A REMOÇÃO DO -R NO FINAL DO VOCÁBIO NAS PRODUÇÕES ESCOLARES DA CIDADE DE FEIRA DE SANTANA. Retirada –r do final de palavras em produções escolares da cidade de Feira de Santana – BA / Paula Freitas de Jesus Torres.
Variáveis selecionadas no apagamento do -R em posição final de vocábulo na escola particular
Resultados gerais do apagamento do -r em final de vocábulo na rede particular 5.1.3 Variáveis descartadas pelo programa Goldvarb X
Nesta pesquisa são identificados os contextos linguísticos e extralinguísticos no apagamento do rótico no final das palavras. No Capítulo 3 são apresentados os resultados gerais para a eliminação do -r no final das palavras na cidade de Feira de Santana, referentes a dados de redes públicas e privadas em conjunto.
BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A MUDANÇA ARTICULATÓRIA DO SEGMENTO /R/
Como já mencionado, o contraste fonêmico dos dois tipos de “R” segundo Silva (2014) só é atestado na posição intervocálica nos dialetos do Português Brasileiro. Silva (2014, p. 160) afirma ainda que a perda do contraste fonêmico entre “R forte” e “r fraco” no português é neutralizada3 na posição final de sílaba.
Assim, no Português Brasileiro há a posteriorização de /R/ ao observar suas realizações como viva [r], fricativa velar [x], uvular [ʀ] e aspirada [h] ou como simples tepe vivo, alveolar [ ɾ] ou tepe retroflexo [ɻ]. Segundo Noll (2008), a forma sinhazinha ˂ sinhá, sinhô no português brasileiro por volta de 1800 implicava a retirada do /r/ final na língua popular.
ESTUDOS SOBRE A VARIAÇÃO DO /R/ NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Segundo o autor, esses resultados podem indicar um possível processo de implementação de um uso inovador, ou seja, o apagamento do rótico. Os autores observam que o processo de deleção rótica é gradiente e representa limitações morfológicas e prosódicas, que atingem primeiro a posição final do código e só depois o código medial (este último é favorecido pelos processos de assimilação).
Santos (2014) defendeu sua dissertação de mestrado sobre o apagamento do /R/ no discurso popular e culto na cidade de Feira de Santana. Tabela 1: Síntese dos resultados das pesquisas realizadas no estado da Bahia sobre a ocorrência da deleção /R/11.
Trabalhar com a sociolinguística em sala de aula deve ser um momento de reflexão que possa contribuir para a redução da discriminação relacionada à linguagem e deve estimular estratégias de ensino que melhorem a compreensão da linguagem e contribuam para o desempenho acadêmico de crianças de diferentes grupos. Dessa forma, uma nova perspectiva sobre as variações e mudanças linguísticas promove novas práticas mais coerentes em sala de aula, para evitar maiores vieses no processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa.
As relações entre a fala e a escrita não são óbvias nem lineares, pois refletem uma dinâmica constante baseada num continuum que se manifesta entre estas duas modalidades de uso da linguagem. As modalidades oral e escrita de uso da linguagem são vistas como funções complementares na prática comunicacional e nos estudos da relação oral/escrita.
A SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA
A primeira diz respeito à capacidade e controle por parte dos membros da comunidade de fala quando a forma inovadora é inserida na estrutura da língua, conferindo-lhe valor com sua funcionalidade. Neste contexto, a avaliação social das formas variantes pode ser observada no comportamento dos membros de uma comunidade de fala quando o significado social é atribuído às formas linguísticas.
AS VARIÁVEIS EXTERNAS
- O sexo/gênero
- A escolaridade
- O gênero textual
- A rede de ensino
Assim, a hipótese para esta variável foi que os alunos com mais tempo de estudo no ambiente escolar, aqueles que concluem o ensino fundamental, utilizarão formas mais cultas, enquanto os jovens tenderão a utilizar formas mais inovadoras, neste caso. sem final -r na palavra. A hipótese para esta variável externa baseou-se na premissa de que haveria uma mudança na frequência do fenômeno nas propostas de produção escrita realizadas. A hipótese apresentada para a variável externa da rede educacional é que haveria diferenças no comportamento linguístico entre alunos de escolas privadas e públicas por alguns dos motivos já detalhados acima.
O CORPUS
Conhecendo a cidade: Feira de Santana
Feira de Santana possui posição privilegiada e um diversificado setor de comércio e serviços, além das indústrias alimentícia, mecânica, química, de materiais elétricos, de materiais de transporte e de biodiesel. A partir de 1970 foi criado o Centro Industrial de Feira de Santana, que fez com que o perfil econômico da cidade crescesse gradativamente e se tornasse uma das principais cidades do interior do Brasil. Portanto, há que ter em conta que se a Feira de Santana se situa numa zona privilegiada, um armazém comercial, e devido ao seu notável desenvolvimento, existe um contacto.
Conhecendo as escolas, as turmas e os instrumentos de coleta
Os alunos são muito incentivados pelos professores, além de trazerem consigo uma muito boa predisposição, gosto e história com o ensino e hábito de ler e escrever. Os alunos podem responder com base na seguinte escala de resposta: sempre, quase sempre, às vezes, quase nunca e nunca. Para os alunos da escola privada, a partir da análise de 94 alunos, obteve-se a seguinte distribuição de respostas: (20) sempre; (26) quase sempre; (39) às vezes; (07) quase nunca; e (02) nunca.
Leitura na rede particular
Observa-se que entre os alunos da escola privada existe o hábito da leitura, mas as respostas que deram mostraram que as expectativas/impressões do profissional não eram tão compatíveis, pois era esperado um percentual maior. A biblioteca escolar tem um bom acervo, mas os alunos não o utilizam bem. Para os alunos da escola pública, obteve-se a seguinte distribuição de respostas a partir da análise de 60 alunos, detalhada a seguir: (14) sempre; (12) quase sempre; (30) às vezes; (02) quase nunca; e (02) nunca.
Leitura na rede pública
Assim, observa-se que os alunos da escola pública leem um pouco menos que os alunos da escola privada, porém, com base nas descrições feitas anteriormente para as duas comunidades, acreditava-se que os valores da escola pública seriam bem inferiores. Observando o gráfico 3, percebe-se que a leitura é praticada nas duas redes de ensino de Feira conforme o questionário. É possível que o significado do ato de leitura frequente seja diferente entre as duas redes; Talvez por isso os alunos da escola pública pensem que leem mais do que os alunos da escola privada, resultado que é.
Leitura nas redes particular e pública
Etapas da pesquisa
Foram estabelecidas condições de consentimento informado para autorização dos pais, professores das turmas em questão, prazo de consentimento para alunos menores, autorização de instituições que permitem a realização de pesquisas em ambiente escolar, desde a instituição remetente (UEFS) através do orientador e o coordenador mestre, além de outros documentos necessários à aprovação do comitê de ética da UEFS; vi) Leitura bibliográfica de estudos já realizados sobre o fenómeno da remoção do /r/ no final das palavras e sobre a sociolinguística laboviana; vii) Aprovação do Comitê de Ética para início da coleta de dados; ix) Leitura de todos os materiais para exibição de produções e informantes; Feirense, 2 pais não-Feirenses Feirense, 1 pai Feiraense Feirense, 2 pais Feiranenses Não-Feirenses, 1 pai Feiranense Não-Feirense, 2 pais Feiranenses Não-Feirenses, 2 pais não-Feirenses. A próxima seção descreve o método sociolinguístico laboviano e apresenta a ferramenta computacional que permite um estudo quantitativo dos dados.
A SOCIOLINGUÍSTICA QUANTITATIVA LABOVIANA: O MÉTODO
- A ferramenta computacional Goldvarb X
Ao analisar os dados para exclusão do -r final, um número significativo de casos de hipercorreção foi observado em torno de terminações de palavras após um -r final ter sido colocado em palavras que não o possuíam naturalmente. A Tabela 5 apresenta os casos de hipercorreção e sua distribuição nas escritas dos alunos das escolas públicas e privadas. Tabela 6: Casos de uso de diacríticos na escrita feirense Série/ano escolar Escola particular Total escola pública.
ANÁLISE QUANTITATIVA DOS DADOS DE APAGAMENTO DO -R NA ESCRITA DE ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA E PARTICULAR
- Variáveis selecionadas no apagamento do -r em posição final de vocábulo
Desta forma, os dados foram submetidos ao Goldvarb X, sendo a exclusão -r a regra de aplicação. Como pode ser observado na Tabela 6, as palavras polissilábicas representaram um percentual de 12,8% dos casos de deleção -r com peso relativo significativo para o fenômeno estudado (0,646). Portanto, verificou-se que a hipótese levantada para este grupo, de que as vogais finais favoreceriam a eliminação do -r final na escrita, não foi totalmente confirmada, uma vez que não foi selecionada em primeiro lugar para este grupo de fatores e representou um relativo peso de 0,456, mais próximo do ponto neutro.
Rede de ensino X Gênero textual
Os alunos do 6.º ano do Básico II são os que mais privilegiam a regra do apagamento, com um peso relativo de 0,748. E os alunos do 3º ano do ensino médio, os mais escolarizados, são os que mais inibem a regra, com peso relativo de 0,205. Refira-se que os alunos do 9º ano do Básico II, aqueles com escolaridade intermédia, ainda muito timidamente favoreceram a eliminação do -r final, o que poderá ser um sinal de futura aproximação com os resultados dos alunos da fase final de escolaridade. .
Sexo/gênero X Ano escolar
As séries do nono e terceiro anos não foram tão favoráveis ao fenômeno de retirada do -r final. Como seria de esperar, a rede pública foi a que mais preferiu retirar o -r final por escrito, tanto em termos de valor percentual como de peso relativo. Ambos exibem um comportamento muito semelhante, com um ligeiro aumento nos escritos das meninas sobre a remoção do -r final.
Sexo/gênero X Rede de ensino
Resultados gerais do apagamento do -r em posição final de vocábulo
Tendo em conta as análises já realizadas nas secções anteriores deste capítulo, a Tabela 21 abaixo apresenta uma visão geral do fenómeno de remoção de -r na escrita feirense e o desempenho dos grupos de factores seleccionados para a aplicação da regra de rasura analisada . .
Variáveis descartadas pelo programa Goldvarb X
Considerando as formas de articulação da consoante inicial da palavra seguinte, houve maior afastamento do rótico para os lados, em 13,6% dos dados. É possível perceber que o som da consoante seguinte na verdade não tem significância estatística na exclusão do -r final. Vale ressaltar também que os dois fatores citados não são caso de exclusão do -r final; não produziu.
ANÁLISE QUANTITATIVA DOS DADOS DE APAGAMENTO DO -R NA ESCRITA DE ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA
- Variáveis selecionadas no apagamento do -r em posição final de vocábulo na escola pública
- Resultados gerais do apagamento do -r em final de vocábulo na rede pública
Com base na tabela acima, o gênero menos monitorado favorece o fenômeno de apagamento do -r final, com peso relativo de 0,551. Esperava-se, portanto, encontrar diferenças na escrita de meninas e meninos quanto ao apagamento do -r no final das palavras. Vale ressaltar também que os três fatores citados não apresentam casos de exclusão do -r final.
ANÁLISE QUANTITATIVA DOS DADOS DE APAGAMENTO DO -R NA ESCRITA DE ALUNOS DE ESCOLA PARTICULAR
- Variáveis selecionadas no apagamento do -r em posição final de vocábulo na escola particular
- Resultados gerais do apagamento do -r em final de vocábulo na rede particular
- Variáveis descartadas pelo programa Goldvarb X
No que diz respeito às variáveis sociais, não foi selecionado nenhum conjunto de fatores, o que poderia reforçar que o fenômeno da remoção do -r final só é determinado linguisticamente dada a percentagem muito baixa de eliminação. A hipótese para controle dessa variável foi que as consoantes velares, por meio da assimilação, favoreceram o apagamento do -r. O gênero ‘carta’ foi o que apresentou maior taxa de remoção do -r final (2,7% dos dados).
No primeiro grupo de fatores linguísticos selecionados, o da classe gramatical, o fator pronome foi o mais favorável ao apagamento, com peso relativo de 0,797, seguido do verbo no infinitivo, com peso relativo de 0,559. O último grupo de fatores linguísticos foi o contexto subsequente, favorecendo a vogal, com peso relativo de 0,618. Quanto ao ‘modo de articulação da consoante seguinte’, o que mais favoreceu a queda do rótico foi o nasal, com peso relativo de 0,818.
SEM MARCAÇÃO
COM MARCAÇÃO
RODADAS PELO GOLDVARB X
RODADA FINAL - ESCOLA PARTICULAR
RODADA FINAL - ESCOLA PÚBLICA
RODADA FINAL GERAL - ESCOLA PÚBLICA + PARTICULAR
RODADA FINAL GERAL - CRUZAMENTO REDE DE ENSINO X GÊNERO TEXTUAL
CRUZAMENTO SEXO E SÉRIE/ANO ESCOLAR
RODADA AMALGAMADA POLISSILÁBICOS X NÃO POLISSILÁBICOS
RODADA AMALGAMADA VERBOS E NÃO VERBOS
RODADA AMALGAMADA ORIGEM DOS PAIS (FEIRENSES E NÃO FEIRENSES)
CROSS TAB – GENERO TEXTUAL X CLASSE GRAMATICAL
RODADA AMALGAMADA GÊNERO TEXTUAL (MONITORADOS E NÃO MONITORADOS)
CROSS TAB – NÚMERO DE SÍLABAS X CLASSE GRAMATICAL
CROSS TAB - VOGAL PRECEDENTE X CLASSE GRAMATICAL
CROSS TAB – CONTEXTO SUBSEQUENTE X GENERO TEXTUAL
CROSS TAB – SÉRIE/ANO ESCOLAR X GENERO TEXTUAL
RODADA FINAL GERAL - CRUZAMENTO SEXO X REDE DE ENSINO
RODADA AMALGAMADA – ZONA DE ARTICULAÇÃO DAS VOGAIS (CENTRAL, POSTERIOR E ANTERIOR)
RODADA AMALGAMADA – ALTURA DA VOGAL ( ALTA E BAIXA)