01 - 2018 Pagina 1820 horizontes no campo do direito de família, considerando-o nas mais diversas formas e normas. Direito de família e o princípio da solidariedade: o princípio constitucional da solidariedade como direito fundamental e sua repercussão nas relações familiares.
ALGUNS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NORTEADORES DAS RELAÇÕES FAMILIARES
A proteção constitucional das unidades familiares que não o casamento, como a união estável (art e famílias monoparentais; igualdade de direitos entre homens e mulheres na comunidade conjugal, não rotulação da mulher como exercendo funções domésticas e procriadoras (art. 226), § 5); a possibilidade de anulação do casamento como direito potencial dos cônjuges, ou seja, independentemente de quaisquer termos ou condições (art. dignidade da pessoa humana com "respeito e consideração mútuos" (art. 1.566, V) e "lealdade e respeito " (art. 1.724), o afeto e a tolerância devem ser incorporados como valores jurídicos nas relações familiares.
CONCEITO DE PARENTALIDADE SOCIOAFETIVA
1.593 do Código Civil prescreve que a relação natural decorre da relação consangüínea e a relação civil de outra origem. 1593, outros tipos de parentesco conjugal além do decorrente de adoção, aceitando-se a ideia de que também existe parentesco conjugal no vínculo parental decorrente de técnicas de reprodução assistida heteróloga em relação ao pai (ou mãe) que não tenha contribuído com seu material fecundante, ou de paternidade sócio-afetiva, fundada na posse da condição de filho.
RELAÇÕES PARENTAIS SOCIOAFETIVAS
01 - 2018 Pagina 1838 a utilização do termo “barriga solidária”, pois a pessoa, sem receber dinheiro, empresta o útero para a gravidez de um filho em favor de outro. 01 - 2018 Página 1840, momento do registro, recebe sua declaração todo aquele que se apresentar ao cartório munido de documento de identidade e se declarar pai. 01 - 2018 Página 1.841 (art. 1.609 e 1.610 do Código Civil), nas ações contra a paternidade movidas pelo pai registrado, ainda que não seja constatada consanguinidade, salvo se comprovada alguma falta de consentimento, como dolo da mãe, quando faz com que determinada pessoa, com quem teve um relacionamento amoroso, pense que o filho é dele, quando não é.
01 - 2018 Página 1844 O Direito não pode esquecer a realidade social, pois deve estar sempre inserido nos tempos atuais.
REQUISITOS PARA O RECONHECIMENTO DA PARENTALIDADE SOCIOAFETIVA
Embora a condição de criança não exista expressamente na legislação, a doutrina e a jurisprudência a reconhecem implicitamente no artigo acima. A afirmação da existência da paternidade sócio-afetiva requer plena comprovação da posse da condição de filho. No entanto, segundo o desembargador Ricardo Moreira Lins Pastl, os autos não continham elementos que indicassem a posse da condição de menor, a saber, nome, tratamento e fama.
A pertença socioafetiva, baseada na posse da condição de filho e consolidada no afeto e na convivência familiar, prevalece sobre a verdade biológica.
LEGITIMIDADE AD CAUSAM
Trata-se de ação de adoção com pedido liminar de afastamento do poder familiar do padrasto da filha menor da esposa, com quem tem outra filha. A questão colocada no RESP é saber se o padrasto tem legitimidade e interesse ativo para agir no sentido de propor a retirada do poder familiar do pai biológico em preparação para a adoção de menor. 155 do ECA prevê que o processo de perda do poder familiar será instaurado pelo deputado ou por pessoa com interesse jurídico.
Relator, o padrasto tem interesse legítimo amparado na socioafetividade, o que lhe confere legitimidade ativa e interesse de agir para postular o afastamento do poder familiar do pai biológico da criança.
RECONHECIMENTO JUDICIAL DA PARENTALIDADE SOCIOAFETIVA
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a paternidade socioafetiva só pode ser pleiteada em benefício do filho, pelo que as ações negativas de paternidade, que tenham sido propostas pelo pai registrado ou seus herdeiros, sob o argumento de exclusão de laços de sangue entre as partes, depois de formado um vínculo afetivo, não tem sucesso. ALEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PATERNIDADE SOCIOAFETIVA COM TERCEIRO INIBINDO AS CONSIDERAÇÕES DA INVESTIGAÇÃO NA ESFERA REGISTRAL E IMOBILIÁRIA. Em suma, a paternidade socioafetiva só pode ser invocada a favor do filho, e não contra ele, exceto em circunstâncias muito especiais, quando se consolida ao longo da vida, o que não é o caso aqui.
No entanto, o relator da recorrente afastou-se deste entendimento e defendeu que este argumento se aplica quando o requerente é o pai registado, uma vez que a paternidade socioafetiva só pode ser arguida a favor da criança e não em oposição a ela. .
RECONHECIMENTO EXTRAJUDICIAL DA PARENTALIDADE SOCIOAFETIVA
Cassettari aponta que uma disposição do Conselho Nacional de Justiça seria mais rápida para padronizar a paternidade socioafetiva e multiparental em todos os cartórios do país, dada a demora na elaboração de uma lei que vem de um projeto que deveria ter sido discutido na Câmara e no Senado62. As condições exigidas para fazer o reconhecimento da paternidade socioafetiva no estado do Paraná, diretamente nos serviços de registro civil, elencadas no dispositivo, resumem-se em: a) o consentimento da mãe do inscrito, se ele for menor de 18 (dezoito). ) anos e do inscrito se for maior de 18 (dezoito) anos. No caso em tela, houve o reconhecimento da maternagem socioafetiva, portanto a denominação correta do instituto é parentalidade socioafetiva ao invés de paternidade socioafetiva.
01 - 2018 Pag. 1.861 do Estado do Paraná, assinada pelo Desembargador Rogério Luís Nielsen Kanayama, Inspetor Geral de Justiça, que autoriza o reconhecimento espontâneo de paternidade socioafetiva de maiores de 18 (dezoito) anos, sem dados de paternidade. perante qualquer funcionário do Serviço de Registro Civil do Estado do Paraná, desde que apresente documento de identidade e certidão de nascimento original da criança ou cópia autenticada.
EFEITOS JURÍDICOS DO RECONHECIMENTO DA PARENTALIDADE SOCIOAFETIVA
Na parte seguinte, será tratada a multiparentalidade como possível consequência da parentalidade socioafetiva, tema novo no ramo do direito de família, que quebra o paradigma segundo o qual uma pessoa só pode ter um pai e uma mãe. certidão de nascimento. Ou seja, uma pessoa pode ter mais de uma mãe e/ou mais de um pai na certidão de nascimento. Parentesco múltiplo ocorre quando três ou mais pessoas são listadas como pais na certidão de nascimento.
Decisões em todo o Brasil começaram a determinar se o nome de mais de um pai ou de mais de uma mãe deveria constar na certidão de nascimento da criança.
RECONHECIMENTO DA MULTIPARENTALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
01 - 2018 Página 1864 Alguns estudiosos acreditam que a instituição tem o inconveniente de abrir um grave precedente para estabelecer uma filiação para fins puramente patrimoniais, mas nosso sistema possui salvaguardas para impedir essas ações, como o binômio necessidade versus oportunidade de alimentos direitos, deveres da criança a todos os genitores inscritos em seu registro civil de nascimento, inclusive, para ampará-los na velhice, pois o parentesco traz consigo uma complexidade de direitos e deveres. Em seu voto, o ministro rejeitou o recurso extraordinário e manteve a decisão impugnada, acompanhado dos ministros Rosa Weber, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Cármen Lúcia e Marco Aurélio. O ministro Edson Fachin discordou do voto do relator e votou a favor do recurso em parte, porque para ele “o vínculo socioafetivo é o que a lei exige no caso dos arquivos”.
A sua voz juntou-se o Ministro Teori Zavascki, que explicou: “a paternidade biológica não gera necessariamente a relação de paternidade do ponto de vista jurídico e com consequentes consequências”.
DIREITO COMPARADO
Em Portugal, a população recorre a um instituto denominado patrocínio civil, instituído em 11 de setembro de 2009 pela lei n. 103, que se estabelece por decisão ou homologação judicial, entre criança ou adolescente institucionalizado menor de 18 (dezoito anos) e pessoa ou famílias que não almejam a adoção plena, mas aceitam a criança ou adolescente em seu domicílio, oferecer um projeto de vida, passam a exercer os direitos parentais dos pais, com quaisquer restrições especificadas nos termos do apadrinhamento. O compadrio civil é, em regra, a relação jurídica permanente entre uma criança ou jovem e uma pessoa singular ou familiar que exerça os poderes e deveres de progenitor ou O padrinho civil não é uma exclusão, mas um acréscimo à vida da criança ou adolescente, pois tanto os pais biológicos quanto os padrinhos devem manter a cooperação e o respeito mútuo, participar da criação da criança ou adolescente, embora os padrinhos passem a ser os principais responsáveis pela a educação da criança ou adolescente, desde que este passe a conviver com o primeiro.
O apadrinhamento pode ser instaurado pelo Ministério Público, pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, no âmbito dos processos nelas tramitados, pelo órgão de segurança social competente ou instituição por ela habilitada, pelos pais ou representante legal da criança ou jovem com mais de 12 anos de idade.
ANÁLISE DA MULTIPARENTALIDADE EM CASOS CONCRETOS, RECONHECIDOS POR SENTENÇA NO BRASIL
Quando o Conselho Nacional de Justiça padronizou as certidões de nascimento no Brasil em 2009 pelos dispositivos 02 e 03, substituindo os termos pai e mãe por filiação, não houve constrangimento em cumprir a ordem judicial, pois não há restrições de quantas pessoas podem comparecer no campo de filiação. Inconformadas com a sentença, as autoras recorreram e o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão, declarando a maternidade socioafetiva. 1.593 do Código Civil e decorre da posse da condição de filho, fruto de longa e estável convivência, aliada ao mútuo afeto e consideração, e sua manifestação pública, para não deixar dúvidas, aos que não o fazem. saibam que são parentes - A formação da família moderna sem parentesco é baseada na afetividade e nos princípios da dignidade humana e da solidariedade.
Foi proposta ação cível perante o Tribunal de Justiça de Sergipe, por Gilvânia dos Santos, com o objetivo de anular a sentença que rejeitou o indeferimento da ação de paternidade contra Filomento Neto, sob o fundamento de que. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça, no acórdão do Recurso Especial n. 11.67993/RS, de 18 de dezembro de 2012, a partir do relator do Desembargador Luis Felipe Salomão, da Quarta Câmara, estabeleceu entendimento de que nem sempre deve prevalecer a paternidade socioafetiva, tomando como exemplo o filho registrado ao buscar o reconhecimento da filiação biológica , no cenário de adoção brasileiro. Conforme demonstrado neste estudo, alguns Tribunais de Justiça têm optado por regulamentar o reconhecimento espontâneo de paternidade socioafetiva, no Serviço de Registro Civil das Pessoas Físicas, independentemente de decisão judicial, com disposições diversas.