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PDF Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

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Academic year: 2023

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Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. As duas faces da moeda: a Comissão de Melhoramentos da cidade do Rio de Janeiro e o discurso sobre higiene e saneamento no século XIX/ Janaína Lacerda Furtado.

O tema

O que é interessante notar é que esta discussão sobre uma cidade higiénica e civilizada remonta a muito antes, mais precisamente à segunda metade do século XIX. Esses homens, vale lembrar, formados no início do século, inspirados no discurso do saneamento e da reforma urbana que vinha do século XVIII, baseado na medicina social e nas questões de saúde pública, que começaram a aparecer e a ser discutidos por médicos, políticos e engenheiros durante este período.

As Fontes

Todos esses documentos são fontes impressas e podem ser encontrados no Arquivo Histórico. Contudo, os dois relatórios da Comissão e os textos de Pereira do Rego foram publicados no Jornal do Comércio, tal como os relatórios da Comissão de Melhoramentos. E os relatórios ministeriais, bem como os seus apêndices, e os relatórios da Comissão e do Conselho de Higiene podem ser consultados na Internet, no site da Universidade de Chicago.

Os pressupostos teóricos-metodológicos

E também, como era de se esperar, os dois relatórios da Comissão, também publicados como apêndices aos relatórios dos anos de 1875 e 1876. Para compreender esse processo, que é o estudo da produção do discurso político sobre a higiene, optei por analisar o discurso. produzidos pelo Estado, neste caso os relatórios ministeriais, entre os anos de 1871 e 1876, redigidos pelo Ministro João Alfredo, além dos relatórios da Comissão de Melhoramentos, publicados nos anos de 1874 e 75, bem como os relatórios do Conselho de Higiene no mesmo período.

A cidade do Rio de Janeiro e o seu termo

A primeira freguesia a ser fundada foi São Sebastião, em 1569, e localizava-se no morro do mesmo nome, mais tarde denominado Morro do Castelo8 (ver foto 1 anexo 1). A freguesia de São José albergou o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, a Câmara dos Deputados, a Faculdade de Medicina, a Biblioteca Nacional e o Passeio Público.

Paris, Londres e Rio de Janeiro: a população perigosa

Porém, essa preocupação não era uma prerrogativa do Rio de Janeiro no século XIX, muitas cidades da Europa, como Londres e Paris, eram. Tanto em Londres como em Paris e no Rio de Janeiro, porém, essa pressão trouxe consigo outro problema, o de saúde pública.

A cidade Ideal: os espaços de sociabilidade da elite

Veremos também como isso aconteceu não só na cidade do Rio de Janeiro no século XIX, mas também em duas das mais importantes cidades europeias. Beleza, limpeza, ordem e progresso: a questão da higiene na cidade do Rio de Janeiro, final do século XIX.

História e Medicina: a breve história de uma história

Medicina Brasileira, publicado em 1947, e Pedro Nava, Capítulos da História da Medicina no Brasil, publicado em 194836. O movimento dos Annales também alcançou a historiografia da medicina, com alguns historiadores médicos alemães começando a criar, sob proposta de Marc Bloch, Febvre et al., uma história da medicina que não é mais factual e cronológica, mas ligada à economia, à sociedade e à cultura. Um dos nomes mais importantes é o de Georg Rosen, alemão que viveu nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial e que publicou a História da Saúde Pública em 1958, importante obra de referência ainda hoje utilizada por historiadores e especialistas em saúde pública37.

No Rio de Janeiro, diferentemente de São Paulo, onde as pesquisas em história da medicina e da saúde pública são em grande parte realizadas em universidades, as pesquisas parecem estar concentradas em instituições científicas tradicionais, incluindo a própria Casa de Oswaldo Cruz. COC-FIOCRUZ) em Manguinhos39. Mas segundo o próprio Benchimol, a história da medicina no Brasil ainda necessita de mais estudos, especialmente seus personagens, as instituições e teorias que formaram a base dos discursos médicos e higienistas.

Prevenir é melhor do que remediar: os doutores da cidade

Houve também o Conselho de Saúde de Manchester, órgão criado no século passado que propôs leis e medidas para prevenir ou reduzir a propagação de doenças46. Ou seja, já existia na Inglaterra a ideia de que as questões de saúde pública deveriam ser tratadas por órgãos, comitês, conselhos e similares específicos, nomeados pelo governo. A Comissão Real também propôs a introdução de legislação geral de saúde pública no mesmo relatório, além da padronização dos departamentos de saúde locais.

E em 1875, com a aprovação da Lei da Saúde Pública, deu pela primeira vez uniformidade nacional à administração da saúde pública inglesa54. A partir de então, o problema de saúde pública na Inglaterra tornou-se um problema a ser resolvido de forma eficaz pelo Estado.

As instituições de Medicina e Saúde Pública no Brasil

A disciplina foi reformulada e ampliada com a inclusão de duas novas disciplinas, além da medicina, obviamente, Farmácia e Obstetrícia, segundo o modelo da Faculdade de Paris68. E em 1832, com as reformas das Faculdades de Medicina e dois anos depois com a criação da Academia de Medicina, iniciou-se a interação entre o Estado e um grupo até então pouco prestigiado, os médicos, sobretudo os higienistas, numa época . do crescimento populacional e urbano, onde começamos a pensar na organização dos espaços70. A Academia de Medicina acabou por ocupar o lugar da física no monopólio das questões de saúde, era um órgão muito repressivo, chegou a exigir diversas vezes uma lei rigorosa para a saúde pública e a criação de uma autoridade médica, segundo a física72.

Segundo José Pereira do Rego, Barão do Lavradio, a Academia Imperial de Medicina foi informada, em Janeiro do ano seguinte, pelo médico alemão Robert Lallemant, de que havia uma forte suspeita de que havia doentes com febre amarela internados na Santa Casa75. E diante do parecer favorável da Academia, o relatório do Ministério de Negócios do Império em 1849 tratou o aparecimento da febre amarela como uma doença temporária (apenas) agravada pela irregularidade da estação79.

A Junta de Higiene e a teoria dos miasmas

O primeiro presidente do conselho foi a professora da Faculdade de Medicina, Paula Cândido, seguida posteriormente por Pereira do Rego quando este passou a designar-se Conselho de Higiene Pública. Porém as previsões estavam erradas e em 1855 a cólera chegou ao país, e ao longo da década a cidade sofreu com surtos epidêmicos de febre amarela, cólera e varíola. Depois de uma década relativamente tranquila, a década de 1860, em Em 1870 o problema retornaria, uma nova epidemia de cólera e febre amarela eclodiu na cidade com um número considerável de mortos. Foi precisamente no início desta década que João Alfredo Correia de Oliveira foi eleito Ministro dos Negócios do Império.

E com João Alfredo o Conselho de Higiene teria ainda mais poder, porque daria todas as orientações teóricas para a reestruturação urbana e os planos de saúde pública. Carta do Presidente do Conselho Central de Higiene Pública sobre as medidas necessárias à saúde da capital do império.

O retorno da história política e da biografia

A partir daí, fazer perguntas tornou-se uma dimensão fundamental para este novo tipo de história, e com este movimento foi reconhecida a existência de uma multiplicidade de perspectivas possíveis na história, e as pessoas começaram a falar de uma “história vista de baixo”. , uma história que vê as massas em oposição ao “grande homem”. Seguindo estas novas tendências, os domínios da história expandiram-se para as mais diversas áreas, da cultura material às mentalidades. Segundo Pierre Levillan, o final dos anos 70 marcou o florescimento da biografia na França, e na Academia ela já havia sido "reabilitada" uma década antes. Na verdade, lembra Levillan, a biografia e a história mantêm relações alternativas há muito tempo. do tempo. e cujo significado foi dado pelo autor.

Em 1974, os famosos Pierre Nora e Jacques Le Goff sublinharam no igualmente famoso texto Faire de l'histoire a inadequação metodológica de um género que se situa na fronteira entre a literatura e a história e que, portanto, se encontrava fora do campo histórico103. Porém, o próprio Le Goff já indicava alguns anos depois, no início dos anos oitenta, no seu artigo Saint Louis a-t-il existé.

João Alfredo e os projetos de Melhoramentos

Na verdade, na época em que exerceu o cargo de Presidente do Pará e Deputado em sua terra natal, observou as obras de melhoria da cidade lideradas por seu antecessor, Jerônimo Coelho, em Belém, e os planos do Conde de Boa Vista, Francisco do Rego Barros . , em Recife. Bloem iniciou seu plano de reforma estabelecendo uma série de leis denominadas "Arquitetura, Ordem e Administração da Cidade", que determinavam a abertura de estradas, o assoreamento dos rios e o layout dos edifícios,111 um plano que continuou no próximo. década com outro engenheiro, este. outrora um francês Louis Lérger Vauthier. Vauthier, famoso pela planta do Teatro Pernambucano, chegou ao Recife em 1840 e permaneceu por seis anos, período durante o qual elaborou um plano geral de alinhamento de ruas, traçando plantas para vários bairros112.

Formulou também um Plano Geral de Melhorias para a cidade do Recife, no qual pretendia reformar o porto, abrir estradas e ruas, mas apenas alguns dos projetos ganharam vida113. Essa paisagem e prazer é a satisfação de uma necessidade pública e afetará muito não só a saúde desta capital, mas também os hábitos da população (..) O Rio de Janeiro com seu clima quente precisa de bebidas refrescantes..116 .

Os escolhidos: a Comissão de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro

Com a saída de André Rebouças, Pereira Passos foi promovido a engenheiro do Ministério do Império, em 1874, com a incumbência de chefiar a Comissão de Melhoramentos da cidade do Rio de Janeiro. Francisco A., Meios de Transporte no Rio de Janeiro Rio de Janeiro: Tipografia do Jornal do Comércio, 1934. Primeiro Relatório da Comissão de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, 1975.

REGO, José Pereira do, Esboço histórico das epidemias que eclodiram na cidade do Rio de Janeiro de 1830 a 1870. Beleza, limpeza, ordem e progresso: a questão da higiene na cidade do Rio de Janeiro no final do séc. século. Século XIX. REGO, José Pereira do, Esboço histórico das epidemias que eclodiram na cidade do Rio de Janeiro de 1830 a 1870.

História da Engenharia no Brasil (séculos XVI a XIX), Rio de Janeiro/São Paulo: Livros Técnicos e Científicos, 1984.

Referências

Documentos relacionados

Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ Doutor em Direito pela Universidade