O benefício jurídico na elaboração desta pesquisa é a proposta de regulamentação da parentalidade múltipla no ordenamento jurídico brasileiro, de modo que a paternidade e a maternidade socioafetivas são necessárias para serem registradas no estado civil. Por fim, o quarto capítulo denominado “Sucessão na filiação múltipla” tratou das consequências da filiação múltipla na instituição da herança.
DO INSTITUTO FAMÍLIA
Conceitos e modelos de família
Os diferentes grupos que compõem a família são formados a partir dos laços familiares: grupo conjugal, grupo parental (pais e filhos), grupos secundários (demais parentes e afins). 5. Essa nova tendência familiar que se desenvolveu através dos pilares do afeto foi chamada de família eudemonística.
Princípios norteadores do direito de família
- Principio da dignidade da pessoa humana
- Principio da solidariedade familiar
- Principio da liberdade
- Principio da afetividade
- Principio da proteção integral da criança e do adolescente e principio do
7º Respeitados os direitos da criança e do adolescente, aplica-se o disposto no artigo. No direito de família, o princípio do interesse superior da criança e do adolescente é a base para a investigação da paternidade e da filiação socioafetiva.
Do parentesco
Parentesco
O grau é a unidade de parentesco em cada linha, contada a partir de uma pessoa e seus parentes imediatos.58. A forma como os graus de consanguinidade são contados difere entre parentes lineares e civis.63. Paralelamente, a consanguinidade também é contada pelo número de gerações entre parentes, mas é necessário subir até o ancestral comum e depois descer até o outro parente para identificar o grau de consanguinidade.65 Um exemplo disso são os irmãos que são segundo parente.grau, eis que uma geração separa cada um do pai, que é o progenitor comum de ambos.66.
Outro tipo de parentesco é o de afinidade, que pode ser fruto do casamento ou de uma união estável, o cônjuge e companheiro não são parentes, embora façam parte da família, mantêm vínculo de afinidade com os parentes do casal. No caso de parentesco por afinidade, o vínculo não se dissolve completamente após a dissolução do casamento ou da união estável. Historicamente, sempre se reconheceu que os laços de sangue criam o chamado parentesco natural, sendo o parentesco civil decorrente da adoção denominado parentesco civil.71.
Com o desenvolvimento das modernas técnicas de reprodução assistida, criou-se a desbiológica da parentalidade, impondo o reconhecimento de outros laços de parentesco. 1.593, outras modalidades de parentesco civil que não o resultante da adoção, aceitando assim a noção de que também existe parentesco civil na relação parental derivada quer de técnicas heterólogas de reprodução assistida em relação ao pai (ou mãe) que não contribuiu com a paternidade fértil , ou material socioafetivo, baseado na posse da condição de filho”. 79.
Parentalidade socioafetiva
- Os requisitos para sua existência
Percebe-se que o parentesco biológico não é o único previsto em nosso ordenamento jurídico pois permite outra origem de parentesco o artigo acima citado autoriza o reconhecimento dos pais socioafetivos corrobora o comunicado 256 do Conselho Federal de Justiça- CJF. isto, prevendo que “ter o estatuto de filho (parentalidade sócio-afetiva) constitui uma modalidade de parentesco civil”.86. Segundo José Bernardo Ramos Boeira,88 a posse da condição de filho é uma relação afetiva, íntima e estável, caracterizada pela reputação perante terceiros como se fosse filho, e pelo tratamento que existe na relação pai-filho relação. em que há a vocação de filho e a aceitação de ser chamado de pai. 1.593: O reconhecimento judicial do parentesco por amor social deve ocorrer a partir da relação entre o(s) genitor(es) e o(s) filho(s), com base na posse da condição de filho, para produzir efeitos pessoais e patrimoniais.
A partir do momento em que a sociedade passa a considerá-los como pais e/ou mães, diante dos quais se exerce a condição de filho, tal situação se torna legal, o que inevitavelmente gera entre os participantes da relação filial, direitos e deveres; compromissos e aspirações; O Parecer nº 7 do Instituto Brasileiro de Direito de Família -IBDFAM- confirma isso ao prescrever que a posse da condição de filho pode constituir paternidade e maternidade.95. Por fim, o Ministro Massami Uyeda destacou que após a assinatura do vínculo socioafetivo, o pai adotivo não poderá desconstituir a condição de filho já confirmado pelo véu da paternidade socioafetiva.102.
Reconhecer a filiação socioafetiva seja pela posse do estatuto da criança, pelas técnicas reprodutivas, pela “adoção brasileira” ou por outros meios que possam desenvolver, e estabelecer vínculo jurídico, que vise proteger crianças e adolescentes. A filiação socioafetiva, baseada na posse da condição de filho e consolidada no afeto e na convivência familiar, triunfa sobre a verdade biológica.109.
Da multiparentalidade
Conceito de multiparentalidade e sua aceitação no ordenamento brasileiro
- Alguns julgados que versão sobre a Multiparentalidade
A averbação da sentença de multiparentalidade no registro civil
A Lei dos Registos Públicos não prevê a hipótese de parentalidade múltipla, o que é bastante óbvio dado que se trata de uma lei de 1973, enquanto o fenómeno da parentalidade múltipla por outro lado é bastante recente, resultado do mundo social em que vivemos e suas conquistas como o surgimento dos testes de DNA e o paradigma da afetividade social. O retrato da vida civil de qualquer cidadão, conforme sua filiação, é arquivado nos cartórios extrajudiciais de pessoas físicas regulamentados pela Lei Federal nº. 6.015/73, Lei dos Registros Públicos.151 Isso porque o registro civil é um cartório que guarda toda a história de vida de uma pessoa quanto à sua existência, nome, filiação, estado civil e perda de personalidade. O registro dos fatos essenciais da vida de uma pessoa é de extrema importância para toda sociedade, pois garante a segurança das informações contidas nesses assentamentos.
Porém, havia uma preocupação doutrinária sobre como registrar uma pessoa com dois pais e/ou duas mães porque as certidões possuem campos pai e mãe separados. Dessa forma, criou-se um modelo ideal para o surgimento da filiação múltipla nos registros de pessoas físicas. Essa padronização foi espetacular para a sociedade pela adoção do direito à filiação múltipla, pois desta forma uma pessoa pode ter dois pais e/ou duas mães sem causar constrangimento no registro.157.
Uma vez reconhecida a multiparentalidade, esta deve ser inscrita no registo civil, para que possa produzir os seus efeitos na vida civil. A paternidade/maternidade socioafetiva deve ser reconhecida judicialmente, para que o registro civil possa ser realizado por ordem judicial.
Alguns problemas práticos advindos da multiparentalidade
Havendo divergência entre os pais, a questão deve ser resolvida no judiciário, e portanto a emancipação voluntária deve ser por unanimidade e não por maioria de votos, pois não podemos desvalorizar a posição de um dos pais em detrimento do outro, por isso o magistrado preciso ver o que é melhor para o adolescente.163. A expressão ambos os progenitores, contida no artigo, deve ser interpretada no sentido de “todos”, razão pela qual, para um menor em idade núbil casar, não pode ter nenhum progenitor dissidente, pois basta apenas um progenitor dissidente para fazer o ato inexequível. Caso algum dos genitores constantes da certidão de nascimento não dê o consentimento, o oficial de registro civil não poderá iniciar o processo de habilitação do casamento, sob pena de violar o inciso II do artigo 1.525 do Código Civil.
Caso os noivos não concordem com os motivos da recusa, e se essa recusa for injusta, poderão buscar auxílio do Poder Judiciário valendo-se do artigo 1.519 do Código Civil, que, de acordo com o artigo, pode ser concedida pelo juiz. Outro problema é que o inciso V do artigo 1.634 do Código Civil dispõe que cabe aos pais, no que se refere à pessoa dos filhos menores, representá-los, até os 16 anos, nas ações cíveis e auxiliá-los, após essa idade. , nas ações em que são partes, com o seu consentimento. Deve-se observar o disposto no artigo 1.696 do Código Civil, que dispõe que o direito à alimentação é mútuo entre pais e filhos, bem como abrange todos os ascendentes que primeiro lhes recaiam no grau mais próximo, sem prejuízo da substituição de alguns, na ausência de outros.
Cassettari168 defende que a pensão alimentícia deve ser paga por cada um deles, de acordo com sua capacidade e sem solidariedade entre eles. Além disso, segundo Cassettari170, podemos também utilizar o argumento do artigo 1698.º do Código Civil, que prevê que se várias pessoas forem obrigadas a prestar alimentos, todas devem contribuir proporcionalmente aos seus respetivos recursos, ou seja, se um dos progenitores puder sustentar sozinho a pensão, deverá fazê-lo.
Da sucessão na multiparentalidade
O direito sucessório na multiparentalidade
Portanto, os filhos, independentemente da forma como são reconhecidos, sejam eles naturais, amorosos ou multiparentais, têm os mesmos direitos, incluindo a herança. 1.596 do Código Civil, que proíbe qualquer tipo de discriminação quanto à filiação, Dias, ao tratar da questão da dupla paternidade, afirma que essa possibilidade deve se refletir também em matéria de herança. Paulo Nader174 afirma que o progresso pela desbiologização do parentesco em favor dos laços socioafetivos não deveria situar-se exclusivamente no plano teórico, na afirmação de princípios, mas teria efeitos práticos no conjunto do sistema jurídico, tendo inclusive consequências no âmbito das sucessões.
A criança socioafetiva deve ter os mesmos direitos sucessórios que qualquer outra criança, pois segundo a nossa Constituição todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, independentemente da sua origem. Neste contexto ficou estabelecido que não pode haver distinção entre filhos biológicos e filhos socioafetivos. Também ficou estabelecido que a Constituição Federal estabelece a igualdade entre filhos biológicos e filhos socioafetivos, devendo existir os mesmos direitos entre eles. e deveres. É possível verificar que a multiparentalidade é comum em famílias mistas, onde um cônjuge traz filhos de outra união para o novo relacionamento e esta criança passa a considerar o novo companheiro e o pai/mãe como o pai/mãe da mãe biológica .
Desta forma ficou claro que o filho socioafetivo deve ter os mesmos direitos e obrigações do filho biológico e que tem o direito de fazer parte da linha sucessória e deve figurar como herdeiro necessário. Face a tudo o que foi exposto, conclui-se que o conceito de família tornou-se pluralista, que a parentalidade sócio-afetiva é comum nas famílias, sobretudo nas famílias mistas, que a multiparentalidade é uma realidade social que exige regulação, que o sentido que reconhece a multiparentalidade deve ser o registro de nascimento deve ser registrado para que as consequências ocorram na vida civil e após o registro da pena o filho socioafetivo deve ter os mesmos direitos do filho biológico, devendo o primeiro fazer parte do linha de sucessão, como herdeiro necessário.