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O EVANGELHO SEGUNDO SARAMAGO: - UEFS

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Academic year: 2023

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2 A primeira, talvez a mais antiga, é uma cidade forte, cercada e defendida por homens valentes; o segundo é um retorno e o terceiro é uma busca. 7 “[..] sepulturas de Neandertais [..] continham armas, ferramentas e ossos de um animal sacrificado; Tudo isso sugere alguma crença em um mundo futuro semelhante àquele em que viviam” (ARMSTRONG, 2006, p. 7). A vida de um ateu é marcada por casamentos, funerais e baptizados, desprovidos do sentido de ocasião criado pelos cheiros, sinos e agitação geral de uma antiga cerimónia religiosa, fundada na tradição e rica em lições alegóricas e grandes e antigas histórias.

Para os antigos, a própria estrela parecia nascer, crescer, atingir a sua plenitude e desaparecer, como a barriga de uma mulher grávida.

Do evidente nada ao satisfatório tudo

Em pouco tempo, os seguidores e colaboradores do movimento de Jesus – entre eles, a chamada Madalena – aumentaram exponencialmente e as abordagens para conter esse forte seguimento religioso permaneceram. É estranho que o “evento de Jesus” não tenha terminado na cruz e que os discípulos de Jesus não tenham desaparecido do palco da história como foi o caso de tantos outros rebeldes, pregadores, apologistas, reformadores, insurgentes, opositores – e revolucionários não. todas as vítimas de interesses de poder, que pretendiam garantir a ordem e a paz no país [...] como poderiam os discípulos de Jesus - e especialmente o grupo de Pedro - superar as suas terríveis desilusões nestas circunstâncias e o "escândalo da cruz" continuar a ofensiva, uma ofensiva vitoriosa. Eles flertam com aspectos padronizados da mitologia: a origem do herói é divina ou sobrenatural, seu nascimento não é desejado por alguns e seu destino é premeditado — os primeiros discípulos de Jesus já o tiveram.

Para os cristãos [..] o centro da vida religiosa é constituído pelo drama de Jesus Cristo [..] este drama tornou possível a salvação; Portanto, só há um caminho para obter a salvação: repetir ritualmente este drama exemplar.

Panorama português: temor e tremor, ascensão e demolição

É claro que trazemos isto à luz porque para os seguidores deste oxigénio, a salvação em Cristo foi realizada “com temor e tremor” – uma vigilância constante não só para eles próprios, mas também para os outros. Quanto a você, não foi assim que Cristo lhe foi ensinado, se de fato você ouviu falar dele e foi ensinado nele, de acordo com a verdade que está nele – em Jesus. Coincidentemente ou não, o mundo muçulmano entraria em colapso durante o seu reinado e o Papa chegou a pensar em “conferir-lhe o título de Rei Supremo Cristão” (Ibid., p. 203), embora não tenha praticado tal ato.

O império português ruiu na sua glória passageira [..] em 1580 o país perdeu a sua soberania e a Holanda assumiu o império da pimenta sem recurso.

José Saramago e sua reconstrução desassossegada

Dizemos isto porque o escritor-personagem interpretou literalmente o significado do seu epíteto – conhecer o seu significado revela um pouco do pensamento de José Saramago. Aliada ao pensamento de Saramago, uma vez que “a escrita literária é quase sempre uma escrita de si” (MARTINS, 2014, p. 37), e ao estilo literário particular do autor, a obra de José Saramago deixa vestígios, alguns, na sua maioria por vezes inomináveis ​​- o que nos remete ao tema do cânone e à entrada do escritor português sem grandes resistências. 41 José Saramago repetia, com firmeza, afastando possíveis dúvidas sobre o seu engajamento cívico: “Onde vai o escritor, vai o cidadão” (AGUILERA, 2010, p. 11).

Deste ponto de vista, na década de 1980, a literatura de José Saramago levantou os explorados do chão - “[..] O livro é o que é - um livro sobre o Alentejo - e quer contar a situação da parte da nossa população [. . ] Eu vi todo o esforço dessas pessoas. Com um estilo inconfundível nos seus romances da década de 198043, José Saramago oferece ao leitor um diálogo crítico com o passado, com os fundamentos que estruturaram a sociedade portuguesa, especialmente com o governo que ainda a controla/domina, dessacraliza o discurso historiográfico do oficial e percorre diversos percursos político-ideológicos. Nesta proposta, o escritor português demonstra que “o mundo das verdades históricas e o mundo das verdades ficcionais, que à primeira vista são incompatíveis, podem ser reconciliados na instância do narrador”. apud ARNAUT, 2008, p. 83) — a revalorização da história é uma ferramenta importante na primeira fase da literatura de José Saramago.

José Saramago não esteve em Ourique, como Afonso Henriques, nem em Roma, como Constantino, nem em Damasco, como Paulo de Tarso, mas quando visitou Sevilha em 1987, também teve uma visão de Cristo – na verdade uma ilusão de ótica – que não não brilhará no céu, mas sim em uma manchete de jornal sobre a descoberta de um novo evangelho, o evangelho de Jesus Cristo. Sublinhe-se que José Saramago nunca quis reescrever os Evangelhos cristãos nem ridicularizar o seu conteúdo teológico, todos os meios (humor, ironia, paródia) utilizados pelo escritor português para escrever este novo Euangelion estão sobretudo ao serviço de um propósito literário. , de um projeto ideológico, como afirma Tamayo (apud Martins, 2014, p. 82), após a morte do autor português: “A luta contra os fundamentalistas, os crentes e os políticos é o melhor antídoto contra um Deus violento e contra a violência. Em nome de Deus. Neste livro, José Saramago apresenta a sua oposição à pregação canónica, ou seja, às “boas novas” que os padres da igreja espalharam pelos quatro cantos do mundo, convertendo os pagãos a ferro e fogo.

O que José Saramago não imaginava é que, numa sociedade que já tinha um mínimo de maturidade democrática, um livro de ficção estaria sujeito a restrições. No seu mais novo escritório, em Lanzarote, José Saramago receberia muitas notícias semelhantes e depois as distribuiria, muitas outras permaneceriam invisíveis ao grande público, por exemplo, "a recusa da intérprete sueca em traduzir para a sua língua a obra contrária às crenças . ela segurou” (LOPES, 2010, p. 136).

O evangelho às avessas

Primeiramente, podemos imaginar o seguinte: numa comunidade remota, logo após a vida apostólica56 de Paulo de Tarso, um escriba pegou uma varinha de vime, mergulhou-a em tinta preta e limpou o excesso, preparou o pergaminho e lembrou-se de alguns acontecimentos que lhe ocorrera e foi abnegadamente encarregado da arriscada tarefa de escrever a história de um jovem galileu, líder de uma comitiva religiosa banida nas províncias do Império Romano, que havia sido crucificado em Jerusalém e inspirara uma legião de judeus e gentios para formar uma nova fé. Já sabemos que antes de pertencer ao âmbito do papel e da escrita, Euangélion residia na oralidade e que as comunidades cristãs, espalhadas por todo o Mediterrâneo, através da sua memória auditiva e visual, de acordo com as suas peculiaridades, relembram os acontecimentos emblemáticos sobre a vida e a vida. foram registrados e repassados. morte de um jovem galileu para as gerações futuras. No que diz respeito à veracidade dos Evangelhos Apócrifos, ao final de nossa retrospectiva, Faria (2004, pp. 13-15) acredita que a afirmação usual de que os Apócrifos são meras fantasias religiosas não é mais convincente. enorme – são 112 livros apócrifos, 52 relacionados ao Antigo Testamento e 60 relacionados ao Novo Testamento – e em alguns pontos é análogo ao canônico, e às vezes complementam o significado dos Evangelhos canônicos, como o apócrifo as histórias servem como um lembrete de que pode haver diferentes interpretações do mesmo evento.

O texto paródico não será simplesmente uma repetição de um modelo existente, mas uma reinterpretação crítica e longe da ingenuidade de factos históricos e ideológicos, mas também míticos. No Evangelho segundo Jesus Cristo] meu demônio chega a dizer “você deve ser Deus para amar tanto o sangue”, o que soa como um soco no estômago. Ou seja, o que distingue a metaficção historiográfica de um romance histórico é a autorreflexão provocada pelo questionamento de “verdades” consideradas históricas e, portanto, indiscutíveis (grifo nosso)66.

O leitor é confrontado com um Evangelho renovado e altamente exegético, uma nova versão que explode a partir do núcleo dos quatro Evangelhos, em que apenas um “ser inconcebível” (SARAMAGO, 1991, p. 15) não “saberia a diferença no root" pode distinguir. cerne da parábola” (HUTCHEON, 1989, p. 19). Quanto aos aspectos psicológicos de Deus na obra, sua imagem é a de um estrategista frio, inflexível, ganancioso, cruel, intolerante, [..], sádico, tirânico, sanguinário, manipulador, perverso, irônico, obcecado por poder e despótico. muito marcante, ou seja, esse Deus é um Deus falho e tem uma personalidade distorcida e sinistra; Ele é, na verdade, o grande vilão da novela. O texto irônico pode, portanto, deixar de sê-lo se o destinatário, por diversas limitações, não perceber que se trata de uma fala invertida. Para fazer o mecanismo funcionar, o narrador saramaguense dirige-se a um público mergulhado em histórias, imagens e crenças cristãs católicas.

Relaciona-se de forma íntima com o destinatário e orienta a narrativa de tal forma que o leitor percebe que a narrativa, embora diferente da história dos textos canônicos, é igualmente interessante (LOURENÇO, 2015, p. 175, grifo nosso). ). CAPA DO EVANGELHO SEGUNDO JESUS ​​CRISTO (1991) de Hélio de Almeida em relevo de Arthur Luiz Pisa.

Uma mulher redimida e exaltada

No caso do anti-evangelho, Maria Madalena é quem o apoia e é a única que está disposta a passar por todo tipo de provações pelo amor de Jesus. Além disso, no anti-evangelho, Maria Madalena é uma prostituta porque quer libertar-se dos padrões judaicos, libertar-se de um Deus que parece odiar as mulheres. É perceptível que Maria Madalena conduzirá Cristo pelos caminhos do corpo — mestre e aprendiz — sem contrato entre o perito e o cliente, haverá apenas sentimentos.

Digo-te que Maria Madalena estará ao teu lado, prostituta ou não, quando precisares dela” (SARAMAGO, 1991, p. 287), dizia-lhe ela. No momento da partida, “Jesus e Maria Madalena despediram-se com um abraço que parecia não ter fim” (SARAMAGO, 1991, p. 290). Obviamente, Maria Madalena será a primeira a acreditar na relação de Deus com Jesus, é a primeira discípula e consequentemente a primeira apóstola.

A vida em Magdala fracassa e Jesus e Maria Madalena vão para o mar, onde Jesus quer ajudar os pescadores. Não demora muito para que Maria Madalena assuma todas as funções necessárias para cuidar de Jesus. Um dia, “sentada na rocha e esperando Jesus voltar da pesca, Maria Madalena pensa em Maria de Nazaré” (SARAMAGO, 1991, p. 330).

É nesse momento que o narrador aproveita para retirar a mãe de Jesus da trama e convida Maria Madalena para assumir esse papel. Além de discípula e companheira de Jesus, Maria Madalena assume a missão de sua mãe.

As boas-novas de Maria Madalena

Por isso, a personagem Saramagua Maria de Magdala servirá de guia para chegar até a pessoa: Maria Madalena. Ou o discípulo mais próximo de Jesus, a quem ele amava mais do que qualquer outra pessoa, como nos informa o Evangelho de Maria Madalena. Historiadores e teólogos tentam há algum tempo compreender o verdadeiro papel de Maria Madalena ao lado de Jesus e na criação da maior religião do planeta.

Maria Madalena foi, portanto, também quem se destacou diante dos discípulos de Jesus, talvez também dos apóstolos. O final do evangelho termina dizendo que os discípulos, seguindo os ensinamentos de Madalena, saem para anunciar o evangelho segundo Maria Madalena. Ao ler o Evangelho segundo Maria Madalena, percebemos que ele apresenta o testemunho de uma mulher – Maria Madalena – que pela primeira vez teve que ser defendida.

No Evangelho de João, relato da ressurreição, ocasião que simboliza a fundação do cristianismo, vemos Maria Madalena como figura principal. Esta passagem serviu para alimentar a conspiração de Maria Madalena como mãe dos filhos de Jesus, uma vez que a palavra grega syzygos (companheira) pode denotar intimidade sexual. Contudo, se continuarmos a ler o Evangelho, notaremos que a comunidade cristã de Filipe vê Maria Madalena como uma forte presença espiritual ao lado de Jesus.

Entre elas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e José e mãe dos filhos de Zebedeu. Depois do sábado, na madrugada do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. É interessante que Lucas omite na sua resenha de Marcos que Maria Madalena e as outras mulheres “seguiram Jesus”, afinal elas apenas “serviram”.

Sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria (de Clopas), e Maria Madalena estavam junto à cruz de Jesus.

Referências

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