Crítica do sensível na teoria da alma racional de René Descartes/Edgard Vinícius Cacho Zanette. O cogito forma a base da teoria de Descartes da alma puramente racional e faz parte de um contexto mais amplo que.
EXAME DOS PREJUÍZOS E CRÍTICA AO SENSÍVEL NA PAS-
Crítica ao sensualismo na passagem da “Primeira” para a “Segunda me-
Desse ponto de vista, o filósofo das Regras para dirigir a mente não se esquece de enfatizar que “[..] nada há de mais útil do que buscar o que é o conhecimento humano e até onde ele se estende”14. A afirmação de Laporte sobre a coexistência do ideal e do real no ego procede de tal forma que não há possibilidade de um ser ser reduzido a outro, nem de um excluir o outro18.
Meditação metafísica e a instalação da dúvida
A transformação do modus operandi da dúvida metafísica centra a investigação num único ponto de convergência, a saber: a determinação da causa e origem do sujeito meditante. Tudo indica que o escopo do terceiro grau de dúvida é examinar com precisão a validade genérica do aparato cognitivo humano, bem como sua finalidade.
Inspeção do sensível e razões de duvidar
CRÍTICA AO SENSUALISMO, DESCOBERTA DO COGITO E
Conhecer a alma e não conhecer o corpo: um problema fundamental
A princípio, o exame da alma racional faz da crítica do sensualismo seu aliado mais próximo, que se esforça, agora no. Ao contrário do que possa parecer, a originalidade do cartesianismo nunca foi colocada sob uma possível separação dessa tradição de crítica ao sensualismo.
A descoberta do cogito: prova da indubitabilidade, da existência e da
Ocorre que mais adiante, na “Terceira Meditação”, se coloca a questão diante das duas provas da existência de Deus pelos efeitos do confronto entre o poder do grande enganador, quando não pensamos na verdade do cogito, à luz da análise epistêmica e ontológica de defesa da atualidade da verdade dos ego-cogitans sobre si mesmos. Se, ao final da “primeira meditação”, todas as referências à existência de um mundo externo foram provisoriamente rejeitadas, e as provas matemáticas foram questionadas.
O Cogito: enunciação, intuição, unicidade
O Ego cogitans reconhece que a certeza implica sua própria existência, que mostra evidências inatas de sua realidade e, ao mesmo tempo, esse processo se refere a atos de consciência, uma consciência que é principalmente autoconsciência. A dedução pressupõe a relação de uma intuição com outra, e assim por diante, de modo que seja possível chegar a uma conclusão a partir de uma cadeia de intuições.
O Cogito: a experiência de examinar a natureza de certo ente
O problema de considerar a experiência do cogito como a descoberta ontológica de um ser inimaginável, distinguindo entre a existência desse ser, sua consciência como ser pensante e o nível de representação que seria inferior, é que tomar a ego fora dos cogitans. Se o meditador só reconhece que existe porque pensa, como pode o pensamento se desvincular dessa experiência da mente de um ser que se reconhece pensante?
O Cogito: substancialidade e abstração
Ora, a distinção entre a substância e suas propriedades deve levar em conta que “devo abstrair a substância apenas provisoriamente de seus modos, unicamente com vistas a distingui-la deles para verificá-la como substância, sem, contudo, gostar de relacionar. eles uns aos outros. com a eliminação da característica Mas, mesmo considerando a importância de cobrir a substância por acidentes, por outro lado, a característica principal é uma qualidade indissociável da substância e tem um status, em certa medida, privilegiado.
Modos ou acidentes, redundantemente, são modificações variáveis, de modo que "não importa" qual atributo nos leva a conhecer a substância, pois o básico é que existe um atributo principal do qual todas as outras qualidades são baseadas. são eles que o estão assumindo. Nota-se que há um aparente impasse entre a impossibilidade de excluir atributos, que só podem ser abstraídos do espírito, e a aceitação da primazia do atributo principal em detrimento de outros que seriam secundários e, portanto, meramente condicionais. . Sobre o assunto, tudo indica que a interpretação mais econômica e de acordo com o texto cartesiano é aceitar um equilíbrio entre a verificação ontológica da prioridade da substância em relação ao acidente, prioridade entendida em nível horizontal. isto é, em uma escala ascendente de importância ontológica.
Assim, a substância necessariamente se manifesta ao sujeito cognoscente por meio dos acidentes, pois sem a manifestação deles não é possível acessar a realidade das coisas pelo conhecimento do atributo principal.
Cogito: forma concreta de uma realidade pessoal ou universal abstra-
O intérprete argumenta que o cogito, na "Segunda Meditação", manifestaria a entrada em cena de um eu pessoal particular ainda fixado sob os pensamentos de uma existência concreta. Em outras palavras, se aceitarmos a tese de Laporte, como justificar a independência dos ego cogitans em relação a velhos preconceitos? Além disso, se a "pessoa" é descoberta através da "Sexta Meditação", que diferença haveria entre a concretude pessoal da "Segunda Meditação" e aquela unidade psicofísica da pessoa, descoberta única e fundamental da "Sexta Meditação".
De nossa parte, acreditamos que não é o caso na "Segunda Meditação" que o pensamento é uma natureza especial que, após a descoberta do cogito, expressaria "a forma concreta de uma realidade pessoal". Além disso, parece que se especificarmos a natureza desse sujeito abstrato na "Segunda Meditação", como preconiza Laporte, seria difícil explicar a individualidade e particularização da própria pessoa, pois o princípio da individuação entre indivíduo e um outro também depende do corpo e de suas nuances próprias e evidentes à vivência da união essencial. Embora os ego-cogitans não sejam um sujeito concreto em particular, o espírito como força conhecedora não extrai a historicidade da experiência cotidiana.
Por um lado pela sua intimidade, isto é, pela transparência imediata da verdade de si enquanto ego-cogitans – aqui estamos no âmbito da representação do sujeito por si mesmo, em que a tomada desta autoconsciência ilumina a sua identidade.
O Cogito e os limites da linguagem
Desta forma, há a percepção e percepção de que sou o objeto dos meus atos de pensamento, e ainda que tenho a capacidade de acessar a própria essência através do conhecimento que tenho da propriedade principal (pensamento). Neste caso, como não existem ego-cogitans sem estados, aprofundar o conhecimento dos estados, qualidades e propriedades é um projeto que deve ser continuado, pois quanto mais os descubro e investigo, mais conheço aquela substância, à qual eles se referem e, portanto, sei melhor o que sou em sentido geral e abrangente.78 Mas em sentido essencial e estrito não sou senão uma res cogitans. Além disso, a redução ou limitação do cogito ao seu simples escopo proposicional traz problemas quanto ao aspecto contingente da linguagem.
A liberdade que a mente tem para acessar ideias e representações se contrapõe ao importante campo da linguagem socialmente compartilhada, pois não há uma relação necessária que estabeleça uma ponte entre a ideia - pois isso é comum a todas as mentes - e o ato de representação, que deve necessariamente incidir sobre uma palavra ou signo específico - já que este último pertence e é específico de uma língua específica. Mas se, por um lado, a arbitrariedade da linguagem é um limite intransponível, por outro lado, devemos necessariamente rotular e registrar nossos pensamentos de acordo com essa mesma arbitrariedade, pois a ciência é feita de afirmações, livros e teorias que querem um registro, que se manifesta intelectualmente. De fato, o objetivo da crítica cartesiana ao limite da linguagem é explicitar a referência necessária de toda e qualquer teoria possível.
Os signos são signos arbitrários, enquanto o significado, ou a percepção intelectual do que quer que seja, necessariamente se cruza com a autopercepção da verdade.
O olho e o espelho: a consciência-de-si como condição da represen-
O olho e o espelho: a autoconsciência como condição da representação. o espírito passa a conhecer a si mesmo como res cogitans. A autoconsciência não aparece ao sujeito a partir do conteúdo de nenhuma representação específica, mas é o pensamento que fundamenta toda representação possível quando se reconhece como existente. É pela operação que lhe convém, pelo conhecimento imediato de si mesmo, que o Espírito pode realmente ser chamado de "essencial"84.
Nesse sentido, contra a crítica de que “o pensamento não pode existir sem um objeto; por exemplo, sem corpo", diz o filósofo que. é preciso evitar o mal-entendido da palavra pensamento, que pode ser tomada como a coisa do pensar e também como a ação dessa coisa; Agora, eu nego que a coisa pensante precise de algum outro objeto além de si mesma para exercer sua ação, embora possa estendê-la às coisas materiais quando as examina. Esta passagem é clara e fundamental para desmantelar qualquer possibilidade de interpretação do cogito como se a verdade de si estivesse constantemente emergindo apenas das percepções de conteúdos que seriam lançados prioritariamente como objetos. Ao contrário, é a consciência que estabelece a possibilidade de apreender todos os objetos possíveis, e sua autonomia é completa em relação aos objetos que são liberados em sua capacidade significante.
Partindo de uma dupla caracterização – a) da autoconsciência como base para a percepção de todo objeto possível, eb) do ego-cogitans como uma força cognoscente – continuaremos o estudo da natureza no próximo capítulo. do cogito do ponto de vista da crítica cartesiana ao sensualismo.
EXAME DA NATUREZA DO COGITO, PSICOLOGIA RACIO-
O ego cogitans e os prejuízos sensualistas: crítica aos hábitos irre e-
Quanto ao corpo, será necessário desenvolver uma teoria da homogeneidade da matéria que não se misture com as características e propriedades da teoria da alma. Portanto, é importante elaborar uma teoria da alma pura que não se misture com os preconceitos e sentimentos da experiência pessoal e, assim, se limite à própria universalidade da razão. Descartes defende o sensível na medida em que lhe restitui um alcance e uma realidade que não se confundem confusamente com o que é essencialmente do espírito.
Na "Segunda Meditação", o aspecto problemático do exame da noção de homem é que ela expõe uma noção irrefletida que não se conforma com as intenções metodológicas do filosofar. Agora, todo e qualquer conhecimento da natureza da alma requer este delineamento neste momento de investigação, para que não haja mistura ou confusão entre as esferas mental e mental. O § 8º é fundamental no projeto de mostrar que a "coisa-pensamento" é essencialmente um ser abstrato, um conceito, ou uma inteligência pura, pois a única coisa que não foi possível abstrair do sujeito do pensamento, a realidade dele como uma coisa pensante.
O esforço da alma para não imaginar a partir de meros intelectos destina-se a mostrar que não é pelos sentidos que sabemos o que é uma coisa corpórea. 149 "Sou tão dependente do corpo e dos sentidos que não posso existir sem eles?". Em relação ao pensamento que aparece como conclusão: "Sei que ficou alguma coisa...", a não assunção do sujeito do pensamento leva à conclusão drástica de que não haveria como igualar ou manifestar a duração adulta.
Essa preeminência é confirmada pelo fato de que não me descobri como res cogitans pela imaginação ou pelos sentidos, pois não tomei consciência do que sou pela contemplação de nenhuma imagem. A imaginação e os sentidos devem, portanto, relacionar-se com a alma, na medida em que não podem ser compreendidos sem ela.