Além disso, busca determinar o número de acidentes de trabalho em setores já tipicamente terceirizados, com o objetivo de fazer um prognóstico sobre os índices de acidentes com base na anuência da terceirização generalizada. Em seguida, a constitucionalidade, ou não, da Lei nº. que autoriza a terceirização das atividades fim das empresas, além de mostrar que a escolha da terceirização como forma de gestão empresarial afeta diretamente a saúde, a segurança e a dignidade humana. O trabalhador. Por fim, o terceiro e último capítulo destaca os “índices de acidentes de trabalho” a fim de estabelecer um prognóstico quanto aos índices de acidentes de trabalho após a liberação da terceirização das atividades fim das empresas, bem como proporcionar uma reflexão se é uma flexibilidade e desregulamentação das relações de trabalho.
A (IN) CONSTITUCIONALIDADE DA LEI N.º 13.429/17
Portanto, pressupõe-se que no processo evolutivo da contratação brasileira, o que era proibido e contestado pela Súmula 331, do TST, agora é permitido pela Lei de Transmissões. Conduz, portanto, à violação da efetividade dos direitos fundamentais dos trabalhadores, sejam os de natureza patrimonial ou os relativos à honra, à saúde e à segurança dos trabalhadores (AMORIM, 2013, p. 7). No entanto, a existência de uma empresa pressupõe o desenvolvimento de atividades necessárias à consecução dos seus objetivos sociais.
Nesse contexto, fica claro que a afirmação 331 do TST tende a conter o lado perverso da terceirização irrestrita, ao estabelecer diretrizes e parâmetros que garantam, ainda que de forma mínima, condições dignas de trabalho, visto que a terceirização tende a desvalorizar o valor do trabalho. trabalho e transformando o trabalhador em mercadoria. A sua concretização faz-se pela relativização do valor social do trabalhador e a função social é a promoção da desigualdade social, o que constitui a negação do mandamento constitucional de uma ordem económica que visa a justiça social. Face ao exposto, verifica-se que a isenção da externalização ilimitada, pela Lei n.º, promove a sobre-exploração económica do trabalho e confere autonomia às empresas no que diz respeito aos contratos de trabalho.
Percebe-se também que é imprescindível ao processo de terceirização a construção de cadeias que neguem a primazia constitucional do trabalho e a garantia da dignidade humana, bem como a geração de insegurança nas relações trabalhistas. Por fim, conclui-se que com a contratação extensiva há uma clara distorção inconstitucional do regime de trabalho, pois nega o impacto dos direitos fundamentais aplicáveis à classe trabalhadora.
A LEI DA TERCEIRIZAÇÃO E A SÚMULA 331 DO TST
A entrada em vigor da Lei n. Lei da Terceirização), que causa profundo impacto na jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho, cuja Lei nº. 6.019/74, alterada substancialmente, não se aplica às relações de trabalho que sob a bandeira da lei antiga, sob pena de violação do direito adquirido do empregado a condições de trabalho muito mais vantajosas. No que diz respeito aos contratos de trabalho celebrados e rescindidos antes da entrada em vigor da Lei nº., o entendimento jurisprudencial aplicável à luz da Súmula nº. 331, I, do TST, com base na redação anterior da Lei nº. 6.019/74, foi instituída. A Constituição Federal estipula como direito fundamental dos trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, XXII, CF).
Portanto, há necessidade de proteção do ambiente de trabalho, o que inclui desde o tratamento dos trabalhadores até as condições a que estão expostos, o uso de equipamentos de proteção individual e o respeito às normas nacionais e internacionais, para prevenção e contenção do evento . de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais, que provocam efeitos nocivos à sociedade como um todo, e não apenas ao indivíduo, com repercussões sociais, psicológicas, trabalhistas e previdenciárias. Com efeito, o objetivo da legislação, à luz dos direitos fundamentais, é garantir aos trabalhadores um ambiente de trabalho digno, condição básica para a promoção da vida, a proteção social e o controlo dos acidentes e doenças no trabalho. Além disso, a proteção da vida com dignidade e qualidade é um valor que deve ser priorizado e alcançado, considerando que os danos à saúde e à segurança física e mental dos trabalhadores podem e devem ser prevenidos (CARVALHIDO; SALIBA, 2016, p. 257).
Portanto, o investimento em segurança no trabalho deve ser visto como um conjunto de medidas que visam reduzir ou mesmo eliminar os riscos associados ao processo produtivo. Portanto, uma empresa comprometida com a valorização do trabalho e da dignidade humana gerencia os riscos do seu ambiente de trabalho e, portanto, protege os colaboradores.
O Ministério do Trabalho (2017, p. 5), ao emitir diversos pareceres contra a terceirização generalizada, enfatizou que os trabalhadores externos sofrem 80% dos acidentes de trabalho fatais, pois apresentam as piores condições de saúde e segurança no trabalho e realizam atividades de maior risco. . sem a proteção necessária. Não bastasse isso, estudos de diversos setores destacam o crescimento da terceirização, bem como muitas formas de relações de trabalho precárias, seja em termos de contratos e salários ou de condições de trabalho e saúde. Prova disso é que 90% dos trabalhadores resgatados nos 10 maiores incidentes de trabalho escravo moderno foram terceirizados (DRUCK;.
A análise de dados estatísticos relativos aos acidentes de trabalho é importante porque permite compreender melhor o problema, bem como ajuda a orientar políticas para o seu combate (CARVALHIDO; SALIBA, 2016, p. 258). Assim, ao observar o número de acidentes de trabalho ocorridos no Brasil apenas no ano de 2015, verifica-se que foram 612.632 acidentes, sendo registrados 383.663 acidentes típicos, 13.240 doenças ocupacionais e 2.502 óbitos, conforme publicado no Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS). ). . Vale, portanto, lembrar que os dados estatísticos apresentados foram extraídos apenas de vínculos empregatícios onde existe vínculo formal, sem levar em conta a subnotificação e o mercado de trabalho informal.
Em particular, a ocultação de dados pelo Estado constitui uma grave violação dos direitos sociais da classe trabalhadora, especialmente os relevantes para garantir a existência de um ambiente de trabalho saudável. Verifica-se, assim, que para analisar os acidentes de trabalho em empresas terceirizadas é necessário recorrer a estudos realizados por acadêmicos, sindicatos e instituições do direito do trabalho.
SETORES TIPICAMENTE TERCEIRIZADOS
Portanto, é fácil compreender que a diferenciação das condições do ambiente de trabalho entre os empregados efetivos da empresa e os contratados é o elemento-chave para que os contratados sejam mais afetados pelos acidentes que ocorrem em conexão com o trabalho. A conclusão é óbvia para trabalhadores, especialistas e profissionais: os trabalhadores contratados estão mais expostos a acidentes e mortes no local de trabalho do que os empregados diretos. Isso significa que os empregos ocupados por trabalhadores terceirizados são mais inseguros, precários e com baixo investimento na gestão e controle dos riscos ambientais.
Os números mencionados mostram que os trabalhadores temporários morrem mais do que os permanentes em distribuidoras, geradoras e transmissoras do setor de energia elétrica. Além disso, houve uma transferência gradual de atividades de maior risco para trabalhadores terceirizados e, como consequência, condições de trabalho precárias e degradantes (COUTINHO, 2014, p. 214). De 1995 a 2013, mais de 300 pessoas morreram em decorrência de acidentes industriais na Petrobras, Brasil.
Além disso, o pesquisador Anselmo Ernesto Ruoso Junior (2014) afirma que 84% dos acidentes industriais com lesões afetam trabalhadores externos da Petrobras. É claro que estes sectores tipicamente externalizados excluem as protecções laborais inerentes à força de trabalho, não só retirando direitos, mas também criando consequências irreversíveis para a sua integridade física e mental.
POSSÍVEIS IMPACTOS NOS ÍNDICES DE ACIDENTALIDADE NO TRABALHO APÓS APROVAÇÃO DA LEI N.º 13.429/2017
Entendo que não há necessidade de uma lei que estabeleça regras sobre terceirização, pois é possível utilizar as regras já em vigor, principalmente em caso de fraude. A lei poderia estipular que o salário e os direitos do empregado devem ser iguais entre os empregados do prestador de serviço e do prestador de serviço, como acontece no emprego temporário (artigo 12, a, da Lei nº 6.019/74) ou o coletivo padrão poderia determinar prever isso. O trecho transcrito acima mostra que Martins levou em consideração a igualdade salarial entre os funcionários da empresa e os terceirizados.
Porém, caso tal medida seja adotada pelo legislador, certamente desagradará ao empresariado, uma vez que a base da terceirização é a redução de custos, principalmente com mão de obra. Não há dúvida de que, sendo a actividade fim entendida como a tarefa intimamente relacionada com o objectivo social da empresa, normalmente identificado nos seus estatutos constitucionais, a expectativa das nossas comunidades não pode ser outra senão que os colaboradores que se encontram nesta área seriam contratados diretamente, sem a mediação maligna. Em suma, não é possível ser otimista quanto ao futuro, uma vez que o número de acidentes e doenças no trabalho comprova de forma inequívoca que este modelo de emprego é desfavorável e prejudicial aos trabalhadores, negando as premissas constitucionais de valorização do trabalho e da dignidade humana.
Portanto, a previsão é que haja um aumento no número de acidentes de trabalho, seguindo a autorização legislativa para ampliar por tempo indeterminado o processo de terceirização. Desta vez, para chegar a esta conclusão, basta observar os estudos académicos, os dados estatísticos e a posição dos estudiosos, dos sindicatos, dos estudiosos e das instituições do direito do trabalho.
FLEXIBILIZAÇÃO OU DESREGULAMENTAÇÃO DAS RELAÇÕES DE EMPREGO
Este é um discurso que não é apoiado pelas evidências pesquisadas e pelas realidades do trabalho terceirizado. Além disso, quando olhamos mais de perto a realidade do trabalho terceirizado no Brasil, vemos um índice desproporcional de acidentes, doenças e mortes de trabalhadores. Dito isto, pode-se concluir que permitir a terceirização generalizada levará ao aumento dos índices de acidentes de trabalho, uma vez que os trabalhadores terceirizados ficam mais expostos a ambientes de trabalho degradantes e perigosos sem medidas de segurança adequadas.
Por fim, neste cenário complexo, com o esvaziamento anteriormente conseguido dos direitos laborais e a desregulamentação das relações laborais, não há dúvida de que há uma necessidade urgente de salvar efectivamente a valorização do trabalho e a dignidade da pessoa humana, que trabalha, numa era de verdadeira justiça social e igualdade. NOTA TÉCNICA nº 03, de 23 de janeiro de 2017, da Secretaria de Relações Institucionais do Ministério Público do Trabalho. NOTA TÉCNICA n.º 08, de 26 de junho de 2017, da Secretaria de Relações Institucionais do Ministério das Obras Públicas.
Terceirização e desenvolvimento: uma conta que não fecha / Dossiê sobre o efeito da terceirização nos trabalhadores e propostas para garantir a igualdade de direitos / Secretaria. Direito do trabalho e processo trabalhista no século XXI: livro comemorativo dos 30 anos do TRT na 15ª região / Lorival Ferreira dos Santos, Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani, Manoel Carlos Toledo Filho, coordenadores.