O pastor que cuida e lidera: a formação da figura do pastor na igreja atual / Hélia Carla de Paula Santos. A figura do pastor no Novo Testamento e os diversos ministérios presentes nas comunidades são moldados pelo cuidado e amor pelas pessoas.
Problemática
Não pretende ser uma exegese erudita nova e original do texto joanino, nem uma visão abrangente de várias abordagens psicológico-pastorais, mas centrar-se na conhecida exegese do texto e no levantamento global da formação sacerdotal, com o objectivo de contribuir eficazmente na reflexão sobre o que os futuros sacerdotes devem ser pastores nas comunidades onde trabalham e podem realmente dinamizar e articular as comunidades. Assim, pensando nos seminários que existem para a formação de ministros ordenados e que têm impacto no perfil dos futuros sacerdotes, parece urgente reflectir sobre a formação oferecida nos seminários para a actividade pastoral no serviço sacerdotal, ou seja, sobre a perfil. do pároco a ser formado pelo seminário onde são preparados os futuros sacerdotes.
Estado da discussão
Documentos sobre a formação
Deste ponto de vista, investiga-se a situação atual, que exige uma excelente formação e um apelo a todos os seminários para que tenham um professor que cuide pessoalmente da dimensão intelectual da formação sacerdotal. Papa João Paulo II. na exortação pós-sinodal de 1992, aborda as dimensões da formação sacerdotal no contexto em que vivemos, para que os candidatos possam melhor servir a missão a que foram chamados e participar nas comunidades eclesiais onde se encontram. missão.
Estudos dos autores sobre a formação
Além da pastoral profissional, as Diretrizes para a Formação estabelecem outros objetivos que se concentram no processo formativo dos seminários e que abordam a vida comunitária, o desenvolvimento da responsabilidade e maturidade pessoal e o envolvimento pastoral. Veremos que há problemas no início da formação que depois se refletem nas causas do abandono do ministério.
A Pastoral Vocacional e a entrada na formação
A investigação realizada por Gaston de Mézerville apresenta uma série de problemas subsequentes explicados pelo facto de. Sendo esta uma consequência do baptismo, “a vida sacerdotal não pode ser considerada como uma promoção”13, do estatuto social alcançado pelo tornar-se sacerdote.
As causas do abandono do ministério presbiteral
A formação integrada ao itinerário do ser humano
Voltando-nos para a nossa situação atual, podemos perguntar-nos se a educação oferecida nos seminários é capaz de configurar o futuro pastor a Jesus Pastor e oferecer-lhe as ferramentas para saber lidar com as diferentes situações pastorais. Com efeito, quando se experimenta Cristo, o jovem pode compreender verdadeiramente a sua vontade e, portanto, a sua própria vocação.
A formação dos futuros presbíteros e o sujeito docibilis
O objetivo da formação é que os futuros sacerdotes, seguindo o exemplo de Jesus Pastor, sejam presença viva de Deus entre as pessoas. Ao longo deste caminho, descreveremos vários modelos de formação anteriores e posteriores ao Concílio Vaticano II e que ainda são atuais nos seminários.
Modelos formativos de ontem e hoje: formação inicial e permanente
- Modelo da Perfeição
- Modelo da Observância Comum
- Modelo da Autorrealização
- Modelo da Autoaceitação
- Modelo do Módulo Único (ou da não integração)
- Modelo da Integração e os aspectos antropológicos
É pouco provável que uma pessoa que tenha experimentado o modelo de Perfeição continue o seu processo de formação após obter o selo da ordenação. A formação dos futuros sacerdotes, no modelo da Autorrealização, abandona o estilo homogeneizador do grupo que esvazia a individualidade. O modelo de Autoaceitação não permite que o sujeito seja dócil, pois isso o torna imutável diante da realidade.
As Ciências Humanas no contexto formativo presbiteral
Cencini apresenta um modelo de integração caracterizado por três pontos essenciais que diferem dos modelos apresentados anteriormente. As “Diretrizes para a Formação dos Sacerdotes da Igreja no Brasil” enfatizam as cinco dimensões da formação que devem ser desenvolvidas no processo formativo: humana emocional, comunitária, espiritual, pastoral-missionária e intelectual. A dimensão intelectual, a partir da análise das “Diretrizes para a Formação dos Sacerdotes da Igreja no Brasil”, apresenta diretrizes específicas para os estudos teológicos e filosóficos.
A formação como constituinte da identidade e a maturidade dos futuros
No próximo capítulo analisaremos a metáfora do pastor nas Escrituras e especialmente no Novo Testamento, na figura dos líderes das comunidades cristãs, nos escritos e cartas pastorais paulinas e principalmente no Evangelho de João. 3 DESENVOLVA O MODELO BÍBLICO DO PASTOR Ao longo da Bíblia, a figura do pastor permeia a história do povo sob os cuidados e atenção de alguém. A metáfora do pastor convida-nos a seguir o caminho bíblico, que delineia a trama da vida e a tessitura das narrativas do Antigo e do Novo Testamento.
A metáfora do pastor no Antigo Testamento
- O período dos Juízes até Samuel
- O início da realeza: 1 Samuel 16-17,1-54
- As contradições da realeza de Salomão: 1 Reis11
- A voz dos profetas Elias e Miqueias no reinado de Acab
- As críticas de Jeremias e Ezequiel: “Ai dos pastores
- O caráter régio e messiânico do vocábulo pastor
- O verdadeiro pastor aos olhos de Yahweh
- O pastoreio do Senhor no Antigo Testamento
No Primeiro Livro de Samuel, a rejeição do Senhor a Saul, rei de Israel, é inicialmente destacada. Pastores, assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se alimentam. O Sal 23 complementa os textos proféticos na certeza do cuidado e do zelo de Javé na história do povo de Israel.
O pastoreio nas comunidades do Novo Testamento
A figura do “Pastor” no Novo Testamento
A figura do pastor no Antigo Testamento encontra eco nos escritos paulinos e nas cartas pastorais, que repetem as profecias sobre Deus como pastor do povo de Israel. Mt 2,6: “porque de ti sairá um líder que guardará o meu povo Israel” quando a promessa for cumprida; 26:31: “Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas” no momento da morte de Jesus; Mc 14,27, paralelo a Mt 26,31; Hebreus 13:20 refere-se a Jesus Cristo como “o grande pastor das ovelhas”; em Atos 20,28, no discurso que Paulo faz aos anciãos de Éfeso: “Prestai atenção a vós mesmos e a todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constituiu pastores” [epískopos]; na carta 1Pd 2,25, advertindo a comunidade de que estavam “perdidos como ovelhas”, mas agora,. Nota-se em 1Pd 5,2, na admoestação aos sacerdotes, que a figura de Jesus como pastor descrita em João 10,1-18 lidera toda a linha eclesiástica do sacerdote da igreja, aquele que cuida do seu rebanho, pastagens por sua própria vontade e dá a vida pelas ovelhas.
O bom pastor nos Evangelhos Sinópticos: A ovelha perdida
O pastoreio de líderes nas primeiras comunidades cristãs tem como principal fundamento o anúncio do Evangelho, e quando contemplamos a metáfora da ovelha perdida, que permeia os Evangelhos, veremos que o maior desafio para quem lidera comunidades é para que não fiquem como ovelhas sem pastor. Em Lucas, a parábola da ovelha perdida combina-se com outras parábolas que transmitem o mesmo significado: a moeda perdida e o filho pródigo. Outra imagem de ovelha está no episódio da mulher cananeia: Jesus afirma claramente que foi “enviado apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel”.
O Bom Pastor segundo Jo 10,1-18
O pastoreio era comum naquela região, mas para o autor o tema ganha profundidade na boca de Jesus, pois ele diz que o pastor “dá a vida pelas suas ovelhas” (João 10:11), e também revela que o a fonte deste amor capaz de dar vida vem do Pai. Jesus é o único mediador que cuida das ovelhas e “não aparece como mediador dos pastores que virão”. Jesus tem suas próprias ovelhas (v.11) e outras que não são do rebanho a que ele se refere (v.16), e a relação de amor e cuidado aponta para um Pai que também as ama.
O bom pastor nos escritos dos Padres da Igreja
Longe de amar a função sagrada, ele a ignora: aspira à posição mais elevada no ministério sacerdotal, nos pensamentos ocultos da sua mente, pastoreia-se, submete-se aos outros; alegra-se com os elogios que recebe, direciona seu coração para as honras; exulta com a abundância de bens36. O autor retoma o texto de Isaías quando o profeta compara os líderes do povo a “cães cinzentos que não conhecem a saciedade”. Temos o testemunho de outros Padres da Igreja que usaram a alegoria do pastor para falar do sacerdócio, como Agostinho, que enfatiza a humildade e a responsabilidade do bispo.
O Ministério ordenado na configuração do Pastor Jesus
A interpretação do Evangelho de João sobre o Bom Pastor ajuda a salvar a imagem do presbítero para o seu povo, depois de Javé, pastor do povo no Antigo Testamento, e de Jesus, pastor da comunidade joanina no Novo Testamento. O ministério ordenado está interligado com a comunidade eclesiástica, na pessoa do bispo e do presbítero, como evidenciam os vários documentos escritos nos primeiros séculos. Os textos do Concílio Vaticano II, cujo espírito procurou superar o clericalismo, o legalismo, o triunfalismo e o individualismo pós-tridentino, revelam até uma nova compreensão da Igreja e uma nova imagem do bispo e do sacerdote.
Os primórdios dos ministérios na Patrística
Voltaremos ao serviço consagrado no período patrístico, no Concílio de Latrão e no Concílio de Trento, onde o mesmo sacramento foi posto em causa pela Reforma. No texto deste autor há a firme certeza de que o serviço consagrado na Igreja só pode ser compreendido a partir dos textos do Novo Testamento, ou seja, da Revelação do Novo Testamento4. Existe uma relação fecunda e indissociável entre a missão do ministro e a comunidade que lhe é confiada, e a insistência do Conselho na questão acima descrita leva-nos a reflectir sobre o “caráter muito invulgar de tais empreendimentos”6.
A clericalização do ministério ordenado
A figura de Ambrósio, bispo de Milão, em seu ministério teve uma ligação íntima com a comunidade pela qual era responsável, e podemos perceber uma preocupação com as pessoas (neófitos) em compreender os sacramentos. Existe uma outra forma de ver e viver a pastoral, cujo compromisso com a comunidade passa pela verdadeira comunhão com o povo e pela formação baseada na catequese mistagógica. Deste último tipo estão as ordens absolutas mais famosas da Antiguidade: a de Jerônimo e a de Paulino de Nola5.
O Magistério
O ministério ordenado no Concílio de Trento
Apologia Confessiones", Melanchthon "objeta aos católicos que os sacerdotes não possam continuar a exercer este ofício entre os fiéis, uma vez que o sacrifício de Cristo já expiou todos os pecados"16. E a advertência, contida no conteúdo da carta aos Hebreus, mostra que «ao contrário do sacerdócio do Antigo Testamento, o de Cristo não está enraizado no âmbito ritual, mas no histórico»21, e que «Jesus se torna 'um sacerdote não pela separação dos outros, como acontece com a casta sacerdotal, mas, pelo contrário, tornando-se semelhante a quem sofre»22. Voltando à 22ª sessão, a doutrina da Igreja enfatiza os capítulos relativos à Missa e os cânones diretamente opostos aos quais os reformadores se opuseram.
O sacerdócio nos escritos dos Papas dos séculos XIX e XX
As encíclicas Muizentissimus Redemptor e Mediator Dei expõem sobre este assunto, e a primeira, do Papa Pio As encíclicas sobre o sacerdócio adotam algumas palavras não utilizadas no Concílio de Trento, como a ideia de participação e atuação do sacerdote. Nas palavras de João XXIII, que repete a frase de Pio, Pio XI fala nos documentos eclesiásticos do sacerdócio comum dos fiéis.
O ministério ordenado no Concílio Vaticano II – Lumen Gentium
Com o restabelecimento das funções do bispo descritas na Lumen gentium, surge a questão de saber se uma das funções do episcopado pode ser chamada de “sacerdotium” ou “múnus sanctificandi”35, mas o texto conciliar não esclarece esta questão36. Contudo, temos no número 26,1 que “especialmente na Eucaristia, que ele oferece ou manda oferecer e pela qual a Igreja vive e cresce constantemente” o facto de o bispo exercer plenamente o ofício de sumo sacerdote37. A exigência de formação inclui disciplinas teológicas, para que sejam ensinadas à luz da fé e de acordo com o ensinamento da Igreja, e o estudo aprofundado da Bíblia.
A contribuição de Yves Congar
São revisitadas as questões que iluminam a questão da vocação e da formação humana dos futuros sacerdotes. Há um desafio na combinação entre leigos e ministério ordenado, porque “ao aceitar responsabilidades reais na Igreja, os leigos questionam a forma como o poder é exercido na Igreja”47. No próximo ponto veremos a reflexão e a importância da formação dos leigos que participam do ministério no contexto eclesial.
A formação dos presbíteros e dos leigos
O seminário contribui para a produção de conhecimento em áreas específicas para o exercício do ofício, mas a proposta dos pesquisadores e das “Diretrizes para a Formação de Sacerdotes da Igreja no Brasil” é que haja uma verdadeira comunhão entre teologia, filosofia e ciência humanidades no processo de aprendizagem. Quando olhamos para a figura do pastor na Bíblia, que permeia a história do povo, vimos a imagem de Deus como um pastor que cuida do seu povo oprimido. Da teologia dos leigos à teologia do batismo. http://www.cpalsj.org/wp-content/uploads/2013/04/Da-teologia-do-laicato.pdf.