Com o objetivo de estimular a discussão sobre tais questões, este volume aprofundará a reflexão sobre as práticas de análise linguística que podem ser desenvolvidas a partir de propostas curriculares urbanas, especialmente em ciclos interdisciplinares e de autor. A utilização do termo “prática de análise linguística” não se deve simplesmente ao gosto por novas terminologias. Globalmente, portanto, existe uma lacuna na formação de professores em termos da sua compreensão da prescrição e descrição gramatical e de como cada proposta organiza as práticas de análise linguística de forma diferente.
Gramática: uma palavra proibida?
De modo geral, para o ensino-aprendizagem de línguas, o documento estabelece uma voz oficial que percebe a língua como dialógica, e nega o ensino da tradição gramatical que remete a um conceito de língua homogênea. Este movimento deve ser articulado numa concepção plural e heterogênea de linguagem, ou seja, que o sistema linguístico na realização concreta do texto oferece inúmeras possibilidades de construção, pois é articulado para contextos específicos. Assim, a descrição linguística não pode simplesmente substituir outras práticas linguísticas básicas no ensino e aprendizagem da língua portuguesa.
A análise linguística no Currículo da Cidade
No restante deste volume analisaremos os fundamentos teóricos que sustentam os diversos tipos de atividades que compõem as práticas de análise linguística. O segundo aspecto está relacionado aos tipos de atividades que podem ser mobilizadas: “atividades de uso da linguagem” e “atividades de reflexão sobre o uso e a própria linguagem” (SÃO PAULO, 2017, p. 88-89). Segundo Geraldi (1997), isso se deve a três tipos de atividades que envolvem a reflexão sobre a linguagem: atividades linguísticas, atividades epilinguísticas e atividades metalinguísticas.
Leitura, produção de texto e análise linguística
Espera-se criar condições para que os alunos levantem hipóteses que considerem a poesia como tudo o que afeta a sensibilidade e a linguagem poética como forma de sugerir emoções não só através das palavras, mas também através de outras linguagens. Volte também ao outro texto para que os alunos possam refletir sobre a releitura como um processo de relaxamento. Retornar com os alunos aos processos de intertextualidade aprendidos e à associação entre imagem e palavra como recursos expressivos.
Poderá ser necessária mais mediação para que os alunos compreendam que mexer e coçar assumem significados diferentes, ou seja, a poesia é o que nos perturba, nos tira a paz de espírito para nos fazer olhar o mundo de uma forma diferente, através da imaginação, através do sentimento , pelo sonho, pela saudade de outro mundo. Deve-se ressaltar aos alunos que isso é possível porque uma mesma palavra em nossa língua pode ter significados diferentes dependendo do local e da época de seu uso. Para isso, a leitura de frases populares, charadas e provérbios é apresentada como atividades de ampliação do aprendizado para que os alunos percebam que um recurso tão expressivo também pode existir no nosso dia a dia.
Para começar a trabalhar com tais gêneros, verifique o que os alunos sabem sobre eles, possivelmente guardando conhecimentos anteriores de outros anos letivos. Um jogo pode ser promovido apresentando ilustrações que representem o significado literal e figurativo para que os alunos possam escolher a qual significado o provérbio se refere. Pressupõe-se, para esta atividade, que os alunos tenham refletido previamente sobre o conceito do nome.
Essa orientação é importante, pois é necessário fazer com que os alunos percebam que alguns substantivos participam de outras construções, como por exemplo o caso da locução adjetiva “da humanidade”. Para esta reflexão, por exemplo, será importante ajudar os alunos a perceberem que “uma nova história” sugere a ideia de uma outra história, uma história paralela, uma nova possibilidade de compreensão da história humana. Para isso, os alunos podem realizar alguns jogos de ortografia, depois retornar ao texto e corrigi-lo.
Escuta, produção oral e análise linguística
Por exemplo, ao adaptar um texto falado para um texto escrito, as unidades de discurso corresponderão a parágrafos. Em seguida, relacione estas observações com usos que os alunos possam considerar ao executar o conjunto, tais como entonação clara e temporária; observar um tom de discordância, evitando a sugestão de agressão ao se opor ao discurso ou ao fazer sugestões, ou mesmo um tom impositivo que indique falta de abertura ao diálogo. Na assembleia (e na própria sala de aula), por exemplo, é fundamental saber lidar com um conflito de ideias.
O foco da atividade é estimular o aluno a se posicionar diante da leitura de um texto escrito, que é apresentado em uma atividade de intercâmbio oral preparatória ao debate. Por exemplo, do ponto de vista da gramática do português brasileiro, as interjeições são marcadores. No gênero debate baseado em regras, por exemplo, existem procedimentos específicos e estratégias argumentativas adequadas que contribuem para convencer o outro.
Apontar, em textos orais selecionados, alguns articuladores textuais utilizados, por exemplo, para: marcar condicionamentos (se, caso, desde que), mostrar alternativas ou comparações (ou, como), esclarecer ou exemplificar informações (porque, ou melhor, que é), determinar a conclusão (assim, assim, assim), construir um contraponto de ideias (mas, porém, porém, apesar, embora), entre outros. É possível criar uma tabela com a sistematização dos recursos aprendidos para um estudo mais aprofundado relacionado, por exemplo, ao estudo de períodos compostos, o que seria um complemento a esta atividade. Para isso, outras atividades preparatórias deverão ser realizadas, refletindo, por exemplo, sobre a real contribuição de textos como a revista Época para a questão colocada.
Discuta com os alunos a verdadeira extensão destes textos, a ênfase apenas em alguns aspectos da sustentabilidade, o 'apagamento', por exemplo, da descrição de modos reais de produção e o facto de o tema se ter tornado cada vez mais permanente em vários meios de comunicação.
Análise linguística e atividades independentes
Aí você pode começar a refletir sobre o aspecto gramatical tomado como foco: o verbo como organizador de frases. Mobilize algumas conclusões reflexivas da análise e inicie a sistematização do conceito de sujeito: esta palavra é um pronome pessoal que estabelece concordância com o verbo; pode ser omitido na frase, pois é identificado pelo verbo. Destaque o fato de que a expressão à esquerda do verbo é visualmente construída pela imagem da bicicleta.
Complete mais algumas reflexões desta tabela: o termo à esquerda pode ser representado por um pronome ou por uma expressão nominal; as circunstâncias podem aparecer antes e depois do verbo; há verbos com sentido completo e outros com sentido incompleto; complementos verbais são representados por (ou atuam como) expressões nominais e podem ou não ser introduzidos com preposição; verbos e/ou complementos atribuem propriedades ao termo à esquerda, criando uma relação semântica. Volte às especificações de sujeito, transitividade e complemento verbal, colocando o verbo como organizador da frase. No edital do Ministério do Meio Ambiente, explore o conceito de locução verbal e ordem direta, e acrescente mais elementos à sistematização.
Além disso, neste último anúncio, é importante explorar a fonte expressiva do acordo ideológico através da silepsia pessoal (Somos - Somos todos) e também dos usos do verbo estar, que, no caso do anúncio, é transitivo indireto. . Nesta parte pode ser proposta outra atividade reflexiva coletiva com base no Mapa Mundial das Línguas, disponível em https://locallingual.com/. Pode-se sugerir que: o jargão pode ser um sinal de contestação; a linguagem da periferia resiste à marginalização; a linguagem da periferia muitas vezes limita as identidades territoriais (comunidades específicas); a língua falada na periferia tem sua legitimidade negada e/ou ignorada; Linguagem.
Tal atividade com o conceito de variação linguística possibilita compreender o que é o uso da língua, e refletir sobre preconceitos linguísticos sobre questões próximas ao universo do aluno.
Considerações gerais
A partir do currículo da cidade pode-se refletir que não é possível lidar apenas com a linguagem nos processos de modelagem, focando nas regularidades linguísticas gerais (no sentido das regularidades de um gênero discursivo), mas é importante construir nela práticas que O processo mobiliza a compreensão ativa, utilizando elementos linguísticos, expressivos e discursivos da linguagem no diálogo a partir de diferentes situações de interação. Portanto, no processo de implementação do currículo municipal, é fundamental que os professores reflitam sobre suas práticas e, em parceria, construam novas práticas que vão além da concepção simplista do tópico gramatical isolado ou afastado das características gerais. Não a linguagem como sinônimo de nomenclatura e definições sem articulação com a vida, mas a linguagem em uso que constitui os sujeitos em suas práticas sociais.
Este material convida você, professor, a pensar em outras possibilidades e práticas em relação ao trabalho com a linguagem utilizada.
Glossário-Exemplo
Por exemplo, palavras referentes à esfera literária: poeta, poema, romancista, romance, autor, drama, dramaturgo, estilo, estilística, prosa, verso, etc. Por exemplo, o professor pode escolher textos de divulgação científica que tratem de partes do corpo, tipos de animais ou alimentos e analisar a construção de palavras em atividades voltadas à ortografia, por exemplo. Por exemplo, para coesão verbal, considere as sugestões dadas em Verb Tense, Verb Phrase e Verbo dicendi.
Por exemplo, “ser vivo” é um termo genérico que pode ser especificado gradativamente: animal, mamífero, cavalo. Por exemplo, ao trabalhar com o gênero verbetal como estratégia de compreensão de texto, pode-se refletir sobre as relações semânticas estabelecidas entre os termos; como estratégia de planejamento textual, o aluno pode construir mapas lexicais envolvendo vocabulário técnico pesquisado para a produção de um verbete de enciclopédia. Pode-se também promover uma reflexão sobre pontos linguísticos relacionados à argumentação, como por exemplo a articulação textual ou a comparação entre diferentes efeitos de objetividade e subjetividade.
Mais importante do que compreender distinções entre polissemia e homonímia, é fundamental oferecer atividades focadas na análise desses aspectos como recursos de efeitos de sentido em tiras e textos publicitários, por exemplo, para investigar o duplo sentido. Pode-se criar mapas lexicais que representem a rede de ideias do texto, estabelecendo, por exemplo, a hierarquização dos temas apresentados. Na prática docente, é importante analisar com os alunos, por exemplo, o pretérito e como tais usos ocorrem nos diferentes gêneros narrativos, para descrever sua funcionalidade na própria continuidade narrativa.
Por exemplo, pode-se observar uma variedade de gaúcho ou paulista se o critério de análise sociolinguística for essencialmente geográfico.
Diálogos interdisciplinares a caminho da autoria: elementos conceituais para a construção de direitos de aprendizagem no circuito interdisciplinar.