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PDF Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O objetivo desta pesquisa é demonstrar a importância da arte na reabilitação de pacientes com doenças neurológicas. Os pacientes convidados a participar da pesquisa são atendidos na Rede Sarah, no Rio de Janeiro, no Ateliê de Artes.

Arte e clínica no século XIX: O anormal e a exclusão

O interesse em se afastar da linguagem racional em busca de uma linguagem mais próxima do imaginário e dos sonhos aproxima os artistas do tema da loucura. Décadas depois, Nise da Silveira encontra em Machado de Assis a chave para muitas de suas questões sobre a loucura.

Século XX, aproximações entre arte e clínica: Escola Livre de Artes do

Escreveu um livro sobre o tema L'art chez les fous: le dessin, la prose, la poesie [Arte entre os loucos: desenho, prosa, poesia], no qual tenta compreender o processo criativo, estabelecendo paralelos entre o arte dos doentes mentais, povos primitivos, crianças e artistas ingênuos, ampliando a ideia de arte convencional. Em 1954, realiza a exposição de artistas plásticos do Hospital do Juqueri, no Museu de Arte de São Paulo.

Nise da Silveira e o Museu do Inconsciente

Ela estava interessada em acompanhar o processo de cada paciente, sua forma de trabalhar, sua relação com os materiais e imagens que emergiam desse processo. A parceria com esses artistas e com o crítico de arte foi muito importante para mudar a percepção do mundo da arte em relação ao trabalho dos pacientes.

Rede Sarah

Neste capítulo será apresentada apenas uma parte da história dos hospitais de reabilitação no Brasil, com base na história da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Era uma pequena unidade de reabilitação pediátrica inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Em 1968, Aloysio Campos da Paz, médico e ortopedista, foi convidado para administrar este centro de reabilitação a partir das ideias inovadoras que desenvolveu durante seus estudos em ortopedia e reabilitação em Oxford.

Co-escreveu com a atual diretora da Rede Sarah, Lucia Willardino Braga, o livro Método Sarah de Reabilitação baseado na família e no contexto para crianças com lesões cerebrais (2008), no qual é discutido o método de neurorreabilitação utilizado na rede. Este hospital e centro de reabilitação com espaço ampliado dá início ao projeto Rede Sarah. Após esta publicação, que foi publicada em português e inglês, alguns centros de reabilitação de outros países também passaram a utilizar este método de neurorreabilitação.

A Reabilitação no Sarah Rio

A reabilitação tem um significado amplo, que consiste em parte em restaurar uma função e realizar uma atividade, ainda que de forma diferenciada. Por isso é importante conhecer o paciente, seu contexto e história de vida, saber o que é importante para ele retomar em termos de funcionamento, quais atividades são importantes para ele e assim tentar contribuir para seu retorno a ela, mesmo que de maneiras diferentes, muito diferentes. Os profissionais de cada área que atendem o paciente acessam sua especialidade para saber como essa atividade se dá no contexto do paciente e como ela pode contribuir no seu processo de reabilitação.

A intenção é fazer do paciente um agente do seu percurso e para isso ele deve adquirir os conhecimentos necessários sobre o que está acontecendo no seu corpo e no seu percurso de reabilitação. As atividades são práticas e treinadas por um determinado período com o objetivo de que cada paciente as coloque em prática no seu contexto de vida e não precise mais ir a um centro de reabilitação com tanta regularidade. O processo de reabilitação é dinâmico e varia ao longo da vida do indivíduo e desenvolve-se em fases sucessivas.

Arte no Sarah

Em 1998, Claudia Simas, que era professora da escola de artes Atelier A Cor da Cor, em Brasília, e funcionária da Secretaria de Educação de Brasília, foi convidada para criar um projeto de arte com pacientes da unidade Sarah, em Salvador. Nas enfermarias foram montados ateliês onde os pacientes participavam de oficinas artísticas, demonstravam grande interesse pelas propostas artísticas apresentadas e se engajavam no processo criativo. A obra seria integrada a uma equipe interdisciplinar de professores, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e fonoaudiólogos.

Nas enfermarias antes não existiam obras de arte específicas, os únicos materiais disponíveis eram giz de cera e papel artesanal. No Lago Norte, os pacientes participaram por mais tempo das atividades artísticas e também contaram com grupos ambulatoriais para pacientes que não estavam internados. Na unidade Lago Norte foram realizadas atividades artísticas tanto para pacientes internados quanto para pacientes ambulatoriais.

Arte no Sarah Rio

34;A dança faz parte do programa de reabilitação com o objetivo de oferecer ao paciente formas de lidar positivamente com seu corpo. Foi um processo lento de integração nas equipas de reabilitação e de compreensão mútua do papel. Inicialmente era apenas uma unidade de reabilitação infantil, mas em 2009 foi inaugurado também o sector de reabilitação de adultos.

Em 2014, a divisão do Programa de Reabilitação de Adultos, antes dividido em Coluna e Neurológica, cessou e passou a ser apenas o Setor de Reabilitação de Adultos. Os serviços visam estimular a criatividade de cada pessoa, a capacidade de expressar e refletir sobre as suas criações, com o objetivo de facilitar o processo de autoconhecimento, para ajudar no processo de reabilitação. Muitas destas pessoas estão muito isoladas do ponto de vista social e a sua principal actividade é a ida ao centro de reabilitação.

Galeria de Artes do Sarah Rio

O título desta tese, Gestos Criativos, nasceu de um seminário sobre Arte na doença de Parkinson, no âmbito de um estágio interno na unidade de doença de Parkinson Sarah Rio, em 2010, e tornou-se também título de uma exposição na galeria de arte por pacientes com doença de Parkinson em 2016. Quando tive que pensar em arte na doença de Parkinson, procurei artigos sobre esse tema e descobri que só havia artigos escritos por profissionais de saúde. Também foi interessante observar esses olhares curiosos de outros profissionais de reabilitação fora do mundo da arte que investigam o processo de criação e confecção de obras de arte para pacientes acometidos pela doença de Parkinson.

Para mim foi interessante entender como se deu o processo de criação de pacientes com doença de Parkinson. Comecei a perceber outras formas de pensar, agir e criar, observando o processo criativo dos pacientes e interagindo com eles no ateliê. Após estudos de arte na doença de Parkinson, criei outras, em relação a outras doenças de pacientes que tratei.

Gestos criativos - Arte na Doença de Parkinson

A doença de Parkinson

Muitos estudos têm sido realizados em busca das causas da doença de Parkinson, incluindo suas causas anatômicas. Vale destacar as contribuições de Brissaud, em 1895, que relatou uma lesão em partes específicas do cérebro, a substância negra e o tronco cerebral, como possível base anatômica da doença. Atualmente sabe-se que a perda progressiva de células desta substância negra é um dos marcadores anatômicos da doença de Parkinson.

A causa da doença de Parkinson ainda não é bem compreendida e pode estar relacionada a fatores genéticos ou ambientais. Sua deficiência irá atrapalhar o funcionamento dos gânglios da base, estruturas responsáveis ​​pela modulação dos movimentos, dando origem aos principais sintomas da doença de Parkinson (DP). Existem vários medicamentos utilizados na doença de Parkinson, aqui será discutido apenas o uso da Levodopa.

O caso de João - Arte, criatividade e potência

Um artista acometido por uma doença neurológica oferece a oportunidade de explorar os efeitos da doença na criação artística, e o mesmo acontece ao examinar o processo de criação artística de um paciente acometido por uma doença. Existem muitos estudos sobre artistas que tiveram doenças cerebrais, a maioria dos quais sofreram derrames, mas há poucos estudos sobre a criatividade na doença de Parkinson. Artistas com doença de Parkinson podem apresentar um empobrecimento em originalidade e criatividade, ou uma hipercriatividade, e até mesmo um impulso para a atividade criativa.

O paciente em questão tinha doença de Parkinson há mais de 20 anos, apresentando sintomas motores muito proeminentes e incapacitantes, como tremores excessivos e discinesia (movimentos involuntários causados ​​por medicamentos), além de dificuldades de fala e alterações cognitivas. Outros, como Kandinsky, aceitam a existência de uma realidade interior que é ainda mais ampla do que a natureza exterior, uma realidade que só pode ser aprendida e comunicada através da linguagem visual. Na doença de Parkinson, o surgimento do talento poético e o aumento compulsivo da produção artística estão associados a comportamentos induzidos por drogas dopaminérgicas, como a desinibição e o comportamento obsessivo-compulsivo.

Estudo de caso: a voz do silêncio – arte e linguagem, a criação artística

A linguagem

A linguagem, mais do que uma forma de comunicação, é uma forma de pensar; é através dela que isso acontece.

Linguagem e neurociências

Afasia é um distúrbio de linguagem que pode resultar em alterações no conteúdo, forma ou uso da linguagem. Pode ser caracterizada por uma disfunção tanto na emissão quanto na recepção da linguagem falada ou escrita e pode ocorrer em diferentes graus (ORTIZ, 2005). O paciente em questão, que se chamará Pablo, tem afasia de Broca acompanhada de apraxia de fala.

A afasia de Broca é caracterizada por uma dificuldade de expressão da linguagem, não apenas falada, mas também escrita, podendo também incluir dificuldade de compreensão, mas não principalmente. A apraxia está relacionada a uma dificuldade no planejamento da execução de um ato motor, que pode ser a articulação da fala, a marcha, entre outros; Pablo teve apraxia de fala. O desenvolvimento da linguagem visual pode proporcionar-lhes uma expressão alternativa, um meio de processar os seus pensamentos e sentimentos e de interpretar o mundo que os rodeia.

Pablo e a Arte

A arte feita nos hospitais não difere da arte feita nas escolas e ateliês de arte, no sentido de que dentro destes locais podem existir obras que têm valor artístico e outras que não. Se a pintura de um paciente tem essa vontade de realização e uma organização plástica, porque não chamá-la de arte. Nesse caso os professores não conseguiam entender o que era a obra de arte, era como se eu estivesse falando de algo que não estava no domínio, o domínio eram coisas reproduzidas.

E eu acho que aí eu também descobri como lidar, tive que aprender, coisas que também não faziam parte do nosso métier. Então eu fiz esse trabalho uns quatro meses, ia e voltava, ia e voltava, mas comecei a ver que não tinha para quem repetir aquele trabalho, estava meio vazio. Expliquei que não tinha trabalhado com esse tipo de material, que não poderia fazer as atividades daquele jeito.

Fui ao centro de custo e disse que não dá para fazer arte com resma de papel e giz de cera duro. O trabalho artístico em um lugar diferente das questões espirituais é novo no país.

Referências

Documentos relacionados

O presente trabalho tem como objetivo avaliar o comportamento da tuberculose Tb em pacientes idosos internados no maior hospital de referência para a doença no Estado do Rio de