um estranho está em seu próprio território. Por sua vez, o desexílio refere-se ao momento em que o indivíduo, mesmo cativado pela sensação de alegria de retornar à sua terra natal, não consegue se enquadrar no contexto social do seu local de origem, dadas as transformações pelas quais passou.

Assim, no processo de migração dos nordestinos, há um momento de retorno que é esperado tanto de quem foi quanto de quem ficou. Ao redor do pau-de-arara, uma multidão se formava, todos esperando ver os passageiros, principalmente o indivíduo que esperavam. Assim, a vida errante do camponês é de constante movimento e aventura por caminhos incertos, mas sempre com o pensamento de retornar ao conforto de sua terra natal, “para ver se um dia descansarei feliz”, como canta Gonzaga em A vida fazer. amigo

Ao mesmo tempo que o sertão é representado como um lugar agreste, onde a vida é muito difícil, há por outro lado uma idealização de um espaço habitado por gente forte e determinada. Dentre as influências causadas pelo novo estilo musical, introduzido na sociedade carioca e paulista, o baião aos poucos começou a substituir um estilo de música importada, como boleros, tango e valsa, ou mesmo sucessos americanos em que as pessoas cantavam e dançavam. . por um ritmo em que o corpo, guiado pelos pés, obedecia ao fole do acordeão.

Luiz Gonzaga e a construção identitária do Nordeste

Com Luiz Gonzaga, o sertão também tem um lugar social, onde elementos como a natureza, a seca, as realidades socioculturais são tomados como base para o fortalecimento da identidade do sertão. Dessa forma, fica claro que o músico está privilegiando os aspectos cantados/narrativos da história do Nordeste, mostrando a luta da população rural por seus direitos e mostrando o quão vulneráveis ​​estavam devido ao estado de abandono social em que se encontravam. que eles viveram. Concentrou-se no que lhe parecia mais óbvio, a vida de um viajante no exterior. Portanto, é impossível falar das composições de Luiz Gonzaga sem antes partir do território das emoções, que é o coração.

Nestes versos podemos perceber o caráter dramático do “viva ou morra” em que o cantor popular utiliza o recurso emocional presente na venda de mercadorias raras, animais que o auxiliam no seu trabalho diário e a repetição da interjeição final para sensibilizar o ouvintes e descrevem em um O sofrimento do povo do campo devido à retirada de suas terras forma uma forma densa. Notadamente, nas letras de Luiz Gonzaga percebemos que o sertanejo é extremamente sensível, tem apego ao seu país e sua identidade se forma e se transforma devido ao constante movimento. A lágrima que rola pelo rosto do compatriota vem do coração, é um momento para expor sua angústia, tudo o que ele não consegue expressar em palavras.

Como já mencionado, Luiz Gonzaga conhecia o gosto amargo da migração e por isso a nostalgia não poderia faltar em suas composições. Por isso o sertão em sua formação com Luiz Gonzaga é multicultural, alegre, criativo, sensível e, porque não, subjetivo.

O sertanejo e a visão utópica de São Paulo

A população rural acabou difundindo uma ideologia mítica em que a capital São Paulo era vista como um espaço de conquistas, um lugar “encantado”, onde os sonhos se tornariam realidade. Vamos para São Paulo É feio Em terra alheia Vamos vagar Meu Deus, meu Deus Se o nosso destino não for tão mesquinho Para a mesma esquina Voltaremos de novo Ah, ah, ah, ah. São Paulo foi o último raio de esperança que restou, porque se a terra onde nasceram não produzia sustento, o mais sábio a fazer era encontrar uma forma de sobreviver.

Antigamente a migração era feita com a ajuda do pau-de-arara ou com a ajuda de animais, onde os moradores rurais junto com suas famílias reuniam seus pertences e procuravam sem rumo um lugar para morar. No entanto, pouco se sabia sobre esta cidade, numa época em que a rádio era o meio de comunicação mais utilizado. Portanto, do ponto de vista de quem migrou, São Paulo deixa de ser a cidade do imaginário, mas passa a fazer parte do plano concreto.

É o momento do encontro entre o imaginário e o real, em que se percebe a diferença entre o que é dito e o que de fato é configurado. Esta cidade surge como um não-lugar, onde os caipiras se tornam estrangeiros em sua própria terra, Aquele nordestino / Partido da piedade / De longe acena / Adeus meu lugar / Ai, ai, ai, ai.

A poética gonzaguiana, entre rimas e versos um grito de socorro

Nesse sentido, Luiz Gonzaga deu uma importante contribuição, afinal suas composições conseguiram conectar o povo do país com suas raízes. Luiz Gonzaga soube focar neste tema por ter vivenciado a seca no sertão, sabendo da relevância da água na vida da população do país. Nesta composição, Luiz Gonzaga expressa sua insatisfação com a forma como os políticos escolheram se solidarizar com a população do país.

A cultura popular contribuiu significativamente para o surgimento da cultura rural, e Luiz Gonzaga foi um dos principais divulgadores. Porém, é justamente a realidade apresentada nas composições interpretadas por Luiz Gonzaga que confere emotividade às suas interpretações, além do profundo conhecimento de cada história cantada. É por esse cenário que Luiz Gonzaga faz da seca, certamente uma das maiores causas da migração, um dos temas centrais de suas composições, assim como a tristeza, a dor e o desânimo dos nordestinos.

O sertão que surge primeiro de uma imagem da letra, como nos conta Albuquerque Júnior, toma conta das rádios brasileiras com a voz de Luiz Gonzaga. Hoje vive uma realidade completamente diferente, Luiz Gonzaga abriu as portas para que a modernidade chegasse ao interior do país e os sertanejos retomaram os discursos que ele proferiu. Claro que hoje não acontece com as mesmas características que Luiz Gonzaga resolveu dramatizar em suas composições.

Por fim, vale destacar que o deslocamento em massa dos nordestinos contribuiu para que Luiz Gonzaga assumisse de forma bastante adequada o desespero do campo e se apropriasse do conhecimento que tinha sobre seu povo, criando um personagem na quinta etapa do sertão .

Referências

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Evidentemente, que este olhar foca-se nas fontes, nas quais indicam que a cidade de São Manuel passou por um processo de modernização e ao mesmo de implementação do