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O que pode o corpo, ninguém sabe

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Academic year: 2023

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Água que escorre dos olhos sem poder controlá-la, corpo que não se deixa controlar. A imagem do poder como algo relacional que ocorre nos desenvolvimentos e está ligado à força da vida é o que dá consistência na forma como esse termo é utilizado ao longo da escrita. O Corpo: apresenta uma série de provocações sobre o poder de revolução contido no corpo, abordando a ideia de corporeidade e seus desenvolvimentos como corpo e – e corpo – numa prática que acessa múltiplos deste corpo em constante implicação com o meio ambiente em que se encontra; .

Como não contribuir para a propagação do ódio, a brutalização dos corpos, que se manifesta na repetição da violência. Tais questões surgem como um convite para perceber a arte de forma a transcender as fronteiras e jargões atribuídos à sua relação com a noção de estética como aquilo que está relacionado com a beleza, a padronização e o juízo de valor. Por outro lado, esta estética deriva de uma ética do afeto, que privilegia a melhoria da vida sem pressupor que se é capaz de mudar o mundo, que já continua em movimento através de um complexo sistema de relações que envolve vida e morte, composição e decomposição .

Figura 1 – Archive. Arkadi Zaides. Sobreposição de violência sobre  tela. Coreografia, 2015
Figura 1 – Archive. Arkadi Zaides. Sobreposição de violência sobre tela. Coreografia, 2015

O que

Arte e vida – ousadas – que se compõe no entrelaçamento ético-estético-político que não ignora o ambiente que nela se produz e se produz em coengendramento. Desmontar uma noção de sujeito passivo, de contornos impenetráveis, que olha de fora, que não interfere, que se acha exposto. Não se trata de defender uma ideia sobre um assunto desmantelado e que se dissolve completamente.

A próxima posição foi tentar preencher os pacotes que se formaram com bolhas de sabão. Ao entrar em contacto com o Modo de Funcionamento da EN percebe-se desde o início que se trata de um convite a inventar outras formas de convivência colectiva, muito longe da negociação de desejos individuais e muito longe de uma ideia ultrapassada do exercício da democracia naquela cada pessoa tem suas ideias e escudos. A prática assume a forma de um jogo que se desenvolve a partir da atenção aos assuntos discutidos, sugerindo que os cargos busquem a possibilidade de prolongar o relacionamento.

Figura 2 – Imagem do espaço de jogo para um dos jogos de escala maquete propostos nas oficinas  da Escola de Verão AND 2016 | #1 Entre-Modos de Fazer, realizadas no Pólo Cultural das Gaivotas
Figura 2 – Imagem do espaço de jogo para um dos jogos de escala maquete propostos nas oficinas da Escola de Verão AND 2016 | #1 Entre-Modos de Fazer, realizadas no Pólo Cultural das Gaivotas

Pode

O mesmo acontece com o conceito de ética aqui discutido, uma ética que se desenvolve na ação, que oferece parâmetros de regulação na invenção situada de seus meios. É esse intervalo entre a percepção do que é apresentado, os materiais disponíveis e o mapeamento do que o corpo pode oferecer que está na vanguarda desta discussão. Esta é uma oportunidade de vivenciar uma ética do possível que surge no intervalo entre a apresentação da situação e a posição.

Nas artes que envolvem a relação viva entre os corpos, o que se dá como poder relacional acontece no meio, ou seja, no intervalo entre o que é apresentado/apresentado e o que é recebido (Duenha, 2014). Esta teoria dos afetos também irá mapear e redefinir a ideia de corpo à luz da afirmação de que corpo e mente não são duas coisas, mas uma só, que se manifesta de duas maneiras. Os estudos da estrutura psicofísica foram muito diferentes daqueles desenvolvidos nos séculos subsequentes.

Figura 11 – Água. Milene Duenha, 2019. Foto: Cleber Pimenta. Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Figura 11 – Água. Milene Duenha, 2019. Foto: Cleber Pimenta. Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

Ética e moral, bom e mau, bem e mal

O desejo é tratado como o apetite que se desenvolve pelas coisas, incluindo a consciência que se tem desse apetite. Uma possibilidade está na referência que temos ao que nos afeta, o que não garante assertividade em relação ao outro. A palavra perfeição, tal como trazida por Spinoza na Ética, está mais ligada à ideia de aperfeiçoar a capacidade de refrear as “paixões tristes” através do conhecimento de suas causas, portanto algo que implica uma dimensão processual e que se afasta de uma estática. visão do corpo.

Aparecer e participar são formas de estar presente no aqui-agora, desafiando a si mesmo e ao mundo que se apresenta como acontecimento. Inventariar é observar as possibilidades do que se apresenta, perceber forma, textura, cores, sabores, modos de ação e tantas outras formas de perceber. L abordar a especificidade da criação artística na contaminação com os processos vitais manifestados em/com/.

A definição de “Ciência” como lugar de privilégio, trazida por Latour (2004), é aquela que muitas vezes se apresenta em formas de destruição de formas de vida sob a marca de uma noção de poder, que confere autoridade para tomar decisões. decisão para o coletivo. Enquanto Kastrup (2004) trata das possibilidades de invenção do mundo, Latour (2004) trata das relações em rede entre os seres do mundo, permitindo a configuração da imagem de um ciclo retroinfluenciado. Mas fazer parte disso, prestando atenção às especificidades que se apresentam como desafios aos relacionamentos, sempre.

É necessário um refinamento da percepção para assumir a posição mais ereta possível. Diferentemente de uma noção de articulação composicional que se repete em algumas práticas artísticas, a composição do ponto de vista de Spinoza (Ética) também implica decomposição: a ideia de uma arte que adere aos temas de denúncia de sistemas opressores, ou de uma arte engajada pode, muitas vezes, tornar-se uma emboscada, pois é uma relação muito mais complexa do que se pode prever.

Politizar a arte, como mostra Bishop (2004), trabalhando contra uma noção de qualidade sem sacrificar aspectos que deixem claro que se trata de uma ação artística – e não de qualquer outra coisa – também não parece tão simples. Um ideal de transformação pode aproximar-se de uma perspectiva colonizadora radical apoiada por dinâmicas de poder tão graves como aquela a que tentamos escapar. Apesar da fanfarronice no posicionamento de Bruguera (2016), um aspecto que deve ser destacado nesse contexto é a sua forma de pensar o conceito de utopia: como algo que de fato se constrói e não como algo impossível que não se deseja alcançar.

Figura 13 – Leo Basi em sua Iglesia Patólica (2012). Foto: Divulgação. Fonte:  https://
Figura 13 – Leo Basi em sua Iglesia Patólica (2012). Foto: Divulgação. Fonte: https://

O corpo

Não continuaremos a referir-nos ao corpo como corporificação porque a própria necessidade de dizer que é um corpo cuja mente está corporificada admite uma separação essencial. A partir de um referencial da Física Quântica, a individuação é apresentada por este autor como um processo vital que se dá inevitavelmente em mobilizações ligadas ao meio, em contraposição a uma noção de indivíduo acabado, com contornos claros e rígidos. Este sistema de tensão está presente nas diversas formas de vida e nos interessa porque evidencia um corpo que não se fecha, que tem a noção de vida ligada a um estado de constante metaestabilidade em relação ao meio em que se encontra .

Nancy (2014) explica que se trata tanto de abertura ao ser quanto à ressonância, quanto de abertura à ressonância do ser. É conhecida a coreografia que se entrega a estereótipos de beleza, ainda hoje presentes no imaginário de parte do público consumidor de arte. Se existe outro órgão que é (supostamente) responsável pela nossa existência, como a emancipação se torna possível?

A definição de vida (tal como a usamos hoje na cultura ocidental) foi designada pelos gregos em duas palavras diferentes: zoé, que se refere a uma vida natural, ligada à sua função, aos instintos animais (algo comum a todos os seres vivos, independentemente se são humanos, animais ou deuses); e bios, que se refere ao modo de vida específico de um indivíduo ou grupo, que considera aspectos históricos e culturais, a. E esse poder angustiado é interessante, pois nos traz elementos para a percepção do potencial de rebelião de um corpo que se percebe como ingovernável, capaz de despojar-se de poderes, uma vez que a sujeição a determinados aspectos da governamentalidade determina que corpo somos e o que somos. modos de vida/morte estão localizados nesse contexto de produção coletiva do corpo. A relação entre natureza e cultura pode ser percebida num processo de coengendramento e, ao considerarmos esse fator, não podemos deixar de reconhecer o quanto a negação das potencialidades do corpo serve aos poderes que se utilizam de repetições hierárquicas e dualistas para manipular as existências.

Esse poder empobrecido seria um poder anárquico e desvinculado dos parâmetros representativos, normativos e de poder. A rebelião desses corpos é uma consciência voltada para a superfície que se apresenta como provocação por onde passa. Eu apenas tento ter certeza de que minha vida cotidiana e minha arte estão conectadas, sobrepostas e que se alimentam uma da outra.

A questão que se coloca é: como pode o corpo ser uma força ingovernável, desprovida de poderes opressivos, quaisquer que sejam. O conceito de agência, que se centra, entre outras coisas, num meio de relação que não é necessariamente guiado pela interpretação, tal como proposto por Deleuze e Parnet (1998), é uma forma de perceber o que acontece no corpo. A diluição não reforça tanto o enfraquecimento, mas é uma forma de se disponibilizar, de mostrar sua intensidade e de identificar seus pontos fortes no encontro.

Figura 24 – Fluido 1: Lambida. Código genético sobre papel, Milene  Duenha, 2019. Fonte: Elaborado pela autora, 2019.
Figura 24 – Fluido 1: Lambida. Código genético sobre papel, Milene Duenha, 2019. Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

Ninguém

A coreopolicia também atua na regulação de uma coreopolítica que fala do que é efetivo como história na relação entre corpo e espaço. A dissolução da noção de corpo – dono de si e dos outros – e dos mecanismos produtores desse modo de subjetividade que se entrega ao medo surge como alternativa, e surge uma forma de fazê-lo através da percepção dos afetos, surge aí. este contexto. Pelbart (2003) observa que a resistência surge no ato de colocar a própria vida em pauta, nesta cultura precária, marginalizada, na forma de vida e de comunidade que foi inventada diante de uma exclusão evidente nas diferenças de acesso.

Aí reside um dos problemas de uma falsa ideia de democracia, que se baseia no individualismo e na qual teoricamente todos os pontos de vista devem ser respeitados. Para ele, a posse do poder inventivo de todos e de qualquer pessoa é o que se caracteriza como o biopoder do coletivo e a riqueza biopolítica das massas. Em outras palavras, para lidar com um poder que se desenvolve no coletivo, devemos observar o que acontece entre os corpos e entre os corpos e o ambiente, através do qual somos produzidos tanto socialmente como em sociedade.

Esse coletivo precede os indivíduos e seu traço é o que, na perspectiva de Spinoza, se chama de poder de influência. O ódio é alimentado pela segmentação entre grupos que se unem por causa de semelhanças e se consideram diferentes. Combes (2016) destaca que o significado de pessoa para pessoa é preservado em características compartilhadas.

O ato de aparecer trata da disponibilidade ou dificuldade de se envolver com outra pessoa. A transfiguração é uma responsabilidade que assumimos abrindo mão de certas conformações identitárias e nos apresentando como mais ninguém. Não se trata de uma composição coreográfica baseada na força do bailarino, mas sim algo que se faz na pulsação de cada corpo, no seu engajamento com o grupo.

Ao habitar esses pseudônimos, Pessoa traz a perspectiva da alteridade como uma diferenciação de si que se dá no encontro com o outro.

Figura 48 – Momento em que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sai nos braços de uma multidão  no dia 7 de abril de 2018 após um discurso no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, SP,
Figura 48 – Momento em que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sai nos braços de uma multidão no dia 7 de abril de 2018 após um discurso no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, SP,

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Figura 1 – Archive. Arkadi Zaides. Sobreposição de violência sobre  tela. Coreografia, 2015
entre 1 e 16 de julho de 2016. Foto: Acervo pessoal. Fonte: Elaborada pela autora, 2018.
entre 1 e 16 de julho de 2016. Foto: Acervo pessoal. Fonte: Elaborada pela autora, 2018.
Figura 6 – Imagens da sequência de um dos jogos de escala maquete propostos nas oficinas da  Escola de Verão AND 2016 | #1 Entre-Modos de Fazer, realizadas no Pólo Cultural das Gaivotas
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Referências

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