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OPS, COMI OS ERRES! - UEFS

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Academic year: 2023

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A REMOÇÃO DO -R NO FINAL DO VOCÁBIO NAS PRODUÇÕES ESCOLARES DA CIDADE DE FEIRA DE SANTANA. Retirada –r do final de palavras em produções escolares da cidade de Feira de Santana – BA / Paula Freitas de Jesus Torres.

Variáveis selecionadas no apagamento do -R em posição final de vocábulo na escola particular

Resultados gerais do apagamento do -r em final de vocábulo na rede particular 5.1.3 Variáveis descartadas pelo programa Goldvarb X

Nesta pesquisa são identificados os contextos linguísticos e extralinguísticos no apagamento do rótico no final das palavras. No Capítulo 3 são apresentados os resultados gerais para a eliminação do -r no final das palavras na cidade de Feira de Santana, referentes a dados de redes públicas e privadas em conjunto.

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A MUDANÇA ARTICULATÓRIA DO SEGMENTO /R/

Como já mencionado, o contraste fonêmico dos dois tipos de “R” segundo Silva (2014) só é atestado na posição intervocálica nos dialetos do Português Brasileiro. Silva (2014, p. 160) afirma ainda que a perda do contraste fonêmico entre “R forte” e “r fraco” no português é neutralizada3 na posição final de sílaba.

Figura  1:  Diferenças  entre  as  consoantes  latinas  clássicas  e  portuguesas  (MATTOS  E  SILVA, 1991, p
Figura 1: Diferenças entre as consoantes latinas clássicas e portuguesas (MATTOS E SILVA, 1991, p

Assim, no Português Brasileiro há a posteriorização de /R/ ao observar suas realizações como viva [r], fricativa velar [x], uvular [ʀ] e aspirada [h] ou como simples tepe vivo, alveolar [ ɾ] ou tepe retroflexo [ɻ]. Segundo Noll (2008), a forma sinhazinha ˂ sinhá, sinhô no português brasileiro por volta de 1800 implicava a retirada do /r/ final na língua popular.

ESTUDOS SOBRE A VARIAÇÃO DO /R/ NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Segundo o autor, esses resultados podem indicar um possível processo de implementação de um uso inovador, ou seja, o apagamento do rótico. Os autores observam que o processo de deleção rótica é gradiente e representa limitações morfológicas e prosódicas, que atingem primeiro a posição final do código e só depois o código medial (este último é favorecido pelos processos de assimilação).

Santos (2014) defendeu sua dissertação de mestrado sobre o apagamento do /R/ no discurso popular e culto na cidade de Feira de Santana. Tabela 1: Síntese dos resultados das pesquisas realizadas no estado da Bahia sobre a ocorrência da deleção /R/11.

Trabalhar com a sociolinguística em sala de aula deve ser um momento de reflexão que possa contribuir para a redução da discriminação relacionada à linguagem e deve estimular estratégias de ensino que melhorem a compreensão da linguagem e contribuam para o desempenho acadêmico de crianças de diferentes grupos. Dessa forma, uma nova perspectiva sobre as variações e mudanças linguísticas promove novas práticas mais coerentes em sala de aula, para evitar maiores vieses no processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa.

As relações entre a fala e a escrita não são óbvias nem lineares, pois refletem uma dinâmica constante baseada num continuum que se manifesta entre estas duas modalidades de uso da linguagem. As modalidades oral e escrita de uso da linguagem são vistas como funções complementares na prática comunicacional e nos estudos da relação oral/escrita.

A SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA

A primeira diz respeito à capacidade e controle por parte dos membros da comunidade de fala quando a forma inovadora é inserida na estrutura da língua, conferindo-lhe valor com sua funcionalidade. Neste contexto, a avaliação social das formas variantes pode ser observada no comportamento dos membros de uma comunidade de fala quando o significado social é atribuído às formas linguísticas.

AS VARIÁVEIS EXTERNAS

  • O sexo/gênero
  • A escolaridade
  • O gênero textual
  • A rede de ensino

Assim, a hipótese para esta variável foi que os alunos com mais tempo de estudo no ambiente escolar, aqueles que concluem o ensino fundamental, utilizarão formas mais cultas, enquanto os jovens tenderão a utilizar formas mais inovadoras, neste caso. sem final -r na palavra. A hipótese para esta variável externa baseou-se na premissa de que haveria uma mudança na frequência do fenômeno nas propostas de produção escrita realizadas. A hipótese apresentada para a variável externa da rede educacional é que haveria diferenças no comportamento linguístico entre alunos de escolas privadas e públicas por alguns dos motivos já detalhados acima.

Figura  5:  Escolas  públicas  e  particulares  são  reprovadas  pelo  Ideb  2015.  (Rede  Brasil Atual)
Figura 5: Escolas públicas e particulares são reprovadas pelo Ideb 2015. (Rede Brasil Atual)

O CORPUS

Conhecendo a cidade: Feira de Santana

Feira de Santana possui posição privilegiada e um diversificado setor de comércio e serviços, além das indústrias alimentícia, mecânica, química, de materiais elétricos, de materiais de transporte e de biodiesel. A partir de 1970 foi criado o Centro Industrial de Feira de Santana, que fez com que o perfil econômico da cidade crescesse gradativamente e se tornasse uma das principais cidades do interior do Brasil. Portanto, há que ter em conta que se a Feira de Santana se situa numa zona privilegiada, um armazém comercial, e devido ao seu notável desenvolvimento, existe um contacto.

Figura 6. Localização da cidade de Feira de Santana (Wikipedia)
Figura 6. Localização da cidade de Feira de Santana (Wikipedia)

Conhecendo as escolas, as turmas e os instrumentos de coleta

Os alunos são muito incentivados pelos professores, além de trazerem consigo uma muito boa predisposição, gosto e história com o ensino e hábito de ler e escrever. Os alunos podem responder com base na seguinte escala de resposta: sempre, quase sempre, às vezes, quase nunca e nunca. Para os alunos da escola privada, a partir da análise de 94 alunos, obteve-se a seguinte distribuição de respostas: (20) sempre; (26) quase sempre; (39) às vezes; (07) quase nunca; e (02) nunca.

Leitura na rede particular

Observa-se que entre os alunos da escola privada existe o hábito da leitura, mas as respostas que deram mostraram que as expectativas/impressões do profissional não eram tão compatíveis, pois era esperado um percentual maior. A biblioteca escolar tem um bom acervo, mas os alunos não o utilizam bem. Para os alunos da escola pública, obteve-se a seguinte distribuição de respostas a partir da análise de 60 alunos, detalhada a seguir: (14) sempre; (12) quase sempre; (30) às vezes; (02) quase nunca; e (02) nunca.

Figura 7: Aspectos gerais do Território de Identidade Portal do Sertão/NRE 19 na Bahia  Fonte:http://ameliarodriguesnoticias.blogspot.com.br/2013/08/limites-territoriais-do-portal-do.html  (16 de agosto de 2013)
Figura 7: Aspectos gerais do Território de Identidade Portal do Sertão/NRE 19 na Bahia Fonte:http://ameliarodriguesnoticias.blogspot.com.br/2013/08/limites-territoriais-do-portal-do.html (16 de agosto de 2013)

Leitura na rede pública

Assim, observa-se que os alunos da escola pública leem um pouco menos que os alunos da escola privada, porém, com base nas descrições feitas anteriormente para as duas comunidades, acreditava-se que os valores da escola pública seriam bem inferiores. Observando o gráfico 3, percebe-se que a leitura é praticada nas duas redes de ensino de Feira conforme o questionário. É possível que o significado do ato de leitura frequente seja diferente entre as duas redes; Talvez por isso os alunos da escola pública pensem que leem mais do que os alunos da escola privada, resultado que é.

Leitura nas redes particular e pública

Etapas da pesquisa

Foram estabelecidas condições de consentimento informado para autorização dos pais, professores das turmas em questão, prazo de consentimento para alunos menores, autorização de instituições que permitem a realização de pesquisas em ambiente escolar, desde a instituição remetente (UEFS) através do orientador e o coordenador mestre, além de outros documentos necessários à aprovação do comitê de ética da UEFS; vi) Leitura bibliográfica de estudos já realizados sobre o fenómeno da remoção do /r/ no final das palavras e sobre a sociolinguística laboviana; vii) Aprovação do Comitê de Ética para início da coleta de dados; ix) Leitura de todos os materiais para exibição de produções e informantes; Feirense, 2 pais não-Feirenses Feirense, 1 pai Feiraense Feirense, 2 pais Feiranenses Não-Feirenses, 1 pai Feiranense Não-Feirense, 2 pais Feiranenses Não-Feirenses, 2 pais não-Feirenses. A próxima seção descreve o método sociolinguístico laboviano e apresenta a ferramenta computacional que permite um estudo quantitativo dos dados.

A SOCIOLINGUÍSTICA QUANTITATIVA LABOVIANA: O MÉTODO

  • A ferramenta computacional Goldvarb X

Ao analisar os dados para exclusão do -r final, um número significativo de casos de hipercorreção foi observado em torno de terminações de palavras após um -r final ter sido colocado em palavras que não o possuíam naturalmente. A Tabela 5 apresenta os casos de hipercorreção e sua distribuição nas escritas dos alunos das escolas públicas e privadas. Tabela 6: Casos de uso de diacríticos na escrita feirense Série/ano escolar Escola particular Total escola pública.

ANÁLISE QUANTITATIVA DOS DADOS DE APAGAMENTO DO -R NA ESCRITA DE ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA E PARTICULAR

  • Variáveis selecionadas no apagamento do -r em posição final de vocábulo

Desta forma, os dados foram submetidos ao Goldvarb X, sendo a exclusão -r a regra de aplicação. Como pode ser observado na Tabela 6, as palavras polissilábicas representaram um percentual de 12,8% dos casos de deleção -r com peso relativo significativo para o fenômeno estudado (0,646). Portanto, verificou-se que a hipótese levantada para este grupo, de que as vogais finais favoreceriam a eliminação do -r final na escrita, não foi totalmente confirmada, uma vez que não foi selecionada em primeiro lugar para este grupo de fatores e representou um relativo peso de 0,456, mais próximo do ponto neutro.

Tabela 1: Distribuição dos dados - Apagamento x Manutenção do -r (escola pública e  particular)
Tabela 1: Distribuição dos dados - Apagamento x Manutenção do -r (escola pública e particular)

Rede de ensino X Gênero textual

Os alunos do 6.º ano do Básico II são os que mais privilegiam a regra do apagamento, com um peso relativo de 0,748. E os alunos do 3º ano do ensino médio, os mais escolarizados, são os que mais inibem a regra, com peso relativo de 0,205. Refira-se que os alunos do 9º ano do Básico II, aqueles com escolaridade intermédia, ainda muito timidamente favoreceram a eliminação do -r final, o que poderá ser um sinal de futura aproximação com os resultados dos alunos da fase final de escolaridade. .

Tabela 15: Apagamento do -r final e ´ano escolar/série´ (geral)
Tabela 15: Apagamento do -r final e ´ano escolar/série´ (geral)

Sexo/gênero X Ano escolar

As séries do nono e terceiro anos não foram tão favoráveis ​​ao fenômeno de retirada do -r final. Como seria de esperar, a rede pública foi a que mais preferiu retirar o -r final por escrito, tanto em termos de valor percentual como de peso relativo. Ambos exibem um comportamento muito semelhante, com um ligeiro aumento nos escritos das meninas sobre a remoção do -r final.

Tabela 17: Cruzamento entre o ´ano escolar´ e ´gênero textual´
Tabela 17: Cruzamento entre o ´ano escolar´ e ´gênero textual´

Sexo/gênero X Rede de ensino

Resultados gerais do apagamento do -r em posição final de vocábulo

Tendo em conta as análises já realizadas nas secções anteriores deste capítulo, a Tabela 21 abaixo apresenta uma visão geral do fenómeno de remoção de -r na escrita feirense e o desempenho dos grupos de factores seleccionados para a aplicação da regra de rasura analisada . .

Tabela 21: Resultado geral do apagamento do -r em posição final de vocábulo nas redes  pública e particular
Tabela 21: Resultado geral do apagamento do -r em posição final de vocábulo nas redes pública e particular

Variáveis descartadas pelo programa Goldvarb X

Considerando as formas de articulação da consoante inicial da palavra seguinte, houve maior afastamento do rótico para os lados, em 13,6% dos dados. É possível perceber que o som da consoante seguinte na verdade não tem significância estatística na exclusão do -r final. Vale ressaltar também que os dois fatores citados não são caso de exclusão do -r final; não produziu.

Tabela 22: Apagamento do -r final x ´zona de articulação da consoante subsequente´
Tabela 22: Apagamento do -r final x ´zona de articulação da consoante subsequente´

ANÁLISE QUANTITATIVA DOS DADOS DE APAGAMENTO DO -R NA ESCRITA DE ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA

  • Variáveis selecionadas no apagamento do -r em posição final de vocábulo na escola pública
  • Resultados gerais do apagamento do -r em final de vocábulo na rede pública

Com base na tabela acima, o gênero menos monitorado favorece o fenômeno de apagamento do -r final, com peso relativo de 0,551. Esperava-se, portanto, encontrar diferenças na escrita de meninas e meninos quanto ao apagamento do -r no final das palavras. Vale ressaltar também que os três fatores citados não apresentam casos de exclusão do -r final.

Tabela 27: Apagamento do -r final e ´classe de palavra´ (escola pública)  Classe gramatical  Ocorrências/Total  Percentual  Peso Relativo
Tabela 27: Apagamento do -r final e ´classe de palavra´ (escola pública) Classe gramatical Ocorrências/Total Percentual Peso Relativo

ANÁLISE QUANTITATIVA DOS DADOS DE APAGAMENTO DO -R NA ESCRITA DE ALUNOS DE ESCOLA PARTICULAR

  • Variáveis selecionadas no apagamento do -r em posição final de vocábulo na escola particular
  • Resultados gerais do apagamento do -r em final de vocábulo na rede particular
  • Variáveis descartadas pelo programa Goldvarb X

No que diz respeito às variáveis ​​sociais, não foi selecionado nenhum conjunto de fatores, o que poderia reforçar que o fenômeno da remoção do -r final só é determinado linguisticamente dada a percentagem muito baixa de eliminação. A hipótese para controle dessa variável foi que as consoantes velares, por meio da assimilação, favoreceram o apagamento do -r. O gênero ‘carta’ foi o que apresentou maior taxa de remoção do -r final (2,7% dos dados).

Tabela 41: Apagamento do -r final e ´número de sílabas´ (escola particular)   Número de Sílabas  Ocorrências/Total  Percentual  Peso Relativo
Tabela 41: Apagamento do -r final e ´número de sílabas´ (escola particular) Número de Sílabas Ocorrências/Total Percentual Peso Relativo

No primeiro grupo de fatores linguísticos selecionados, o da classe gramatical, o fator pronome foi o mais favorável ao apagamento, com peso relativo de 0,797, seguido do verbo no infinitivo, com peso relativo de 0,559. O último grupo de fatores linguísticos foi o contexto subsequente, favorecendo a vogal, com peso relativo de 0,618. Quanto ao ‘modo de articulação da consoante seguinte’, o que mais favoreceu a queda do rótico foi o nasal, com peso relativo de 0,818.

SEM MARCAÇÃO

COM MARCAÇÃO

RODADAS PELO GOLDVARB X

RODADA FINAL - ESCOLA PARTICULAR

RODADA FINAL - ESCOLA PÚBLICA

RODADA FINAL GERAL - ESCOLA PÚBLICA + PARTICULAR

RODADA FINAL GERAL - CRUZAMENTO REDE DE ENSINO X GÊNERO TEXTUAL

CRUZAMENTO SEXO E SÉRIE/ANO ESCOLAR

RODADA AMALGAMADA POLISSILÁBICOS X NÃO POLISSILÁBICOS

RODADA AMALGAMADA VERBOS E NÃO VERBOS

RODADA AMALGAMADA ORIGEM DOS PAIS (FEIRENSES E NÃO FEIRENSES)

CROSS TAB – GENERO TEXTUAL X CLASSE GRAMATICAL

RODADA AMALGAMADA GÊNERO TEXTUAL (MONITORADOS E NÃO MONITORADOS)

CROSS TAB – NÚMERO DE SÍLABAS X CLASSE GRAMATICAL

CROSS TAB - VOGAL PRECEDENTE X CLASSE GRAMATICAL

CROSS TAB – CONTEXTO SUBSEQUENTE X GENERO TEXTUAL

CROSS TAB – SÉRIE/ANO ESCOLAR X GENERO TEXTUAL

RODADA FINAL GERAL - CRUZAMENTO SEXO X REDE DE ENSINO

RODADA AMALGAMADA – ZONA DE ARTICULAÇÃO DAS VOGAIS (CENTRAL, POSTERIOR E ANTERIOR)

RODADA AMALGAMADA – ALTURA DA VOGAL ( ALTA E BAIXA)

Imagem

Figura  1:  Diferenças  entre  as  consoantes  latinas  clássicas  e  portuguesas  (MATTOS  E  SILVA, 1991, p
Figura  5:  Escolas  públicas  e  particulares  são  reprovadas  pelo  Ideb  2015.  (Rede  Brasil Atual)
Figura 6. Localização da cidade de Feira de Santana (Wikipedia)
Figura 7: Aspectos gerais do Território de Identidade Portal do Sertão/NRE 19 na Bahia  Fonte:http://ameliarodriguesnoticias.blogspot.com.br/2013/08/limites-territoriais-do-portal-do.html  (16 de agosto de 2013)
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