Para ele, pessoa é um ser que revela sua essência na ordem da especificação. Acima de tudo, revela-se na sua existência fazendo valer os seus direitos e deveres.
A ruptura moderna entre Moral e Política
O antropocentrismo moderno
- O humanismo antropocêntrico como naturalismo cristão
- A democracia de tipo liberal
- O pessimismo materialista
A liberdade de escolha, ou seja, o livre arbítrio, não se identifica com a liberdade de independência e expansão. Seguindo a tradição cristã, Maritain argumenta que a liberdade de independência não pode ser confundida com a liberdade da vontade.
A autoridade, o poder e a importância da hierarquia numa
Partindo do princípio de que todo homem nasce livre, “a democracia concebida segundo Rousseau” (MARITAIN, 1960, p. 58) confunde livre arbítrio com liberdade. Esse equívoco sobre a liberdade de independência baseia-se na falsa ideia de que a dignidade do homem exige que ele “não obedeça a nada além de si mesmo” (MARITAIN, 1960, p. 59).
A divinização do Indivíduo e do Estado
26 é mais do que “chegar à sua conclusão lógica no sonho totalitário: forçar as pessoas a obedecer, para que o Estado seja livre e todo-poderoso” (MARITAIN, 1957, p. 167). Afirmar a igualdade natural entre as pessoas significa para o idealismo igualitário que ele quer que toda desigualdade entre elas desapareça” (MARITAIN, 1960, p. 135).
A deturpação da Lei Natural pelo Liberalismo anárquico
Assim, se o homem pertencer inteiramente à sociedade e de acordo com tudo o que nele existe, teremos como lema “tudo no estado, nada contra o estado, nada fora do estado” (MARITAIN, 19[.,] , p.25 ). A falsa conquista da liberdade, sem qualquer determinação ética conforme a razão, trouxe também erros ideológicos no campo teórico que transformaram a sociedade dos homens livres em servas de uma política de dominação. Além disso, é o que constitui a base das leis positivas, que por sua vez só têm legalidade de acordo com a lei natural.
33 inalienáveis apenas na medida em que se baseiam "na própria natureza do homem, que, é claro, nenhum homem pode perder" (MARITAIN, 1959, p.118). Os defensores de uma sociedade de tipo comunista acreditam que o fundamento da dignidade reside no poder de submeter os bens da natureza “ao comando colectivo no corpo social”. Os defensores de uma sociedade personalista, por outro lado, “vêem o sinal da dignidade humana, antes de tudo, no poder de colocar os mesmos bens da natureza ao serviço da realização comum de bens fundamentalmente humanos, morais e espirituais e de direitos humanos”. . a liberdade da autonomia” (MARITAIN, 1959, p.126).
Isto implica, portanto, para ele a importância de recuperar a ideia de direito natural e, assim, de definir a sociedade a partir de uma perspectiva que integre a dimensão política com a dimensão moral. Qual imagem de uma pessoa é a base de uma concepção autêntica de democracia.
Consequências da supressão da moral na política
O direito natural garante, portanto, a possibilidade de afirmação da dignidade humana e da constituição de uma justiça justa. A partir do século XVIII, com o abandono do conceito de direito natural, defendido por Maritain, a dignidade também passou a ser afirmada de diversas formas. Para Maritain, dos três grupos acima, aquele que confia numa imagem verdadeira de quem é um ser humano está certo.
Primeiro, porém, iremos simplesmente apontar algumas consequências que Maritain apontou para a questão da supressão da moralidade na política. A imanentização que se desenvolveu nos tempos modernos veio da espontaneidade desta vontade rebelde, que acrescentou uma obediência imanentista à qual Lutero teve forte influência no futuro desapego dos valores divinos e metafísicos. A obrigação moral aparece como uma compulsão fora de nós mesmos, na medida em que nós, embora dotados de razão, somos maus e rebeldes contra a razão” (MARITAIN, 1977, p.177).
Neste caso, é o Estado que obrigará como se este fosse o significado mais profundo e essencial em si mesmo para a vida política divorciada da moralidade. Assim Maritain conclui que “a pior tentação que a humanidade enfrenta, em tempos de noite escura e de crise universal, é abandonar a Razão Moral” (MARITAIN, 1959, p. 90).
O Homem indivíduo e o Homem pessoa
O indivíduo e a pessoa na vida política
Nesse sentido, Maritain argumenta que “o homem é um indivíduo que se define pela inteligência e pela vontade” (MARITAIN, 1962, p.20). Em outras palavras, Maritain argumenta que “o bem político comum é um bem comum das pessoas” (MARITAIN, 1962, p. 107). 44 Nesse sentido, Maritain argumenta que “a sociedade se forma como algo exigido pela natureza e (dado que esta natureza é a natureza humana) como um trabalho realizado por um trabalho da razão e da vontade, e livremente aceito” (MARITAIN, 19 [., ], página 15).
Para Maritain, “a primeira condição da correção moral é amar mais o bem do que a felicidade” (MARITAIN, 1973, p.100). Nesse sentido, explica que o ser humano “como indivíduo, é obrigado a servir a comunidade e o bem comum por necessidade, ou por limitação, sendo superado por eles como parte do todo” (MARITAIN, 1962, p. 82). Neste caso, então será uma sociedade mais ampla, definida pela sua capacidade de alcançar autonomia e paz, que se tornará uma sociedade perfeita” (MARITAIN, 1959, p. 231).
Maritain esclarece ainda que “o homem, por natureza, exige levar uma vida política e participar ativamente da comunidade política” (MARITAIN, 19[..], p. 111). A liberdade total da Igreja é ao mesmo tempo um direito que vem de Deus e é dela, e ao mesmo tempo uma exigência para o bem comum da sociedade política” (MARITAIN, 1959, p. 153). Implica também que “na intimidade do ser o peso da individualidade diminui e o da verdadeira personalidade e sua generosidade aumenta” (MARITAIN, 1962, p. 48).
Assim, Maritain afirma que “a pessoa humana existe como parte de um todo que é maior e melhor que as suas partes e cujo bem comum vale mais que o bem de cada um” (MARITAIN, 1962, p. 65).
A ação moral do indivíduo na sociedade temporal
A Pessoa humana
Para Maritain, ao estar aberto à dimensão transcendente, o homem pode afirmar-se na sua subjetividade e personalidade. Neste sentido, Floucat deixa claro que a pessoa humana é um ser metafísico e é porque é um ser metafísico de acordo com o mistério ontológico e o reino dos transcendentais que ele é um ser moral. na moralidade porque é principalmente reflexão metafísica24 (FLOUCAT, 1996, p. 120). O bem da pessoa humana, numa identificação intencional, partilhará com o bem-estar geral da comunidade dos homens divinos.
Mas o homem está muito longe de ser um homem puro; a pessoa humana é um indivíduo materialmente pobre, um animal que nasce mais carente do que todos os outros animais. Se a pessoa como tal é um todo independente e o mais elevado em toda a natureza, a pessoa humana está no nível mais baixo de personalidade, é privada e miserável; Ele é uma pessoa pobre e necessitada [...] E, no entanto, é por causa de sua personalidade como tal, e das perfeições que possui como um todo independente e aberto, que ele exige entrar na sociedade (MARITAIN, 1962, p.64) - 65). 58 Para Maritain, as pessoas são sempre chamadas a aumentar a sua liberdade interior através do exercício do livre arbítrio e, desta forma, já trazem para a vida social os fundamentos da justiça e da amizade, bens imanentes à atividade espiritual e superiores aos da sociedade. de bens temporais e materiais.
Portanto, o bem-estar da pessoa humana é superior ao bem-estar de toda a sociedade, ainda que o indivíduo faça parte da sociedade em que vive. O significado da pessoa para Maritain é o de um todo composto de bondade e sabedoria, pois desta forma Deus experimentou que se une à criatura na sociedade das pessoas humanas e nela se comunica através da inteligência e do amor.
A democracia orgânica
Uma sociedade personalista e comunitária para os novos tempos
Além da eudaimonia aristotélica, da virtude estóica e do prazer epicurista28, Maritain defende o ideal de felicidade baseado no princípio cristão da revelação. Para os epicuristas, a virtude é a capacidade de cálculo utilitário, da qual surge a sabedoria de julgar quais prazeres escolher ou evitar. Como vimos no capítulo anterior, o regime inframoral, ou seja, o regime da moral separado da perspectiva metafísica e teológica, desempenha um papel excepcional na vida humana, porque neste ambiente existe “um tesouro de cultura comunicativa que recebemos de cada um”. outro” (MARITAIN, 1962, p. 88).
Para Maritain, só a política ligada a um regime excessivamente moral atinge o seu propósito mais adequado. Assim, a pessoa humana e o corpo político estão diretamente subordinados aos bens temporais que se resumem na participação numa vida íntima com Deus, fim último da existência humana. Portanto, para Maritain, a democracia só se concretizará na medida em que se basear numa visão personalista e comunitária da sociedade política.
Como veremos a seguir, isso não significa a defesa de um interesse comum homogêneo ou de uma igualdade abstrata. Assim, ele nos ensina que “a consciência, aplicando os preceitos morais, torna-se o verdadeiro árbitro e não alguns princípios abstratos perdidos num céu platônico” (MARITAIN, 1958, p. 89).
A democracia orgânica e pluralista
Para ele, a democracia orgânica baseia-se na elaboração de uma nova fé democrática secular31, na qual os direitos humanos e o direito natural têm grande destaque. Ali Maritain viveu a experiência de uma democracia mais existencial do que na Europa, o que, na sua opinião, isolou a vida do povo num ódio militante à religião. Maritain sugere que os direitos e obrigações fundamentais das pessoas devem ser inspirados “nas ideias orientadoras de uma democracia nova, orgânica e pluralista”.
Pelo contrário, a condição para a realização das leis universais virá de uma religião secular democrática, que colocará esses mesmos bens naturais ao serviço dos bens morais e espirituais. Porém, se na prática nos privarmos de uma boa ação (que já está pressuposta no conhecimento natural com tendência enraizada na razão) e formos em direção ao mal, o fruto desse mal ocorrerá, pois o círculo do ser, da beleza e do bem é fechado. , estaremos apenas na dinâmica da nossa vontade. Afinal, como já dissemos, não existe poder soberano para o Estado e para o povo mítico de um só.
O princípio de uma democracia deve, portanto, ser um governo que se exerça de forma plural e em comunhão com o povo, para que todos estejam conscientes dos assuntos de interesse para o bem comum e para o trabalho comum, não como espectadores passivos e neutros, mas antes “de caráter mais vital que jurídico” (MARITAIN, 1960, p. 83). Por fim, vejamos como Maritain, com base em propostas de democracia orgânica, pretende reformular a moral e a política.
Política e Moral
Eles surgem de uma evolução histórico-empírica da compreensão dos seres humanos sobre a lei natural ou as normas morais. É o que chamo de método histórico-empírico para o reconhecimento a posteriori das regulamentações próprias do direito natural” (MACHADO, 2006, p. 91). Estas deficiências estão entrelaçadas com os princípios do bom direito positivo, cuja fonte é a presença do amor de Deus através do direito natural.
Nosso autor argumenta que os direitos humanos se baseiam nos limites da lei natural. Mas, por outro lado, o pluralismo jurídico pode ser permitido na política, não como um sistema de vida moral, mas de uma vida pacífica que procura honrar a diversidade de concepções dentro dos limites do direito natural. Dessa forma, Maritain conclui que a autoridade, quando bem aplicada, deve advir da revelação do direito natural que ultrapassa os limites da radiação jurídica do Estado.
Sem este reconhecimento não distinguiremos o que é um preceito do direito natural daquilo que é simplesmente um certo costume aplicado pelo direito positivo. A solução reside na rearticulação entre moralidade e política, que se baseia no pressuposto antropológico de que o homem como pessoa só se realiza através da obediência à lei natural.