Concepções de arte pública e museus na experiência da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro na década de 1970. Concepções de arte pública e museus na experiência da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro na década de 1970.
CONCEPÇÕES DE ARTE PÚBLICA E DE MUSEU 1628
Arte pública contemporânea…
Para este estudo, também nos debruçamos sobre a análise de Katia Herzog (2012, p.30), onde a arquitetura moderna herdou o desejo de ação política e a capacidade de reinventar o espaço urbano. Quando pensamos na arte pública moderna, encontramos a sua nova versão ampliada representada na ideia de arte extramuros.
Arte extramuros
Em 1948, foi assinada a ata de inauguração do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, tendo Raymundo de Castro Maya como presidente. -Educação no museu: um estudo dos setores educacionais na Pinacoteca e no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Sobre a definição de museu e a nova museologia
- O Museu moderno
- Aspectos filosóficos: a neutralização da cultura
- A Criação do museu moderno no Brasil
- A função educativa dos Museus
- A museologia experimental
DO EXPERIMENTALISMO ARTÍSTICO BRASILEIRO Erro! Indicador
O Governo Militar e o panorama cultural no Brasil
Portanto, aqueles que estabeleceram uma reflexão crítica sobre a política do regime militar ou que, com suas propostas artísticas, se distanciaram da “leitura” oficial do Brasil e dos brasileiros, foram expostos a diversas formas de violência, como censura, tortura, exílio, etc. medidas drásticas como a morte. Segundo a coleção Memórias da Ditadura, a ditadura militar no Brasil parece ter passado por três fases distintas ao longo dos seus 21 anos de existência. A primeira fase foi dominada pela legalização do regime autoritário através de decretos-lei e de uma nova constituição, onde foi instalado como uma roupagem legalista - de 1964 a 1968.
A segunda, o ressurgimento da repressão e da violência estatal contra os opositores da ditadura, em que viveram durante os anos de terror – de 1969 a 1978.
As Artes Plásticas e a Ditadura Civil-militar no Brasil
Logo, em 1965, um grupo de 29 artistas visuais realizou a exposição Opinião 65 no Rio de Janeiro, uma experiência de vanguarda, provocando artistas e público a se posicionarem e formarem opiniões diante do contexto político repressivo. A exposição aconteceu no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, criando um espaço de diálogo e exposição em que artistas e público buscavam opinar sobre a situação sócio-política brasileira com obras experimentais marcadas por uma nova figuração. Ainda em 1967, as propostas expositivas e o contexto político atual favoreceram a criação da exposição coletiva Nova Objetividade Brasileira, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, sendo uma espécie de equilíbrio entre as correntes de vanguarda e seus objetivos políticos.
Ainda em 1967, Antônio Manuel concebeu O corpo é a Trabalho e apresentou-se nu diante do júri de seleção do Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
O Experimentalismo Neoconcreto
A famosa apropriação do objeto cotidiano, colocado no lugar do objeto de arte, fundiu dois campos: o estético e o utilitário. Por isso, optamos por começar a investigar algumas questões fundamentais sobre o objeto que nos chegou. A utilização do objeto comum pré-fabricado – o ready-made de Duchamp (Roda de Bicicleta, 1913; . Porta Garrafa, 1914; A Fonte, 1917) – corresponde ao gesto radical da chamada antiarte.
Se por um lado a ação ironiza e busca decretar o fim da arte, por outro ativa o lugar entre, situado entre as categorias do objeto estético e do objeto utilitário.
O Experimental em Questão
Hélio Oiticica transita em sua trajetória artística desde objetos neoconcretos, de caráter geométrico e racionalista, até os populares 'Parangolés', que hoje podem ser vistos como exemplo de subversão [micro]política e estética. Um Parangolé não pode simplesmente submeter o olhar do observador à sua representação, como na escultura Bólide, ou na gravura Metaesquema entre um tipo de obra e outro, e isso não pode ser compreendido sem levar em conta uma mudança de paradigmas”, afirma Hélio Oiticica. Concordamos que a participação do espectador tornou-se fundamental, a tal ponto que Hélio Oiticica chamou essa participação de “propostas de criação”.
A posição de Hélio Oiticica reflete o questionamento da imposição de um conjunto de ideias e estruturas acabadas ao seu público como prática de participação, mas também questiona uma concepção que está arquivada na vida (COELHO, 2021).
Ações participativas: a virada neoconcreta
Zalinda Cartaxo defende que “a contemporaneidade discute o papel e o lugar da arte, promovendo a sua saída dos espaços idealizados das instituições”. Neste contexto, questionou-se o papel das instituições, o lugar da arte (os museus e galerias ‘cubo branco’), o mercado e o público.” (CARTAXO, 2006). A natureza plural da arte contemporânea, capaz de conciliar diferentes linguagens, estendeu o seu suporte tradicional à escala urbana.
Segundo Favareto, “até o final da década de 1960, as diversas tendências experimentais transformaram o panorama da arte brasileira, tanto em termos formais quanto em relação às posições ético-estéticas”.
Intervenções didáticas
Luiz Sérgio de Oliveira reitera que de uma forma ou de outra é necessário reconhecer que o deslocamento da produção artística contemporânea em direção ao espaço público é um fenômeno que nunca foi apoiado pelo sistema artístico de museus e galerias por razões suficientemente óbvias, uma vez que este sistema não tem controle sobre eles. Ao sair do seu ateliê, local tradicionalmente identificado com a criação de objetos de arte, e ao articular seus projetos repletos da imaterialidade do encontro com o outro, esses artistas revelam sua recusa em abastecer o mercado de arte com novos objetos." Segundo o autor, esses artistas também atacam um dos pilares desse mercado com práticas que sugerem a subtração da autoria, tal como ela tem sido tradicionalmente tratada e valorizada pelo sistema artístico.
Vale lembrar também que o mercado de arte brasileiro nas décadas de 1960 e 1970 ainda não abrangia a produção experimental.
Arte no Aterro: um mês de arte pública (1968)
Para Francisco Dalcol (2018, p. 134), trata-se da “Arte no Aterro — Mês da Arte Pública”, evento que Frederico Morais volta a promover com o patrocínio do Diário de Notícias, seguindo o exemplo de “O Artista Brasileiro e a Missa”. Iconografia". O Mês da Arte Pública”, promovido pelo DN [Diário de Notícias], o público carioca poderá assistir e participar de diversas manifestações artísticas dos mais importantes artistas brasileiros, que já são conhecidos por suas propostas ousadas, abertas e revolucionárias. A ideia inicial era que "Arte no Aterro" fosse a primeira de três promoções que a secção de artes visuais do Diário de Notícias tinha planeada para 1968, e o projecto incluía também uma exposição de arte de vanguarda chamada META35, que apresentaria anual, baseado nas questões centrais do mundo da arte brasileira.
A ambição de encontrar forma e espaço próprios, numa espécie de momento inaugural, ecoa um desejo de dissolver o objeto de arte na Lei.
Playgrounds (1969)
A forma de organização e funcionamento da Unidade Experimental procurou atender às exigências de existência, produção, circulação e crítica da arte. Assim, a utilização deste conceito permite um melhor lazer e criação neste novo museu de arte proposto. A obra coletiva Circumambulation (1972) foi um evento-instalação que registrou ações e reproduções de pinturas desenvolvidas pela professora Anna Bella Geiger com alunos e realizadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1972.
Integrada aos cursos livres do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, dirigidos por Frederico Morais, a Unidade Experimental foi criada como um laboratório de novas linguagens, onde os sentidos, o pensamento, a técnica e a ciência pudessem ser matéria para ampliar fronteiras e espaços da criação.
JAC - Jovem Arte Contemporânea (1973)
A UNIDADE EXPERIMENTAL
Histórico
Segundo Lourenço (1999), com a criação da unidade experimental, foram instalados cursos de cultura visual moderna e linguagem das artes visuais, com funcionamento diário e com público selecionado pelo vestibular. A Unidade Experimental buscou integração entre os cursos e ampliação da oferta de interação para um público amplo com o museu. Segundo Luiz Alphonsus (2017, p.26), a ideia da unidade experimental foi o trabalho experimental.
Luiz Alphonsus afirma assim que a Unidade Experimental tornou-se uma coisa orgânica, criou vida própria.
Objetivos
Um laboratório de vanguarda
Para compilar uma espécie de cartografia e panorama do programa público da Unidade Experimental, identificamos alguns marcos e aspectos conceituais relevantes do mesmo. No depoimento de Ronaldo Macedo, ex-aluno da Unidade Experimental, ele lembra que no Rio de Janeiro da época existiam dois importantes centros de educação e formação artística: a Escola de Belas Artes e o MAM Rio. meu professor de história da arte e da arquitetura no Rio de Janeiro.
Vejam: fui aluno do Cildo Meirelles, acho que foi a única vez que ele deu aula na vida, num setor inicial e muito importante do MAM chamado unidade experimental.
Plano-piloto da futura cidade lúdica
A concepção teórico-prática de Frederic Morais está também relacionada com o que Mário Pedrosa (1961) preconizava como museus de arte contemporânea, como “casas e laboratórios de experiências culturais”. Domingos da Criação” foi palco de um emblemático evento ambiental realizado nos jardins do MAM Rio. “Domingos da Criação” se consolidou como um local de intersecção de significados e possibilidades do que um museu poderia ser.
Por isso, entendemos a profundidade dos “Domingos da Criação”, como um importante espaço artístico e educativo para a paisagem urbana.
O Curso Popular de Arte (1969 - 1972)
O texto de Jéssica Gogan destaca que cerca de 10 mil pessoas participaram de atividades na área externa do museu. Jéssica Gogan conta ainda que os jornais da época noticiaram que o curso fazia parte da política de “democratização e difusão da arte” do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que havia começado no ano anterior com entrada gratuita aos domingos para exposições . e feiras de arte promovidas pela Associação Internacional de Artistas Visuais. Assim, na execução, este curso também contou com a energia da contracultura do tropicalismo e do legado ativista do Centro Popular de Cultura do início da década de 1960, o curso de arte popular também ofereceu aulas sobre a nova cinematografia - que o cotidiano, o político e o participativo, fundamentalmente unido na busca de novas formas e formatos de experimentação artística.
No levantamento do acervo42, verifica-se que as quatro turmas iniciais do primeiro semestre de 1970 foram “Cultura Brasileira e Renovação Artística”, com Pessoa de Morais, no dia 8 de março; “Fundamentos Folclóricos da Cultura Brasileira”, com Edson Carneiro, em 15 de março; “Cultura brasileira uma perspectiva sociopolítica”, com Hélio Jaguaribe, em 22 de março; E, “Por uma visão antropológica da cultura brasileira, com Roberto Da Matta, em 29 de março.
Atividade/Criatividade (1971)
In: Arte & Ensaios, Revista de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes/UFRJ, Rio de Janeiro, n. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social e Cultural da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).Rio de Janeiro, 2012. Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais/Escola de Belas Artes, UFRJ, 2018.
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estética e História da Arte - Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo).
Circumambulatio (1972)
Curtir o MAM (1973)