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OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO

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Academic year: 2023

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Conclui-se que o impacto da crise não foi o mesmo em todos os países analisados ​​e que a convergência com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) está acontecendo em velocidades diferentes, o que ainda não atende as metas traçadas. O abandono escolar precoce é um indicador que permite verificar as possíveis consequências da crise para a conceção da educação de jovens para todos os rapazes, e.g. No caso português, a quebra significativa do abandono durante os anos de crise e pós-crise (de 34,9% em 2008 para 11,8% em 2018) reforçada pela implementação em 2009 da escolaridade obrigatória até aos 18 (16) anos no caso dos restantes países em estudo).

Mas o impacto da crise não foi idêntico em todos os países, tendo-se sentido com maior intensidade nos países intervenientes.

Figura  1.1   Proporção de crianças e jovens adolescentes em risco de pobreza ou exclusão social por escalão etário                 (% do total da população) Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e UE28, 2007-2017
Figura 1.1 Proporção de crianças e jovens adolescentes em risco de pobreza ou exclusão social por escalão etário (% do total da população) Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e UE28, 2007-2017

PORTUGAL SOCIAL EM MUDANÇA

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O ENVELHECIMENTO E A AGENDA 2030 PARA O

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Globalmente, reduzem o risco de pobreza, mas não parecem melhorar significativamente as posições relativas entre homens e mulheres, nem reforçam a convergência portuguesa para a média europeia. Em todo o caso, a participação no mercado de trabalho dos portugueses dos 60-75 anos caiu ligeiramente desde o início da década, mas mantém-se acima dos 15%, enquanto a média europeia se situa normalmente abaixo dos 10%. Este valor situa-se pelo menos 10 pontos percentuais acima da média europeia e é visível, embora com flutuações, tanto em homens como em mulheres (Tabela 2.5).

O indicador da população inativa dos 50-64 anos que não procura emprego por acreditar que não há trabalho disponível tem um peso muito mais forte em Portugal, que se afigura bem acima da média europeia: há cerca de três vezes mais inativos que consideram que não há trabalho disponível. O indicador da esperança de vida aos 65 anos é bem mais conhecido e mostra que Portugal está em linha com a média europeia ou ligeiramente acima dela, sobretudo para as mulheres na maioria dos anos. Relativamente aos óbitos com menos de 65 anos, Portugal encontra-se numa boa posição, com valores abaixo da média europeia.

Em terceiro lugar, a média europeia aponta para uma melhoria contínua, ainda que a um ritmo lento, enquanto em Portugal a evolução sugere uma curva em U, evidenciando uma tendência de recuperação face aos valores registados no início da década após alguns anos de deterioração na autoavaliação do estado de saúde. O indicador apresenta essencialmente duas tendências: a desigualdade de rendimentos da população portuguesa com mais de 65 anos, tanto para homens como para mulheres, é superior à média europeia; e não há sinais de queda do indicador ao longo da década (Figura 2.5). A diferença com a média europeia ao longo dos anos é de cerca de 20 pontos percentuais, embora a situação pareça ter melhorado um pouco nos últimos anos.

Figura 2.1  População com 65 e mais anos que considera ter um estado de saúde bom ou muito bom (%), por sexo,  Portugal e UE28, 2010-2017
Figura 2.1 População com 65 e mais anos que considera ter um estado de saúde bom ou muito bom (%), por sexo, Portugal e UE28, 2010-2017

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS -

VULNERABILIDADES, DESEMPENHOS E PERCEÇÕES

Segundo o IRC (Figura 3.1), Portugal é um dos países mais vulneráveis, situação que partilha com os seus vizinhos do Mediterrâneo Ocidental e com a Alemanha. Tendo em primeiro lugar as vítimas mortais, de acordo com a Figura 3.2, Portugal ocupa uma das primeiras posições, sendo apenas ultrapassado por Espanha, Itália e França. Na Figura 3.3, que expressa os danos económicos médios sofridos por eventos meteorológicos extremos, o Luxemburgo aparece na posição menos vulnerável, muito provavelmente devido à robustez da sua estrutura económica, enquanto os países economicamente mais fracos (e.g. Roménia e Bulgária) parecem liderar o caminho. as perdas.

A Figura 3.4 mostra o desenvolvimento do país entre 2008 e 2017 e revela que a perda de vidas e os danos econômicos nem sempre são equivalentes, mesmo que gostem de ser. Se compararmos as emissões de gases com efeito de estufa per capita entre Portugal e a média da União Europeia (Figura 3.7), verificamos que os portugueses emitiram menos 1,6 toneladas per capita em 2017 e menos 2,9 toneladas per capita em 2008. Cruzamento de respostas Estas duas questões colocam Portugal num lugar importante entre os países da UE onde este inquérito foi realizado, uma vez que os portugueses defendem uma maior aposta nas energias renováveis ​​e um maior investimento público nesta matéria (Figura 4.10).

Quase metade dos cidadãos portugueses (46%) e europeus (51%) elegeu a AC como um destes problemas (Figura 3.11). Por outro lado, são os países da Península Ibérica que registam maior grau de preocupação (Figura 3.12). Relativamente à maior aposta nas energias renováveis ​​em detrimento das energias fósseis (Figura 3.14), as maiores dúvidas parecem recair sobretudo na Europa de Leste, enquanto a nível global os inquiridos europeus respondem com uma concordância moderada, sem ter menos de 2,50 ou mais como 3:30.

Figura 3.1  Índice de risco climático na União Europeia  (média 1998-2017)
Figura 3.1 Índice de risco climático na União Europeia (média 1998-2017)

POBREZA ENERGÉTICA: ANÁLISE DA UTILIZAÇÃO DOMÉSTICA DE ENERGIA,

TRANSPORTES ACESSÍVEIS

As consequências dessa vulnerabilidade se traduzem em restrições ao uso de energia (ou dívida); nos cortes no fornecimento de energia por falta de pagamento; na deterioração do estado de saúde devido à exposição ao frio em casa (que afeta principalmente pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias, crianças e idosos), estando também associadas à mortalidade excessiva no inverno, ansiedade, exclusão social, isolamento e abandono escolar , com consequências negativas para a economia, pelo número de faltas ao trabalho (por gripe ou outras doenças), e para o bem-estar da população (Jones, 2016). No que diz respeito aos serviços energéticos mais utilizados pelos lares portugueses, verifica-se um grande contraste com os restantes países da UE. No que toca a tomar medidas para aumentar a eficiência energética das casas, os portugueses estão entre os cidadãos da UE que menos reagiram em 2017, substituindo equipamentos antigos que consomem muita energia, como esquentador, forno ou fogão, máquina de lavar loiça – por outro lado, com uma etiqueta energética melhor (com a etiqueta A+++), que indica a dificuldade de acesso da população a electrodomésticos eficientes (Figura 4.11).

A Figura 5.3 mostra quais as instituições que os cidadãos europeus consideram mais corruptas, numa escala de 0 a 10, em que 0 significa que, segundo os cidadãos, a corrupção “não é generalizada” e 10 que é “extremamente generalizada” naquela instituição. Apesar da evolução positiva nos últimos anos, dois portugueses viveram em casas com infiltrações no telhado, humidade nas paredes, pavimentos ou fundações, ou apodrecimento em janelas ou pavimentos (Figura 4.12). A baixa qualidade de construção de muitos edifícios residenciais em Portugal é também comprovada pelos resultados do sistema de certificação energética de edifícios, que mostram que do total de 891.644 certificados energéticos emitidos para edifícios residenciais até abril de 2019, uma grande maioria ( 73,7) %) é classificado como C ou inferior, o que corresponde a baixos níveis de eficiência energética, implicando maiores custos com consumo de energia e pior conforto térmico (Figura 4.13).

Outros dispositivos para aquecimento do ar (como radiadores elétricos ou lareiras) estão presentes em 63,8% dos domicílios (Figura 4.14). O elevado peso dos transportes nas despesas das famílias resulta, em grande medida, da dependência da utilização do automóvel, mais acentuada em Portugal do que em toda a UE, enquanto a utilização de autocarros e comboios é menor (Figura 4.15). Em março de 2019, o preço a retalho da gasolina sem chumbo 95 era o sétimo mais alto de toda a UE e o preço do gasóleo era o oitavo mais alto (Figura 4.16).

Figura 4.1  Agregados familiares portugueses com  eletricidade, gás canalizado e gás de botija por quintis  do rendimento total equivalente, 2015/16 (%)
Figura 4.1 Agregados familiares portugueses com eletricidade, gás canalizado e gás de botija por quintis do rendimento total equivalente, 2015/16 (%)

A QUALIDADE DA DEMOCRACIA PORTUGUESA DEPOIS DA CRISE

A Figura 5.1 ilustra o grau de satisfação dos cidadãos europeus com o funcionamento da democracia no seu país, com base numa escala em que 1 corresponde a 'extremamente satisfeito' e 5 a 'extremamente insatisfeito'. Também na Alemanha parece que os cidadãos estão relativamente satisfeitos com o funcionamento da democracia no seu país (35,3%). Mais da metade dos cidadãos espanhóis e gregos estão insatisfeitos com o funcionamento da democracia em seus países.

De acordo com os dados do Barómetro Global da Corrupção (GCB) 2013, 78% dos inquiridos em Portugal consideram que o nível de corrupção aumentou desde 2011, e 76% consideram que as ações do executivo no combate à corrupção são ineficazes. Concretamente, neste breve capítulo debruçamo-nos, ainda que brevemente, sobre um conjunto de indicadores que dão uma ideia mais clara das avaliações e percepções subjetivas dos cidadãos sobre a qualidade da democracia nos seus países: a satisfação com o funcionamento da democracia, a confiança que depósito dos cidadãos nas instituições políticas, a percepção da prevalência da corrupção nas instituições políticas nacionais e supranacionais e também o que pensam dos governos constituídos por especialistas. Refira-se que a confiança no governo de Portugal está muito próxima da confiança que os alemães têm hoje no seu governo.

De acordo com os dados do Global Corruption Barometer (GCB) 2013, 78% dos inquiridos em Portugal consideram que os níveis de corrupção aumentaram desde 2011 e 76%. Alguns estudos mostraram que cidadãos que confiam em instituições políticas representativas (parlamento nacional, governo nacional) e classes políticas (partidos políticos) preferem a tomada de decisão democrática à tomada de decisão especializada (governo tecnocrático) (Bertsou e Pastorella, 2017). A Figura 5.4 mostra exatamente isso: Espanha (59,4%), Bélgica (47,9%) e Portugal (46,8%) são os países onde os cidadãos mostram atitudes mais favoráveis ​​a um governo composto por especialistas.

Figura 5.3  Percepção média da difusão da corrupção nas instituições nacionais e supranacionais (0=Nada difundida;
Figura 5.3 Percepção média da difusão da corrupção nas instituições nacionais e supranacionais (0=Nada difundida;

ERRADICAR A POBREZA

O gráfico mostra também o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), calculado pela Transparência Internacional. Olhando para os resultados do IPC, a demarcação de dois blocos é clara: por um lado, Espanha, Grécia e Portugal, onde as perceções dos cidadãos são mais negativas, e por outro lado, Bélgica, Alemanha e Irlanda, onde as perceções dos cidadãos são menos negativo. Em todos os países, sem exceção, o maior alvo é, sem dúvida, a classe política – os partidos políticos.

Pois mesmo aqui os países do sul da Europa se destacam pela percepção negativa de que a corrupção está disseminada na classe política. Ainda de acordo com os dados do Barómetro Global da Corrupção (GCB), partidos políticos em Espanha, Grécia e Portugal já se têm verificado, em

SAUDÁVEL VIDA

CIDADES E COMUNIDADES

SUSTENTÁVEIS

PAZ, JUSTIÇA E INSTITUIÇÕES

EFICAZES

IGUALDADE DE GÉNERO

REDUZIR AS DESIGUALDADES

ENERGIAS RENOVÁVEIS

TRABALHO DIGNO E CRESCIMENTO

ECONÓMICO

COMBATER AS ALTERAÇÕES

CLIMÁTICAS

EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

Os capítulos anteriores analisaram a relação entre cinco áreas temáticas – alterações climáticas, energia, crianças e jovens, envelhecimento e democracia – e dez dos dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas.

COMENTÁRIO FINAL

Dada a universalidade das metas dos ODS definidas na Agenda 2030, que impede a fixação de valores de referência muito ambiciosos, seria de esperar que um país como Portugal apresentasse uma posição relativa razoável ou mesmo boa relativamente a essas metas . Qual é, então, a razão desse progresso global desigual e modesto em direção ao cumprimento das metas dos ODS nas cinco áreas analisadas? Essas diversas influências podem ser positivas, criando condições favoráveis ​​para o avanço na consecução dos objetivos dos ODS, ou negativas, contribuindo para obstaculizar ou desacelerar tendências positivas e, portanto, obstáculos em relação aos objetivos e valores da Agenda. 2030 .médias da UE28.

2013, como o mais afetado por este fenómeno – 73% dos inquiridos portugueses, 83% dos inquiridos espanhóis e 90% dos inquiridos gregos apontaram a classe política como a instituição mais corrupta nos seus países. Em contraste, os cidadãos na Alemanha e na Bélgica tendem a classificar o governo nacional e o parlamento como menos suscetíveis à propagação da corrupção. Internamente, são igualmente diversos os fatores que condicionam, negativa ou positivamente, um progresso sustentado rumo aos objetivos definidos.

Mais informação e sensibilização, conhecimento mais acessível, condições socioeconómicas mais favoráveis, instituições mais eficientes, mais responsáveis ​​e transparentes e políticas mais proativas em áreas chave para atingir os vários objetivos dos ODS são condições essenciais para combater o analfabetismo, sensibilizar e promover uma cultura de desenvolvimento sustentável por parte dos cidadãos, instituições públicas e empresas. Em contraste, na Alemanha e na Bélgica, os cidadãos tendem a avaliar o governo e o parlamento nacional como menos receptivos a eles. Em contraste, na Alemanha e na Bélgica, os cidadãos tendem a avaliar o governo e o parlamento nacional como menos suscetíveis à disseminação da corrupção.

PORTUGAL SOCIAL EM MUDANÇA

Imagem

Figura  1.1   Proporção de crianças e jovens adolescentes em risco de pobreza ou exclusão social por escalão etário                 (% do total da população) Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e UE28, 2007-2017
Figura  1.2   Proporção de agregados com incapacidade de fazer frente a despesas regulares: total, total com crianças, em risco   de pobreza, em risco de pobreza com crianças (%) – Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e UE28, 2007-2017
Figura  1.5   Taxa de abandono precoce de educação  e formação (% do total da população residente do mesmo  escalão etário)
Figura  1.6   Pontuação média obtida nos testes de Ciências do PISA, por sexo (pontos)                  Espanha, Irlanda, Itália, Grécia, Portugal e UE25, 2009, 2012 e 2015
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Referências

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