Este trabalho tem como objetivo abordar a responsabilidade jurídica do Estado, especialmente no que diz respeito à indenização por danos resultantes de negligência. Parte da doutrina afirma que o tipo de responsabilidade civil do Estado, seja por atos ou por omissões, será sempre objetivo, ou seja, não se exige a culpa como elemento caracterizante. Para melhor explicar o assunto, nas considerações conceituais traçaremos as definições dos termos responsabilidade civil estatal, negligência e responsabilidade civil subjetiva.
Analisaremos tais teorias, discutiremos as correntes doutrinárias e jurisprudenciais que tratam da responsabilidade civil do Estado por condutas negligentes e a partir daí abordaremos as considerações finais. Em suma, pode-se dizer que a responsabilidade civil do Estado segundo a estudiosa Lídia Salomão. No ordenamento jurídico atual, o instituto da responsabilidade civil funciona com base em duas distinções: responsabilidade civil objetiva e responsabilidade civil subjetiva.
O ESTADO
BREVES ASPECTOS HISTÓRICOS
Para discutir a Responsabilidade Civil do Estado, algumas considerações devem ser feitas sobre a instituição da indenização civil. No caso do Estado, a responsabilidade civil do Estado é a obrigação do Estado de pagar pelos danos resultantes da sua conduta. A seguir veremos brevemente as duas principais teorias relacionadas à Responsabilidade Civil do Estado.
Ressalte-se que a conduta, no caso de responsabilidade civil estatal, não é interpretada como ação individual do agente público, mas no âmbito de um prestador de serviço público.
CONCEITO, ORGANIZAÇÃO E NATUREZA JURÍDICA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
RESPONSABILIDADE CIVIL
CONCEITO E ASPECTOS HISTÓRICOS
Segundo ensina José Cretella Junior, a responsabilidade civil visa “reprimir o dano privado, restabelecer o equilíbrio individual perturbado”14, estando portanto vinculada à infração civil. 927, do Código Civil, a obrigação de indenizar, com base na extensão do retorno da vítima ao status quo ante, tem, portanto, natureza compensatória. O conceito de responsabilidade pode ser retirado da origem da própria palavra, que vem do latim responder para responder a algo, ou seja, da necessidade de responsabilizar alguém por suas ações danosas.
Esta compulsão estabelecida pelo meio social regulado, através dos membros da sociedade humana, de impor a todos o dever de serem responsáveis pelos seus atos, reflete a própria noção de justiça que existe no grupo social estratificado (..), a partir da qual pode deduz-se que a responsabilidade é uma forma de externalizar a própria Justiça, e a responsabilidade é a tradução para o sistema jurídico do dever moral de não prejudicar os outros, ou seja, neminem laedere. Haverá o dever de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos previstos em lei, ou quando a atividade normalmente exercida pelo responsável pelo dano implicar inerentemente risco para os direitos de outrem17. Comete ato ilícito quem, por ato ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direitos e causar dano a outrem, ainda que de natureza puramente moral.
Comete também ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, exceda manifestamente os limites impostos pela sua finalidade económica ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes18.
REQUISITOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL
- Conduta (ação ou omissão)
- Nexo de causalidade
- Dano
- Culpa
A conduta, no caso da responsabilidade civil subjetiva, que será vista mais detalhadamente a seguir, possui uma particularidade. Além do nexo causal, o dano também é elemento essencial para a apuração da responsabilidade civil e, consequentemente, da obrigação de indenizar. É importante lembrar que a prova do elemento de culpa só é decisiva para a configuração da responsabilidade civil na modalidade subjetiva, que é assumida na responsabilidade objetiva.
Para abordar o tema principal, nomeadamente a responsabilidade civil do Estado por omissão, recorremos às seguintes considerações. Pode-se dizer que o final da década de 1980 foi considerado o período em que surgiram os principais diplomas jurídicos que conduzem a instituição da Responsabilidade Civil do Estado. O principal objetivo deste trabalho final de curso é abordar a responsabilidade civil do Estado por má conduta, tema ainda controverso na doutrina e na jurisprudência, que divide opiniões e atitudes entre os juristas.
Embora nossos Tribunais passem a aplicar com maior frequência a teoria da falta de serviço nas ações que tratam da responsabilidade civil do Estado por omissão, a doutrina e a jurisprudência ainda são inconsistentes nesse sentido. Conforme dito em outro lugar, a aplicação da responsabilidade civil na modalidade subjetiva, quando se trata de omissão do Estado, não é ponto incontroverso na doutrina. Por outro lado, temos a corrente que defende a modalidade subjetiva quando se trata de responsabilidade civil por omissão do Estado, dado que, nesta modalidade, a omissão do Estado é a causa do dano, mas sim ' uma condição para que o resultado ocorra.
O Tribunal de origem, face aos documentos factuais e probatórios constantes dos autos, forneceu a necessária justificação dos requisitos que dão origem à responsabilidade civil pela omissão do Estado. A jurisprudência deste Tribunal estabeleceu que a responsabilidade civil do Estado é subjetiva no caso de omissão. À luz das considerações acima transcritas, além da análise jurisprudencial dos nossos Tribunais Superiores, pode-se afirmar que no caso de responsabilidade civil do Estado por omissão, aplica-se a responsabilidade civil subjetiva, tornando-se necessário pagar o dano causado. a presença de todos os seus elementos, incluindo a dívida.
Pelo que foi exposto até aqui, concluir-se-á que a responsabilidade civil do Estado, no caso de omissões da Administração Pública, ainda é um tema controverso na doutrina e na jurisprudência.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA E SUBJETIVA
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO NAS
TEORIAS SOBRE A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
- Teoria da falta do serviço
- Teoria objetiva ou do risco administrativo
Quando falamos em responsabilidade civil do estado, referimo-nos aos entes da federação, nomeadamente a União, o município, o estado, o distrito federal e os territórios; bem como assuntos de administração indireta; .. autoridades locais, instituições públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista. As pessoas jurídicas de direito público respondem civilmente pelos atos de seus representantes, que nesta qualidade causarem dano a terceiros, agirem em desacordo com a lei ou descumprirem dever previsto em lei, ressalvado o direito regressivo contra os causadores de o dano. 0,45. As pessoas jurídicas de direito público interno respondem civilmente pelos atos de seus representantes, que nesta função causem danos a terceiros, ressalvado o direito de regresso contra os causadores do dano, se houver culpa ou dolo destes.
Portanto, a responsabilidade pecuniária do Estado brasileiro passou a ser reconhecida desde que a vítima comprovasse culpa ou dolo. Assim, “a culpa anônima ou a falta de serviço público, que gera responsabilidade estatal, não está necessariamente ligada à ideia de falta de algum agente específico”,47 e não é necessário falar em responsabilidade pessoal do agente público . , mas sim do Estado. Segundo o estudioso Celso Antônio Bandeira de Melo, a teoria da irresponsabilidade estatal foi, portanto, superada pela “ideia denominada sob a faute du service francesa.
A teoria da 'faute du service' ou dívida anônima corresponde a esta transferência da culpa individual do agente estatal para o próprio Estado. Esta teoria elimina a necessidade de debate sobre culpabilidade ou intenção por parte do Estado. Para esta teoria, a presença do dano, seja por ato ou omissão, é suficiente para dar origem à obrigação de indemnização do Estado.
Nesse caso, em hipótese alguma deve ser cogitada a ideia de culpa por parte do Estado ou de seu agente. Contudo, no que diz respeito à responsabilidade do Estado nos casos em que a negligência do Estado é condição para o dano sofrido, é necessário inserir uma frase curta entre parênteses.
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO NOS CASOS DE OMISSÃO 30
37 da CR/88, de forma geral, questionava a responsabilidade civil objetiva por danos causados pela administração pública direta ou indireta. Ocorre que, segundo entendimentos jurisprudenciais, atualmente majoritários no STF, ao tratar de danos decorrentes de negligência do Estado, a responsabilidade civil só dará origem aos danos relevantes se for comprovada a culpa do Estado. Se o serviço prestado pelo serviço se desviar do regime jurídico que lhe é imposto, por descontinuação do serviço, prestação tardia ou prestação inadequada, em consequência de deficiência na sua organização, a responsabilidade civil da pessoa colectiva e, consequentemente, da o Estado, que deverá então indemnizar o dano resultante desta negligência administrativa, deste acidente relativo à execução do serviço54.
O resultado é, portanto, que a responsabilidade civil do Estado, no caso de omissão, só será efetivada quando estiverem presentes os elementos caracterizadores da culpa. Quando o dano foi possível por omissão do Estado (..) deve ser aplicada a teoria da responsabilidade subjetiva. Ambas as vertentes têm sido aplicadas em julgamentos nos nossos tribunais, como veremos a seguir, e no caso dos tribunais superiores, a responsabilidade civil subjetiva tem encontrado maior respaldo.
Com base na análise comparativa das decisões dos tribunais nacionais, nota-se que o Supremo Tribunal de Justiça, nas decisões dos últimos 5 (cinco) anos, tem aplicado principalmente a responsabilidade civil subjetiva, nas ações indenizatórias cíveis derivadas de a liberação estadual. Carlos Velloso, relator, ouviu e acolheu o recurso para anulação da pena por danos morais imposta ao Estado, com base no entendimento estabelecido no RE 369.820/RS (DJU de no sentido de que, no caso de ato de omissão do poder público, a responsabilidade civil é subjetiva, exigindo a demonstração do dolo ou da culpa, porém, não é necessária a individualização desta, uma vez que a falta de atendimento pode ser imputada ao serviço público, de forma geral, o que não exclui a exigência de causalidade No caso de ato disfuncional do poder público, a responsabilidade civil por tal ato é subjetiva, o que significa que requer dolo ou culpa, que é um dos seus três aspectos, negligência, uso indevido ou descuido, ausência.
No caso de ato de omissão do poder público, a responsabilidade civil por tal ato é subjetiva, o que significa que exige dolo ou culpa, que é um dos seus três aspectos, negligência, incompetência ou imprudência, mas não é necessário individualizá-lo. la, considerando que a falta de atendimento pode ser atribuída ao serviço público, de forma genérica. Conforme visto anteriormente, a responsabilidade civil possui dois tipos; objetivo, onde o elemento de culpa está ausente na sua caracterização; e subjetivo, com necessidade de comprovação da culpa, pela sua ocorrência. Por estas razões e por tudo o que foi explicado no decorrer desta investigação, defende-se que no caso de responsabilidade civil do Estado, em caso de omissão, é predominante a prova do elemento de culpa, para que seja forçado a reparar os danos.
Vale destacar aqui que, apesar de ainda conter divergências doutrinárias e jurídicas quanto à aplicabilidade da responsabilidade civil subjetiva do Estado na omissão, a doutrina e a jurisprudência possuem grandes precedentes no sentido de considerar “culpa”, visto que se trata de uma responsabilidade civil subjetiva como demonstram os acórdãos do Supremo Tribunal Federal e do Supremo Tribunal Federal.