Juliana de Oliveira Rodrigues encontra numa simples foto ‘restos de interioridade’ de um mundo cruel e injusto que muitas vezes não existe. Ele me contou que a modelo, que posa nua em frente ao bar, é garçonete de um bar de karaokê muito particular. A sua existência nada mais é do que um indício do que se pode ver num espaço urbano.
Não há fotografia que não seja documento, que não revele questões inerentes a uma época, a um acontecimento de um tempo e de um lugar, ainda que subjetivo. Este trabalho proporciona uma leitura de uma perspectiva específica, a fotográfica, que o jovem trabalhador e a trabalhadora da cidade de Franca, S.P., fizeram de sua própria casa e, portanto, elemento importante de seu cotidiano e de seu ambiente cultural. Câmeras fotográficas simples foram fornecidas a 13 trabalhadores de quatro indústrias calçadistas desta cidade para que pudessem fotografar seu cotidiano a partir de um roteiro de viagem previamente determinado.
No segundo momento, através de um currículo ajustado e com parâmetros delimitados, onde a análise é feita foto a foto, indivíduo a indivíduo, elemento a elemento fotografado, permitiu-nos fazer um corte horizontal e generalizar a análise de uma “visão de a Casa". Portanto, de um lado, a cognição objetiva e intelectualizada do mundo externo, de outro, o sentimento subjetivo e íntimo – compreensão e sentimento. A substância de um signo é entendida como um “veículo sensível” que resulta na atribuição de uma qualidade, e sua forma se estabelece em relação aos demais signos do sistema.
A obtenção de um número elevado de pontos corresponde a um valor superior em comparação com outros itens e valores identificados” 13.
A exterioridade
Para Santo Barbosa, “A partir deste percurso de leitura podemos saber de forma objetiva e numérica quando um objeto é importante em relação a outros. A progressão geométrica dos valores encontrados nos elementos de cada fotografia permitiu identificar as características de valor que o trabalhador tem que saber. concebe quando é feito o corte fotográfico da casa. Após a leitura dos elementos fotografados em cada quadro, são feitas as somas das progressões geométricas e apresentadas em tabelas que mostram a análise individual das passagens isotópicas (permitem semântica).
Desta forma, o imaginário do exterior da casa materializa-se fotograficamente na diferença entre o espaço público coletivo e o espaço familiar privado. A territorialidade social delimitada visualmente pela fotografia identifica o “eu” que existe num mundo particularizado e o vivencia no espaço familiar em oposição ao espaço público do trabalho, onde o “eu” é aniquilado pelo próprio processo de produção. Nas intersecções temáticas, o contorno da casa, pela sua pureza visual, manteve-se separado do resto, ou seja, dos restantes temas fotografados (com exceção da temática familiar, pela sua inserção quotidiana neste espaço).
Nesse sentido, a existência da individualidade e sua consequente necessidade de demarcar a territorialidade social se dá no cotidiano do trabalhador, na justaposição dos conceitos de tempo e espaço, e é no espaço da casa que “eu” encontra o tempo da imagem/ação, de se afirmar como preditor da imagem fotográfica. Para os homens, as fronteiras entre a visão pública ou mesmo pública e privada definem o conceito visual da casa no seu contorno. Desde a frente mais próxima, a rua que atravessa a lateral da casa, os muros limítrofes com as casas vizinhas, até à casa posterior, a parte de trás, o conceito fotográfico exterior da casa construiu uma relação com a sua própria limitação física.
A casa existe significativamente, como limite e diferenciação, tanto em relação à rua como em relação às casas vizinhas; É desta contradição e deste limiar que nascem os traços identificadores da casa, quase exclusivamente limitados aos olhares familiares que habitam e transformam a casa. O elemento varal é uma extensão do corpo interno da casa e uma ruptura com a arquitetura aparente. O varal emerge do interior e é a única admissibilidade do interior da casa submetido ao olhar público; o varal reconstrói a aparência da casa todos os dias.
Entre os novos trabalhadores, a diferença no contorno da casa é que não enfatizaram os fundos da casa nem o varal. Enfatizando o elemento jardim/folhagem, as mulheres demonstraram sua sensibilidade com a disposição externa da casa, principalmente a frente e as laterais. Embora não fechem o entorno da casa, o que foi dito sobre o olhar masculino também se aplica às mulheres.
A interioridade
Dado que en esta presentación vamos a hablar de fotografías, comenzaré de una manera un tanto convencional, inscribiendo algunos comentarios sobre la imagen fotográfica que hablan de la forma en que la incorporo al análisis cultural. Si la fotografía surgió como respuesta a las obsesiones de inmediatez y posesión fetichista de la cultura contemporánea, expresa al mismo tiempo: es decir, como parte de la forma en que se implementan las relaciones modernas en estas condiciones, resulta que la formación, la regulación y el control de las subjetividades se extiende más allá del comportamiento, hasta la apariencia y visibilidad del individuo.
Por tanto, el tema de la imagen es un eje de indagación en este proceso de construcción moderna de la subjetividad. En cualquier caso, cada retrato presentado va acompañado de un epígrafe que especifica el significado de la imagen. El control de las apariencias se envía desde los individuos peligrosos a todos los ciudadanos a través de servicios de identificación.
De esta forma de valorar la imagen fotográfica, debido a la relación de la imagen fotográfica con su referente, esa adhesión o laminaridad 2, la. Respecto a esta tensión con la transformación de parámetros genéricos de visibilidad y evidencia de discontinuidad, veamos el uso de la fotografía de Auroras. Pero más allá de los signos de discontinuidad que introdujeron estas experiencias, se apreció otro aspecto que nos remite a la relación estratégica que se establece con la imagen.
La descripción de conductas, hábitos y gestos inadecuados, correlatos de psicopatía asignados a estos casos, incluyó la descalificación de prácticas. Si bien no pudieron controlar las historias que se contaban sobre ellos, ni los epígrafes que cortaban y añadían significado en la perspectiva de la inscripción psiquiátrica, en sus fotografías encontramos un efecto de enunciación (Silva, 1998). Intento proponer que más allá de los efectos de poder que han permeado la representación fotográfica, su capacidad de objetivar, los usos de registro e inspección que la han movilizado, la fotografía se ha convertido, sin embargo, en un recurso creativo para las prácticas travestis.
Se refiere a la forma en que el control policial se ha vuelto cada vez más influyente y específico en relación con la custodia comunitaria. En estas páginas se hace referencia específica al relato de "la perturbación aparentemente no regulada, principalmente de las noticias, de los motivos y consecuencias de la sangre y la muerte, de los accidentes del cuerpo y las consecuencias fatales de su carga". Si la perspectiva realista de la modernidad considera el conocimiento como tecnología e información, entonces las imágenes fotográficas se valoran "porque proporcionan información".
Nos interesa transcribir algunos epígrafes para dar cuenta de la forma en que fueron grabadas las imágenes en la edición. Estos relatos son contemporáneos de los efectos de las órdenes policiales provinciales y federales o del Código de Faltas. Al mismo tiempo, la selección que implica el momento de registrar, tomar esa fotografía y no otra, es una forma de notación de la mirada que entra en juego en una situación de campo.
Médicos, ingenios y matones: higiene, criminología y homosexualidad en la construcción de la nación argentina (Buenos Aires.